sábado, 13 de agosto de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE WOC 2011: A ANTEVISÃO DE LUÍS SANTOS (IV)




Quando está prestes a ter início o Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre WOC 2011, Luís Santos deixa-nos o último capítulo da sua excelente antevisão, hoje inteiramente dedicado às representações portuguesas na história dos Mundiais.


A primeira presença portuguesa surgiu logo na data de criação da Federação, em 1991. Os dados da IOF assinalam apenas as presenças em finais e neste ano surgiu um único atleta português na Distância Longa (José Simões, em 65º) e uma equipa de Estafeta constituída por Francisco Pereira, Luís Sérgio, Maximiano Alves e Eurico Martins que acabou desclassificada.

Em 1995 surgem as primeiras mulheres a representar Portugal. Mais uma vez a estreia deu em desclassificação numa equipa composta por Cristina Santos, Ana Dominguez, Kátia Almeida e Alice Silva. Os homens desta vez conseguiram classificar-se em 27º (em 33 selecções), com Mário Duarte, Luís Sérgio, Francisco Cordeiro e Paulo Palma.

Estas foram as únicas presenças portuguesas no século passado em finais directas (a Estafeta nunca tem qualificatórias), uma vez que, como já foi dito, os registos da IOF não guardam resultados de qualificatórias.

Só em 2003 é que Portugal voltou a marcar presença e desta vez com resultados de destaque. Na altura havia inúmeras provas urbanas em Portugal e os atletas portugueses tiraram benefícios disso nos resultados obtidos na estreia da disciplina de Sprint. A Raquel Costa obteve aquele que ainda é o melhor resultado de uma atleta portuguesa numa final, uma vez que a final foi directa e a Raquel foi 28ª (em 52 atletas). Nos masculinos Marco Póvoa fez ainda melhor com um 25º lugar (em 55 atletas), mas fez toda a prova no top10 e só um erro a 2 pontos do final, quando era 8º, o fez perder várias posições. Foi ainda assim o melhor resultado português individual de sempre. Tiago Aires, Marco Póvoa e o Joaquim Sousa garantiram, também eles, a melhor posição até à data na Estafeta com um 24º lugar (em 37 selecções).

Em 2004 Portugal conseguiu pela primeira vez ter uma equipa feminina classificada na Estafeta. Raquel Costa fez equipa com Kristina Roberto e Maria Amador, terminando Portugal em 23º e penúltimo lugar. Nos homens tivemos Marco Póvoa a fazer equipa com Tiago Aires e João Pedro Valente, embora não tenham conseguido melhorar o 24º lugar de 2003 (concluíram na 29ª posição).

Em 2005, Marco Póvoa foi o único representante português aproveitando as escassas presenças num Mundial que se realizou no Japão para obter uma qualificação para a Final A, o grande objectivo dos portugueses. Marco Póvoa conseguiu o apuramento para a Final de Média na qual foi 41º (em 43 atletas). Na Longa também se qualificou terminando em 31º lugar (em 43 atletas) naquele que é, ainda hoje, o melhor resultado individual português numa final com qualificatórias prévias.

Em 2009 pela primeira vez um atleta português conseguiu passar as eliminatórias e chegar à final de Sprint (a final de 2003 tinha sido directa). Foi Tiago Romão, que acabou a Final no 42º lugar (em 45 atletas). Neste ano a equipa portuguesa masculina da Estafetas conseguiu finalmente bater o resultado de 2004, logrando a 23ª posição numa equipa constituída por Diogo Miguel, Pedro Nogueira e Tiago Romão.

E é este o histórico português em Campeonatos do Mundo. Não é difícil constatar que somos um dos países com mais fraco palmarés no evento. Nunca fizemos melhor que um 25º lugar individual e nunca nenhuma equipa fez melhor que um 23º lugar na Estafeta.

A partir de hoje, em França, vamos ter cinco portugueses a representar-nos. Maria Sá será a única representante feminina – e apenas na prova de Sprint - e vamos ter nos masculinos Miguel Silva (igualmente apenas no Sprint), Paulo Franco, Tiago Leal e Diogo Miguel, estes a estarem presentes em todas as disciplinas. A minha opinião em relação a esta equipa é de desilusão. Tiago Aires, no momento de forma que apresentou na primeira parte da época, com os resultados que fez no POM, poderia ter uma palavra a dizer neste WOC. Não temos Tiago Aires nem Tiago Romão. Dos três representantes portugueses, temos o já veterano Paulo Franco que dificilmente terá hipóteses de chegar a uma final A, tal como o jovem Tiago Leal. Mas o Diogo Miguel está num nível superior e se as coisas lhe correrem bem pode constituir uma agradável surpresa. Quanto a Miguel Silva, apesar de estar no top3 dos atletas portugueses da actualidade, vai ser a sua estreia num WOC e ainda por cima uma estreia apenas no Sprint, pelo que dificilmente poderá sonhar muito alto. Mas eu tenho esperança... Quanto a Maria Sá, tem hipóteses quase nulas de chegar a uma final A.

Luís Santos


NOTA: O Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre WOC 2011 arranca já esta manhã com as qualificatórias de Distância Longa, quando os relógios assinalarem as 11h30 (10h30 em Portugal). Em prova, de início, estarão as séries femininas, na qual tomam parte 85 atletas. Os homens começam a ajustar contas entre si a partir das 13h10 (12h10, hora portuguesa). São 119 “galos” para 45 “poleiros” e onde os nossos representantes têm as seguintes horas de saída: Tiago Leal é o primeiro a entrar em cena, às 13h31, às 14h16 arranca Paulo Franco e quinze minutos mais tarde será a vez de Diogo Miguel encetar a sua participação nestes Mundiais.

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