sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO EM BTT WOC & JWOC 2011: O BALANÇO DE ANTÓNIO AIRES




A maratona jornalística em torno dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT WOC & JWOC 2011 aproxima-se do fim. Na próxima terça-feira, far-se-á o seu encerramento neste espaço com a publicação da Entrevista dada ao Orientovar pelo Director do grande evento, Gabriele Viale. Para já, fique com as opiniões do Chefe da Delegação portuguesa e Director Técnico Nacional, António Aires.


Orientovar - Portugal sai de Itália com um par de resultados de enorme valor e expressão. Na qualidade de responsável pela nossa comitiva, como é que viu a participação portuguesa nos Mundiais de Orientação de BTT 2011?

António Aires - Analisando os resultados de forma crua, estes podem ser avaliados de duas perspectivas diferentes, ambas positivas: por um lado os fantásticos resultados do Davide Machado na Longa e no Sprint, colocando-o entre os melhores do mundo, e por outro o nível global dos resultados que foi acima da média, o que é um reflexo da evolução do nível competitivo da Orientação em BTT em Portugal.

Por outro lado foi um grupo que trabalhou muito bem em equipa, vivendo-se experiências e criando-se laços muito importantes para o futuro. Foi muito agradável ver os atletas a sofrer não só pelos seus resultados como pelos dos outros. Isto foi notório por exemplo no Sprint. Após o Davide ter chegado com o melhor tempo, é indescritível a intensidade que se viveu no grupo à medida que os restantes atletas iam chegando e a felicidade vivida em equipa pelo resultado obtido.


Orientovar – É verdade que o Davide Machado pedalou ao mais alto nível, mas Portugal não foi só o Davide Machado. Que avaliação faz das prestações individuais dos nossos atletas?

António Aires - Começando pelo Daniel Marques, e depois de uma época em que treinou muito menos que nos últimos anos, resultado de um ano muito agitado quer a nível pessoal (a família cresceu...) quer a nível profissional, os resultados foram muito inferiores aos anos anteriores. Mesmo assim mostrou toda a sua experiência com um 32º no Sprint, 46º na Média e com a qualificação para a Final da Longa onde fez o 45º lugar.

Quanto ao Carlos Simões, penso que não conseguiu (fruto de inexperiência e de algum azar) demonstrar o seu verdadeiro valor. No entanto qualificou-se facilmente para a final de Longa onde depois fez um 43º lugar. Depois na Média teve uma avaria que o levou a terminar os últimos quilómetros com a bicicleta às costas e no Sprint fez um 'mp'. É minha opinião que o Carlos, apesar dos seus 39 anos, ainda tem uma boa margem de evolução para os próximos Campeonatos do Mundo e Europa.

O Paulo Palhinha, demonstrou uma boa consistência inicial, com uma excelente qualificatória (13º da sua série) e final (46º) na Longa e 59º na Média mas no Sprint a pressão levou-o a saltar um “loop” tendo assim sido desclassificado.

O João Ferreira, depois de uma época onde não conseguiu encontrar a forma desejada, chegou ao WOC bastante melhor, com um 39º na Longa, sendo que na Média deu uma enorme queda e no Sprint fez um 48º. Mas o seu momento alto chegou na Estafeta, onde conseguiu aguentar a pressão de partir em primeiro e conseguiu passar o testemunho em 4º lugar a 1’30” da primeira equipa.
Para colocar em perspectiva o bom nível global destes resultados, importa referir que cada prova teve cerca de 90 atletas participantes.

Quanto aos Juniores, começo pelo Tiago Silva que mostrou uma enorme evolução desde o WOC de Portugal, expressa na melhoria dos resultados que conseguiu, principalmente no excelente 15º lugar que obteve na Longa (com cerca de 60 participantes), seguido de um 31º na Média e de um 28º no Sprint. Quanto ao Cristiano Silva, surpreendeu pela positiva, pois mostrou uma enorme regularidade apesar da sua pouca experiência, 30º na Longa, 25º na Média e 31º no Sprint.

Uma última palavra para as boas provas de ambos os Juniores na estafeta Sénior, “apadrinhados” pelo Daniel Marques que com eles fez equipa.


Orientovar - Em termos genéricos - e até porque temos ainda bem presentes os Mundiais de Montalegre em 2010 que podem servir de termo de comparação - como correu esta organização italiana?

António Aires - Ao nível do espectáculo (Arenas, media, etc.) penso que estiveram excelentes. Conseguiram dar muita visibilidade às competições em todos os locais (que foram muito diversificados) e conseguiram envolver inúmeras entidades oficiais o que gerou um grande retorno de apoios. Mas penso que falharam em várias das questões verdadeiramente importantes: Mapas com algumas incorrecções cruciais; falta de controlo nalgumas zonas onde era óbvio que poderiam existir “transgressões” (foi proibido nesta competição circular com a bicicleta às costas fora dos caminhos, mas depois não existiu qualquer controlo...); resultados das competições divulgados incorrectamente e de forma tardia; reuniões dos Team Leaders (momento muito importante para esclarecer todos os pormenores técnicos) pouco claras e esclarecedoras. Também a opção de utilizarem um símbolo especial para caminhos pouco visíveis foi infeliz, pois isso aumentou bastante o número de situações dúbias na leitura da transitabilidade em certas zonas do mapa.


Orientovar - Seguem-se agora os Europeus de Leninegrado, de 17 a 25 de Setembro. O que é que se pode adiantar desde já no tocante à nossa representação e quais as expectativas em termos de resultados?

António Aires - Para a Rússia irão deslocar-se o Davide Machado, o Carlos Simões e o Daniel Marques. Quanto a resultados para a Rússia, as expectativas são semelhantes às do WOC, pois a lista de inscritos dos restantes países é semelhante. Resta saber como é que os nossos atletas se adaptam aos terrenos com altimetria muito reduzida que irão ser utilizados nesta competição.


Orientovar - À margem da competição, tivemos os Mundiais em 2010, tivemos já o ano passado um excelente conjunto de resultados, nos Mundiais deste ano as expectativas não foram defraudadas e, quiçá, foram mesmo ultrapassadas e, contudo, a nossa Orientação em BTT continua a cair em número de participações nas provas internas, não conseguindo captar novos adeptos. Que estratégias, na sua perspectiva, deverão ser implementadas para inverter a situação?

António Aires - Penso que, para além de óbvias limitações financeiras que os orientistas sentem e que limitam a capacidade de deslocação para as provas, não temos dados conclusivos para as razões deste decréscimo de participação. E sem esses dados é difícil avançar com estratégias para contrariar essa tendência.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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