terça-feira, 16 de agosto de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE WOC 2011: DANIEL HUBMANN LEVA A MELHOR NA GRANDE FINAL DE SPRINT




Estão encontrados os primeiros Campeões Mundiais de Orientação Pedestre 2011. No sector masculino, Daniel Hubmann foi mais forte que toda a concorrência e a ele coube a honra de, no culminar duma intensa e vibrante jornada dupla, fazer soar o hino da Suiça enquanto a respectiva bandeira se elevava, triunfante, no principal mastro do pódio.


Cidade de Arte e de História, porta aberta sobre os Alpes, Chambéry foi palco da primeira final do Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre WOC 2011. Sob a austera e imponente presença do Castelo dos Duques da Saboia, através da “cidade velha” - “um dos bairros antigos mais curiosos de França”, assim se lê no prospecto disponibilizado pelo Posto de Turismo local -, foram quarenta e oito os atletas participantes na grande final masculina de hoje.

O histórico recente dos Mundiais nesta distância jogava claramente a favor da Suiça e o conjunto helvético quis marcar posições desde logo, com os seus atletas a venceram duas das três séries qualificatórias disputadas na parte da manhã, em Aix-les-Bains. A propósito deste conjunto de séries qualificatórias, valerá a pena referir que as mesmas estiveram (e irão estar, seguramente, por muito tempo) envoltas numa enorme controvérsia, face ao critério utilizado pelos traçadores dos percursos na definição das zonas interditas. Como resultado disso mesmo, o número de desqualificações disparou para números nunca antes verificados, para desgosto de alguns e ante a revolta de muitos. A verdade é que “entre mortos e feridos”, os quatro atletas suiços – Daniel Hubmann, Matthias Müller, Matthias Merz e Matthias Kyburz - escaparam e partiram para a final dispostos a mostrar ao Mundo quem é quem.


Finalmente, o título

Numa prova onde qualquer hesitação, por pequena que seja, pode custar um lugar, um pódio, um título, Daniel Hubmann não perdoou. Depois duma temporada marcada pelas lesões – o atleta foi intervencionado cirurgicamente aos tendões de Aquiles imediatamente após a final da Taça do Mundo 2010 –, Hubmann apareceu nestes Mundiais de França em grande forma e disposto a discutir a vitória em todas as provas (algo que passará ao lado de Thierry Gueorgiou, actual líder do ranking mundial, ele que prescindiu da participação na prova de Sprint para se concentrar exclusivamente nas finais de Distância Longa, Distância Média e Estafetas). Colocando em campo todos os atributos que o levaram a dominar o ranking mundial ao longo de cento e nove ininterruptas semanas (de 30 de Agosto de 2008 a 01 de Outubro de 2010), o atleta helvético fez uma prova perfeita, gastando 13:11.8 para completar os 2,5 km (20 pontos de controlo, 25 m desnível) do seu percurso e chegando pela primeira vez ao título mundial de Sprint. Estavam assim vingados, da melhor forma, os segundos lugares nas finais de Sprint dos Mundiais de 2005, 2006 e 2008.

Nas posições imediatas, com uma diferença considerável atendendo às características deste tipo de provas (esta é mesmo a maior diferença registada entre os dois primeiros classificados nas dez finais de Sprint da história dos Campeonatos), classificaram-se o sueco Anders Holmberg e o anterior Campeão do Mundo de Sprint em 2010, o seu compatriota Matthias Müller, por uma diferença de 0:26.0 e 0:29.4, respectivamente. Com o registo de 13:58.8, o britânico Graham Gristwood alcançou a quarta posição enquanto o romeno Ionut Zinca foi o quinto classificado com o tempo de 14:05.1, naquele que é o melhor resultado de sempre da história da Orientação romena nos Campeonatos do Mundo (a anterior melhor marca já se encontrava na posse de Ionut Zinca desde os Mundiais de Miskolc , em 2009, quando chegara ao 8º lugar na final de Distância Média).


Miguel Silva e Diogo Miguel fazem história

No tocante aos restantes resultados, a nota de destaque vai inteirinha para os actuais Vice-Campeões Nacionais de Sprint, Diogo Miguel e Miguel Reis e Silva, que alcançaram a proeza de marcar presença na grande final, após séries qualificatórias sabia e friamente geridas. E falamos em proeza porque, até aos nossos dias, só Tiago Romão, nos Mundiais de 2009, lograra alcançar tal desiderato (Marco Póvoa estivera na final de Sprint em 2003, em Rapperswil / Jona, mas aí tratando-se duma final directa). Chegar à final - e logo com dois atletas! - constituiu, pois, um feito histórico, coroado com o 39º lugar de Miguel Silva (Tiago Romão havia sido o 42º classificado na final dos Mundiais da Hungria), com o tempo de 15:16.8. Quanto a Diogo Miguel, acabaria na final por ser desqualificado.

Um par de referências para o extraordinário resultado do jovem austríaco Robert Merl, Campeão do Mundo de Juniores de Distância Média em título e que concluiu no 7º lugar a 0:59.8 do vencedor e ainda para o surpreendente 27º lugar alcançado por Pavel Gvozdev (Israel), também este um resultado histórico. A Espanha conseguiu chegar, também ela, à final, com António Martinez a terminar a decisiva prova no 44º lugar. As notas de sinal contrário vão para o russo Andrey Khramov, Campeão do Mundo de Sprint em 2008 e 2009 e que hoje não foi além do 26º lugar, e ainda para o polaco Wojciech Dwojak e para o búlgaro “voador”, Kiril Nikolov, que fecharam a lista de atletas classificados, concluindo nas 45ª e 46º posições, respectivamente.


Resultados

1º Daniel Hubmann (Suiça) 13:11.8
2º Anders Holmberg (Suécia) 13:37.8
3º Matthias Mueller (Suiça) 13:41.2
4º Graham Gristwood (Grã-Bretanha) 13:58.8
5º Ionut Zinca (Roménia) 14:05.1
6º Matthias Merz (Suiça)14:07.1
7º Robert Merl (Áustria) 14:11.6
8º Jan Prochazka (República Checa) 14:13.0
9º Scott Fraser (Grã-Bretanha) 14:14.8
10º Frédéric Tranchand (França) 14:15.7
(...)
39º Miguel Silva (Portugal) 15:16.8
mp Diogo Miguel (Portugal)



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Luís Santos disse...

Queria só acrescentar que o Kiril Nikolov ficou mal classificado propositadamente... É que ele tinha outro colega búlgaro a partir 2 minutos depois dele e desde cedo aguardou pelo compatriota, tendo depois feito a prova juntos.

Esta estratégia (!?) deixou o Nikolov em último lugar mas levou o colega Ivan Sirakov ao 21º lugar.

Enfim, na minha opinião, são estratégias da treta que só desprestigiam a modalidade.

Aproveito para dar os parabéns aos nossos atletas e desejar boa sorte para a estafeta.

Saudações desportivas,
Luís Santos

Nuno Rebelo disse...

Também não concordo com a tactica da seleção bulgara. É mau para o desporto\espectáculo.