terça-feira, 4 de outubro de 2011

JOSÉ ÁNGEL NIETO POBLETE: "TALVEZ ESTEJAMOS A CONFRONTAR-NOS COM UM NOVO RUMO PARA A TAÇA DOS PAÍSES LATINOS"




Vice-Presidente da Federação Espanhola de Orientação, Secretário-Geral da Taça dos Países Latinos e membro do Conselho da Confederação das Federações de Orientação dos Países do Mediterrâneo, José Ángel Nieto Poblete volta a ser o convidado de honra no espaço de Grande Entrevista. Com ele, estendemos o nosso olhar desde esta faixa ibérica até ao continente americano, em cujo hemisfério sul se está a desenvolver um trabalho notável de implementação do nosso desporto.


Orientovar - Secretário-Geral da Taça dos Países Latinos desde 2005, que balanço faz destes seis anos de mandato?

José Ángel Nieto Poblete – Quando tomei a meu cargo a Secretaria da Taça dos Países Latinos, centrei o meu projecto de trabalho em três pontos: 1- Que a Taça dos Países Latinos chegasse a ser considerada evento regional da IOF; 2 – Mais informação acerca da Taça dos Países Latinos entre os vários países que a compõem; e 3 – Difusão da competição na América Latina. Em relação ao primeiro ponto, conseguimos uma resposta da IOF e centrar-nos-emos nela. Quanto ao segundo, oferecemos a todos os países a informação que se vai produzindo, procurando manter viva a competição ao longo do ano. E finalmente, em relação ao último ponto, conseguimos passar dos sete países aderentes nas primeiras edições para os 17 nesta última e com fortes possibilidades de, muito em breve, vermos este número ser ampliado. É verdade que o número de atletas se mantém, mas creio que muito em breve o superaremos. Considero que o balanço, apesar de todos os contratempos, tem sido positivo.

Orientovar - Em Petrer, Alicante, na última edição da competição, foi possível observar quase um record de países participantes e mais países latino-americanos que europeus em prova. Como é que se explica esta viragem? Trata-se duma situação fortuita ou é neste rumo que se projecta o futuro da Taça dos Países Latinos?

José Ángel Nieto Poblete – Na verdade, o record de países participantes foi em Sevilha (Espanha, 2005), com onze nações representadas. Esta edição, com oito países, foi a segunda mais participada. A quantidade de países sul-americanos é o fruto dum trabalho que vem sendo desenvolvido em toda essa vasta região e, celebrando-se a edição deste ano da Taça dos Países Latinos em Espanha, esta participação não me surpreende. Surpreende-me sim que tivessem faltado à chamada os países europeus (França, Itália e Bélgica), que apresentaram motivos diversos para justificar as ausências respectivas. Talvez estejamos a confrontar-nos com um novo rumo para a Taça dos Países Latinos e que teve o seu início no Brasil, em 2009.


O interesse dos países latino-americanos é enorme

Orientovar - Todos reconhecem no seu labor, muita da forma como se está desenvolvendo a modalidade nos países da América Latina. Profundo conhecedor que é da realidade da Orientação neste Continente, em que patamar evolutivo se encontram os vários países?

José Ángel Nieto Poblete – Apesar das dificuldades, o interesse dos países latino-americanos é enorme. Embora a modalidade tenha graus de implantação diferentes, são desenvolvidas actividades em todos eles. Apesar, como digo, dos problemas que enfrentam, caso por exemplo da Cartografia (escassez de técnicos para a elaboração de mapas) e da falta de material de todo o tipo. Nalguns países, até há bem pouco tempo, não havia rigorosamente nada, como é o caso da Costa Rica, que com grande acerto trabalha para introduzir a Orientação através da sua Universidade o que se me afigura fantástico e é, para além do mais, um claro exemplo de interesse pela modalidade. Poderíamos falar também da Guatemala, que se encontra num patamar idêntico.

Orientovar - Percebe-se que o Brasil é um caso à parte neste contexto. Podemos, neste momento, falar duma Orientação latino-americana “a duas velocidades”?

José Ángel Nieto Poblete – A Orientação no Brasil está a conhecer, num curto espaço de tempo, um desenvolvimento enorme, com mais meios, mais técnicos , o que se traduz em mais mapas e maiores competições de maior qualidade. Isto tem permitido ao Brasil movimentar-se cada vez mais no contexto internacional e ter uma velocidade superior à dos restantes países latino-americanos. É esta velocidade que todos os demais países devem procurar seguir, o que, logicamente, traria resultados muito bons. Mas com uma enorme dedicação e trabalho, há outros países que estão apostando imenso e se mostram capazes de fazer também grandes coisas. O Uruguai, por exemplo, organizará no mês de Novembro, juntamente com uma série de outras actividades, a competição internacional Mercosul e constitui um claro exemplo daquilo que acabo de dizer.


Há um bom número de países que mostraram interesse em vir a integrar a Confederação

Orientovar - A França é, seguramente, a ausência mais notada dos últimos anos e, de acordo com o Regulamento da Taça dos Países Latinos, só poderá voltar a organizar uma edição da competição após duas participações consecutivas. Todavia, a França está indigitada para organizar a edição de 2012 da competição. Como é que se vai resolver esta situação?

José Ángel Nieto Poblete – A última participação da França ocorreu na Bélgica, em 2006. O artigo que menciona encontra-se no condicional, não se incluindo nesse ponto os países fundadores. A França solicitou a Portugal e à Espanha que aceitassem organizar por ela as duas últimas edições da Taça dos Países Latinos, o que realmente veio a acontecer. A organização francesa para 2012 foi aprovada há três anos. Todavia, a França alega estar a confrontar-se com graves problemas económicos e estamos a gerir a possibilidade de termos um outro país a organizar a edição de 2012 da competição. Vamos ter uma resposta em breve mas, até lá, temos de esperar.

Orientovar - Deixando para trás a Taça dos Países Latinos e passando para o âmbito da COMOF, qual o ponto da situação no tocante ao momento actual da Confederação?

José Ángel Nieto Poblete – A COMOF começou a funcionar há apenas dez meses e, além do mais, numa conjuntura nada fácil, de crise económica e revoluções no Norte de África e Médio Oriente. Apesar de tudo trabalha-se com entusiasmo, são só seis países, é certo, mas há um bom número de países que mostraram interesse em vir a integrar a Confederação e esperamos ver o número de membros crescer muito brevemente. Por outro lado, teremos num tão curto espaço de tempo a primeira competição regulamentada da COMOF e na qual a Espanha aposta forte.


Esperamos uma grande competição

Orientovar - Com que expectativas aguarda a realização dessa 1ª Taça COMOF, em 11 e 12 de Fevereiro de 2012, no âmbito do XII Trofeo Internacional Orientación Costa Blanca?

José Ángel Nieto Poblete – A Espanha oferecerá toda a sua capacidade organizativa e esperamos que possam estar representados todos os países membros da COMOF e também aqueles que, até à data, têm participado nos Meetings que vimos desenvolvendo. Esperamos uma grande competição, é nesse sentido que estamos a trabalhar.

Orientovar - Onde o leva a sua agenda de trabalho nos tempos mais próximos?

José Ángel Nieto Poblete – Dentro de poucos dias parto para o Uruguai onde serei o Supervisor do Meeting Internacional Mercosul e ministrarei um Curso de IOF Event Adviser. Paralelamente, prosseguirei com o projecto de desenvolvimento desportivo em todo o país, que teve início em Janeiro deste ano e no qual se percebe um grande envolvimento por parte da Federação do Uruguai. Neste aspecto em particular, se me permite, devo mencionar o nome do seu Vice-Presidente, Víctor Pérez, que está a desenvolver um extraordinário trabalho e que é outro grande exemplo do interesse de que falava no início desta nossa conversa. Durante este período, que será de cerca de um mês e meio, reservarei uns dias para me deslocar ao Paraguai, onde estou igualmente a fazer a necessária gestão de esforços com vista à introdução da nossa modalidade naquele País.

[Foto gentilmente cedida por José Ángel Nieto Poblete]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Anónimo disse...

Parabéns ao grande Amigo Poblete, com quem convivi e partilhei o quarto na taça dos países Latinos organizada pelo Brasil e onde fui na altura ministrar um Clinics de IOF Advisers a convite da IOF.Ele é uma pessoa excepcional e com uma visão e ideias muito concretas sobre o que deseja para o futuro deste evento em particular e para a modalidade no geral. Por isso mesmo,está a fazer um trabalho muito meritório na América do Sul como podemos dar conta nestas declarações.Um abraço para ele e parabéns também ao Joaquim Margarido pela sua contínua dinâmica.
Rui Antunes- 1373