sexta-feira, 1 de julho de 2011

ROBERTO MUNILLA E A ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO EM ESPANHA: "CONFESSO QUE ESPERAVA QUE A ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO DESPERTASSE DESDE LOGO UM MAIOR INTERESSE ENTRE OS ORIENTISTAS ESPANHÓIS"




No passado dia 30 de Maio, teve lugar em Mérida, no âmbito dos Campeonatos Nacionais de Espanha de Desporto Escolar e Desporto Universitário 2011, uma prova de demonstração de Orientação de Precisão. Uma iniciativa com a assinatura da FEDO – Federação Espanhola de Orientação, coordenada por Roberto Munilla, de novo convidado do Orientovar para nos falar desta primeira experiência.


A Espanha conheceu, pela primeira vez de forma oficial, uma prova de Orientação de Precisão. Na bela cidade de Mérida, os participantes nos Nacionais de Desporto Escolar e Universitário do país vizinho foram convidados a descobrir uma modalidade que, para além do seu valor inclusivo, é considerada uma excelente forma de treino de aptidões e competências por orientistas do mais elevado nível do mundo inteiro.

Pois bem, o Orientovar não esteve em Mérida mas os ecos de Mérida chegaram até ao Orientovar. A prova não correu bem – já lá iremos! - mas, do que vimos e ouvimos, há um bom par de aspectos que merecem uma especial reflexão. Tal como em Espanha, também a Orientação de Precisão portuguesa se encontra numa fase embrionária e temos muito que aprender uns com os outros. O Orientovar gostou sobretudo de perceber que Roberto Munilla e a sua equipa tiveram a preocupação de criar um cartão de controlo “duplo”, isto é, com uma metade que fica para a organização e outra metade para o atleta. Também a publicação imediata duma tabela com as soluções é um passo em frente muito significativo, algo que em Portugal apenas víramos fazer no Portugal O' Meeting 2010, no Parque de Campismo da Figueira da Foz. Finalmente, algo de particularmente valioso e que acabou por motivar esta conversa com Roberto Munilla: Um comentário detalhado das soluções dos vários pontos que constituiram o percurso, publicado na página da FEDO - Federação Espanhola de Orientação, com a humildade de quem sabe admitir os erros e procura, com a ajuda de todos, que os mesmos não se repitam no futuro.


A dificuldade maior foi a falta de tempo

Orientovar - Foi a primeira vez que se realizou um percurso formal de Orientação de Precisão em Espanha?

Roberto Munilla – A título particular, creio que algum Clube ou Universidade possa ter já anteriormente realizado uma prova de Orientação de Precisão muito simples, de carácter demonstrativo, mas se não estou em erro esta é a primeira prova de exibição da disciplina a nível nacional, apoiada pela FEDO – Federação Espanhola de Orientação. Devo sublinhar que apenas participaram atletas do Desporto Escolar e do Desporto Universitário, todos eles de nível médio-alto na Orientação Pedestre mas praticamente sem qualquer tipo de experiência em Orientação de Precisão.

Orientovar - Quais as dificuldades surgidas na montagem e implementação do percurso no terreno?

Roberto Munilla – Realmente, face aos condicionalismos existentes, não tivémos grandes problemas, graças sobretudo ao trabalho inestimável e à eficácia de Mario Vidal Triquell, do Departamento de Cartografia da FEDO. A dificuldade maior foi a falta de tempo, já que entre duas pessoas numa única semana houve que fazer absolutamente tudo no sentido de organizar a prova, e a quase setecentos quilómetros de distância de casa. Daí que, no dia anterior à prova, os atletas estavam a receber uma palestra sobre as particularidades da Orientação de Precisão e duas horas antes da primeira saída ainda estávamaos a imprimir os mapas. Que stress!... O segundo problema importante foi o desconhecimento de alguns aspectos técnicos elementares, tanto da Orientação dum modo geral como da própria Orientação de Precisão, o que afectou de forma muito negativa a qualidade e a validade de vários pontos de controlo.


Preferimos deixar os pontos cronometrados para o fim

Orientovar - Como decorreu a prova?

Roberto Munilla – Dum modo geral correu bem, mas a colocação de dois pontos de controlo cronometrados no final do percurso obrigou a uma espera de dez ou quinze minutos da parte de muitos dos participantes para poderem terminar a sua prova. Sabíamos que isto podia vir a acontecer, mas como era a primeira prova de Orientação de Precisão para a maioria deles, preferimos deixar os pontos cronometrados para o fim, proporcionando-lhes uma certa ambientação com um conjunto prévio de pontos sem este tipo de pressão.

Orientovar – Tiveram atletas em cadeira de rodas a participar?

Roberto Munilla – Não tivemos ninguém. Desconheço se pelo facto de não haver, ao nível do Desporto Escolar ou Universitário, praticantes com mobilidade reduzida, ou se por qualquer outra razão. Particularmente, divulguei a prova entre várias Associações de Saragoça e em nenhuma delas surgiu alguém a mostrar interesse.


Tivémos um participante com experiência em Orientação de Precisão que não se mostrou muito satisfeito

Orientovar - Dois quilómetros e meio para uma percurso com estas características não é uma distância demasiado longa?

Roberto Munilla - Admito que sim. Mas como tínhamos esse condicionalismo de levar a cabo a prova nuna zona específica da cidade, passando por uma das pontes e sem poder utilizar as duas ilhas centrais, então tínhamos apenas duas hipóteses: ou utilizar um parque existente a Oeste do mapa, mas que era muito pobre em termos de elementos no terreno, ou fazer um percurso circular com a tal distância de dois quilómetros e meio, mas com mais pontos de controlo e mais variados, com a possibilidade dum maior número de referências para poder resolvê-los.

Orientovar - Qual o feed-back dos participantes?

Roberto Munilla – Tivémos um participante com experiência em Orientação de Precisão que não se mostrou muito satisfeito face aos erros técnicos na descrição dos pontos de controlo, à posição incorrecta de algumas balizas e à eleição dum ponto de controlo com pouca visibilidade. Mas todos os outros mostraram-se bastante satisfeitos, penso que por não dominarem tão bem os aspectos técnicos mas também pela emoção de experimentarem algo de novo.


Ainda é cedo para estabelecer quaisquer juízos de valor

Orientovar - Se a prova fosse hoje, o que teria modificado?

Roberto Munilla - Sobretudo, procuraria evitar a falta de previsibilidade e suprimir o improviso, isto no que diz respeito àquilo que dependia exclusivamente de mim. Teria solicitado a colaboração duma pessoa no sentido de eleger os pontos de controlo, comprovar o posicionamento correcto das balizas e validar as descrições de cada ponto. Teria também eliminado da prova o ponto de controlo com pouca visibilidade e teria optado por um único ponto cronometrado no final do percurso. Considero hoje que quatro respostas “zero” são demasiadas respostas deste género numa prova de exibição com dez pontos no total, pelo que reduziria para uma ou duas, no máximo, este tipo de respostas, e nunca num ponto cronometrado.

Orientovar - Com que ânimo se encontra para prosseguir com este trabalho?

Roberto Munilla – Ainda é cedo para estabelecer quaisquer juízos de valor, visto terem passado apenas quatro meses desde que informámos os clubes e as associações regionais acerca do nascimento desta modalidade em Espanha. Confesso que esperava que a Orientação de Precisão despertasse desde logo um maior interesse entre os orientistas espanhóis, mas a verdade é que ninguém avançou com a proposta de realizar algo este ano, apenas me questionaram se teríamos algum Guia para iniciação.


Para 2012 estamos a contar levar a cabo uma nova prova de Orientação de Precisão

Orientovar - Quais os próximos desafios da Orientação de Precisão em Espanha?

Roberto Munilla – No segundo semestre de 2011, o único objectivo a que nos propomos prende-se com a tentativa de captar a atenção e o interesse dos nossos orientistas. O calendário de provas está saturado e os meios parecem não ser suficientes para se poder incluir uma prova de Orientação de Precisão, mesmo que muito simples. Para 2012 estamos a contar levar a cabo uma nova prova de Orientação de Precisão, aproveitando a realização do Campeonato de Espanha WRE, de 05 a 8 de Abril em Plasencia (Cáceres).





Mais informações na página da FEDO, em http://www.fedo.org/mambo/.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Presidente disse...

Interessante!
O nosso Dep O-Prec vai dar-nos o prazer de iniciarmos a Taça de Portugal em 2012.
Ab
AA