quarta-feira, 30 de novembro de 2011

DESPORTO ESCOLAR: ANO NOVO, VIDA NOVA?





Numa altura em que está prestes a começar, em Palmela, uma reunião de responsáveis pelos Grupos-Equipa de Orientação da Península de Setúbal, o Orientovar vai uma vez mais ao encontro do Professor Ricardo Chumbinho e daquilo que está, neste momento, em cima da mesa: o novo modelo de funcionamento do Desporto Escolar e a definição dos novos quadros competitivos locais e regionais.


Como é sabido, as reformas educativas diretamente relacionadas com o Desporto Escolar levaram à extinção das Equipas de Apoio às Escolas e a sua substituição pelas Coordenações Locais de Desporto Escolar. Numa altura em que se aguarda a publicação da nova Lei Orgânica do Ministério da Educação e Ciência, é certo que, mesmo depois de publicado, o documento apenas produzirá efeitos com a publicação de regulamentação subsequente. Daí que seja prematuro apontar os fundamentos desta e outras medidas de extinção e fusão que serão aprovadas com a futura Lei Orgânica, fundamentos que irão certamente desde os motivos economicistas aos funcionais.

Em termos práticos, porém, os efeitos destas alterações no tocante à Orientação nos quadros da Direção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo serão nulos. Atentando nas palavras do Professor Ricardo Chumbinho, em declarações exclusivas ao Orientovar, “nos aspectos ligados à organização, implementação e operacionalização das actividades a desenvolver, nomeadamente os quadros competitivos, continuam a existir localmente professores de apoio às modalidades (nalguns casos ex-coordenadores das ADE’s) que trabalham directamente em articulação com a CLDE (antigamente faziam-no com a EAE)”. E acrescenta: “Inclusivamente, no caso da Península de Setúbal, mantém-se inalterável o funcionamento da ADE. Aquilo que realmente se alterou prende-se com o facto de ter passado de quatro para três o número de tempos de redução da componente lectiva, uma alteração decorrente não das alterações estruturais mas de despacho de organização do ano lectivo, publicado em Maio”.


Novo modelo, mais oportunidades

O modelo este ano a aplicar na DRELVT foi deixado à consideração da Coordenadora Regional do Desporto Escolar, Professora Patrícia Canário, pelo próprio Professor Ricardo Chumbinho, numa fase em que não se sabia ainda se seria possível a sua continuidade enquanto coordenador da ADE. Trata-se dum modelo mais leve em termos organizacionais e que, na prática substitui os três quadros competitivos locais anteriormente existentes (Península de Setúbal, Oeste e Lezíria e Médio Tejo) e que apuravam para o Campeonato Regional (só nos escalões de Juvenis e Iniciados e mais recentemente apenas os Juvenis), por um circuito regional composto por seis etapas (três dias com competição de manhã e de tarde) no qual participam todas as escolas da DRELVT. Do ranking regional final apuram-se as equipas e individuais apurados para o Campeonato Nacional e extraem-se igualmente classificações por CLDE. Isto equivale a dizer que passará, pela primeira vez, a haver competição de nível regional para Infantis, Iniciados, Juvenis e Juniores.

Acerca do novo modelo, o nosso interlocutor é de opinião que, “em termos de organizações para as escolas e oportunidades de prática para os alunos, passamos de um cenário em que se organizariam cerca de quinze provas locais e um regional com dois dias, para seis provas regionais; os alunos tinham a oportunidade de participar em cerca de cinco provas locais às quais se somavam dois dias de regional (apenas para os apurados), passando agora todos os alunos a ter oportunidade de participar em seis provas, sem quotas de participação, independentemente de escalões e apuramentos. Acrescem a estas seis provas regionais, eventuais provas locais de abertura e/ou encerramento que as CLDE’s possam organizar. Digamos que, grosso modo, com menos organizações aumenta-se a oportunidade de prática, sendo ainda expectável que tenhamos provas com muitos mais participantes (apontaria para cerca de 500).” Ricardo Chumbinho faz questão de referir, “por elementar justiça, que se trata de um modelo inspirado na forma como a Direção Regional de Educação do Norte já vinha desenvolvendo os seus quadros competitivos de há alguns anos a esta parte, embora com a introdução de alguns ajustamentos às nossas realidade e convicções.”


Nacionais deverão voltar a abrir-se aos Iniciados

Quisemos saber junto daquele responsável se a estrutura das competições é uniformemente implementada em todas as Direcções Regionais ou se a DRELVT continuará a ter um quadro próprio. Da resposta de Ricardo Chumbinho, infere-se que “cada DRE assume, em função de realidades muito distintas, os modelos de quadro competitivo que julga melhor se adequarem à respectiva realidade. O que importa referir é o facto de, em princípio, voltarmos este ano a ter o escalão de Iniciados no Campeonato Nacional.” Para este facto terá pesado o facto da Direção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) ter sido sensível aos argumentos apresentados a propósito da possível organização dos Campeonatos do Mundo de Desporto Escolar ISF 2013, que terão lugar em Portugal, resolvendo abrir a competição nacional aos Iniciados.” Mas Ricardo Chumbinho deixa uma ressalva: “Segundo a DGIDC, os Iniciados só não estarão nos Nacionais se surgirem dificuldades logísticas inultrapassáveis.”

Apesar do “emagrecimento” das funções das Associações Desportivas Escolares (ADE), e no tocante à ADE Palmela, o Professor Ricardo Chumbinho continua a ser o seu Coordenador e, nesse papel, Professor de apoio à CLDE da Península de Setúbal. Para além disto e porque a DRELVT resolveu adoptar o modelo por ele proposto, Chumbinho acaba por assumir igualmente, embora de forma algo informal, a coordenação do novo circuito regional da DRELVT. Impõe-se, contudo, um esclarecimento no tocante à questão da continuidade/extinção das ADE’s e que Ricardo Chumbinho se apresta a dar: “Não tendo havido nenhum despacho a extingui-las, a verdade é que ao chamar a si a organização e coordenação dos Quadros Competitivos das modalidades, as CLDE’s esvaziaram funcionalmente as ADE’s. No entanto, nos casos em que se lhes reconheceu um funcionamento de tal modo ágil, eficaz e oleado, cuja alteração poderia ser mais prejudicial do que benéfica, foi decidido manter não apenas a ADE como atribuir-lhe a organização, gestão e controlo dos Quadros Competitivos como acontecia no antecedente; foi o que se verificou quanto à “nossa” ADE.


Em equipa que joga bem não se mexe

Apesar das várias alterações de designações, modelos e actores que ocorreram nos últimos onze anos – desde que no ano 2000, a responsabilidade operacional pelas actividades do Desporto Escolar a nível local foram deslocadas das estruturas do Ministério da Educação para estruturas centradas nas escolas -, o funcionamento no terreno nunca se alterou. Isto comprova aquilo que é referido anteriormente e que, para o Professor Ricardo Chumbinho, “é um sinal de que o modelo de organização e funcionamento é adequado e tem-se mostrado, inclusivamente, imune a outras alterações, sendo aqui justo deixar testemunho da atenção que a modalidade sempre tem merecido, local e regionalmente, da parte de quem tem tido a responsabilidade de tomar decisões que poderiam afectar a Orientação.”

Ainda no tocante à ADE Palmela, Ricardo Chumbinho lembra que “sempre tivemos um grupo de professores organizados sob uma determinada estrutura centrada na escola, a conceber e organizar quadros competitivos locais financiados pelo Desporto Escolar e em articulação com estruturas locais da DREL(VT), com o apoio (logístico e/ou cedência de mapas) de alguns clubes como o CIMO, Lebres do Sado, GDU Azoia, CPOC e Clube de Praças da Armada e participação das equipas escolares que, sublinhe-se, têm sido superiormente dirigidas por professores de Educação Física muito empenhados no desenvolvimento de uma modalidade cuja implementação conhece as dificuldades que todos (re)conhecemos, particularmente quando comparadas com outras disponíveis no mercado”. Em conclusão, “continuaremos a ter as mesmas provas, organizadas segundo os mesmos conceitos e com a mesma participação. Creio poder dizer também que, da mesma forma, continuaremos a ver surgir, especialmente em Palmela, Pinhal Novo e Sesimbra, todos os anos, novos valores para a modalidade”.


Mundiais ISF Algarve 2013 em risco

Fugindo um bocadinho ao âmbito do assunto aqui tratado, a verdade é que as nuvens negras que pairam sobre esta Europa unida e, em particular sobre os países da periferia, com reflexos evidentes na economia – e no “bolso” - dos portugueses, levaram-nos a formular uma última questão que já todos adivinharam, certamente: De que forma é que todo este clima pode afectar a organização dos Mundiais de Desporto Escolar ISF 2013, do Algarve? A realização do evento corre algum risco? Eis a resposta: “Pergunta sagaz e muito pertinente! O Mundial ISF’13 no Algarve está de facto em risco, conforme já foi transmitido à Federação Portuguesa de Orientação numa reunião tida na DGIDC. Este risco advém não do clima que se vive nem da disponibilidade da FPO para continuar a apoiar esta organização mas do facto de, neste momento, o Gabinete Coordenador do Desporto Escolar da DGIDC afirmar não ter a garantia de disponibilidade dos necessários recursos humanos da parte do Ministério da Educação e Ciência, para assegurar o cumprimento deste compromisso internacional que o país assumiu com a ISF.”

Em jeito de conclusão, se é verdade que “a necessidade aguça o engenho” e no tocante à dinâmica das novas Coordenações Locais de Desporto Escolar tudo parece estar bem, por outro lado há compromissos assumidos no tocante à organização dos Mundiais ISF 2013, há “timings” rigorosos a cumprir e há – para o bem ou para o mal - respostas a dar sobre esta questão num brevíssimo espaço de tempo. Vamos aguardar com expectativa os novos desenvolvimentos, na certeza porém de que quem de direito saberá que oportunidades destas não surgem todos os dias, estão em causa interesses que ultrapassam em muito os simples valores materiais e os esforços para encontrar as necessárias soluções acabarão por surtir efeito. Recusamo-nos a acreditar que, em 2013, no Algarve, Portugal se privará a si próprio da oportunidade de oferecer ao Mundo mais um notável exemplo de rigor e capacidade organizativa, num evento de altíssimo nível que, por si só, justifica todo o investimento!


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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