domingo, 21 de agosto de 2011

CAMPEONATOS DO MUNDO DE ORIENTAÇÃO EM BTT WOC MTBO & JWOC MTBO 2011: OS MUNDIAIS ESTÃO A CHEGAR!




Ainda se fazem ouvir com intensidade os ecos dos Campeonatos do Mundo de Orientação Pedestre e eis que já uma outra grande competição de carácter Mundial se prefigura no horizonte próximo, para gáudio dos amantes do desporto da floresta. Em Itália têm amanhã inicio os Mundiais de Orientação em BTT e o Orientovar faz uma antevisão do grande evento.


A bela região do Veneto, no Nordeste de Itália, atrai ao longo da próxima semana a fina flor da Orientação em BTT mundial. De amanhã e até ao próximo sábado terão lugar a 9ª edição dos Campeonatos do Mundo de Orientação em BTT WOC MTBO 2011 e a 4ª edição dos Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação em BTT JWOC MTBO 2011. Seis dias de competição ao mais alto nível e que permitirão determinar os Campeões do Mundo de Elite e Juniores, masculinos e femininos, nas vertentes de Sprint, Distância Média, Distância Longa e Estafeta.

O número de inscritos no WOC MTBO 2011 é de 151 atletas - 95 no sector masculino e 56 no sector feminino -, em representação de 30 países. Já no JWOC MTBO 2011 esse número é algo inferior, num total de 88 atletas de 17 países, 62 no sector masculino e 26 no sector feminino. Entre os participantes nestes Mundiais, destaque para a presença de todos os atletas inscritos actualmente no top20 mundial, em ambos os sectores, à excepção do francês Matthieu Barthélémy, justamente o actual nº 20 do Mundo na tabela masculina.


Adrian Jackson, o grande ausente

Nesta edição do WOC, as atenções voltam-se sobretudo para russos e finlandeses, no que ao sector masculino diz respeito. A eles pertencem os lugares cimeiros do ranking e apresentam-se em Itália na máxima força. O russo Anton Foliforov é o actual Campeão do Mundo de Distância Longa e o finlandês Samuli Saarela detém o título mundial de Distância Média; mas há ainda Ruslan Gritsan e Jussi Laurila, Valeriy Gluhov e Juho Saarinen ou Victor Korchagin e Pekka Niemi, este último uma das grandes figuras da selecção finlandesa de Juniores presente em Montalegre, nos Mundiais de 2010, onde se sagrou Campeão do Mundo de Distância Média e Distância Longa. Apesar de apenas ter chegado à medalha de bronze na final de Estafeta dos últimos Mundiais de Montalegre, a República Checa é outra das selecções a ter em conta, levando a Itália cinco atletas do top20 Mundial. Jiri Hradil é o seu ponta de lança, mas vale a penar fixar nomes como os de Radek Laciga, Marek Pospisek, Martin Sevcik ou Frantisek Bogar.

Naturalmente que o líder do ranking mundial dá pelo nome de Erik Skovgaard Knudsen e a Dinamarca deve ser levada em conta, já que, mesmo não estando eventualmente na máxima força, nomes como os de Lasse Brun Pedersen ou Bjarke Refslund são, ainda e sempre, referências de nível mundial. Finalmente temos a Itália que, a “jogar em casa”, terá naturalmente uma palavra a dizer. Lucca Dallavalle surpreendeu tudo e todos com esse bronze histórico na final de Distância Média de Montalegre e há ainda Giaime Origgi, Piero Turra, Mario Ruggiero e Ivan Gasperotti, atletas desejosos de se afirmarem e darem uma alegria a todos os italianos. Entre os ausentes, a nota de destaque vai, necessariamente, para o australiano Adrian Jackson, Campeão do Mundo de Sprint e Vice-Campeão do Mundo de Distância Média e de Distância Longa em título, um homem que à sua conta soma cinco títulos mundiais (quatro dos quais individuais), uma medalha de prata e quatro de bronze, nas seis edições dos mundiais em que participou.


Michaela Gigon, Christine Schaffner e... Marika Hara!

Quanto ao sector feminino, às incontornáveis Michaela Gigon (Áustria) e Christine Schaffner (Suiça), actuais Campeãs Mundiais de Distância Média e de Distância Longa, respectivamente, junta-se a finlandesa Marika Hara, uma atleta que surge este ano na máxima força e que parece apostada em fazer bem melhor do que as duas medalhas de bronze individuais alcançadas em Montalegre (Distância Média e Distância Longa). Em termos individuais há ainda que contar com a polaca Anna Kaminska, Campeã do Mundo de Sprint em título, com a dinamarquesa Rikke Kornvig, Vice-Campeã do Mundo de Distância Média ou com a russa Ksenia Chernykh, Vice-Campeã do Mundo de Distância Longa, todas elas figurando igualmente no top10 das melhores do Mundo. Isto sem esquecer a actual 10ª classificada do ranking, a eslovaca Hana Bajtosova, uma atleta que esteve algo apagada nos últimos Mundiais mas que nas três anteriores edições juntara a duas medalhas de bronze e a uma de prata, dois títulos de Campeã do Mundo de Sprint (2008 e 2009).

Colectivamente não parece haver um predomínio claro de qualquer equipa, mas a Finlândia talvez seja a Selecção que mais e melhores argumentos parece apresentar (vai, sem dúvida, querer vingar o segundo lugar na Estafeta, ante uma Dinamarca que, em Montalegre, venceu e convenceu). A ela convém juntar a República Checa e a Rússia, a primeira repleta de gente jovem e ambiciosa, a segunda misturando a veterania duma Chernykh com a juventude da Campeã do Mundo Júnior de Distância Média e Distância Longa em título, essa espantosa Olga Vinogradova.


Portugal

Entre os pretendentes aos títulos de Juniores, é incontornável falar em nomes como os dos checos Krystof Bogar, Marie Brezinova e Magdalena Seifertova, dos russos Grigoriy Medvedev, Tatiana Repina e Svetlana Poverina ou da húngara Brigitta Kóos. A este lote de consagrados, juntam-se os seleccionados da Áustria, Dinamarca, Finlândia e Polónia, cujo histórico joga a seu favor e devem ser, igualmente, levados muito a sério. Austrália, Letónia e Lituânia (com equipas apenas masculinas) são uma enorme incógnita. E há ainda a Itália, outra enorme incógnita, mas para quem o factor casa pode ser importante. Não o foi para os portugueses em 2010, para os dinamarqueses em 2009 e só parcialmente o foi para os polacos em 2008 (na altura, Maciej Gromadka, actual nº 10 do ranking mundial, foi medalha de bronze na Distância Média e a Estafeta da Polónia chegou à medalha de prata).

A última palavra vai, naturalmente, para a nossa representação nacional. Portugal parte para Itália com a ambição de melhorar os resultados alcançados em 2010 e que fizeram história. Recorde-se que, na altura, Davide Machado (7º lugar na Distância Longa e 12º lugar na Distância Média), Daniel Marques (11º lugar no Sprint) e a Estafeta portuguesa (9º lugar) bateram todos os melhores resultados que se verificavam até então, colocando a fasquia em níveis bem elevados. Mas não é irrealista de todo pensar que podemos melhorar ainda mais. Este ano o nosso País far-se-á representar em Itália apenas com selecções masculinas. São cinco os atletas que envergam a camisola das quinas no WOC e dois no JWOC. Começando pelos Juniores, Tiago Silva e Cristiano Silva são os atletas que têm a responsabilidade de representar Portugal. Para Cristiano Silva será uma estreia absoluta, enquanto Tiago Silva repete a presença de 2010 quando, em Montalegre, foi o 47º classificado na final de Sprint e o 41º classificado na final de Distância Longa.


Uma mão cheia de esperança

Quanto aos nossos representantes no WOC, Daniel Marques é um incontornável chefe-de-fila desta Selecção. O atleta – todos o sabemos – não vai estar em Itália na sua melhor forma. Nem de longe! Mas o seu carisma, a sua determinação e a sua experiência poderão ser decisivos na prestação de todo o conjunto português. Trata-se dum atleta que marca presença ininterrupta em Campeonatos do Mundo desde 2004 (Ballarat, Austrália) e que é, por isso mesmo, a nossa maior referência nesta particular disciplina. Davide Machado vai para o seu segundo Mundial, depois duma estreia auspiciosa em Montalegre. O sétimo lugar na final de Distância Longa de 2010 é o maior feito de sempre da Orientação em BTT portuguesa e o Davide sabe que está ao seu alcance repetir um resultado de excelência. João Ferreira também não é propriamente um “novato” nestas andanças. Embora ausente em Montalegre, a ele pertence esse extraordinário 9º lugar na final de Sprint dos Mundiais de Juniores em 2008 (Óstroda, Polónia) e está em Itália motivadíssimo para fazer uma boa campanha. Como motivadíssimos estão Carlos Simões e Paulo Palhinha, dois estreantes em Mundiais e que juntam agora o seu nome ao dos vinte e um atletas que, até hoje, representaram Portugal na competição. São dois atletas que, como é sabido, se têm evidenciado a nível interno e que têm, seguramente, uma palavra a dizer nestes Mundiais.

Amanhã tem início a competição com as qualificatórias de Distância Longa. Com temperaturas esperadas muito acima dos 30º C, o início das hostilidades está marcado para as 09h30 (menos uma hora em Portugal) e prolonga-se até às 14h00. No mapa de Chiuppano-Zugliano, à espera dos nossos atletas, estão percursos a rondar os 27 km (14 pontos de controlo, 750 m desnível) para o WOC e com 17,3 km (14 pontos de controlo, 510 m desnível) para o JWOC. Amanhã cá estaremos para dar conta dos resultados e, entretanto, boa sorte a todos!

Saiba mais em http://www.mtbo2011.org/ ou aqui, no seu Orientovar.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Cris disse...

First medal for Portugal today??