domingo, 3 de julho de 2011

WMOC 2011: O DIÁRIO DE PAULO CALISTO BECKER (I)




Solitário representante dos países da América Latina, o Brasil é um dos 43 países presentes no Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2011. De Pécs, Paulo Calisto Becker, um grande senhor da Orientação brasileira e mundial, partilha gentilmente connosco o seu diário e, ainda, algumas fotos dos primeiros dias na Hungria. Tudo para desfrutar já de seguida.


26 JUN 2011 (DOMINGO) – PARTIDA DE POA
Muiiito frio as 21:40h. Este mês, a TAP esta inaugurando seus vôos partindo directamente de POA a Lisboa. Excelente o atendimento desta empresa. Em 2008 já havia viajado com ela, quando o WMOC foi em Portugal. Uma boa comida e um bom vinho fazem parte do cardápio.

27 JUN 2011 (SEGUNDA-FEIRA ) – CHEGADA A BUDAPESTE
Cheguei em Budapeste às 22:40 h. O Marco Aurélio Teixeira, do Clube de Orientação do ROCHA, de Brasília, estava me esperando. O Teixeira, muito safo, já tinha reservado um hotel para nós em Buda (35 euros, dividido por dois, 17,50, é muito barato!!!), uma vez que só tinha comboio para Pécs na terça-feira, a partir das 05:00 h.

Quero fazer um parênteses aqui, no tocante ao custo de uma viagem para a Europa. Você acha caro pagar 17 euros por um hotel com ar condicionado, internet, TV a cabo, banheiros com água quente, sacada, etc, no Centro de Budapeste? E numa passagem de ida e volta por 800 dólares? Façam as contas e vejam se não e possível se planejar e estar aqui em 2012.

Voltando a Budapeste, acordamos cede e fomos visitar a ilha Margarita (em húngaro Margit-sziget) é uma ilha com cerca de 1km2 situada no meio do rio Danúbio, dividindo a cidade de Budapeste em duas partes: Buda e Pest. É uma área de lazer coberta de parques, muito popular entre a comunidade.Tiramos algumas fotos de prédios históricos e ainda deu tempo para, na volta, tirar umas fotos do Parlamento Húngaro.

Vou falar de uma situação que aconteceu comigo e o Teixeira. Quando pegamos o autocarro do aeroporto para o Centro de Buda, não tínhamos florim para pagar, só dólar e euro. O motorista vendo a nossa situação, de mala e cuia, se compadeceu e deixou entrar. Do terminal do autocarro para o centro pegamos um comboio, novamente sem florim. Ai é que a coisa pegou. Na metade da viagem entraram no trem uns sete ou oito fiscais e foram cobrando de todos o ticket da passagem. Eu só olhava para o Teixeira... e agora? Marinheiro de outras viagens, peguei logo o mapa da cidade e numa maneira de desviar a atenção, encarei o fiscal: “Please, where is here?” Para nossa sorte, o fiscal não conseguia nem ver o mapa, quiçá falar, estava tapado de vodka. Descemos aliviados.
A viagem para Pécs foi de aproximadamente três horas, vimos muitas áreas plantadas, principalmente o plantio de girassol. O comboio um pouco antigo, diferente do Intercity, que faz em menos tempo, aproximadamente duas horas, levámos em conta as nossas economias. A Hungria é o segundo país do mundo com o sistema ferroviário mais antigo. O primeiro é a Inglaterra.

28 JUN 2011 (TERÇA-FEIRA) – CHEGADA A PÉCS
Chegamos às 15h00. Hoje não consegui ligar para casa, vou ver se consigo amanhã. Pegámos o nosso kit no Centro de Eventos e deu tudo certo. Amanhã tem um percurso-treino. A cidade é bonita, mas não mais do que a Suiça e outros lugares que já conheci. A maior parte do comércio é anunciado em húngaro, nada em inglês, o que dificulta na escolha dos cardápios e outras compras. Trouxe euros e no geral os lugares só aceitam florins, a moeda daqui e olha que em Budapeste não foi muito diferente. Tudo bem, pago em euro onde recebem e pego o troco em florins. Vou ver se consigo baixar umas fotos para mandar.

Ainda e cedo para novidades, assim que tiver mais mando para vocês. Sinto falta de vocês aqui, para dividir as novidades, ter ideias diferentes, tomar um bom vinho... principalmente dos amigos que me acompanharam em outros mundiais! Aqui falta uma hora para o meu aniversário, 48 anos. Comprei um vinho para comemorar! Pai e mãe, amo vocês por tudo!

Conheci a Irene no avião: uma senhora negra, da Nigeria. Mãe de cinco filhos, o esposo já falecido, convidou-me para a formatura do filho dela sábado a noite, aqui em Pécs, em Medicina. Muito emocionante a história dela, depois conto para vocês! Arrebentei no nosso papo com o meus inglês e ela com o “inglo-igeriano”! Vou à formatura de ténis e calça de Jeans e se esfriar, com o abrigo do COSM!!! Esqueci meus sapatenis!!! Estou com sono. São 23h00 aqui e o dia amanhece às 04h00. Bom que se aproveita bem o dia! Estou esperando dar meia-noite para comemorar meu aniversario.

29 JUN 2011 (QUARTA-FEIRA) – DIA DO MEU ANIVERSÁRIO
48 anos. Comecei o dia com boas intenções e agradecendo a Deus o dom da vida, por poder estar aqui, fazendo o que eu mais gosto. Fizemos o percurso-treino do Sprint, muito bom o mapa. Simbologias precisas, cores do mapa batendo com o terreno, dimensões no padrão da ISSOM, passagens em vãos com o cinza mais claro, enfim, nada a apontar. O local ficava distante daqui uns três quilómetros, no lado oposto do local onde será o das qualificatórias de Sprint.

Como falei estamos muito bem localizados, graças ao meu amigo Teixeira, que soube fazer as reservas dos hotéis. Já estou devendo uns três churrascos pra ele!!! Voltámos do treino e passámos no mercado, uma feira mais precisamente. Foi uma dificuldade fazer o húngaro entender que eu queria tomar uma cerveja e levar outra. Não pelo meu inglês, mas por ele não entender e não falar nada em inglês. Ele me mostrava na máquina o valor de cada cerveja que era 300 florins, então duas são 600. Entreguei a ele os 600 e não queria receber. Não entendia porquê. Ate que paguei com 1000 florins e ele me cobrou 625, descontando 25 florins pelo vasilhame. Aí entendi!!! Agora pára um pouquinho e imagine o nosso desentendimento. No final sobrou um “I'm sorry” para os ambos os lados.

À tarde fiquei actualizando as minhas fotos e internet. O Teixeira dormiu um pouco e depois saiu para fazer um lanche. Eu, como estou precisando de um regime, tomei minha sopa instantânea, aquela mesma da minha primeira estada na Europa, em 2004, na Suécia, Itália e Bélgica, na companhia dos meus amigos Torrezam, Carla e Cabral. À noite chegou o nosso terceiro mosqueteiro, o Antonio Carlos Silva. Agora o trio estava completo. Usei a tecnologia da VOIP para ligar para o Brasil, uma excelente ligação, sem pagar um centavo. Mais um churrasco que devo para o Teixeira!!!!

30 JUN 2011 - (QUINTA-FEIRA)
Fomos dormir já era 01:00, no Brasil 6 horas a menos, 19:00h. Aqui são 19h00, acábamos de chegar. Fui ao mercado comprar algumas coisas: sabonete, frutas, água, etc. Não é muito caro. Estou indo bem com o meu inglês, o problema é que grande parte da populaçao não fala outro idioma, só o local. Almoçámos bem: batata dourada com frango, arroz à grega, salada e frango com batata, tudo por uns R$ 8,00. Só não tem carne de gado, mas carne de porco e frango tem demais. Ainda pela manhã fomos no Centro de Eventos dar mais uma olhada e saber das novidades. Na volta uma senhora nos chamou a atenção por atravessar a rua sem aguardar o sinal verde para pedestre. Xingou-nos em húngaro e disse que a polícia multa! Valeu o aprendizado. Procurei uma garrafa térmica para aquecer água, mas não encontrei como esta que aqui no hotel, aquece em um ou dois minutos, mas ainda tenho tempo. Estou sentindo um pouco as costas e a distensão na coxa. Tomei um mioflex pela manhã.

01 JUL 2011 – (SEXTA-FEIRA)
Tomámos café e fomos para a estação central pegar um autocarro para o local do treino do percurso longo. Seguimos a informação de uma senhora no balcão de passagens, que não fala o inglês e fomos parar em Kóvágószólóz, supondo que o autocarro passava em Orfú. O local era a fim da linha, fizemos uma análise da situação, orientamo-nos e acabamos voltando no mesmo autocarro que nos levou a Orfú. Para encontrar esta paragem foi outro calo. Mas encontrámos a tempo. Lembro que aqui é tudo em húngaro, não tem praticamente nada em inglês. Quase convenci os meus, o Marco Aurélio e o Carlos, a irmos a pé de Kóvágószólóz para Orfú. Estaríamos caminhando ainda...!!!

O treino foi excelente, mapa de boa qualidade, objectos bem representados, muiiiitas depressões e bastante desnível. A vegetação parece-se com a Floresta das Ardenas, na Bélgica, em alguns pontos. Na volta conseguimos uma boleia. Jantamos no EC, comi salmão com arroz integral e batatas, por R$ 25,00. Estou enfrentando um problema aqui, pois trouxe euros e na maior parte do comércio só aceitam florins, a moeda da Hungria.

02 JUL 2011 – (SÁBADO)
Qualificatória de Sprint. Levantámos às 09h00 e fomos ao Event Center e depois até ao local do sprint. Voltámos para o hotel e preparámo-nos para a competição. O dia estava com o sol brilhando. O local da partida do Green ficava há uns dois quilómetros da chegada, quase que me atraso. Da pré-partida até à partida propriamente dita dava mais uns 500 metros. Quanto à Partida, achei tudo normal, como noutros eventos: limpar, chegar, pegar a sinalética, pegar o mapa e partir. Se o Brasil for contemplado com o WMOC 2014, vou sugerir um local na Pré-partida para se deixar material e depois levá-lo para a chegada. O percurso estava excelente, com suas pegadinhas com base na cor cinza mais claro, onde dá passagem e as inúmeras escadas. O castelo deixou muitos a procurar pelos pontos que estavam lá dentro. O meu resultado foi satisfatório, pois o objectivo era completar o percurso sem ser desclassificado, face à minha lesão na coxa, que não poderia nem estar participando. Na minha categoria H45-1 venceu Koni Wilde, da Suíça, com o tempo de 16:46, longe dos meus 34:00. O Marco Aurélio e o Antonio Carlos foram melhores, no escalão H35. Verifiquei que o meu amigo Jorgen Martensson venceu na H50. Não vi o Peo Bengsson. Voltando para a Partida, encontrei com o Sousa, do meu querido Portugal, que foi logo dizendo: estás desclassificado, estás desclassificado.... grande Sousa, gente boa.

Voltámos para um banho e retornámos para o desfile de abertura do WMOC. Um espectáculo. O local era propício para tal, mas poderiam ter organizado o espaço melhor, pois as últimas bandeiras a entrar, não encontraram lugar. Usou da palavra o Sr. Zsolt Páva, Prefeito de Pécs, o Sr. Miklós Juhász, Presidente da Federação de Orientação da Hungria, a Sra. Sarolta Monsport, Campeã do Mundo de Orientação, o Presidente do WMOC e o Supervisor IOF, que não lembro os nomes. O Presidente da Federação da Hungria disse : “O organizador fica orgulhoso quando se candidata ao evento, comemora quando recebe a notícia de que a sua candidatura foi aceita e muito feliz quando vê os atletas participando do seu evento”. Foi cantado o hino da Hungria e para finalizar uma apresentação de danças típicas. À noite, depois do sol se pôr, a temperatura caiu um pouco. O horário do Sprint para amanhã não estava no Event Center, conforme previsto. Saiu agora na internet o horário do Sprint Final , saio às 11h54, com 1,9 km. São 23h32h. Bem, estou cansado, com um pouco de dor na coxa. Vou tomar um mioflex e dormir.

Paulo Calisto Becker (COSM)








5 comentários:

Fernando Borges disse...

Gostei demais das fotos! Estaremos acompanhando essa viagem por meio desse blog! Espero que dê tudo certo pra vcs por aí, parabéns e boa sorte a todos! Um abraço pro meu amigo Marco Aurélio!

Pascotini disse...

Continua mandando fotos e noticias.
Sucesso a todos.
Um forte abraço
José Carlos Pascotini

ALMIRA PRADO disse...

epaPara meus amigos "BRAZUKAS" SAÚDE, DETERMINAÇÃO, com uma Bússola e muito amor no coração, excelentes percursos. Sorte a todos.

Almira Prado.
COR/DF.

ALMIRA PRADO disse...

Sucesso a todos! que o norte da bússola indique o melhor caminho.

Abraços!!

Edvaldo Coragem disse...

PIAU!!!!
Aos amigos que estão além mar...
Boa sorte a todos e que Deus ilumine e indique as melhores rotas.
Que Dios los bendiga a todos.
¡Muy buenas suerte muchachos!

Edvaldo Coragem
Comissão Desportiva Brasileira na Colômbia