segunda-feira, 11 de julho de 2011

WMOC 2011: IMPRESSÕES (VII)




São as contas finais do Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2011, com a publicação das impressões de Ana Carreira, José Grada, Vítor Rodrigues, Acácio Porta Nova, Albano João e Palmira João. Para o ano há mais, em Bad Harzburg (Alemanha), na primeira semana de Julho.


Depois da péssima experiência, em todos os aspectos, que tinha sido para mim o WMOC 2010, ia para este Campeonato um bocado apreensiva, mas… Fora alguns aspectos relacionados com a minha falta de preparação física, gostei bastante desta experiência, por terras magiares! Claro que parto sempre para estas provas com o único objectivo de dar o melhor de mim, para minha satisfação pessoal! O Event Center estava optimamente localizado, na cidade de Pécs, e com todas as condições que se pretendem para uma prova deste tipo. Tratava-se de um enorme e excelente espaço, onde se podia passar um belo par de horas, com acesso gratuito à Internet, disponibilização de computadores (dois), para quem não tinha levado o seu e de que eu usufruí (pouco tempo, pois eram muito solicitados), restaurante, onde não faltou o famoso “goulash”e que também era sala de leitura e onde havia um espaço em que eram colocadas, diariamente, todas as informações importantes (tempos de partida, classificações, etc…).

Em relação à prova de Sprint, gostei bastante do mapa e do percurso da qualificatória, que decorreu na zona histórica da lindíssima cidade de Pécs, mas… Mesmo não cometendo grandes erros, só consegui chegar à final B. A final da mesma prova teve lugar junto à zona urbana da localidade de Komló, mas passou-se essencialmente em zonas verdes, o que deu direito a várias escorregadelas minhas (literalmente) e o resultado foi ter obtido uma péssima classificação! Sobre a prova de Distância Longa, tanto em relação às qualificatórias como à Final, gostei dos mapas e dos percursos , em zonas de floresta completamente diferentes das que conhecia, com grandes declives e buracos enormes (depressões), e onde, por vezes, desaparecia o sol, tal era a cobertura da copa das enormes árvores por onde nos deslocávamos. Claro que tenho umas contas a ajustar com os húngaros, pois fizeram-me subir grandes distâncias a caminho das Partidas, o que me levou a querer desistir por várias vezes durante o trajecto, ainda por cima com o calor insuportável dos últimos dias (à volta dos 36º C), ao contrário dos primeiros, em que as provas decorreram com temperaturas bastantes amenas. O que vale é que mal começava a prova, no meio daquelas florestas densas, esquecia-me de todo aquele sofrimento!

As arenas estavam muito bem concebidas, dando possibilidade aos espectadores de poderem assistir ao sprint final de todos os atletas! Claro que havia ali, entre outras coisas, um enorme espaço de comes e bebes com todas as condições e, ao lado, uma pequena tenda onde se vendia uma espécie de filhós, feitas de uma massa muito boa, mas onde me deram sal em vez de açúcar e canela :) !
No geral, tenho muito boa opinião dos húngaros e da Hungria, onde já estive por três vezes, tendo a primeira sido há já lá vão muitos anos.
Ana Carreira, CPOC


O WMOC 2011 teve como palco as cidades de Pécs e Komló no sprint e as montanhas de Mecsek na Distância Longa. O Centro do Evento funcionou em Pécs, uma cidade lindíssima, situada no sudoeste da Hungria e que é cidade Património Mundial da UNESCO. A Organização esmerou-se, não se notando falhas signficativas, os mapas eram bons.

O Sprint disputou-se essencialmente em jardins, parques e escolas e não tanto em ruas e vielas como costume entre nós. A Longa teve lugar em terreno de floresta densa, o solo era, predominantemente, limpo, mas as encostas muito íngremes no primeiro dia e de grande exigência técnica e física no segundo, devido às dolinas ( depressões típicas do Karst), constituiu tarefa díficil a todos os participantes. Por outro lado, a floresta fechada mal permitia a penetração da luz em períodos de céu nublado, tornando difícil a leitura do mapa a alguns dos mais veteranos.

Na delegação portuguesa houve dois pontos altos, o protagonista foi o incrível Joaquim Sousa que no Sprint alcançou um honroso 2º lugar, dando origem a uma festa de arromba que começou no pódio e acabou no alojamento. A cena voltou a repetir-se na final da Longa com o 3º lugar que, certamente poucos esperavam. De resto, a nossa delegação esteve bem, dentro das suas possibilidades, com classificações interessantes no Sprint, mas mais modestas na Longa. Quanto à minha prestação,um 'mp' retirou-me qualquer hipótese no Sprint. Na Longa fiz uma boa primeira qualificatória e uma péssima segunda. A final C correu-me razoavelmente.
José Grada, Mem Martins OK


Chegou ao fim mais um WMOC e, tal como nos outros cinco em que participei, o balanço final foi francamente positivo. Ficou mais uma vez o desejo de voltar a participar nestas autênticas festas de Orientação. Em termos competitivos, o que me correu menos bem foi a final B da prova de Distância Longa. Entrei mal e logo para o primeiro ponto cometi um erro (troca de caminhos) que me levou a descer e subir uma daquelas grandes depressões com alguns 20 metros de profundidade por duas vezes. É que depois de confirmar que o ponto que estava lá em baixo não era o meu, subi até ao caminho e voltei a convencer-me que estava bem e que o meu ponto deveria estar algures também lá em baixo. É o que se pode chamar de burro teimoso, pois o meu ponto estava noutra depressão mais ao lado. Sentindo-me bastante desgastado fisicamente e sabendo que tinha pela frente muita curva de nível para “desbravar”, a partir deste erro fiz a prova num ritmo bastante lento e desfrutando de tudo o que acontecia em meu redor. Claro que a concentração competitiva desceu para valores mínimos pelo que voltei a cometer mais erros, mas os pormenores do que me ia acontecendo eram deliciosos e dava para contar belas histórias que me iam percorrendo o pensamento durante a hora e meia que vagueei por aquela floresta . Infelizmente falta-me o engenho e a arte de um Margarido ou Manuel Dias para vos poder contar. O mapa da final, apesar de durinho fisicamente, se não tivesse tantos caminhos ficaria um espectáculo para os amantes da navegação pelas curvas de nível. Apesar da temperatura elevada e da boa visibilidade da floresta, o calor ficava minimizado pois a prova decorria sempre à sombra.

Em termos globais, na minha opinião, a organização esteve muito bem, se descontarmos aquele problema dos apuramentos das series com percursos iguais. Talvez o mal esteja no próprio regulamento da IOF que precisará de alguma clarificação. Para o ano o WMOC decorrerá na Alemanha e o meu desejo é que o grupo de portugueses seja ainda mais numeroso, e quem sabe se o Joaquim Sousa não resolve presentear-nos com a medalha do “metal” que lhe falta para ter a colecção completa?
Vítor Rodrigues, CPOC


Em termos pessoais, este foi, apenas, o meu terceiro WMOC, após Portugal (2008) e a Suiça (2010), pois, como professor, é-me muito difícil conciliar estas provas com as épocas de exames. Já terei dito que a minha atitude, em relação à Orientação, tem oscilado entre dois ditados populares - "Burro velho não toma ensino" e "Aprender até morrer" - e esta deslocação não fugiu à regra. Apesar da preparação deficiente (decisão tardia de participar, procrastinação dos aspectos logísticos e quase inexistência de treinos), tratou-se de uma experiência muito enriquecedora, nomeadamente nos aspectos humanos, pela variedade do grupo em que nos integrámos, natureza do alojamento rural e partilha de conhecimentos.

É claro que, sendo um Campeonato do Mundo (de Veteranos), os aspectos desportivos têm de ser salientados e, aí, temos todos de tirar o chapéu (embora, como eu, não o usemos) a alguém com quem já me cruzo há muito (desde que comecei, em 1996, e que ele fez um "briefing" à minha restante família, em Alburitel), que já terá sido dado como "ultrapassado" e que é responsável por vários dos resultados mais significativos obtidos pela Orientação nacional... Pois é, o Joaquim Sousa: um vice-campeonato e um terceiro lugar, a nível mundial, não estão ao alcance de qualquer um. Quanto aos meus resultados (uma final B e outra C, ainda piores que as provas de qualificação), numa análise objectiva (1.º ditado), diria que foi mais do mesmo e que a estreia na Praia da Vieira (28.º na Final A de Sprint) foi sorte de principiante. Contudo, uma análise optimista (2.º ditado) poderia enfatizar o que se aprendeu, especialmente em relação ao que não deve ser feito ou à capacidade de se relocalizar, quando se está perdido - pelo menos, não cedi à tentação de perguntar onde estava (ou a outras...). Os terrenos, os mapas e os percursos eram, de um modo geral, muito bons e de molde a proporcionar bastos ensinamentos, no entanto, relembrando uma recente função de avaliador, também poderia questionar a classificação de alguma vegetação e caminhos, para não falar da representação dum terraço e acessos na final de Sprint.

Quanto ao enquadramento (social, cultural, ...) da prova, foi realmente excepcional. Já tinha estado na Hungria (Budapeste) há uns anos, mas não conhecia esta região e Pécs é Património Mundial da UNESCO, com os seus vestígios romano-cristãos, para além de testemunhos da ocupação otomana e de possessão episcopal. Jardins, museus e universidade também contribuem para o cunho único desta cidade, incrustada nas montanhas Méczek. Nas proximidades, há outros pontos de interesse, como termas e regiões vinícolas (até uma casta/método portugueses), para além da gastronomia local. Muito interessantes, também, a visita guiada ao centro histórico e o concerto no órgão (com 6000 tubos) da catedral - pena não terem tocado o supra-sumo das peças de órgão, a Tocata e Fuga do João Sebastião.

Para concluir, a organização esteve muito bem, mas não deixou de haver algumas lacunas: a sinalização poderia ter sido mais abundante, a informação sobre distâncias / tempos até às Partidas mais elucidativa e o atraso na divulgação dos tempos de partida para as finais de Sprint.
Acácio Porta Nova, CPOC


Prefiro passar a minha prestação para segundo plano e falar mais da boa prestação do Joaquim Sousa. Todavia, em relação a mim, direi que o apuramento para a final A do Sprint foi muito fácil. Consegui ir rápido e ler a informação do mapa. Não cometi erros. Na final A, o meu objectivo era ficar entre os 30 primeiros. A minha prestação foi um desastre. Não me consegui concentrar e os erros foram muitos e grandes. Fiz das minhas piores provas de Orientação. No apuramento da Longa, e talvez devido à minha má prestação da Final de Sprint e às emoções da classificação do Joaquim Sousa, mais uma vez não consegui a concentração necessária para fazer uma prova regular. No primeiro apuramento cometi dois erros no início da prova, que me tiraram todas as hipóteses de ir à final A, pelo que inadvertidamente optei pela desistência. No segundo apuramento fiz uma prova mais concentrado e mesmo com uma queda que me limitou fisicamente, fiz uma prova aceitável. Na final, como tinha desistido no primeiro apuramento, fui à final D. Fiz uma prova devagar e a usufruir do belo mapa que nos presentearam.

Em relação ao Sousa. No inicio da época eu e o Sousa colocámos como objectivo principal, ir ao pódio no WMOC 2011 no Sprint. Além da preparação da componente física necessária para cumprir esse objectivo, houve o cuidado de o Sousa participar em quase todas as provas nacionais, regionais ou locais da vertente Sprint. O Sousa consegui cumprir esse objectivo com a conquista da medalha de prata. A prova não foi perfeita, pois duas pequenas hesitações tiraram-lhe a possibilidade do 1º lugar, mas também colocaram em risco o pódio pois os dois atletas que ficaram em 3º lugar ficaram somente a 3 segundos. Como os dez primeiros tinham o nº VIP, os momentos que se viveram com a chegada dos atletas foi vibrante (as minhas pulsações estariam no limite, ehehehe). Esta conquista foi inédita para a nossa Orientação, o que demonstra que com trabalho conseguimos bons resultados internacionais. Este dia foi memorável para toda a delegação portuguesa. Então a cerimónia da entrega dos prémios, com “champagne” e tudo, foi um momento único e bonito destes Campeonatos.

A prova de Distância Longa, e atendendo ao excelente naipe de atletas presentes, a maioria deles campeões de Elite, habituados a navegar em florestas deste tipo, não colocamos nenhuma pressão na prestação do Sousa, pois o objectivo principal estava cumprido. O Sousa fez nos dois apuramentos o que lhe competia, navegar sem erros, verificar o melhor tipo de navegação nestes terrenos e poupar-se fisicamente sem comprometer o apuramento para a final. Ficou em 11º lugar na geral do apuramento, o que não lhe conferia a atribuição do nº VIP. Na chegada todos nós tínhamos uma réstia de esperança que o Sousa nos podia dar nova alegria, pois ele antes da partida estava muito calmo e confiante. Mais uma vez os momentos que se viveram na chegada dos atletas foi impressionante. Eu e o Rui de cronómetro na mão a ver chegar o Sousa e depois a contabilizar os segundos, que pareciam horas, na chegada dos 10 números VIPs, vimos que o Salmi e o Mutiu tinham feito melhor que o Sousa, mas todos os outros tinham perdido para o nosso campeão, mais uma vez toda a delegação Portuguesa e eu particularmente vivemos momentos de grande emoção.
O Sousa fez uma prova perfeita. Fisicamente o Sousa não vacilou e em termos técnicos foi impressionante na escolha das melhores opções. A pernada longa foi de um autêntico campeão e talvez resida aí o segredo deste pódio. Este 3º lugar conquistado na floresta, para mim tem muito mais valor que o resultado do Sprint.
Albano João, Portugal O-Team


Este WMOC 2011 foi, em todos os aspectos, espectacular. Não tão grandioso como o nosso, mas correu tudo muito bem.Em relação aos meus resultados fiquei satisfeita, mas tenho pena de não ter feito melhor na final da Longa. Mas aqueles buracos deram-me um nó na cabeça, apesar do mapa ser do melhor, mas com os resultados do nosso amigo Sousa tudo passou a ser secundário. Em relação ao ambiente da comitiva não podia ter sido melhor. Nós - os do COC - e o Zé Fernandes, que estávamos no mesmo carro, não fomos de muitos passeios, não fosse o nosso “campeão” cansar-se, mas fazíamos umas visitas turísticas ao “Tesco”. A alimentação foi do melhor (haja alguém que diga o contrário). Tivemos muitos comentários de outros atletas em relação ao nosso Mundial, dizendo-nos que tinha sido o melhor Mundial de sempre, o que nos deixou muito orgulhosos.
Palmira João, Portugal O-Team


Saiba tudo sobre a competição em http://wmoc2011.hu/ ou aqui, no seu Orientovar, em http://orientovar.blogspot.com/search/label/WMOC.

[Foto extraída do excelente Álbum de Carlos Garcia em https://picasaweb.google.com/CMPGarcia/WMOC2011_08Julho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Gino disse...

Albano,
Confesso que senti emoção ao ler as tuas palavras. Certamente uma alegria enorme que invadiu o teu coração de Homem Bom que és. Parabéns pelo trabalho técnico que vens desenvolvendo, parabéns pelos triunfos que bem mereces.
Um forte abraço,
Higino Esteves