sábado, 20 de agosto de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE WOC 2011: FRANCESES A CANTAR DE GALO NA ESTAFETA MASCULINA




Terminou em apoteose a 28ª edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre. Em La Féclaz, a Estafeta gaulesa fez jus ao favoritismo que lhe era atribuído e fechou com chave de ouro a sua participação no WOC 2011.


Uma imagem vale mais que mil palavras. Esta, que Nuno Leite gentilmente ofereceu ao Orientovar e que ilustra este texto, é disso um belo exemplo. Percebe-se a loucura duma multidão a vitoriar os vencedores. Mas se são de satisfação as expressões de Thierry Gueorgiou, ladeado por Philippe Adamski e por François Gonon, elas são sobretudo reveladoras dum certo “respirar de alívio” e do sentimento de dever cumprido.

Nunca a Estafeta francesa estivera tão obrigada a vencer como hoje. Nunca a pressão sobre Gueorgiou, Gonon e Adamski tinha sido tão grande. E não se pense que era apenas o facto de “jogar em casa” que quase impunha ao trio a conquista da medalha de ouro. Não! Basta recordarmo-nos como em 2008 a França perdeu o ouro, quando Thierry pisou um ninho de vespas e acabou por se ver evacuado de helicóptero para o hospital. Ou de como em 2009, o mesmo Thierry abdicou da vitória, tal como o fizeram o norueguês Anders Nordberg e o checo Michal Smola, para socorrer o amigo Martin Johansson, gravemente ferido durante o último percurso. Ou ainda de como, em 2010, o impensável aconteceu e Thierry Gueorgiou, em vez de celebrar o triunfo à chegada, se viu desqualificado pelo mais desconcertante “mp” da sua carreira. Enfim, já era tempo de vingar esta sucessão de, digamos, azares. Esse tempo chegara!


Quatro galos para três poleiros

A vitória francesa começou a desenhar-se logo no primeiro percurso. Philippe Adamski fez uma excelente prova, entregando o testemunho na terceira posição, apenas 31 segundos depois do norueguês Carl Waaler Kaas e 24 segundos depois do estoniano Olle Kärner. Mas os grandes opositores dos franceses não estavam longe. O sueco Anders Holmberg passaria o testemunho 45 segundos depois de Adamski, o suiço Matthias Merz faria o mesmo três segundos mais tarde e o russo Andrey Khramov seria o 8º atleta a entregar o testemunho, com uma diferença de 1:26 do líder e a 55 segundos de Adamski. O italiano Klaus Schgaguler dava a nota de sensação ao terminar o seu percurso na quarta posição, a um escasso segundo do terceiro lugar. Ainda na primeira metade da tabela, entre as 40 equipas participantes, era possível vermos Diogo Miguel fazer uma excelente prova e entregar o testemunho na 19ª posição, com Portugal a deixar atrás de si selecções bem mais cotadas como as da Bulgária, Polónia ou Grã-Bretanha.

No segundo percurso, o sueco Olle Böstrom foi o mais rápido, logo seguido de François Gonon e do italiano Alessio Tenani. Suécia, França, Itália e Noruega – que o mesmo é dizer David Andersson, Thierry Gueorgiou, Mikhail Mamleev e Olav Lundanes - arrancavam para o decisivo percurso separadas entre si por escassos seis segundos. Com uma desvantagem superior a dois minutos, só um super Daniel Hubmann pareceria capaz de esbater a diferença e alcançar o inalcançável. Também o russo Alexei Bortnik ou o finlandês Pasi Ikonen tinham pela frente uma “missão impossível”, eles que se encontravam a 4:37 e a 5:24 da liderança. Cá mais para trás, Tiago Leal fazia o que podia e a Estafeta portuguesa caía quatro posições, cotando-se agora no 23º lugar. Conseguiria Paulo Franco segurar o lugar e, se possível, melhorá-lo, levando o trio português a mais um resultado histórico nestes Mundiais? É que, recorde-se, o melhor que Portugal fizera até ao momento na Estafeta masculina tinha sido precisamente um 23º lugar, em 2009, com uma equipa constituída na altura por Diogo Miguel, Pedro Nogueira e Tiago Romão.


O percurso da consagração

O decisivo percurso acabou por ser um percurso de consagração. Thierry Gueorgiou ainda teve a companhia de Olav Lundanes na parte inicial, mas depois foi-se afastando paulatinamente até garantir a vitória no tempo de 1:53:48, registando no final uma diferença superior a quatro minutos sobre o seu mais directo adversário. Daniel Hubmann fez tudo para levar a Suiça à medalha de bronze mas David Andersson soube gerir a vantagem e acabou a Suécia por ser a terceira classificada. Com estes resultados, a França grava pela segunda vez o seu nome no quadro de medalhas da prova de Estafeta dos Campeonatos do Mundo, desta feita a ouro (em 2005, François Gonon, Damien Renard e Thierry Gueorgiou haviam alcançado a segunda posição). A Noruega repete o segundo lugar de 2010 e a Suécia regressa às medalhas quatro anos depois. Campeã do Mundo em 2010, a Rússia não foi além do quinto lugar, apenas sete segundos à frente da Lituânia, sexta classificada e que iguala, com este resultado, a sexta posição alcançada anteriormente nos Mundiais de 1999, 2004 e 2005.

A Finlândia concluiu na sétima posição e ficou de fora dos lugares de honra, o que não deixa de constituir uma decepção. Quanto à Estónia foi a 8ª classificada e estabeleceu aqui o seu melhor resultado de sempre em Mundiais, no que à Estafeta masculina diz respeito. Campeã do Mundo em 2008, a Grã-Bretanha (com Matthew Crane, Graham Gristwood e Scott Fraser) acaba por constituir a grande decepção desta final, não indo além do 15º lugar. Quanto a Portugal, Paulo Franco esteve em dia não e, com um percurso que não esquecerá facilmente, acabou por fazer gorar as expectativas num resultado que poderia ter sido bem diferente. Desta feita, a Estafeta portuguesa não foi além do 26º lugar entre as 29 equipas classificadas. A Espanha também não fez muito melhor e, depois dum bom começo de António Martinez, Andreu Blanes fez um segundo percurso muito abaixo do que seria suposto face ao valor do atleta e, no final, “nuestros hermanos” acabariam por se classificar no 24ª lugar. Quanto à Itália, acabou por se ver desqualificada, graças a um “mp” de Mamleev.


Resultados

1º França (Philippe Adamski, François Gonon, Thierry Gueorgiou) 1:53:48
2º Noruega (Carl Waaler Kaas, Anders Nordberg e Olav Lundanes) 1:57:52
3º Suécia (Anders Holmberg, Olle Böstrom, David Andersson) 1:58:03
4º Suiça (Matthias Merz, Fabian Hertner, Daniel Hubmann) 1:58:35
5º Rússia (Andrey Khramov, Dmitrii Tsvetkov, Alexey Bortnik) 2:03:12
6º Lituânia (Vilius Aleliunas, Simonas Krepsta, Jonas Vytautas Gvildys) 2:03:19
7º Finlândia (Olli-Markus Taivanen, Tero Föhr, Pasi Ikonen) 2:04:07
8º Estónia (Olle Kärner, Peeter Pihl, Lauri Sild) 2:04:18
9º Hungria (Zsolt Lenkei, Máté Kerényi, Ádám Kovács) 2:07:56
10º Ucrânia (Vyacheslav Mukhidinov, Pavlo Ushkvarok, Oleksandr Kratov) 2:07:58
(…)
26º Portugal (Diogo Miguel, Tiago Leal, Paulo Franco) 2:42:48

Saiba tudo em http://www.woc2011.fr/ ou aqui, no seu Orientovar.

[Foto gentilmente cedida por Nuno Leite]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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