terça-feira, 30 de agosto de 2011

PORTUGAL O' SUMMER 2011: AS IMPRESSÕES (DESAPAIXONADAS) DE ACÁCIO PORTA-NOVA




Não gosto de reagir, "a quente", aos acontecimentos e, muito menos, de assim escrever sobre eles... Raramente consigo ser objectivo na avaliação, ou ter sugestões construtivas para o futuro. Vem isto a propósito da prova deste fim de semana, nesse belíssimo Parque Natural (do Alvão) que, provavelmente, deve o seu nome à neve que é capaz de ser visita invernal frequente.

Embora leitor assíduo do Orientovar, tenho de penitenciar-me pela escassez de comentários, da minha lavra, aos muitos temas interessantes nele abordados, que, muitas vezes, já nem consigo acompanhar atempadamente, sem que isso signifique um menor interesse, da minha parte, na Orientação, ou o não reconhecimento da importância deste "forum" nesse desporto que, esse sim, é, não só uma paixão, mas, até, um modo de vida para mim.

Há muito que não testemunhava tão grande participação activa num tema, com intervenções contraditórias e, eventualmente, algo controversas, não só sobre a prova, em si, mas também sobre o enquadramento da mesma (convém relembrar que foi um "World Ranking Event" da IOF). Por deformação profissional, costumo ter uma atitude positiva ("da discussão, nasce a luz") e questiono-me se não será possível extrair, de toda esta polémica, algumas ilações que permitam identificar problemas com que nos defrontamos e, especialmente, formas de os ultrapassarmos.

- A prova foi mesmo má?

Enquanto avaliei provas, os principais critérios que ponderava eram técnicos: ora, neste caso, do meu (modesto) ponto de vista, os dois terrenos eram novos (ao contrário do que li nalguns comentários, o Muas já usado era mais a sul), o primeiro com grande exigência física e técnica, o segundo não tanto, bastante mais simples e rápido; os mapas pareceram-me muito bons, em especial o de Muas (no da Falperra, discordaria da classificação de alguns verdes e de afloramentos não representados junto da barragem); finalmente, os percursos que vi pareceram-me bem desenhados, embora, pelos tempos dos vencedores, dificilmente aceitáveis como de Distância Média.

Como alentejano e amante de praia, as pedras e verdes do Minho e Trás-os-Montes não são, seguramente, o meu forte e já lá me lesionei por mais de uma vez, mas, nas minhas andanças pela Europa da vanguarda do nosso desporto, o que mais tenho visto são terrenos (e mapas) semelhantes ao de Muas.

- Então, o que é que correu mal?

Na minha opinião, aspectos logísticos e outros de organização, principalmente no primeiro dia: num dia de tanto calor, ter faltado a água, quer nas partidas, quer nos percursos, já que estes não podiam ser considerados de Distância Média; também não é aceitável que não tivesse sido anunciado que havia pré-partidas, com tempo insuficiente para atingir a partida efectiva e sem os relógios sincronizados; sanitários insuficientes; inexistência de arena/"speaker"; não divulgação dos resultados; falta de condições no Solo Duro.

No segundo dia, com a Arena no Parque de Merendas da Barragem da Falperra, já tudo foi diferente.

- E, em relação ao enquadramento no calendário (nacional e internacional)?

Não se pode dizer que a informação tenha sido abundante ou atempada, com a agravante de ser uma prova internacional. Também não ajudou o longo interregno desde a última prova nacional (Montalegre), ou o facto de esta ser a altura do ano em que há mais provas importantes (de vários dias) por essa Europa fora.

Contudo (e ao contrário do que também vi nalguns comentários), estes dois últimos aspectos também se verificaram no primeiro Portugal O' Summer (Cantanhede), nomeadamente a incapacidade em atrair estrangeiros, um dos objectivos primordiais desta "trademark".

- À guisa de conclusão...

O meu principal receio é que temo que, pior do que as lacunas que muitos de nós constatámos, terão sido os aspectos que apenas alguns de nós terão "suspeitado": que a prova terá estado em risco de não se realizar até bastante tarde; que as exigências duma prova desta natureza exercem demasiada pressão sobre os (poucos) voluntários de um pequeno clube do interior; que haverá uma tendência, cada vez maior, de se esfumarem apoios e patrocínios por parte das autarquias...

Por tudo isso, os meus agradecimentos aos companheiros do Orimarão e aos que, não sendo do clube, os ajudaram a pôr de pé esta organização em que, apesar de tudo, os aspectos mais importantes (técnicos) se sobrepuseram aos que, efectivamente, não correram bem.

PS: não é que me esquecia de dar as minhas impressões pessoais!? É mais uma achega ao comentário dos terrenos alentejanos/dunas "versus" pedras: como é que, "trotando" limitado por problemas num joelho, "pastando" quase oito minutos num ponto (e mais uns pózinhos noutros), ao ritmo vertiginoso de mais de dezoito minutos por quilómetro, se consegue ficar em terceiro lugar, a cinco minutos do quarto?

5 comentários:

Vitor disse...

Acácio, assino por baixo estas tuas sábias impressões.

Mas não sabes como é que "pastando" 8 minutos mesmo assim ficaste em terceiro?

Parece-me que a maioria achou que 8minutos era muito pouco para "pastar" numa area tão bonita depois de fazer mais de 400 km de viagem...da minha parte achei que devia contribuir para a ampliação do mapa pelo que me juntei a um grupo numeroso para fazer o levantamento duma zona não cartografada logo no inicio do percurso :-).

Nuno José disse...

Sem querer ofender ninguém, não consigo entender como se pode achar boa ideia fazer provas de interesse nacional/internacional e diurnas em pleno Verão. Mas o alvo é quem? O estrangeiro que procurar sair daqui torrado literalmente? O português que está de férias e vai de propósito levar a família toda das férias para uma prova? Vá lá este verão estar a ser pouco quente senão como seria?

O nosso alvo é o estrangeiro que foge da neve no.....inverno ameno de Portugal. Sim que mesmo os "maus" Invernos para alguém do resto da Europa será um Inverno ameno.

Já as provas em Maio começam a ser penosas, por mim falo que sofro bastante com o calor. Espero que se perceba que esta prova não tem cabimento nenhum,

Presidente disse...

Vivam,
Foi muito complicado!
Mas fez-se!
Não foi uma "gestão" fácil para ninguém mas importa salientar o empenho e trabalho dos que estiveram.
Ab

Fabio Silva disse...

Olá,

é bom verificar que há tanta gente disposta a partilhar a sua opinião no orientovar.

Não querendo desrespeitar a opinião de ninguém.
Uma questão inocente ao Sr. Nuno José:

Diz não haver cabimento algum na organização de uma prova em pleno verão e que a partir de Maio as provas começam a ser bastante penosas. Assim, para fugir ao calor e a organizações sem cabimento seria necessária uma janela de quase 4 meses sem provas ( 4 meses em inércia para quem não frequenta estágios, ou tem possibilidade de realizar treinos técnicos fora das provas).
Seria esta uma solução correcta?

Outro ponto de vista:
Se provas no verão são tão sem cabimento porque é que os campeonatos internacionais ( JWOC, WOC, EYOC) dão-se no verão?

Muitos dos estrangeiros escolhem portugal precisamente pelo seu clima ( frio já eles apanham o resto do ano) e os grandes nomes da orientação, esses, estou certo que pensam mais na qualidade técnica e logística de uma prova do que propriamente no tempo.

Uma opinião sobre porque é que no Portugal O Summer sem serem os espanhóis quase mais ninguém de outro país vem?
Ninguém,mesmo ninguem, gasta gasolina, dinheiro e / ou tempo para atravessar meia Europa para fazer duas provas e ir-se embora.

José Grada disse...

Louvemos a boa vontade do ORI-MARÃO mas, francamente,o POS não tem pernas para a andar tal como se pretende como prova internacional,WRE,com larga participação de atletas estrangeiros.

Recordemos a última edição do POS organizada pelo ORI-ESTARREJA nas dunas da Tocha,que apesar duma organização de luxo se traduziu num fracasso em termos participativos.

Sabemos que o Verão em Portugal não é convidativo para os atletas nórdicos, que temem o excesso de calor e tendo eventos de grande qualidade em regiões mais frescas no centro e norte da Europa,evitam uma longa viagem à periferia.
E os portugueses,em Agosto,gostam é de férias...praia.