sexta-feira, 12 de agosto de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE WOC 2011: A ANTEVISÃO DE LUÍS SANTOS (I)




A maior competição anual da nossa modalidade - o Campeonato do Mundo de Seniores de Orientação Pedestre - já está em marcha. É para o Orientovar motivo de orgulho poder apresentar uma antevisão do evento com assinatura de Luís Santos. Como o próprio afirma, “para muitos, o que vou escrever já é conhecido, para outros, será novidade”. Eis, pois, alguns dados históricos e estatísticos dos Campeonatos do Mundo, a começar pelo sector masculino.


As tabelas de atletas mais medalhados são dominadas pelos atletas do presente por dois motivos: o primeiro é que, de 1966 a 2003, os Campeonatos do Mundo eram disputados apenas de dois em dois anos e de 2003 em diante, passaram a ser anuais. Por outro lado, enquanto em 1966 se decidia apenas o Campeão de Distância Clássica (masculino e feminino) hoje em dia atribuem-se 8 títulos mundiais - dois colectivos (Estafeta femininos e masculinos) e seis individuais (Distância Média - chamava-se Curta ainda há uns sete ou oito anos e surgiu em 1991 -, Distância Longa e Sprint - surgiu apenas em 2004.

Em 1966 os primeiros campeões do Mundo foram uma sueca (Ulla Lindkvist) e um norueguês (Age Hadler). Estas vitórias marcam claramente o domínio durante o século passado dos países nórdicos com predomínio da Dinamarca (menos) e principalmente da Finlândia, Noruega e Suécia. Repare-se nos títulos masculinos obtidos até 1989: Individuais: Noruega, 9; Suécia, 3; Finlândia, 1. Estafetas: Noruega, 7; Suécia, 6. Portanto, até 1989, “só deu” Noruega e Suécia, com uma pequena excepção finlandesa.

Em 1991 - e até 1999 - começaram a disputar-se os títulos mundiais de Distância Curta (actual Distância Média) e a situação alterou-se substancialmente...

Individuais: Noruega, 4; Suécia, 2; Finlândia, 1; Dinamarca. 1; República Checa, 1; Ucrânia, 1. Estafetas: Suíça, 3; Dinamarca, 1; Noruega, 1. Temos, pois, que nestes dez anos, as Estafetas alteraram-se radicalmente, não tendo a Suécia conseguido alcançar um único título e com a Suíça a dominar, enquanto nos individuais tivemos as primeiras vitórias não nórdicas com um checo (Petr Kozak) e um ucraniano (Yuri Omeltchenko) a ganharem.

No entanto, as coisas mudaram no século XXI. Caso tivéssemos um ranking só deste século, ficaria assim: Individuais: França, 7; Suíça, 5; Noruega, 5; Suécia, 4; Rússia, 3; Finlândia, 2; Grã-Bretanha, 1. Estafetas: Rússia, 3; Noruega, 2; Finlândia, 1; Suécia, 1; Grã-Bretanha, 1; Suíça, 1.

Como facilmente se percebe, o domínio nórdico esfumou-se no novo século. A forte selecção helvética só é derrotada pelo "super-homem" da Orientação, Thierry Gueorgiou, responsável por todas as medalhas de ouro individuais francesas. Também nas Estafetas o domínio deixou de ser nórdico e passou a ser russo.

Os totais masculinos são os seguintes: Individuais: Noruega, 18; Suécia, 9; França, 7; Suíça, 5; Finlândia, 4; Rússia, 3; Dinamarca, 1, Grã-Bretanha, 1; República Checa, 1; Ucrânia, 1. Estafetas: Noruega, 10; Suécia, 6; Suíça, 4; Rússia, 3; Finlândia, 1; Grã-Bretanha, 1; Dinamarca, 1.

Apesar das recentes vitórias francesas à conta de Thierry Gueorgiou e do domínio suíço, não há dúvidas que o grande dominador da modalidade continua a ser a Noruega. Até nas Estafetas, onde a Suécia deu luta até 1989, esse duelo nórdico esbateu-se, uma vez que nos últimos vinte anos só por uma vez a Suécia conseguiu vencer as Estafetas.

Curioso também o facto de apenas dez países terem alcançado o ouro na nossa modalidade. A grande curiosidade que vos trarei num texto específico só sobre isso reside no facto do terceiro país na tabela de medalhas individuais nunca ter conquistado o ouro nas estafetas...

(continua)

Luís Santos

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