quinta-feira, 6 de outubro de 2011

GRANDE ENTREVISTA: MARTIN QUEZADA E A ORIENTAÇÃO NA REPÚBLICA DOMINICANA




O Orientovar parte uma vez mais ao encontro dum país emergente no seio da Orientação mundial. Depois do Chipre, atravessamos hoje o Atlântico e viajamos até à República Dominicana, onde Martin Quezada nos acolhe com amizade e franqueza, dando-nos a ver os primeiros passos da Orientação no seu país.


Martin Quezada Quezada nasceu em 28 de Outubro de 1977, em Santo Domingo, capital da Republica Dominicana. Actualmente dedica-se ao ensino de Educação Física, tanto num nível Básico, como no Bacharelato e em nível superior. Desde 2005 que desenvolve actividades de formação de Orientação junto de professores de Educação Física, embora não na vertente desportiva mas mais como actividade de recreação.

O nosso interlocutor entende que a sociedade actual vive momentos difíceis e que necessitamos de acções complexas para melhorar. Parte da ideia de que não estamos sós e que este Mundo é um só, para asseverar que a Orientação poderá constituir um importante contributo para melhorar a nossa situação. E cita o seu próprio exemplo, ele que nasceu em “La Zurza”, um aglomerado habitacional que tem nas favelas o justo termo de comparação: “Todavia não sou um desejo da sociedade, consegui superar-me e aqui estou”. Ouçamo-lo, pois.


Seria mais idóneo e praticável se pudéssemos participar em eventos próximos do nosso país

Orientovar – Como tomou contacto com a Orientação?

Martin Quezada – O meu primeiro contacto com o fascinante mundo da Orientação deu-se em Cuba, enquanto cursava Cultura Física e Ciências do Desporto. Fui membro da equipa de Orientação da Universidade, classificando-me em primeiro lugar na eliminatória provincial.

Orientovar – Continua a manter um contacto estreito com a Orientação?

Martin Quezada – Não tanto como gostaria. Ainda recentemente fui convidado para participar no O-Ringen, mas os condicionalismos com o visto bem como os enormes custos da viagem impediram-me de estar presente. Seria mais idóneo e praticável se pudéssemos participar em eventos próximos do nosso país, como Cuba, Porto Rico, Jamaica, Venezuela ou Estados Unidos, pois os custos são consideravelmente menores.


Do ponto de vista económico, não recebemos qualquer tipo de apoio

Orientovar – O que vê neste desporto que o torna tão especial e o que o levou a lançar a semente da Orientação na República Dominicana?

Martin Quezada – Trata-se dum desporto muito bonito, que desenvolve tanto as habilidades como as capacidades físicas a um baixo custo, integrando o cuidado com o meio ambiente e as relações sociais.

Orientovar – Que nomes estão envolvidos neste projecto pioneiro e com que apoios contam?

Martin Quezada – Para além de mim próprio, referiria os nomes de Yohalis Acosta, Rodolfo Castro, Cruz Mary Polanco e Juan Francisco Vargas, entre outros. Em termos institucionais contamos com o apoio do Instituto Nacional de Educação Física, o Instituto Superior de Formação Docente e o American School of Santo Domingo. Todavia, do ponto de vista económico, não recebemos qualquer tipo de apoio.


A receptividade foi muito boa

Orientovar – Entre os desenvolvimentos mais recentes, é possível perceber a realização de Cursos de Orientação, recepção de materiais e uma prova de iniciação no Centro Olímpico Juan Pablo Duarte. Que avaliação faz destas iniciativas e qual o grau de receptividade por parte da população?

Martin Quezada – A receptividade foi muito boa, pudemos conseguir os meios monetários para fazer face às despesas com a alimentação, transporte e alojamento de um técnico de Orientação, José Fernando Gómez Rueda, da Colombia, o qual ministrou o primeiro Curso. Além do mais, ofereceu-nos os materiais para o início do processo de introdução da Orientação na República Dominicana.

Orientovar – “Se parte de la historia de este deporte en la Republica Dominicana”. Foi com esta nota que lançaram a 1era Copa Tony Disla de Carrera de Orientación, dirigida à gente jovem, em 15 de Abril passado. Como é que correu?

Martin Quezada – Contámos com a participação de 64 corredores de vários centros educativos.


Estamos trabalhando no sentido de incluir a Orientação no programa de Educação Física a nível nacional

Orientovar – Entretanto, assistimos à fundação da Federacion Dominicana de Orientación. Quer falar-me desse processo e quais as perspectivas de filiação junto da IOF - Federação Internacional de Orientação?

Martin Quezada – Até ao momento estamos trabalhando no sentido de incluir a Orientação no programa de Educação Física a nível nacional. A adesão à Federação Internacional será um pouco lenta devido às nossas limitações económicas, mas trabalharemos para lograr esse objectivo.

Orientovar – A promoção da modalidade está a ser feita exclusivamente em Santo Domingo ou vai-se alargando também a outras cidades? Como projecta o crescimento da modalidade na República Dominicana?

Martin Quezada – Neste momento temos duas zonas para levar a cabo actividades de Orientação: Bayaguana e Santo Domingo. Esperamos integrar outras zonas no futuro, mas para isso necessitamos de traçadores pois não contamos com o programa OCAD, nem conhecemos o seu completo funcionamento.


Escassez de recursos de ensino, falta de apoio por parte das instituições e falta de mapas

Orientovar – Quais as principais dificuldades que enfrentam para mostrar este desporto à população?

Martin Quezada – Escassez de recursos de ensino, falta de apoio por parte das instituições e falta de mapas.

Orientovar – Quer deixar um voto com vista ao futuro da Orientação no seu País?

Martin Quezada – O meu maior propósito prende-se com o desenvolvimento da Educação Física a nível nacional e a Orientação é um bom elemento a ter em conta.





[Fotos extraídas da página da Federación Dominicana de Carrera de Orientación no Facebook, em http://www.facebook.com/pages/Federacion-Dominicana-de-Carrera-de-Orientacion/186869634675422?sk=photos]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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