quinta-feira, 29 de setembro de 2011

ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO NO BRASIL: PASSO A PASSO SE FAZ O CAMINHO!




Disputou-se no passado dia 4 de Setembro a 3ª Etapa do XVIII COERJ – Campeonato de Orientação do Estado do Rio de Janeiro. Mas não é para falarmos da competição no seu todo que abrimos uma vez mais espaço à Orientação brasileira. Antes, debruçamo-nos sobre uma modalidade que nos é particularmente querida: a Orientação de Precisão.


“Orientação de Precisão, o verdadeiro desporto para todos!” Foi esta a fórmula encontrada pelo COMPass – Clube de Orientação de Miguel Pereira e Arredores Sobre a Serra para promover a mais recente prova de Orientação de Precisão levada a cabo no Brasil. Palco dos recentes 5º Jogos Mundiais Militares do CISM, o Centro de Instrução do Avelar, na cidade de Paty do Alferes, recebeu um conjunto de sete atletas com mobilidade reduzida e deslocando-se em cadeira de rodas, todos eles com vínculo à Confederação Brasileira de Orientação.

Privilegiando uma zona de enorme beleza, o percurso traçado por Sérgio Brito desenrolou-se ao longo de trilhos perfeitamente adequados à progressão, numa distância de 700 metros e com cinco pontos de decisão. Embora não seja de todo o mais importante – vencedor é todo aquele que participa! -, para a história fica o nome de Bruno Trajano da Silva, cujos 40 pontos finais lhe valeram a primeira posição. No segundo lugar, com menos três pontos, classificou-se Nilton Esmael da Silva, enquanto a terceira posição coube a Maria Emília Gonçalves Branco, com 35 pontos. Barbara Luiza da Alcantara Fonseca, Clementino de Souza, Walter Gonçalves e André Luis da Silva, com 33, 32, 31 e 30 pontos, respectivamente, classificaram-se nos lugares imediatos. E porque a inclusão é o resultado mais importante da Orientação de Precisão, esta foi uma jornada vitoriosa em prol da cidadania e uma demonstração plena de que a Orientação de Precisão é um desporto verdadeiramente para todos.


Subsídios para a história da Orientação de Precisão no Brasil

Foi na qualidade de Instrutor na Escola de Educação Física do Exército, no Rio de Janeiro, que Sérgio Brito tomou contacto com a Orientação de Precisão pela primeira vez durante os “5 Dias da Suécia”. Corria o Verão de 1989 e, no ano seguinte, realizava-se no Brasil o primeiro evento de Orientação de Precisão. Para além de Sérgio Brito, naturalmente, a iniciativa teve um forte impulso graças ao esforço do sueco Ulf Levin, figura marcante da história da nossa modalidade no país irmão, ficando registada na edição de Julho de 1990 da Revista da IOF – Federação Internacional de Orientação, num artigo intitulado “Orientação, uma nova modalidade desportiva para o deficiente” (assim mesmo, em português!).

A falta de receptividade, por um lado, mas também os compromissos de Sérgio Brito assumidos com o treino da equipe militar de Orientação Pedestre do Brasil e outras missões militares, fizeram com que a Orientação de Precisão ficasse esquecida por um longo período. Até que, em 2004, duas alunas de Educação Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro escolheram o tema para as suas monografias, solicitando o apoio de Sérgio Brito como orientador das pesquisas. Coincidentemente, o Comité Paralímpico Brasileiro pediu apoio à Unidade Militar chefiada por Sérgio Brito para realizar um Campeonato Seletivo para os Jogos Paralímpicos de Atenas. “Aproveitei para incluir a Orientação de Precisão como modalidade de apresentação e o estudo voltou a entusiasmar-me”, afirma Brito, a propósito daquele que foi, em grande medida, um ponto de viragem.


Estatutos do COMPass não esquecem a Orientação de Precisão

Ainda que de forma titubeante, a Orientação de Precisão não cessou mais de se fazer notar. Em 2005, Sérgio Brito apresenta uma palestra seguida de percurso durante a 3ª etapa do VII CamBOr (Campeonato Brasileiro de Orientação), realizado em Mendes, no Estado do Rio de Janeiro. E em 2006, ao fundar o seu actual clube, o COMPass, além de fazer referência à Orientação de Precisão no seu logotipo, Sérgio Brito fez constar dos Estatutos no ponto 7. do seu Art. 2º, o seguinte: “Promover a inclusão social de portadores de dificuldade de locomoção, através da modalidade de Orientação de Precisão.”

Em 2007, Sérgio Brito, José Maria e Paulo Gonzaga participaram a título de convidados no Campeonato Europeu de Orientação de Precisão,levados a cabo durante os 5 Dias da França. Nesse mesmo ano, Sérgio Brito ministrou uma palestra e percurso em Miguel Pereira, cidade onde está sediado o COMPass. Palestras com percursos foram igualmente levadas a cabo por Sérgio Brito, entre 2006 e 2010, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e de Minas Gerais e em São João Del Rei.


Emoção pura!

Já este ano, atletas com mobilidade reduzida, deslocando-se em cadeira de rodas, filiaram-se na Confederação Brasileira de Orientação em representação do COMPass, receberam instrução e realizaram um percurso de Orientação de Precisão, no âmbito da 3ª etapa do XVIII COERJ, em Paty do Alferes, Rio de Janeiro, como foi já referido. “Lentamente, mas passo-a-passo, caminhamos com a Orientação de Precisão”, diz Sérgio Brito, concluindo com uma afirmação eloquente: “Como nos sentimos depois da prova? A felicidade das pessoas em cadeira de rodas é contagiante, é emoção pura!”

A terminar, uma palavra de reconhecimento e de apreço para todos aqueles que persistem nos seus ideais de igualdade e solidariedade e teimam em trazer para primeiro plano pessoas que são absolutamente merecedoras de enorme respeito e carinho. Em particular para o Coronel Sérgio Brito, vai um forte abraço de agradecimento por ter feito deste espaço o fiel depositário dum conjunto de documentos que fazem a história da Orientação de Precisão no país irmão e que aqui se divulgam com o devido destaque.

Orientação de Precisão nos 5 Dias da Suécia (1989)

Primeira prova de Orientação de Precisão no Brasil (1990)

Orientação de Precisão brasileira em destaque na Revista da IOF

Orientação de Precisão em Javary (2006)

Mapa e Cartão da prova de Orientação de Precisão da 3ª etapa do XVIII COERJ (2011)

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Anónimo disse...

Não posso descrever a alegria que senti ao ver a reportagem sobre o trabalho do Sérgio Brito! Parabéns pelo evento!
Cybele Teixeira de Freitas