sexta-feira, 14 de outubro de 2011

II CIRCUITO DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO "TODOS DIFERENTES, TODOS IGUAIS": PARQUE DA CIDADE DO PORTO RECEBEU PRIMEIRA ETAPA




Foi sob os melhores auspícios que teve início a segunda edição do Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Integrada na sexta edição do GIRO, uma jornada de voluntariado empresarial, a prova de hoje teve em Paulo Jorge Pinto e Rui Pires Costa (na foto) os super-atletas mais precisos e os primeiros grandes vencedores.


O Parque da Cidade do Porto recebeu esta manhã a etapa inaugural do II Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Com assinatura organizativa do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos e Direcção Técnica de Fernando Costa, a prova contou com a participação de 17 atletas em representação do Núcleo de Desporto Adaptado do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada e da ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
A enquadrar os participantes, a Organização pôde contar com a presença de 55 voluntários da iniciativa GIRO os quais, sob o lema “Intervir, Recuperar, Organizar”, ofereceram um dia de trabalho em prol duma causa solidária.

Num Verão a prolongar-se muito para além do habitual e a roubar ao Outono o protagonismo que lhe seria devido, o Parque da Cidade do Porto foi um verdadeiro oásis para todos quantos nele se puderam estender, bebendo as suas sombras ou mergulhando o olhar nos belos espelhos de água. E fazendo Orientação de Precisão, uma modalidade particularmente vocacionada para pessoas com mobilidade reduzida e deslocando-se em cadeira de rodas, e que se prepara para conhecer, já em 2012, a primeira edição da Taça de Portugal e, mais tarde, o Campeonato da Europa, a ter lugar em Palmela, na Primavera de 2014.


“A parte técnica evoluiu bastante”

Disputada ao longo dum perímetro de 2.300 metros, sobre o qual se encontravam marcados dez pontos de decisão – um dos quais cronometrado -, esta primeira etapa do II Circuito de Orientação “Todos Diferentes, Todos Iguais” encerrou desafios até aqui pouco explorados. As balizas “trocaram” os habituais elementos característicos – árvores, postes de iluminação, bancos – pelos contornos suaves do Parque, fazendo apelo a uma leitura e interpretação apurada das curvas de nível e “aumentando a parada” no que ao grau de exigência diz respeito. Exigência que aqui é sinónimo de desafio, um desafio em cujo ponto 4 esbarrou a esmagadora maioria dos atletas e que fez com que, no final, a taxa de sucesso dos vencedores – Paulo Jorge Pinto e Rui Pires Costa, ambos da ADFA, se quedasse nos 80%. Diana Coelho e Ana Paula Marques, duas jovens e promissoras atletas do Hospital da Prelada, fizeram valer a sua maior experiência e ocuparam os lugares imediatos, com o pódio a fechar com mais dois atletas da ADFA, Maria Sofia Coelho e Mário Lopes.

Para Pedro Cunha, Fisioterapeuta e um dos dinamizadores do Núcleo de Desporto Adaptado do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada e que hoje esteve no Parque da Cidade do Porto, esta foi uma jornada “muito positiva, para já porque foi o arranque de mais um Circuito e, só por isso, já é de louvar a iniciativa.” Em relação à prova em si, aquele responsável é de opinião que “correu bem, a parte técnica evoluiu bastante, os cartões de controlo em duplicado, a grelha de respostas e até o mapa só do ponto cronometrado são realmente aspectos que contribuíram para que a prova, no seu todo, tivesse um nível superior.” As últimas palavras vão para os atletas: “Estas primeiras provas são sempre um pouco facilitadas em termos de ajuda, o que acaba por ser um bocadinho injusto para os atletas que já não têm ajuda, mas temos que compreender isto dum ponto de vista pedagógico e, no arranque, deve ser dado um certo apoio para que as pessoas não desistam logo à primeira.”


“Um contacto próximo com a realidade das pessoas com deficiência de mobilidade”

Criado em 25 de Fevereiro de 2000, o GRACE - Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial é a primeira associação portuguesa sem fins lucrativos a debruçar-se sobre a temática da responsabilidade social das empresas e a aprofundar o papel do sector empresarial no desenvolvimento social. Uma das faces visíveis deste trabalho e deste envolvimento traduz-se, de há seis anos a esta parte, em passar um dia fora do posto de trabalho e abraçar uma causa solidária. Este ano, o arranque de mais uma iniciativa GIRO deu-se conjuntamente em Braga, Amarante e no Porto, com o desporto para a deficiência a capitalizar a atenção dos responsáveis pelo projecto na cidade Invicta. Vice-Presidente do GRACE, Paula Guimarães explica que “no sentido de diversificar e de inovar, quisemos dar uma nova tónica ao nosso projecto, que até agora estava muito centrada em acções de recuperação e reabilitação de espaços. Entendemos que esta era uma boa maneira de apresentarmos aos colaboradores das empresas associadas uma realidade diferente, terem uma experiência inovadora, terem um contacto próximo com a realidade das pessoas com deficiência de mobilidade e, ao mesmo tempo, conhecer o próprio Parque da Cidade. Tivemos a sorte de encontrar no Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos um parceiro à altura e esta acaba por ser também uma forma de dar a conhecer às empresas esta associação e o trabalho que desenvolve e, quem sabe, criar novas pontes, novos laços e, por inerência, novos financiamentos para as iniciativas de futuro.” A satisfação com o resultado é enorme: “Ao início as pessoas ficaram um bocadinho surpreendidas, algumas delas estavam à espera duma actividade muito diferente, mas no final ficámos todos muito satisfeitos com a forma como tudo decorreu e com esta organização que esteve impecável.”

Também Fernando Costa traçava no final um balanço “bastante positivo, apesar de ter sido uma actividade difícil de montar já que, paralelamente à Orientação de Precisão, tivemos também um percurso formal de Orientação Pedestre e uma actividade experimental, levada a cabo pela primeira vez em Portugal, de Orientação Adaptada.” Para o Director da Prova, “os recursos humanos são escassos, isso faz-se sentir mais durante a semana e foi complicado termos tudo pronto a tempo e horas. Esta prova merecia ter aqui muito mais gente especificamente da área da Orientação”. Fernando Costa realça ainda “um número de participantes muito agradável e o feedback bastante positivo da parte de todos aqueles que estiveram envolvidos nas actividades, atletas e voluntários.” E deixa desde já um convite: “A próxima actividade será em Vila do Conde, vamos tentar manter o mesmo nível e esperar que mais pessoas venham conhecer e possam aderir a esta modalidade.”







Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: