terça-feira, 5 de julho de 2011

WMOC 2011: IMPRESSÕES (II)




Numa altura em que, nas belas paragens montanhosas do Mecsek, decorre a primeira ronda qualificatória de Distância Longa do Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2011, o Orientovar recupera as incidências da competição, no rescaldo da prova de Sprint, aqui trazidas por Carlos Garcia, Ricardo Oliveira, Vítor Rodrigues e ainda Paulo Calisto Becker.


Os "momentos de glória" têm o tempo que lhe quisermos dar, é verdade. Não somos de "capinar sentados", razão pela qual os resultados aparecem então, hoje foi dia de Model Event. E como não são só os (vice-) campeões que precisam de treino, lá fomos meia dúzia de "atletas" calcorrear o mapa de Lyukas-hárs. E que mapa! Garanto-vos uma coisa: era um "pavilhão" destes que compraria, para os meus treinos, se tivesse dinheiro. Mapa ESPECTACULAR! Muito bom mesmo. Traçados os percursos de treino em casa, lá partimos à procura dos "buracos" húngaros (que tanto ouvimos falar e tanto se discutiu por causa deles). Agora que já os "provei" posso dizer-vos que são "um espectáculo"! Para os menos entusiastas da modalidade, esclareço que estes buracos são, nada mais nada menos, que umas depressões bastante profundas com formas geométricas muito arredondadas: desde círculos quase perfeitos até "oblongas" sem vértices. Com a grande quantidade que existe em determinadas zonas do mapa é imperativo (eu diria mesmo, ser ratificado em Decreto de Lei) andar SEMPRE (mas SEMPRE) bem orientado sob pena de ter de andar a "visitar" todos os "buracos" da zona. Noutra área, encostas do tipo nórdicas, muito limpas, com muitos detalhes (principalmente pequenos buracos) e contendo por vezes zonas de vegetação tão densas que dá vontade de perguntar: «Eh pá! Quem é que apagou a luz?». A passagem repentina de áreas claras para estas áreas escuras tem este fenómeno físico: deixamos de conseguir ler o mapa, até nos habituarmos à "escuridão". Como conclusão: não temos áreas iguais a esta em Portugal (talvez nalgumas zonas do Gerês haja alguma semelhança) mas... podemos ter mapas tão bem cartografados como este. Para mim... não é um "nice-to-have" mas sim um "must-to-have". Valeu a pena ter ido efectuar este treino e a opinião não é só minha. Amanhã começam as provas que duram um "pouquinho mais" do que 20 minutos. Boas navegações para todos nós porque a boa sorte deseja-se aos navegadores dos mares... Pratiquem desporto. Haja saúde. Orientação - o desporto na floresta.
Carlos Garcia (AFAP)


Embora na segunda-feira não tenha existido competição, mantive a rotina, tendo a alvorada ocorrido às 8h00. Objectivo: Prova Modelo de Distância Longa. Na companhia dos "COC's" Albano João, Joaquim Sousa e Palmira João e do ".COM" José Fernandes e após breve passagem pelo Centro do Evento para tratar de assuntos diversos, deslocámos-nos para o local devido. Tal como previsto, pela revisão bibliográfica efectuada ainda em Portugal, o terreno apresenta declive elevado e caracteriza-se por ser praticamente revestido de uma floresta densa onde a luz do sol raramente raia. No entanto e para meu contentamento, o solo é relativamente isento de elementos rochosos e de vegetação, sendo a que existe perfeitamente transponível. As minhas costas agradecem... pena o desnível ser tão acentuado, o que a descer implicará um esforço pouco saudável para mim. Quanto aos locais onde a maioria dos pontos foram colocados, a organização optou pelas depressões e buracos. Tendo em conta que os mapas foram cartografados com curvas de nível intervaladas de 5 em 5 metros, o cartógrafo optou por sinalizar como buracos todas as depressões com menos de 5 metros de profundidade, tendo grande parte delas 1 ou 2 curvas de nível, ou seja, profundidade acentuada. Todos os pontos foram colocados no local mais profundo do elemento característico, o que dificulta a precisão e implicará grande certeza na aproximação aos pontos nos próximos dias. Cada depressão falhada implicará desgaste físico desnecessário, por isso toda a atenção será pouca. Para terminar, falta referir que a existência de tantos elementos característicos de relevo negativo no mapa, estão associados a uma anterior exploração mineira de carvão nesta zona, mas que actualmente estão perfeitamente regenerados e que mais parecem locais alvejados por uma chuva de meteoritos.
Ricardo Oliveira (COC)


Domingo tive um dia em cheio pois, para além de assistir ao vivo à cerimónia de consagração de um atleta português como Vice-Campeão do Mundo numa disciplina de Orientação, consegui com a vitoria na final B atenuar um pouco a minha frustração do dia anterior por não ter conseguido apurar-me para a final A. Se é verdade que o meu não apuramento para a final A tinha ficado seriamente comprometido por ter cometido um erro no ponto 5 que me custou cerca de dois minutos, também é verdade que esta organização inventou e defraudou a verdade desportiva no meu entender. No meu escalão M55 existiam quatro séries qualificatórias, mas apenas dois percursos diferentes, ou seja as séries 1 e 2 tinham o mesmo percurso, assim como as séries 3 e 4. Eu sempre pensei que as séries qualificatórias existiam precisamente por não ser viável colocar toda a gente a fazer o mesmo percurso. Assim, não se entende porque fizeram quatro séries em vez de apenas duas. Ao apurarem os primeiros vinte tempos de cada série em vez dos quarenta melhores tempos de cada um dos dois percursos, acabei por ficar de fora apesar de ter feito o mesmo percurso e o mesmo tempo de um atleta que foi à Final A mas que correu na outra serie. Nas finais, o mesmo absurdo, pois fizeram a final B com o mesmo percurso da Final C. Por acaso fiz o melhor tempo das duas finais mas qual seria a graça se, por exemplo, o vencedor da Final C fizesse menos tempo do que o da Final B? Estou a referir a minha situação mas penso que o mesmo se passou noutros escalões, sendo portanto um aspecto a merecer análise para correcção futura. Quanto às provas em si, adorei as duas, pois foram dois excelentes mapas, o da qualificatória com mais “ratoeiras” e a exigir uma leitura muito minuciosa do mapa, mas com um tempo de prova um pouco longo para uma prova de Sprint.
Vítor Rodrigues (CPOC)


Estamos todos bem aqui em Pécs, Hungria, no WMOC. Tirando a minha teimosia de participar, uma vez que não poderia, pelo estiramento que tive na coxa, os resultados são satisfatórios, principalmente os do Marco Aurélio e do Antonio Carlos. Na final de Sprint, senti muita dor na minha coxa direita e fui forçado a parar oito minutos, tempo suficiente para me jogar para os últimos lugares. O nosso melhor resultado foi do Marco Aurélio, com um 5º lugar na Final B do escalão M35 e do Antonio Carlos em 15º . Fiquei muito feliz por eles. Parabéns aos nossos guerreiros. Terminei a competição e fui para o atendimento médico dar uma olhada na minha lesão. Fizeram umas aplicações com Diclofenac e éter, acho (?) O médico recomendou-me repouso absoluto, sob pena do estiramento se tornar mais grave. O pessoal foi até ao Event Center e almoçar. Eu estou aqui, a fazer gelo local.
Paulo Calisto Becker (COSM / Brasil)


Acompanhe as incidências da competição em http://wmoc2011.hu/ ou aqui, no seu Orientovar.

[Texto de Carlos Garcia recolhido da página pessoal de Joaquim Sousa, em http://www.joaquimsousa.com/www/. Foto extraída do excelente Álbum de Carlos Garcia em https://picasaweb.google.com/CMPGarcia/WMOC2011_03Jun]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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