sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE WOC 2011: A ANTEVISÃO DE LUÍS SANTOS (III)




A antevisão de Luís Santos debruça-se agora sobre alguns dos melhores atletas do Mundo, acrescentando um par de dados que enriquecerão seguramente o lançamento dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre WOC 2011.

MASCULINOS

França
Thierry Gueorgiou, francês, sete vezes campeão do Mundo, seis delas na Distância Média. É o líder do Ranking Mundial, mas no WOC 2010 falhou e só conseguiu um 3º lugar ex-aequo na Média. Que vai ele fazer a correr em casa? O seu objectivo será provavelmente o de voltar a recuperar o título mundial de Distância Média, mas a grande ambição deverá ser conduzir a sua equipa ao primeiro título mundial de Estafetas da França, título que lhes tem escapado nos últimos tês anos por uma unha negra... A França tem ainda o François Gonon (já foi 3º na Distância Longa), Frederic Tranchard (já foi 3º no Sprint) e Phillipe Adamski.

Suíça
Tem actualmente 7 atletas nos 30 melhores do Mundo. Daniel Hubmann é actualmente o 2º do ranking mundial e é bi-campeão do Mundo de Distância Longa. Em 2010 o melhor que conseguiu foram duas medalhas de bronze – uma com a sua equipa nas Estafetas e outra, ex-aequo, com Thierry Gueorgiou na Média. Para além de Daniel Hubmann, a Suiça apresenta ainda Matthias Muller, 4º do ranking mundial e já Campeão do Mundo de Sprint em título, Matthias Merz, que já foi campeão do Mundo de Distância Longa, e ainda Fabian Hertner , Baptiste Rollier, Andreas Kyburz, Matthias Kyburz e Marc Lauenstein. É provavelmente a mais forte selecção da actualidade. Será que o vão traduzir em títulos?

Noruega
Olav Lundanes é um jovem norueguês que começou a competir em seniores apenas há 4 anos e já obteve o título mundial de 2010 em Distância Longa, a correr em casa (Noruega). É o nº 3 do ranking mundial. Para além dele, a Noruega tem mais quatro atletas nos treze primeiros lugares do ranking mundial - Anders Nordberg, 4º ex-aequo no ranking mundial e vice-campeão do Mundo em 2010 na Longa e na Estafeta; Carl Waaler Kaas, 6º do ranking mundial, interrompeu em 2010 uma série de três títulos mundiais consecutivos de Thierry Gueorgiou, sagrando-se campeão do Mundo de Média no seu país; a jovem promessa Audun Weltzien e o já mais veterano Oystein Osterbo.

Rússia
São os actuais campeões do Mundo de Estafeta. Aliás, nos últimos cinco anos foram sempre campeões (três vezes) ou vice-campeões (duas vezes) do Mundo de Estafeta! Andrhey Kramov é a sua maior estrela e já foi três vezes campeão do Mundo, duas de Sprint e uma de Longa, sendo o segundo atleta da actualidade com mais títulos mundiais, logo a seguir a Thierry Gueorgiou. Para além dele há ainda Valentin Novikov, talvez o mais forte actualmente - já foi vice-campeão do Mundo de Média - e Dmitry Tsvetkov, que nunca obteve resultados de destaque individuais mas fechou a equipa campeã do Mundo no ano passado.

Suécia
A Suécia tem sempre atletas candidatos a uma medalha de ouro mas actualmente conta apenas com dois atletas no top-20 Mundial. O bi-campeão do Mundo de Sprint, Emil Wingstedt, é 7º e Peter Oberg, vice-campeão do mundo de Distância Média em 2010 é 17º. A última vez que a Suécia obteve uma medalha de ouro em masculinos foi já em 2006, o que prova a fraqueza das equipas suecas nos anos mais recentes. Conseguirão quebrar esse mau período este ano? Duvido...

Finlândia
Talvez um dos momentos mais fracos da selecção finlandesa nos últimos 20 anos, mas mesmo assim tem três atletas nos 20 melhores do Mundo – Mats Haldin, que já fez parte de uma equipa de Estafetas vice-campeã do Mundo, Tero Fohr, também já foi vice-campeão do Mundo de Média e Pasi Ikonen que já foi campeão do Mundo de Distância Média, antes de começar o ciclo de vitórias de Thierry Gueorgiou.

Grã-Bretanha
Nunca ninguém dá nada por eles, mas o que é facto é que nos últimos anos já obtiveram um título mundial de Sprint (Jamie Stevenson) e um título mundial de Estafeta. Têm dois atletas no top 20 mundial – Graham Gristwood e Scott Fraser.

De fora ficam países como a Ucrânia (que tem um top10 do Mundo – Oleksandr Kratov), República Checa, Dinamarca, Estónia, Itália, Letónia, Lituânia, Polónia que são bem capazes de chegar a lugares no top10 mas - vamos ver se me engano - ... dificilmente chegarão a pódios.


FEMININOS

Suíça
Pois, temos a Simone Luder-Niggli e as outras... Ou, por outra, não temos. A verdade é que Simone aguarda o nascimento do seu segundo filho e estará ausente destes mundiais. Via aberta, pois, para as outras. Aqui, a Suiça continua a ter uma palavra, tendo-se destacado nos últimos anos a veterana Vroni Koenig-Salmi, que já foi vice-campeã do Mundo de Média e campeã de Estafeta e é actualmente a nº 10 do ranking. Para além dela, a Suíça ainda tem nas 25 melhores do Mundo mais três atletas: Caroline Cejka, Rahel Friedrich e Sara Luscher.

Suécia
Em oposição aos masculinos a Suécia apresenta-se actualmente com uma das mais fortes selecções do Mundo. 6 atletas no top Mundial. Helena Janssen, que já foi campeã do Mundo de Sprint, é a mais forte. Para além dela, há ainda Annika Billstram (6ª do ranking), Emma Claesson (foi 3ª na Longa em 2010 e é 9ª no ranking), Lena Eliasson, Linnea Gustafsson e a jovem Tove Alexandersson, grande vencedora do mais recente O-Ringen. Note-se que a Suécia tem um registo impressionante na Estafeta e vou explicar-vos porquê. Sabem quantas vezes a Estafeta sueca ficou fora do pódio até hoje desde 1966? Nenhuma!! É certo que já não ganha desde 2004, quando correu em casa, mas também é um facto que ficou sempre, mas mesmo sempre (incrível não haver nunca uma desclassificação ou uma grande falha de uma atleta), no pódio.

República Checa
Não conto com a República Checa nos masculinos, mas nos femininos... É certo que nenhuma das melhores atletas checas está no top10, mas Dana Brozkova é das poucas atletas mundiais que já conseguiu ser campeão em Longa e em Média. Está apenas em 12º no ranking mundial. Para além da Dana Brozkova, a República Checa tem ainda outras duas atletas no top 25 mundial, Eva Jurenikova e Vendula Kletchova.

Dinamarca
Outro país com o qual não contei nos masculinos e conto nos femininos. Até hoje a Dinamarca obteve apenas uma medalha em femininos, foi já há 14 anos (1997) e foi um ouro na Estafeta! No entanto, a Dinamarca tem agora uma nova geração de atletas entre as quais se destacam a jovem Ida Bobach, que recentemente fez o pleno de medalhas de ouro no Mundial de Juniores. Há ainda Signe Soes, nº 8 do ranking mundial e que é, há algum tempo, a melhor atleta dinamarquesa. Será desta que consegue um grande resultado? E temos ainda as jovens que brilharam no JWOC. Será que algumas vão já destacar-se nos seniores? Não será fácil mas vou acompanhar com atenção os resultados da Ida Bobach e da Emma Klingenberg, para além de Maja Alm, que é 15ª do ranking.

Finlândia
Nos últimos cinco anos ganharam a Estafeta quatro vezes e isso atesta bem o valor da equipa feminina finlandesa. Minna Kaupi é a 4ª do ranking mundial. O único título mundial que lhe falta é o de Sprint, onde ainda “só” conseguiu ser vice-campeã. Tem sido a melhor atleta das grandes equipas que a Finlândia tem apresentado nos últimos anos. Anni Maija Fincke (7ª do ranking), Merja Rantanen (11ª) e Maria Rantala (24ª) são as outras atletas melhor classificadas no ranking.

Noruega
Tem duas atletas entre as 5 melhores do Mundo actualmente, mas uma delas é uma “carta fora do baralho”. Com efeito, uma lesão afasta Anne-Margrethe Hausken deste Mundiais. Quanto a Marianne Andersen, é a nº 2 do Mundo, mas o seu palmarés nos mundiais deve ser um pouco frustrante. Leva já seis medalhas de prata e três de bronze mas nunca ganhou... Nos últimos três anos foi sempre vice-campeã de Longa e nos últimos cinco anos só por uma vez não foi ao pódio de Média. O único ouro foi a vitória nas Estafetas em 2009. Mari Fasting ou Elise Egseth não parecem estar nem perto do nível da colega, pelo que repetir o título mundial de Estafeta não se afigura nada provável.

França
As atletas francesas não têm estatuto e deve faltar-lhes valor para chegar às medalhas, mas às vezes o factor casa faz milagres. A atleta mais forte é Celine Dodin (21ª do ranking) e há ainda Amélie Chataing (34ª).

Deixo de fora a Grã-Bretanha, a Letónia, a Lituânia, a Polónia, a Rússia, acreditando que chegarão ao top 10 mas não às medalhas.

Fica a faltar um último capítulo, referente à história e expectativas de Portugal e dos nossos atletas...

(continua)

Luís Santos

Sem comentários: