sábado, 5 de novembro de 2011

ORIENTAÇÃO MARCA PONTOS EM ÉVORA, NA CONFERÊNCIA NACIONAL SOBRE SUSTENTABILIDADE NO SECTOR DO TURISMO




A Sustentabilidade no Sector do Turismo foi tema de Conferência Nacional que teve lugar em Évora, no passado fim de semana. Num programa rico e aliciante, onde se abordaram os grandes desafios que o sector enfrenta e onde a Construção Sustentável e a Gestão Energética tiveram papéis de superior importância, os hábitos de desporto e lazer e a relação com o meio natural para a sua prática não ficaram de fora. O Orientovar foi ao encontro de Luís Quinta-Nova, um dos intervenientes neste importante encontro e traz-lhe aqui o poster apresentado, assim como um resumo da comunicação “Impacte de um evento de Orientação Sobre a Flora e a Vegetação – O Caso do Grande Prémio de Orientação de Terras do Bouro”.


A APEA – Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente promoveu entre 28 e 30 de Outubro, em Évora, a Conferência Nacional de Sustentabilidade no Sector do Turismo, onde se debateram temas como os desafios para o turismo sustentável (rural, de natureza, aventura, outros), a certificação ambiental das unidades hoteleiras, o impacto das Alterações Climáticas no sector do turismo, a construção sustentável no sector do turismo e a gestão energética sustentável em unidades hoteleiras.

Este importante encontro juntou especialistas de múltiplas áreas ligadas a esta problemática, nacionais e estrangeiros, contando com o apoio da Turismo do Alentejo, ERT, da AREANATEJO – Agência Regional de Energia e Ambiente do Norte Alentejano e Tejo e da ARECBA – Agência Regional de Energia do Centro e Baixo Alentejo. No âmbito da Conferência foram apresentadas três comunicações sob a forma de poster relacionadas com a Orientação e as Corridas de Aventura, desde logo este “Impacte de um evento de Orientação sobre a Flora e Vegetação – O caso do Grande Prémio de Orientação de Terras do Bouro”, da autoria de Miguel Cardoso e Luís Quinta-Nova, mas também “Eventos turísticos sustentáveis – Caso do Estoril Portugal Expedition Race”, da autoria de Alexandre Guedes da Silva e Manuela Sarmento e ainda “Impacto da intervenção mediática on-line na sustentabilidade dos eventos - O conceito Follow my team”, desenvolvido por Alexandre Guedes da Silva e Nuno Filipe Pestana.


Método de trabalho

Ao encontro do poster “Impacte de um evento de Orientação sobre a Flora e Vegetação – O caso do Grande Prémio de Orientação de Terras do Bouro”, começaremos por dizer que o mesmo representa as conclusões dum estudo que teve como objectivo a “avaliação do impacte do Grande Prémio de Orientação de Terras do Bouro sobre a flora e vegetação da serra de Santa Isabel, e da sua capacidade de regeneração subsequente ao evento”. Este evento, conforme pode ser lido no poster, realizou-se nos dias 11 e 12 de Novembro de 2006 e consistiu numa prova da Taça de Portugal de Orientação Pedestre.

O método utilizado para levar a cabo o estudo consistiu na selecção de 27 áreas de amostragem, áreas essas correspondendo a um círculo de 2 metros de diâmetro em cujo centro se situou o posto de controlo. Na escolha das áreas seleccionadas, os autotres do estudo tiveram em conta a representatividade da vegetação, o valor florístico das comunidades e, naturalmente, a passagem de um elevado número de atletas. Na avaliação pós-evento (imediatamente após a competição e dez meses após o evento) foram registados a intensidade do pisoteio, trituração e/ou esmagamento da folhagem e efeitos passíveis de causar a morte da planta ou de afectar o desenvolvimento do seu ciclo fenológico.


Conclusões

Segundo a revisão da IOF (2005), resultante da análise de estudos efectuados entre 1974 e 2001, concluiu-se que, em eventos com menos de 2500 participantes, existe um impacte reduzido e uma rápida recuperação da vegetação. Isso mesmo é confirmado por Miguel Cardoso e Luís Quinta-Nova que, nas considerações finais, afirmam que “os efeitos do evento sobre a flora e vegetação assumiram uma magnitude pequena e de pouca importância para o ambiente, e uma incidência breve relativamente ao tempo de permanência e à restituição das condições iniciais, o que indicia que o impacte do evento pode ser considerado reduzido”.

Os resultados obtidos neste estudo, conjugados com os obtidos noutros estudos (e.g.; Campos, 2001; IOF, 2005; Mendoza, 2007), permitem extrair algumas constatações que devem ser tomadas em conta, nomeadamente:
  • As comunidades de briófitas – os musgos – têm uma capacidade de regeneração lenta; como tal, deve ser evitada a marcação de postos de controlo em áreas em que os mesmos estejam presentes:
  • A progressão em terrenos com declive muito acentuado parece aumentar a magnitude dos efeitos; assim sendo, deve ser evitada a passagem e marcação de postos de controlo nestas áreas, aquando da presença de espécies vulneráveis ou detentoras de estatutos especiais de protecção;
  • A magnitude e incidência dos efeitos sobre a flora e a vegetação parecem ser, também, determinadoas pela altura do cilo fenológico das plantas em que se processa a acção que as origina;
  • A magnitude dos efeitos, no que concerne à quantidade do factor ambiental afectado, de uma forma geral, parece assumir uma correlação elevada com o grau de pisoteio; assim sendo, o planeamento dos percursos deve prever, tanto quanto possível, evitar a visita de um elevado número de atletas a cada posto de controlo;
  • As zonas de partidas e chegadas são as áreas mais pisoteadas, como tal, a sua selecção deve evitar a opção por zonas vulneráveis ou dotadas de importância ambiental.

Eis, pois, um importante conjunto de recomendações, à atenção de organizadores, traçadores de percursos e supervisores. O ambiente agradece!

Demais informação sobre a Conferência Nacional Sobre Sustentabilidade no Sector do Turismo pode ser encontrada em http://conferencias.apea.pt/scid/subAPEA/.

[Poster gentilmente cedido por Luís Quinta-Nova]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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