sábado, 15 de outubro de 2011

ORIENTAÇÃO ADAPTADA: SUCESSO NA ESTREIA DUMA ACTIVIDADE AO ENCONTRO DO CIDADÃO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL




Sob o signo da Orientação, uma nova actividade dá os primeiros passos em Portugal. Ao encontro das pessoas portadoras de Deficiência Intelectual, a Orientação Adaptada teve ontem a sua estreia na cidade do Porto. Com enorme sucesso, diga-se!


O Parque da Cidade do Porto foi palco, na manhã de ontem, duma actividade singular. Chama-se Orientação Adaptada, bebe a sua filosofia no desporto da floresta, rege o seu “comportamento” pelas regras da Orientação de Precisão e é destinada a pessoas portadoras de Deficiência Intelectual, qualquer que seja o seu grau. Actividade pioneira em Portugal, a Orientação Adaptada nasce dum projecto desenvolvido por Joaquim Margarido e mereceu, uma vez mais, o apoio e carinho do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, que sustentou todo o enquadramento técnico necessário à sua execução.

Jornada histórica integrada no programa “Orientação é GIRO!”, a actividade contou com a participação de três grupos em representação do CEFPI – Centro de Educação e Formação Profissional Integrada (Vilarinha, Matosinhos), CERCIESPINHO e CERCIVAR, num total de 24 atletas. A enquadrar os participantes, garantindo o bom funcionamento da actividade, pôde a organização contar com um grupo de sete alunos do 12º Ano – Curso Tecnológico/Desporto da Escola Secundária Júlio Dinis, de Ovar, cuja atitude pedagógica e presença face às inúmeras solicitações se revelou preciosa, contribuindo decisivamente para uma manhã extraordinariamente bem sucedida.


10 pontos, 10 vitórias

Pensada, como já se disse, para pessoas com Deficiência Intelectual, esta primeira experiência de Orientação Adaptada desenvolveu-se ao longo dum perímetro de 600 metros, sobre um percurso que contou com a existência de 10 pontos de controlo. Aos participantes pedia-se que fizessem a correspondência entre a sinalética do mapa e a sua materialização no terreno, sob a forma de sequências de cores. Desenvolver o raciocínio lógico, saber interpretar sequências e correlacioná-las com uma simbologia básica, promover a destreza manual através da picotagem em cartão e apelar à actividade física, em harmonia com o espaço natural envolvente, de enorme beleza feito, foram apenas alguns dos objectivos desta actividade. Os outros, já se vê, prendem-se com todo um trabalho de socialização, de valorização da auto-estima e de promoção da saúde e bem-estar, aspectos intrínsecos à natureza da pessoa humana enquanto ser bio-psico-social.

Os resultados não podiam ser mais animadores. Cada descoberta, cada picotagem do cartão – independentemente da resposta estar certa ou errada -, constituiu uma vitória pessoal a muitos níveis e, nesse sentido, todos foram vencedores. Ricardo Pinto, responsável da CERCIVAR, assumia-se no final como porta-voz do grupo e exprimia desta forma a sua satisfação: “Ficámos todos muito satisfeitos com a iniciativa, de tal forma que os meus atletas já me pediram que uma actividade destas possa vir a ter lugar em Ovar, não apenas com eles mas também com elementos de outras instituições vizinhas e com as quais contactamos assiduamente.”


“O que hoje constituiu uma primeira experiência é realmente a essência, o nascimento duma nova modalidade”

Espectador atento e interessado nesta particular actividade, José Costa Pereira, Director Executivo da ANDDI – Associação Nacional de Desporto para a Deficiência Intelectual, partilhava com o Orientovar o seu entusiasmo no final: “É o pontapé de saída duma nova actividade, a qual poderá ganhar raízes e crescer bastante no seio da ANDDI.” Para aquele dirigente, “este percurso que foi aqui montado corresponderá, no essencial, ao nível mais básico da Orientação Adaptada e que, numa primeira fase, se revelou perfeitamente exequível para os participantes. Creio que vamos ter, ainda este anos e ao longo do próximo, várias oportunidades para ensaiar este tipo de actividade e afinar as regras, de tal maneira que preparamos já a inclusão da Orientação Adaptada nas comemorações do Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência, a ter lugar em Dezembro, em Vieira do Minho.” Falando da actividade, propriamente dita, José Costa Pereira assume que “tem, numa primeira fase, um valor não competitivo, o que se enquadra perfeitamente na filosofia da ANDDI. O que hoje constituiu uma primeira experiência é realmente a essência, o nascimento duma nova modalidade.” A terminar, uma palavra de esperança: “Há muito caminho a percorrer mas os primeiros passos deixam-nos muito satisfeitos.”

De parabéns está a Organização, pelo arrojo da iniciativa e por pensar na pessoa duma forma integradora, ao encontro de todos, sem distinções. A Orientação Adaptada está aí e promete espalhar a força do seu sorriso pelos quatro cantos de Portugal. A próxima actividade será já no dia 3 de Dezembro, no Parque João Paulo II, em Vila do Conde. Marque já na sua agenda e não perca a celebração deste dia tão especial, feito de gente especial e... para gente especial!






Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Presidente disse...

Bem hajam todos os que tornam possíveis estes momentos.
Abraço