sábado, 8 de outubro de 2011

ROSA PERNAS: "HOJE SINTO-ME EM PORTUGAL COMO EM CASA"




Habituámo-nos a ver Rosa Pernas nas nossas provas, sempre com um sorriso, a fazer aquilo que mais gosta: Orientação. Agora foi a vez dum grupo de orientistas do Norte retribuir as constantes visitas e, cruzando a fronteira, demandar terras da Galiza ao seu encontro. Mas, afinal, quem é Rosa Pernas?


Orientovar - Como é que nasce esta sua paixão pela Orientação?

Rosa Pernas - Conheci a Orientação quando procurava uma actividade para fazer em família, com um menino de sete anos. Já lá vão cerca de doze anos e cada vez gosto mais.

Orientovar - Que atractivos encontra neste desporto?

Rosa Pernas - É difícil resumir os atractivos: desporto ao ar livre, respeito pela natureza, possibilidade de ser praticado por toda a gente e de qualquer idade, sexo ou condição física, é tão importante a mente como o corpo, pode desfrutar-se só ou em companhia...


É indiscutível a qualidade da Orientação portuguesa

Orientovar - Competição e Orientação são duas palavras que se devem congregar ou vê na Orientação apenas o aspecto lúdico?

Rosa Pernas - Orientação e competição podem andar perfeitamente de mãos dadas ou separadas, é uma opção pessoal. A grandeza da Orientação advém do facto de apresentar várias vertentes: a) uma parte educativa de amadurecimento e superação pessoal, importante nas categorias mais jovens; b) uma vertente de competição desportiva onde os valores e o jogo limpo são tão importantes como o resultado; c) uma actividade lúdica e festiva na Natureza; d) Um desporto aberto e ao alcance de todo o tipo de sociedade.

Orientovar - É uma frequentadora habitual das provas realizadas em Portugal, particularmente no Norte do País. Porquê essa ligação tão forte?

Rosa Pernas – Comecei a participar nas provas do Norte de Portugal porque está perto de nós e o calendário na Galiza é muito restrito. Hoje sinto-me em Portugal como em casa. É indiscutível a qualidade da Orientação portuguesa. Bons mapas, boas organizações, bons orientistas e um acolhimento impecável por parte dos clubes portugueses. Pode pedir-se mais? Apenas que perdure.


Todas as provas em Portugal deixam, no mínimo, uma boa recordação

Orientovar - Há alguma prova na qual tenha participado em Portugal e que lhe tivesse ficado gravada na memória?

Rosa Pernas – Todas as provas em Portugal deixam, no mínimo, uma boa recordação. Se devo destacar uma, não há dúvida, será o Campeonato do Mundo de Veteranos. Foi uma prova grande em todos os aspectos: mapas, traçados, organização... Foi das melhores provas de sempre nas quais participei.

Orientovar - Em Espanha, o sistema de organização e os calendários de provas são algo diferentes. Como é que vê esta questão das Ligas Autonómicas?

Rosa Pernas – Participo em todas as provas da Liga Autonómica mas em poucas da Liga Nacional porque a maioria delas realiza-se muito longe da Galiza. Não saberia avaliar se, dum modo geral, o calendário é bom ou mau. Mas sei que é negativa a existência de tamanha desconexão entre as diferentes Ligas Autonómicas. Tão pouco é benéfico que praticamente todas as provas da Liga Nacional tenham lugar numa única parte do nosso território.


Espanha e Portugal deveriam coincidir na realização de mais eventos conjuntos

Orientovar - Em termos comparativos, quais as grandes diferenças entre o que se passa no seu País e em Portugal?

Rosa Pernas – Não é fácil responder a esta questão, uma vez que praticamente conheço mais do que se passa em Portugal do que em Espanha. Em Portugal há uma página web da Federação Portuguesa de Orientação actualizada permanentemente e onde nos inteiramos de tudo o que se passa; em Espanha é lamentável que tenhamos de buscar a informação quase à lupa, visto que a página da FEDO não está tão bem organizada.

Orientovar - Se tivesse poderes de decisão, que medidas tomava para que a Orientação pudesse crescer e afirmar-se neste particular contexto peninsular?

Rosa Pernas – A Orientação deve começar a ser ministrada desde as Escolas, com uma actividade formativa ao encontro das muitas qualidades que hoje não se valorizam mas que estão aí e as quais mencionei anteriormente. Para tal é necessário contar com os Professores de Educação Física e com o apoio das instituições educativas. O ponto seguinte tem a ver com o trabalho das Federações, de aproximação e apoio aos Clubes, procurando rentabilizar esforços, sabendo escutar e actuar numa perspectiva positiva. E também fomentar a competição, o fair-play e aproximar-se do público em geral. Que as pessoas nos reconheçam como desportistas normais e não como gente bizarra que só sente prazer quando se enche de lama, água ou o que quer que seja. Espanha e Portugal deveriam coincidir na realização de mais eventos conjuntos, mesmo mais provas comuns.


Enquanto poder caminhar e pensar, seguirei fazendo Orientação

Orientovar - Vamos continuar a vê-la a fazer Orientação por quanto tempo mais?

Rosa Pernas – Há sete anos passei por um momento difícil na minha vida pessoal e a Orientação ajudou-me imenso a ultrapassar essa fase. Foi para mim um bom complemento terapêutico. Enquanto poder caminhar e pensar, seguirei fazendo Orientação.



[Foto de grupo gentilmente cedida por Rosa Pernas]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

3 comentários:

fernando disse...

Podemos definir a Rosa como simpatia, amizade, boa disposição e muita paixão pela orientação.
Depois da prova de Vigo, vamos passar a ir mais vezes à Galiza praticar Orientação.

Cumprimentos
Fernando

Anónimo disse...

e a mim decidiu-me a fazer mais umas horas de estrada para ir a Évora - temos que aproveitar enquanto há...


ILCO

Dinis Costa disse...

Uma “Rosa” com “Pernas” coração e cabeça
A geografia política, nem sempre, se pode sobrepor com a geografia das pertenças identitárias, das concepções culturais do mundo e, a Galiza é mais ali que o sol algarvio. Existem, na cultura oral do norte, muitas marcas dessa proximidade afectivamente vivida.