quinta-feira, 20 de outubro de 2011

ORIENTAÇÃO NO URUGUAI: HISTÓRICA PARTICIPAÇÃO NOS MUNDIAIS WOC & WTOC 2011




Ao regressar de França, em finais do passado mês de Agosto, a selecção do Uruguai carregava na bagagem, para além das vivências sempre marcantes dum Campeonato do Mundo de Orientação, um feito absolutamente único: pela primeira vez na história desportiva daquele País da América Latina, uma delegação nacional tomou parte na competição maior do desporto da floresta.


A 28ª edição do Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre e a 8ª edição do Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão, as comemorações do 50º Aniversário da IOF - Federação Internacional de Orientação e um Festival de Orientação nas florestas da Sabóia francesa, junto à fronteira com a Itália, cativaram a presença de cerca de cinco milhares de participantes entre os 6 e os 85 anos de idade e saldaram-se por um êxito rotundo.

Representado por quatro atletas – Winston Robilotta, Pablo Molina e Rodrigo Manzo, militares, e Cecilia Robilotta, docente do Ensino Público – o Uruguai foi um dos cinquenta e três países presentes no grande evento, facto que ocorre pela primeira vez na história daquele País. Os integrantes da delegação uruguaia aproveitaram um convite do governo francês e da organização do evento, que levou a cabo um programa de apoio a países emergentes na modalidade, oferecendo a estadia, inscrições nas provas disputadas e custos com os transportes a nível local. Aos uruguaios pedia-se “apenas” que custeassem as suas passagens. Winston Robilotta foi um dos elementos deste quarteto que cruzou o Atlântico e rumou a França, e é ele quem partilha com o Orientovar as principais incidências da histórica expedição.


Primeira experiência “altamente positiva”

“A Federação Uruguaia de Orientação procura adquirir experiência e competência técnica para abordar também no seu meio a organização de eventos desta natureza, como são os casos do I International O-Meeting e da VII Copa Mercosul que se realizarão em Maldonado, no próximo mês de Novembro, bem como a Taça dos Países Latinos e o Campeonato Sul-Americano de Orientação em 2013”, começou por referir Robilotta a propósito dos objectivos que levaram a delegação uruguaia ao encontro dos Mundiais de Orientação WOC & WTOC 2011.

Quanto à forma como as provas decorreram, o atleta é claro: “Apesar das performances dos nossos desportistas estarem ainda muito longe de poderem equiparar-se às dos mais experientes países europeus, a Federação Uruguaia de Orientação avaliou como altamente positiva esta primeira experiência nesses grandes eventos.” Procurando contextualizar aquele que é o sentimento dominante no seio da comunidade orientista uruguaia, Robilotta lembra que a Orientação, lançada no Uruguai pelo Exército Nacional na década de 90 do século passado (o Uruguai é membro da IOF desde 1999), “constitui uma ferramenta com enormes potencialidades do ponto de vista desportivo, lúdico e mesmo didáctico, desenrolando-se em ambientes naturais ou urbanos e dirigindo-se a pessoas de qualquer idade, o que tem concorrido para a sua introdução de forma massiva nos sistemas educativos europeus, constituindo uma modalidade desportiva no auge em todo o Mundo.”


“Incorporação da Orientação no sistema educativo nacional”

Em relação ao Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão, Winston Robilotta abre um parêntesis para falar da sua performance. “Embora a nossa delegação tenha sido constituída por quatro atletas, coube-me a honra de ser o primeiro uruguaio – e talvez o primeiro latino-americano - a competir no Campeonato do Mundo de Orientação de Precisão”, começou por afirmar Winston Robilotta, para logo acrescentar: “Não posso considerar-me muito orgulhoso dos resultados alcançados, mas julgo que aprendi muitíssimo. Creio, sinceramente, que tendo ido para a prova apenas com os conhecimentos adquiridos através da leitura do livro 'Orientação, Um Desporto Com Pés e Cabeça', da Federação Portuguesa de Orientação, ninguém aprendeu tanto como eu. Aprendi mais sobre Orientação de Precisão em vinte e quatro horas, do que em todos os últimos meses, a partir do momento em que esse livro me chegou às mãos.” Mas a sua atenção prende-se sobretudo com os primeiros passos da Orientação de Precisão no Uruguai:”Esta modalidade, impulsionada pela Associação Uruguaia de Orientação, pelo Projecto PRISMA de Maldonado e pela própria Federação Uruguaia de Orientação, permitirá levar esta disciplina ao encontro das pessoas com incapacidade ou limitações motoras, exigindo aos participantes não a realização dum percurso no menor tempo possível, mas sim um conjunto de observações pontuáveis, com a ajuda dum mapa e duma bússola, a realizar num dado tempo limite e ao longo dum percurso definido pela organização.”

Em relação ao futuro, percebe-se que há muito trabalho pela frente, mas igualmente um enorme entusiasmo face aos desafios que se colocam: “Nos planos da Federação Uruguaia de Orientação no tocante a um futuro próximo estão a aquisição dum sistema electrónico que permitirá receber e controlar um número muito maior de participantes nas provas, a proposta de incorporação da Orientação no sistema educativo nacional, prosseguir com novos avanços na referida disciplina de Orientação de Precisão, a formação em Orientação de corredores de alta performance provenientes do Atletismo nacional e um grande número de cursos de formação técnica nas diversas especialidades envolvidas no processo de organização de provas, como seja o caso dos Cartógrafos, Traçadores de Percursos, Supervisores e Treinadores."


“Verdadeiros campeões”

O próximo desafio chama-se I Internacional Maldonado O'Meeting / VII Copa Mercosul e já está em marcha. Um ciclo prévio de difusão e desenvolvimento inicial da Orientação em Montevideu, a capital do País, e em distintas localidades do interior do Uruguai, tem ocupado as atenções da organização ao longo do mês de Outubro. De 31 de Outubro a 6 de Novembro serão disputadas as provas correspondentes ao programa competitivo e haverá ainda lugar, no dia 3 de Novembro a uma apresentação e prova de demonstração de Orientação de Precisão.

A este propósito, Winston Robilotta confidenciou-nos: “A Orientação de Precisão é uma prioridade, pelas possibilidades que abre quanto à inclusão de todos os públicos na Orientação desportiva. Começo a perceber que a Orientação de Precisão desperta uma maior simpatia do que a própria Orientação Pedestre ou em BTT e a sociedade uruguaia está mais ávida quanto a este tipo de propostas do que no tocante à pura competição.” E, a terminar: “Com a ajuda do livro 'Orientação, Um Desporto Com Pés e Cabeça' tenho procurado ensinar a Orientação de Precisão a um grupo de cinco jovens do Liceu Público de Maldonado. São eles a minha esperança de disseminação desta disciplina e que um dia sejam eles os verdadeiros campeões que representem o Uruguai nos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão.”




[Fotos gentilmente cedidas por Winston Robilotta]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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