segunda-feira, 5 de setembro de 2011

7º ORI-BTT DO CPOC: IMPRESSÕES




Ponto final no 7º Ori-BTT do CPOC, a prova que concitou as atenções dos orientistas ao longo do passado fim-de-semana. Aqui ficam, pois, as impressões de alguns dos grandes protagonistas do evento.


Em termos pessoais, a minha participação desde logo, foi mais com o intuito de treinar com mapa, como forma de preparação para o EOC MTB-O. No entanto, e como sempre, qualquer que seja a prova "vou" para dar o melhor, e assim foi.
A prova de Distância Longa foi dura fisicamente e com partes / opções exigentes tecnicamente. Não foi uma prova "limpa", perdi cerca de um minuto para o ponto 3 e três minutos para o ponto 4, sendo esta a parte mais técnica do mapa e aquela que exigia uma melhor leitura a acrescentar alguma "confusão" no terreno. No terminar da prova cometi outra falha, não percebi como, mas fui directo do penúltimo ponto para o 'finish', tendo depois de voltar atrás para controlar o '200'. No geral tirava cerca de cinco minutos, mas a Orientação é assim mesmo!
No Domingo a prova de Distância Média correu um pouco melhor, tirando partido de grande parte do mapa ser o mesmo. Algumas opções foram mais fáceis de tomar, mesmo assim pequenas hesitações e uma má opção para o ponto 3 fez com que perdesse cerca de dois minutos. No entanto consegui uma vitória bem mais folgada! No geral, a nível pessoal, digamos que foi um bom treino, quer físico quer técnico e deu para alcançar ainda a liderança no ranking, ocupada até ao momento pelo grande atleta Carlos Simões.
A nível organizativo penso que tudo correu dentro dos possíveis. Local da prova do melhor, bons percursos, partes com paisagens magníficas, bons e maus caminhos (com deve ser no BTT). A nível técnico apenas algumas falhas na classificação e cartografia, mas nada de mais. A nível logístico o facto de não haver WC´s ou um bar ao qual já nos habituámos nas restantes provas é de frisar, mas num local um pouco remoto como o escolhido penso que são factos a não ter em conta. Não se pode exigir tudo, principalmente quando o que vêem é tão pouco! (receitas/inscritos)
Davide Machado, .COM


Tal como se havia verificado em 2007, a Serra de Sintra, com uma boa rede de caminhos, relevo acentuado e vegetação densa e variada, oferece condições excelentes para a prática de Orientação em BTT. No domingo de manhã o tempo ainda ameaçou estragar um pouco a prova, mas a chuva não apareceu, tendo estado reunidas as condições para um excelente fim de semana de Ori-BTT, o que acabou por se verificar.
No que respeita à logística e Arena, foram montadas junto ao Convento dos Capuchos, um monumento emblemático de Sintra. O número de turistas que o visitou neste fim-de-semana acabou por ter contacto com a modalidade, dando uma visibilidade extra ao evento. A visibilidade da prova saiu reforçada ainda pelo facto de o mapa de prova se desenrolar em locais frequentados por centenas de ciclistas todos os fins de semana. Se nesta perspectiva é algo muito positivo e que pode contribuir para a captação de novos atletas, foi em simultâneo uma fonte de risco dados os inúmeros cruzamentos de atletas com 'betetistas' em passeio ou treino. Aliás, terá sido este o aspecto menos bom de toda a prova: os cruzamentos entre atletas e com ciclistas alheios à competição. Prova disso foram os vários "choques" ocorridos.
Como comentário ao meu desempenho, devo dizer que fiquei muito contente pela minha prestação me ter permitido estar num pódio ao melhor nível, em que todos os outros elementos estiveram nos Campeonato do Mundo, sendo ainda um privilégio maior ter ficado em segundo lugar, logo a seguir ao nosso Super-Davide! Para tal muito contribuiu o bom momento de forma, navegação pragmática e bicicleta impecável. Numa prova tão física (1900 m de acumulado nos dois dias) o facto de estar "em casa" acabou por não ter uma importância tão grande. Outro fator que pode ter ajudado o bom desempenho foi o prazer de fazer uma navegação em locais que nos proporcionam vistas espetaculares como na Peninha sobre o Guincho, caminhos em terrenos desafiantes como na abordagem ao Rio da Mula e terrenos variados, desde as turfas aos estradões compactos...
Mário Guterres, ADFA


A prova caracterizou-se pela dificuldade associada ao desnível acentuado mas também pela grande beleza das paisagens e caminhos. No que se refere à minha prestação, fiquei muito satisfeita com o resultado obtido. Tinha como objetivo não ficar abaixo do 3.º lugar e consegui-o.
Para mim, a prova foi fisicamente muito dura. Os grandes desníveis limitaram bastante a minha prestação e a fadiga muscular foi evidente no final da prova de sábado e durante toda a prova do segundo dia. Perdi muito tempo nas subidas das pernadas mais longas, o que procurei compensar com a leitura rápida do mapa – facilitada por já conhecer muito bem o terreno – e com um esforço físico adicional nas descidas e terreno plano.
No que se refere à organização apenas há uma referência menos positiva a fazer, relacionada com a falta de comida no local da prova. Tudo o resto foi muito bom: a qualidade dos mapas, a simpatia e competência dos elementos da equipa e, acima de tudo, todo o trabalho que julgo ter sido necessário para realizar uma prova de Orientação em BTT no Parque Natural de Sintra-Cascais, um dos locais mais bonitos da região de Lisboa para a prática desta e de outras modalidades.
Joana Frazão, CIMO


O 7º Ori-BTT do CPOC teve como palco a fabulosa Serra de Sintra, num mapa pouco interessante no que toca a rede de caminhos e com desníveis muito acentuados. Em termos pessoais estou contente com a minha prestação. Não tive problemas na Orientação, dei o meu melhor de "pernas" e penso que já melhorei a forma física em relação ao passado Campeonato do Mundo. De qualquer maneira, só vou estar em boa forma física para a próxima época.
No que respeita à Organização, penso que esteve num patamar aceitável. É certo que não é fácil traçar percursos num mapa com esta natureza, mas podia ter havido mais cuidado com o mapa de domingo onde houve pernadas excessivamente físicas e sem interesse de navegação, algo pouco comum numa Distância Média. Também o penúltimo ponto e o 200 foram iguais aos do dia de sábado. Na zona da Arena não havia Bar o que "estraga" um pouco o convívio após a competição, mas notou-se sempre uma grande simpatia e organização do CPOC. Queria agradecer a homenagem que fizeram aos atletas que representaram Portugal no Campeonato do Mundo em Itália. Resta-me dar uma palavra de obrigado ao Baby-Sitting!
Daniel Marques, COC


Parti para esta prova com algum receio, quer pelo meu joelho, quer pelo cansaço ainda presente do Campeonato do Mundo. No Sábado já sabia que iria ser uma prova muito física, mesmo à minha medida (apesar do cansaço). Foi uma prova com um terreno arenoso, o que a tornava um pouco perigosa devido aos regos de água existentes, mesmo nos melhores caminhos. Não cometi grandes erros mas infelizmente furei ao chegar ao ponto 7, mas por teimosia não quis perder tempo a por câmara-de-ar, acabei por ter de parar também no 12º ponto para voltar a encher o pneu e por sorte quando descia para a zona da meta o pneu descolou e eu não cai, mas tive de acabar a correr.
No Domingo, aí sim, senti as minhas pernas numa pequena lástima com a agravante da corrida no dia anterior. Aqueci muito bem para conseguir sair forte e consegui entrar muito bem no mapa. Fiz uma prova muito regular, sem grandes erros e apenas fiz duas más opções. Infelizmente voltei a furar, embora desta vez na estrada de alcatrão mesmo na chegada à meta, pelo que consegui acabar a pedalar. Faço um balanço pessoal positivo pois queria ganhar esta que foi para mim a última prova no escalão de H20.
Numa análise agora organizativa, penso que foi desenvolvido um bom trabalho, apenas com uma falha mais notória que foram a ausência de refeições ou comidas ligeiras no recinto de prova. Nos mapas apenas a existência de alguns single-tracks que não estavam marcados, outro ponto que suscitou maior debate foi o de nos percursos nos cruzarmos muito, o que os tornava bastante perigosos. Penso que no geral foi uma prova muito boa, com mapas bons e bons percursos. Há que salientar o acto da organização que decidiu homenagear os atletas que participaram no Campeonato do Mundo.
Tiago Silva, ADFA


Este era um Mapa que já conhecia pois participei na prova realizada no mesmo local em 2008. Trata-se de uma zona de floresta muito agradável e que nalguns pontos possui vistas muito bonitas. Os percursos não eram particularmente complicados em termos de Orientação, embora fossem muito duros fisicamente, ou seja, com bastante desnível e subidas longas. No entanto, gostei bastante de ambos os percursos. Senti que a prova de Distância Média foi mais difícil em termos físicos que a de Distância Longa. No tocante aos índices de participação, notei uma fraca adesão à prova, embora tenha visto bastantes pessoas a andar de bicicleta no local, principalmente no domingo de manhã. Finalmente, quanto à Organização / Arenas, a minha opinião é de que a Arena era muito pequena e não oferecia as necessárias condições para a criação dum ambiente de convívio entre os participantes.
Em termos pessoais, como há muito tempo não participo em provas de Orientação em BTT, senti algumas dificuldades na leitura do mapa e na escolha das melhores opções, demorando muito tempo nestas duas tarefas. No entanto, observando e fazendo uma análise no final da prova, considero que fiz grande parte dos meus percursos da forma mais correcta. Embora estivesse em competição, não pude deixar de contemplar a paisagem e a vista sobre o mar e a praia numa parte do meu percurso de Distância Longa - realmente valeu a pena...
Tânia Covas Costa, .COM


Decorrendo na Serra de Sintra, um dos santuários do BTT na zona de Lisboa, era de prever uma boa organização a nível técnico, pelo menos, e foi isso que se encontrou neste fim de semana, com traçados que aliavam, principalmente no sábado, a componente técnica à componente fisica. Ainda assim, é de analisar para futuros eventos a necessidade de evitar ao máximo o cruzamento de atletas, uma vez que nesta prova houve vários acidentes com colisões frontais, felizmente sem muita gravidade. Uma nota negativa apenas, para a falta de qualquer apoio alimentar na zona das chegadas / Secretariado.
Individualmente, o fim de semana não foi nada agradável. Na prova de Sábado a dureza fez das suas e na parte final, depois de um grande esforço fisico, aconteceu um grande erro técnico que me relegou para um frustrante 5º lugar. Mas o domingo revelou-se ainda pior, quando já perto da parte final e seguindo com o melhor tempo, um choque frontal com o Mac Mahon originou apenas um furo à frente, mas tive que fazer o restante percurso a correr, o que me fez perder cerca de treze minutos.
Mário Duarte, ADFA


O planeamento para esta época definiu a participação em todos os eventos da Taça de Portugal, estando esta prova dentro desse âmbito. Aproveitando o bom momento de forma, numa prova principalmente física, esperava obter um bom resultado nos trilhos da Serra de Sintra. Contudo, no primeiro dia, a cartografia não se revelou particularmente simpática. No segundo dia, consegui aplicar a capacidade física - ainda que com alguns pequenos erros de orientação - e obter um bom 2.º lugar atrás do Davide Machado.
Agradeço a simpática homenagem aos atletas presentes no Campeonato do Mundo. Aproveito para desejar as maiores felicidades aos que irão estar presentes no Campeonato da Europa a representar-nos, pois, infelizmente, não poderei ir devido a compromissos previamente assumidos.
Paulo Palhinha, CP Abrunheira


Para mim, foi um prazer voltar a fazer Orientação depois de alguns meses de ausência. Sintra é um local particularmente bonito para andar de bicicleta e tem também uma boa rede de caminhos, sendo por isso seguramente um bom local para a prática da modalidade e um dos sítios onde gosto sempre de voltar!
Em termos da minha prestação, foi como previa: bem a subir, dada a minha boa forma física de momento; péssima a descer, a acusar a falta de treino específico nos últimos meses; e muito insegura a orientar, também por falta de prática. Tudo isto combinado, levou a uma prova melhor no sábado, em que consegui subir a maioria das "rampas", compensando com isso o tempo perdido nas descidas e nas hesitações e erros de orientação, e bastante pior no domingo, onde já me fartei de andar a pé...
Considero que os percursos eram fisicamente inadequados para o meu escalão. Quando falo em dureza física, refiro-me a coisas bem concretas, como o rácio desnível/km, que foi de 31,5m/km no sábado e de 25,5 m/km no domingo, bem acima dos 22 m/km que deveriam ser o máximo para o meu escalão. Falo também do grau de inclinação das subidas. Pessoalmente, prefiro pedalar sempre a subir ao longo de 3 km ou mais do que ter de fazer uns míseros 100 metros a pé, a empurrar a bicicleta...
Não detectei erros nos mapas, com excepção dos portões no percurso de sábado, em que só um estava assinalado como fechado, quando na realidade estavam os três fechados, o que nos obrigou a todos a andar a saltar muros onde deixámos alguns pedaços de pele ou mesmo carninha... Quanto à organização, pela minha parte correu tudo muito bem. Só senti muito a falta dos "comes e bebes" porque fiquei privada do caldo verde, cervejas, bifanas e, pior do que tudo, daqueles agradáveis momentos de convívio que se seguem às provas e que são uma das coisas que mais gosto!
Não quero terminar sem reconhecer o esforço que o CPOC seguramente teve de fazer para poder organizar esta prova. Por isso, apesar de resmungar por causa do "empeno" que levei em ambos os dias, o meu muito obrigada!
Margarida Gonçalves Novo, CN Alvito


Uma prova realizada numa zona classificada Património Mundial da UNESCO, muito bonita, com uma rede de caminhos não muito extensiva, mas na sua generalidade limpos. As condições atmosféricas foram óptimas, mesmo a chuva durante a semana ajudou a compactar o terreno e a assentar a poeira típica do fim do Verão.
Foi a segunda vez que tive a oportunidade de correr nesta área, e tal como na última vez, verificou-se que é muito procurada pelos adeptos do BTT nos seus passeios do fim-de-semana, o que dificulta, por vezes, a progressão e concentração dos atletas em prova, sobretudo na zona junto às partidas e pontos mais próximos. No que diz directamente respeito à parte técnica, e em minha opinião, o percurso de sábado (Distância Longa) foi demasiado extenso e a prova são os tempos dos primeiros classificados a ultrapassar, na sua maioria, o que está estipulado. Também, dois acidentes, com atletas da minha equipa, em choques frontais com outros atletas, felizmente sem consequências graves, não abonam muito em favor dos percursos traçados. Embora, como se sabe, é muito difícil, mesmo impossível, prever as opções das dezenas de atletas que participam nas provas. O relevo da área de prova não era o aconselhado, face à carência da condição física, mas gostei bastante do mapa em si, pela beleza das áreas envolventes e pelo desafio de superar as dificuldades impostas pelo terreno.
Relativamente à logística do evento, só um apontamento no que diz respeito ao local de banhos, exageradamente longe, a mais ou menos 13 km e 35 minutos do centro do evento. Mas também aqui é compreensível, não se pode ter tudo.
Alex Liberato, BTT Loulé / EAFIT / BPI


Em termos pessoais, fiquei surpreendida com a minha prestação, pois já não fazia provas desde Março. Mas mesmo assim senti-me bem. Em relação à prova em geral gostei muito, não só pelo local que é espectacular mas também pelo mapa e percursos escolhidos. A organização também esteve muito bem, o centro do evento agradável, bem como todas as condições necessárias para uma prova. Só faltou a habitual tenda com comida.
Sónia Saramago, ATV


Este fim de semana correu bem melhor do que o esperado. Não era para ter participado porque na segunda-feira antes tinha-me lesionado no pulso esquerdo, mas pensei em ir e experimentar só no sábado e depois logo se via se dava ou não.
Então no sábado comecei a prova a um ritmo muito lento, mais lento que um treino. Queria pôr ritmo mas não fui capaz, não treinei a semana toda. Logo, pensei que se não conseguia pôr ritmo, pelo menos não podia falhar tecnicamente. Mas a partir do ponto 10 comecei a falhar e a perder minutos, acabando arrastar-me até à meta. E foi assim que fiquei a um minuto do Tiago Silva, mas esta curta diferença deve-se ao facto de ele ter acabado por romper. Já no domingo fisicamente correu melhor e tecnicamente também posso dizer que não cometi grandes erros. Sabia que não ia fazer um grande tempo, mesmo assim o Tiago deu-me mais de dois minutos, está de parabéns, está a andar muito bem.
Fiquei contente por ter conseguido fazer as duas provas, não só por ter algumas dores no pulso mas também por ter conseguido acabar ambas. Em relação à organização está de parabéns. Duas provas muito bem conseguidas, adorei os mapas e percursos, sem dúvida que é um terreno fantástico para a prática desta modalidade. Que continuem a organizar eventos a este nível para conseguir cativar mais pessoal a participar visto que andava muita gente na Serra a passear de bicicleta. Pode ser que para a próxima esse pessoal já apareça e venha experimentar esta modalidade espectacular.
Cristiano Silva, GD4C


Saiba tudo sobre o 7º Ori-BTT do CPOC em http://www.cpoc.pt/eventos.php?ev=7OriBTT.

[Foto gentilmente cedida por Luís Santos]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: