sexta-feira, 2 de setembro de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO EM BTT WOC & JWOC 2011: O BALANÇO FINAL DA REPRESENTAÇÃO PORTUGUESA




Aqui ficam as últimas impressões dos nossos “sete magníficos” nos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT, que decorreram em Itália ao longo da passada semana.


Foi um Mundial que ficou muito aquém dos objectivos que tinha traçado. No inicio tive uma boa adaptação aos mapas dos Model Event e a qualificatória para a final da Distância Longa foi conseguida sem grandes sobressaltos e na qual deu para ver o tipo de andamento que iríamos ter neste Mundial, o que até me deixou com algum optimismo para a realização de boas provas aliadas a boas classificações.
A prova de Distancia Longa teve duas partes bem distintas. No primeiro mapa cometi alguns erros mas nada que me tivesse feito perder muito tempo; após a troca de mapa que nos levava para a parte final, a menos dura da prova, começaram os erros técnicos que só acabaram quando tive o acidente e que levaram a perder cerca de dez lugares no final. De referenciar nesta prova a zona espectacular de chegada na cidade de Bassano, um momento que me ficará para sempre na memória.
Na Distância Média parti com aspirações em conseguir uma boa prova mas, na parte final, tive uma saída do trilho que teve como resultado a roda de trás desfeita. Inicialmente o meu pensamento foi ir para a meta e assim fazer "mp" mas olhei para o mapa e decidi concluir a prova na mesma com a bicicleta à mão. A frustração foi enorme e estava em causa o resto da participação no Mundial.
Na prova de Estafetas não participei por não ter bicicleta, esse foi o momento mais difícil para mim neste Mundial, era uma prova que sonhava fazer desde que fui seleccionado, fica para a próxima.
Para a prova de Sprint consegui arranjar uma roda emprestada de uma loja local, não sendo a minha especialidade entrei com vontade de inverter as coisas mas um erro no 15º ponto, o único em que não conferi o número, fez com que picasse o ponto errado, o primeiro " mp" da minha curta carreira na Orientação, uma forma inglória de acabar um Mundial que não me correu da melhor forma e que sabia que tinha capacidades para ter feito bons resultados.
Foi um Mundial que serviu para ganhar experiência e ter contacto com outro tipo de terrenos a que não estamos habituados nas nossas provas.
Uma nota final para a organização. Tivemos zonas de partidas e chegadas dignas da prova em causa mas pareceu-me que a preocupação da organização ficou basicamente por ai. No reverso da medalha, muitas queixas em relação à alimentação desde o inicio ao fim, abastecimentos ao sol em provas com temperaturas de 40 graus assim como várias irregularidades cometidas ao longo da prova e que nunca tiveram o merecido tratamento de acordo com os regulamentos.
Para finalizar não posso de deixar de dar os parabéns ao Davide Machado pelos excelentes resultados alcançados, como a todos os restantes colegas de Selecção que deram tudo para conseguir os melhores resultados neste Mundial assim como ao nosso técnico e amigo, António Aires, pelo apoio que nos deu sempre, o meu obrigado!
Carlos Simões


Então em relação à prova de Estafetas, o António Aires já me tinha dito que iria ficar de fora (e então estava eu preparado psicologicamente pra ser Campeão do Mundo de Open, até já tinham feito uma aposta que se fosse Campeão de Open me pagavam uma volta nos Kartings), eis que o Carlos Simões não consegue arranjar uma roda para fazer a prova e pronto, tive que ser eu a fazer a prova.
Agora falando mais a sério, a prova de Estafetas, como não ia com pressão, embora estivesse a fazer prova no escalão de Seniores, apenas segui os conselhos do grupo, principalmente do meu colega de equipa Daniel Marques, que disse "vai com calma, sem stress", pronto e lá fui eu, fui o 3º a partir e quando estava quase a meio da prova, eis que tive o meu primeiro furo desta época, a minha reacção,"e agora?". Mas pronto, lá resolvi o problema, isto tudo fez-me perder cerca 8 a 9 minutos. Agora tirando este pequeno percalço foi das melhores provas a nível de navegação, sem cometer erros, o mapa também era fácil.
No Sprint estava confiante, o meu treinador disse para arriscar, mas acabei por não arriscar muito. O mapa era fácil na parte inicial e muito técnico nos últimos cinco pontos, mas foi na parte inicial que apenas em dois pontos perco por volta de um minuto e meio, o que me fez ficar a meio da tabela. Mesmo assim não fiquei desiludido com a minha prestação.
Falando desta experiência. Ainda me lembro de dizer lá em casa, mais ou menos em Novembro de 2010, " ena, Campeonato do Mundo de Ori BTT em Itália, que sonho!..." , e agora, olhando para trás, já passou.
Foi uma experiência espectacular, estou sem palavras. Juntando à experiência que foi, junto os meus resultados ao qual eu não estava à espera que fossem tão bons, e que para mim foram espectaculares.
Olhando para a frente, vou dizer o que disse á minha familia quando cheguei: "É isto que eu quero continuar a fazer". Não digo já para o ano voltar a um Mundial, mas talvez daqui a dois ou três anos, até porque vou transitar para um escalão superior, em que há muito mais competitividade. Para tal vou seguir muitos conselhos do grupo que me acompanhou nestes dez dias e inspirar-me principalmente nos resultados do Davide Machado, a quem volto a dar os parabéns pelos resultados obtidos. Agora é continuar a trabalhar mais do que nunca para poder estar em força na próxima época.
Cristiano Silva


Esta época optei por abdicar um bocado da parte competitiva, não treinei e participei nas provas quase numa vertente de lazer. Quando recebi o convite para participar nos Mundiais, toda a gente sabia qual era a minha condição física e vim para os Campeonatos completamente destreinado e sem quaisquer objectivos em termos de resultados. Fazer Orientação, participar em mais um Campeonato do Mundo, e estar com os meus colegas, esse era objectivo prático. Uma pessoa destreinada não se pode propor a outros objectivos que não esses.
Do ponto de vista colectivo, Portugal esteve muito bem. Estivemos sempre muito unidos, andámos em conjunto, motivámo-nos uns aos outros e isso foi muito importante para o grupo. Foi também com esse espírito que entendi como uma mais valia a minha presença na Selecção e fui lá para ajudar os meus companheiros.
Para ser sincero, acabei por ficar muito agradavelmente surpreendido com a minha prestação, já que acabei por conseguir não fazer erros de navegação e fazer prevalecer alguma valia técnica que ainda tenho, o que me permitiu posicionar-me na primeira metade da tabela nas várias provas.
Em termos da Organização destes Mundiais, resumo-a a muito “show off” e pouco pragmatismo. Falhou em situações essenciais, houve pontos mal marcados, no final das provas não havia splits, não tivemos acesso a segundos mapas, a qualidade dos mapas era muito discutível e os percursos não estavam marcados da melhor forma, do meu ponto de vista. A nível do essencial, esta organização falhou muito, embora tivesse estado brilhante em termos de apresentação, de fazer passar a ideia para o grande público do que é a modalidade.
Vou agora iniciar os trabalhos para a próxima época, visto que tenho intenções de regressar ao mais alto nível. Desde que regressei de Itália, tenho treinado e estou motivado. Um ano de interregno fez-me bem. Perdi muito daquilo que era como atleta, mas espero recuperar rapidamente e regressar ao melhor nível. Para já temos os Europeus da Russia e espero fazer melhor do que fiz em Itália, o que aliás será normal, já que os mapas serão muito mais técnicos e também estarei numa forma física melhorzinha. Mas não espero nenhum resultado surpreendente. Conhecer a Russia e fazer provas sem erros, esse é o objectivo.
Daniel Marques


Como evento em si, penso que correu tudo da melhor forma. A organização esteve à altura e proporcionou-nos um grande evento, principalmente a parte logística esteve a alto nível, falharam apenas em certas partes técnicas, embora passassem despercebidas pela maioria dos atletas, foram muitas vezes discutidas nas reuniões com os directores de equipa.
Quanto à participação Nacional, toda a comitiva se esforçou e deu o seu melhor, embora nem todos os resultados o mostrem claramente. Em alguns casos, a pressão e a falta de experiência em provas internacionais encobriram o forte potencial de alguns atletas. Mas deu para ver, até pelas Estafetas, que, bem trabalhado, conseguimos ter mais que uma equipa ao alto nível.
Quanto à minha prestação pessoal, como já tinha referido anteriormente, tinha como objectivo igualar ou tentar melhorar os resultados obtidos em 2010. Sabia que não era fácil (e não foi), mas como sempre daria o meu melhor. Foi o que fiz em todas as provas, embora os resultados apenas o evidenciem em algumas.
Estou muito contente com os resultados obtidos, foi excelente não só para mim, pois foi mais um grande incentivo, assim como para toda a modalidade.
Agradeço o apoio e felicitações a todos os que me acompanharam e acompanham.
Davide Machado


Sem dúvida que estes Campeonatos ficam marcados pelos excelentes resultados do Davide Machado, com o 5º lugar na Longa e o 6º no Sprint. No que toca a mim, infelizmente não consegui um bom resultado no Sprint. Até comecei bem, apanhando o Simon Seger (22º lugar do Mundo) ao 5 ponto onde lhe ganhava um minuto, mas depois acusei desgaste no final da prova, numa zona muito técnica e onde perdi cerca de quatro minutos. Foi um Campeonato do Mundo com muitos altos e baixos. O momento mais alto foi na prova de Estafetas, quando entrego o testemunho na 4ª posição e o mais baixo foi quando tive a queda que me condicionou a prova de distância Média. Vou com o sentido de dever cumprido. Fui o 2º melhor português na Longa, 3º melhor no Sprint e melhor português nas Estafetas. Queria agradecer à minha família e namorada que sempre me apoiaram, aos meus patrocinadores Lusobike e Science in Sport (Paulo Salvado) e ao meu clube Desportivo Atlético de Recardães.
João Ferreira


A selecção presente neste campeonato do mundo, e que tive o prazer de fazer parte, tudo fez para representar o país ao mais alto nível. Claro que o grande destaque vai para a excelente prestação do Davide Machado: 5.º lugar na Distância Longa e 6.º no Sprint. Realço ainda o 10.º lugar da Estafeta nacional, muito próxima do melhor de sempre.
Relativamente à minha prestação, ainda que aquém do que ambicionava, não deslustra o trabalho até aqui realizado e a experiência adquirida (com uma importância vital nesta competições) poderá ser um factor primordial para futuros eventos.
Paulo Palhinha


Foi um mundial que em termos de "show off" deve ter sido um dos melhores de sempre. Plataformas de partida, partidas em centros históricos, chegadas em pequenos circuitos fechados, entre outras coisas. Por outro lado, as informações úteis para atletas e Diretor Técnico Nacional foram muito mal geridas. Os mapas foram sempre em zonas muito bonitas e muito físicas, tendo em conta que foi introduzida a "nova" simbologia dos caminhos e áreas a laranja, algo a que nos tivemos que habituar.
Na perspectiva pessoal faço um balanço muito positivo, pois comecei muito bem, logo no prólogo a conseguir um 16º lugar, apenas a gerir o esforço.Nesse mesmo dia, ao telefone com o meu treinador, eu disse-lhe: "Então agora se mantiver já é um óptimo resultado!!" Em resposta ouvi: "Não, um bom resultado é baixares mais um lugar!!". Penso que ele estava mais confiante que eu, para ser sincero. Na final da longa consigo o 14º lugar, o que me deixou muito contente pois é nestes momentos que conseguimos ver o resultado de tantas coisas de que abdicamos e de todo o tempo despendido a treinar. Este é o resultado do trabalho desenvolvido nos bastidores pelos nossos treinadores.
Na Distância Média acusei muito cansaço físico, aliado a uma queda e a uns erros de Orientação, não conseguindo manter os meus bons resultados, decidindo assim apostar novamente tudo no Sprint, modalidade na qual fui Campeão Nacional este ano. No Sprint saí muito bem mas no 4º ponto sofri uma queda bastante aparatosa, o que me acabou por danificar a prova por completo.
Faço também um balanço muito positivo de toda a prestação da Selecção, desde os estreantes ao mais batidos nestas andanças.
Tiago Silva

[Foto gentilmente cedida por António Aires]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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