sexta-feira, 21 de outubro de 2011

LAURI KONTKANEN: CARTOGRAFAR É A MELHOR FORMA DE TREINAR ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO




Pela primeira vez desde que foi lançada a rubrica “Atleta do Mês”, na página da IOF – Federação Internacional de Orientação, é dada a primazia a um atleta da área da Orientação de Precisão. Trata-se do finlandês Lauri Kontkanen, que aos 26 anos de idade acaba de se sagrar Campeão do Mundo de Orientação de Precisão da Classe Aberta.


O nosso atleta de Outubro, Lauri Kontkanen, tem 26 anos de idade e é conhecido nos meios da Orientação de Precisão não apenas pelos seus resultados – duas medalhas de prata individuais em Campeonatos do Mundo e um título Mundial, tudo isto desde 2009 -, mas também pela sua força mental, que representa frequentemente uma vantagem nas mais duras situações. Foi isto que lhe rendeu este ano a primeira medalha de ouro da sua carreira. Agora Lauri persegue um objectivo: ser o primeiro orientista de precisão a conquistar dois títulos mundiais na Classe Aberta.

A carreira de Lauri na Orientação de Precisão teve o seu início em 2004, quando foi convidado para assumir as funções de Traçador de Percursos dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão WTOC, realizados em Joensuu, no seu país, há cinco anos atrás. Tendo aceite o desafio, rapidamente sentiu a necessidade de começar a saber mais sobre esta disciplina. A sua experiência nas vertentes Pedestre, de BTT e em Esqui representou uma enorme ajuda, levando-o a desenvolver um trabalho na mesma base que o havia feito ao longo do Verão nos últimos dez anos. Ainda assim, planear as provas de Orientação de Precisão representou um enorme desafio, superado também graças ao apoio do Supervisor nacional, e que acabaria por lançá-lo num caminho que, ainda hoje, continua a trilhar: “Depois desse WTOC quis participar em provas de Orientação de Precisão e graças aos bons resultados passei também a gostar imenso da modalidade.”


Cartografar, a chave do sucesso

Quando interrogado sobre o porquê de ser tão bem sucedido na Orientação de Precisão, Lauri explica: “As competências de leitura de mapa constituem o aspecto mais importante na Orientação de Precisão. Outras particulares capacidades igualmente fundamentais para um bom desempenho são a avaliação de distâncias e a tomada precisa dos azimutes. Nos últimos dez anos passei o período de Verão a trabalhar na execução de mapas e sempre me considerei um orientista que prima pela exactidão. Estas serão, provavelmente, as principais razões do meu sucesso.”

São muitos os orientistas de Elite que aproveitam a Orientação de Precisão como uma forma de treino ou que fazem dela uma segunda disciplina. Na Suécia, aqueles que fazem Orientação Pedestre são incentivados a participar numa competição de Orientação de Precisão, pelo menos uma vez por ano. Thierry Gueorgiou, por exemplo, participa assiduamente em eventos desta natureza, geralmente com excelentes resultados. Na opinião de Lauri, contudo, as qualidades para um bom desempenho na Orientação Pedestre não fazem destes atletas, automaticamente, bons orientistas de precisão: “Um bom atleta de Orientação Pedestre até pode ser bem sucedido nalgumas provas de Oientação de Precisão, mas para uma carreira de sucesso é necessário exercitar as qualidades particulares que esta disciplina encerra.” Para Lauri, o seu trabalho constitui a melhor forma de treino: “Cartografar é a melhor forma de treinar Orientação de Precisão. Também pratico Orientação Pedestre, um pouco menos de BTT e Esqui, ainda que esteja habilitado em ambas as vertentes.”


Início complicado nos Campeonatos do Mundo

Lauri conquistou a medalha de prata dos Mundiais de Orientação de Precisão da Hungria, em 2009. No ano passado, em Trondheim (Noruega), voltou a ser o segundo classificado, deixando claro que o seu objectivo para 2011 seria o de chegar ao título mundial. Em França, no final do primeiro dia de competição, contudo, ocupava a 10ª posição e, apesar de ter cometido um erro apenas, as esperanças na medalha de ouro tinham-se praticamente desvanecido. Todos os nove competidores classificados à sua frente tinham alcançado desempenhos perfeitos. Para Lauri, parecia impossível chegar às medalhas, quanto mais ao seu grande objectivo, o ouro.

Mas quando tudo parecia acabado, foi então que Lauri apostou em lutar ainda mais arduamente. “Na tarde do primeiro dia, procurei esquecer tudo o que sabia sobre Orientação de Precisão. Na manhã seguinte estava de novo relaxado e sorridente”. Decidiu então que este seria o primeiro dia do resto da sua vida. Os seus adversários confrontavam-se com a enorme pressão de não poder falhar no segundo dia e Lauri fez o seu melhor para aumentar ainda mais esta pressão, trocando com cada um deles impressões sobre tácticas antes da competição. No final, a sua disposição descontraída tornou mais fácil a abordagem à prova, sem pressões desnecessárias. O ponto decisivo foi o controlo nº 5, onde Lauri buscou de forma consciente uma resposta “diferente”; uma resposta que tinha o valor do tudo ou nada. A sua resposta “Z” revelou-se acertada e ele foi um dos 20 participantes, num total de 64, a somar mais um ponto. Não cometeu erros no segundo dia – todos os seus nove adversários mais directos cometeram pelo menos um erro nesta segunda etapa – e, como foi o mais rápido nos pontos cronometrados, alcançou a medalha de ouro, à frente do seu colega de equipa Antti Rusanen. Na sua opinião, esta foi uma performance tão boa como aquela alcançada no segundo dia de provas dos Mundiais de Orientação de Precisão de Trondheim 2010: “Estas performances foram quase perfeitas.”

Juntamente com Antti Rusanen e Pekka Seppä, Lauri garantiu também a vitória por Equipas para a Finlândia – igualmente pela primeira vez em termos absolutos.



Planos para o futuro

Além da Orientação de Precisão e da Cartografia, o tempo de Lauri é dedicado aos estudos em Educação Física. Os seus planos passam por vir a ser Professor um dia: “Na próxima semana tenho uma aula prática onde ensinarei Orientação a alunos do Ensino Básico. Também desenvolvi estudos ao nível do treino desportivo e tenho testado esses conhecimentos aqui, na Universidade de Jyväskylä.” Lauri mostra-se interessado em desenvolver, em simultâneo, as suas capacidades enquanto orientista de precisão e relativas à Orientação de Precisão dum modo geral. Ele é, também, membro da Comissão de Atletas de Orientação de Precisão da IOF – Federação Internacional de Orientação. “Discutimos uma série de tópicos relacionados com a Orientação de Precisão e com o seu desenvolvimento. Interessa-me colaborar no desenvolvimento deste desporto. Em particular o formato Temp-O, que apenas inclui pontos cronometrados, vale a pena ser desenvolvido.”

No futuro, Lauri procurará fazer história, tornando-se no primeiro orientista na Classe Aberta a alcançar dois títulos mundiais individuais. “Estou igualmente interessado em vencer o Campeonato do Mundo de Temp-O”. Recorde-se que pela primeira vez, o Temp-O será um formato oficial dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Precisão no ano de 2013, em Vuokatti, Finlândia.

[Artigo extraído da página da IOF em http://orienteering.org/athlete-of-the-month/]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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