sábado, 2 de julho de 2011

JWOC 2011: SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DOS MUNDIAIS DE JUNIORES DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE




As maiores esperanças da Orientação mundial concentram-se na Polónia por estes dias. Atenções voltadas, pois, para o Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011 que, ao longo de toda a semana, terá lugar em Wejherowo e Rumia, ali a dois passos do Báltico.


Pela terceira vez na história da competição, os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre viajam até à Polónia. Wejherowo e Rumia recebem, ao longo dos próximos dias, a 22ª edição do JWOC, uma competição que promete não defraudar as expectativas, dando a ver todas as grandes – e menos grandes! - estrelas em ascensão da Orientação mundial. Evoluindo nas belas paisagens da região da Pomerânia, no Norte da Polónia, irão estar perto de três centenas de atletas, em representação de 36 países, prometendo um conjunto de provas de elevada qualidade e competitividade.

De acordo com os dados fornecidos pela Organização, cuja assinatura é da responsabilidade do UKS Siódemka Rumia e da Federação Polaca de Orientação, serão 164 atletas masculinos e 134 femininos os participantes num evento que atribuirá os títulos mundiais de Sprint, Distância Média, Distância Longa e Estafetas 2011. À margem da competição, estão previstas, para além das Cerimónias de Abertura e de Encerramento, passeios a Gdansk - cidade portuária que tem o seu nome associado, na história recente deste mundo global em que vivemos, ao de Lech Walesa, fundador do movimento de libertação nacional “Solidariedade”, presidente da Polónia entre 1990 e 1995 e Prémio Nobel da Paz em 1983 - e ao Mar Báltico e ainda o tradicional Banquete do último dia.


No princípio era o verbo...

A primeira edição dos Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre teve lugar em Älvsbyn, na Suécia, nos dias 13 e 14 de Julho de 1990. Uma edição que contou com a participação de 107 atletas masculinos e 82 femininos, em representação de 26 países. Um arranque onde algumas selecções davam ainda pelo nome República Federal da Alemanha, República Democrática da Alemanha ou União das Repúblicas Socialistas e Soviéticas e que se fez disputar apenas nas vertentes de Distância Longa (ou Clássica, como era conhecida na altura) e de Estafetas. Noruegueses, finlandeses e suecos ocuparam por inteiro os quatro pódios, mas a parte de leão foi para a Finlândia e Noruega, dividindo entre si, de forma equitativa, as quatro medalhas de ouro em disputa.

Em 1991, os Mundiais viajaram até Berlim, naquela que foi até hoje a edição menos participada dos Campeonatos. A prova de Distância Média é introduzida na competição e a Finlândia, com três medalhas de ouro, continuou a ser a grande dominadora, mas já é possível ver, no lugar mais alto do pódio, nomes como os de Ivars Zagars (URSS) na Distância Longa e de Janusz Porzycz (Polónia) e Kristin Liebich (Alemanha), na Distância Média. É ainda em 1991 que se estreia no JWOC a austríaca Lucie Böhm, ela que viria a ser, a par do neo-zelandês Alistair Landells, a grande vencedora da primeira edição do Portugal O' Meeting, cinco anos mais tarde, na Tapada de Mafra.


Enikö Fey faz história

Em 1992, nos Mundiais de Jyväskylä, na Finlândia, a polaca Barbara Baczek torna-se na primeira atleta a “bisar” o ouro numa mesma edição e em 1993, a Dinamarca, a República Checa e a Suiça (esta última na Estafeta feminina) chegam pela primeira vez às medalhas de ouro. Domonyik Gabor (Hungria) e Christina Grondahl (Dinamarca) alcançam também eles o ouro em ambas as provas individuais, na edição de 1995 (Grund, Dinamarca). E se em 1994 (Gdynia, Polónia), já Christina Grondahl tinha vencido a Distância Longa, tornando-se na primeira atleta na história dos Campeonatos a triunfar na mesma prova em dois anos consecutivos, Domonyik Gabor alcança o mesmo desiderato em 1996 (Sirineasa, Roménia), repetindo a medalha de ouro na Distância Média.
É ainda em 1995 que Thierry Gueorgiou, então com 15 anos de idade, faz a sua aparição no JWOC (viria a repetir a presença nas quatro edições seguintes), concluindo a prova de Distância Média na 60ª posição e não indo além do 10º lugar com a Estafeta francesa, fazendo equipa com Fabrice Erdinger e com o seu irmão (?) Rémi Gueorgiou.

Em 1996, a jogar em casa, os romenos chegam pela primeira vez às medalhas num JWOC, e logo com quatro títulos mundiais: Marcel Olaru sagra-se campeão do mundo de Distância Longa, enquanto Enikö Fey arrebata, só à sua conta, todos os títulos em disputa - Média, Longa e Estafetas – algo que não mais viria a suceder na história dos Campeonatos (em 2008, o sueco Johan Runesson alcança igualmente estes três títulos, mas numa altura em que já tinha sido introduzida a distância de Sprint e, aí, o sueco foi “apenas” segundo classificado). Mas voltando a 1996, esta revela-se como a mais participada edição dos Campeonatos até essa altura (165 atletas masculinos e 113 femininos), estando presentes na competição um número “record” de 34 países. Portugal faz precisamente este ano a sua estreia nos Campeonatos com uma selecção de quatro atletas masculinos e dois femininos e é ainda neste ano que o nome de Simone Niggli-Luder surge na competição pela primeira vez, alcançando o nono lugar nas provas de Distância Média e de Distância Longa e chegando à medalha de prata na Estafeta, ao lado de Regula Huliger e Sara Wegmüller.


Thierry de prata, Simone de ouro

No ano de 1997 (Leopoldsburg, Bélgica), Simone Niggli-Luder sagra-se campeã do mundo de Distância Longa, alcançando para a Suiça a primeira medalha individual da sua história no JWOC. É também nesse ano que a Suécia alcança uma saborosa “dobradinha” na Estafeta, algo que só viria a suceder por cinco vezes na história da competição (a Suécia voltaria a “bisar” em 2004 e em 2008, ao passo que a Suiça triunfou nas duas Estafetas em 2002 e a Noruega em 2005). Em 1998 (Reims, França), Thierry Gueorgiou chega à medalha de prata na prova de Distância Longa e Pasi Ikonen desponta nos Campeonatos, conseguindo chegar à medalha de prata na prova de Estafetas, ao lado de Samuli Salmenoja e Jonne Lakanen.

Em 1999 (Varna, Bulgária), na décima edição dos Campeonatos, há um nome que surge em evidência, o de Andrey Khramov (Rússia), Campeão do Mundo de Distância Longa, enquanto a suiça Regula Hulliger leva para casa os títulos mundiais de Distância Média e Distância Longa e ainda a medalha de bronze na Estafeta. O australiano Troy de Haas torna-se no primeiro atleta não europeu a subir a um pódio do mundial de juniores, mercê do seu terceiro lugar na prova de Distância Longa. Mas a edição búlgara fica ainda marcada por ser aquela que, a par das edições de 2008 (Gotemburgo, Suécia), 2009 (Trentino, Itália) e 2010 (Kollerup, Dinamarca), contou até hoje com o maior número de países representados, nada mais nada menos que 37.


Um fenómeno de nome Daniel Hubmann

Disputada em Nove Mesto na Morave, República Checa, a edição de 2000 do JWOC viu pela primeira vez o número de participantes ultrapassar as três centenas (301 mais precisamente, 155 no sector masculino e 146 no sector feminino), em representação de 35 países. Com três medalhas de ouro, a República Checa foi a grande dominadora desta edição da prova, mas o facto mais relevante vai para o pódio da prova de Distância Média, pintado de azul, branco e vermelho pelos checos Michal Smola, Zbynek Hora e Jaromir Svihovsky – ouro, prata e bronze, respectivamente –, um feito único em 21 edições do JWOC até ao momento. É ainda em Nove Mesto na Morave que a Ucrânia alcança a primeira de duas medalhas individuais nas edições do JWOC até hoje disputadas, através de Nataliya Potopalska, terceira classificada na prova de Distância Longa (a outra, também de bronze, foi alcançada por Ruslan Glebov, na prova de Sprint, em 2006), e onde surge pela primeira vez o nome da finlandesa Minna Kauppi, ela que leva para casa o bronze na Distância Média e nas Estafetas.

Em 2001 (Miskolc, Hungria), Minna Kauppi chega mesmo ao ouro na prova de Distância Média enquanto há um novo país a colorir o medalheiro dos Campeonatos. Trata-se da Lituânia, com Ieva Sargautyte a sagrar-se Vice-Campeã do Mundo de Distância Média. Em 2002, aqui bem perto (Alicante, Espanha), Minna Kauppi repete o ouro na prova de Distância Média, acrescenta-lhe a prata na estafeta e o bronze na Distância Longa. O nome que se evidencia nesta edição dos Campeonatos, porém, é o de Daniel Hubmann. O suiço estreara-se em Miskolc com um quinto lugar na prova de Distância Média, mas em Alicante não fez por menos e somou ao título mundial de Distância Longa, também o de Estafetas, lado a lado com Matthias Merz e Lukas Ebneter. É também aqui que se estreia a sueca Helena Jansson, e logo com uma medalha de bronze na prova de Estafeta.


O primeiro ouro de Lundanes

Com duas medalhas de ouro (Distância Longa e Estafetas), o russo Dmitry Tsvetkov é a grande figura dos Mundiais de 2003 (Küka, Estónia) e onde se registou uma particularidade deveras curiosa: a Finlândia levou de vencida a Estafeta feminina com a sua segunda equipa (Annamaria Väli-Klemelä, Heini Wennman e Silja Tarvonen), enquanto a poderosíssima equipa principal, com Laura Hokka, Campeã do Mundo de Distância Média e Anni-Maija Fincke, Vice-Campeã do Mundo de Distância Longa, não vai além do 8º lugar. É também nesta edição do JWOC que a Estónia, aproveitando o “factor casa”, alcança a sua primeira medalha na competição, graças ao terceiro lugar de Eveli Saue na prova de Distância Média.

A edição de 2004 (Gdansk, Polónia) vê a sueca Helena Jansson chegar ao ouro na prova de Distância Média e na Estafeta mas o dado mais curioso é-nos trazido por Allison O'Neill, que graças ao terceiro lugar na prova de Distância Longa, ofereceu à Grã-Bretanha a sua primeira medalha em Campeonatos do Mundo de Juniores (em 2010, o britânico Kristian Jones subiria a parada, tornando-se Vice-Campeão do Mundo de Sprint). Em 2005, a Suiça recebeu a edição mais participada de sempre da história dos Campeonatos, com 306 atletas em prova (175 maculinos e 131 femininos), mas os noruegueses foram as grandes figuras da competição, arrecadando quatro das seis medalhas em disputa. Com duas medalhas de ouro cada (Distância Longa e Estafeta), Olav Lundanes e Mari Fasting foram os nomes maiores do torneio, com Fabian Hertner a salvar “a honra do convento” e a dar à Suiça o ouro na prova de Distância Média.


Um título mundial para a Austrália

Em 2006 (Druskininkai, Lituânia) assistiu-se a uma alteração significativa no formato dos Campeonatos do Mundo de Juniores, com a introdução da prova de Sprint. O sueco Mikael Kristensson e a norueguesa Ingunn Hultgreen Weltzien foram os primeiros campeões do mundo juniores nesta disciplina, num ano em que se verificaram ainda três factos curiosos: A prova de Distância Média teve dois campeões do mundo ex-aequo, o checo Jan Benes e o dinamarquês Soren Bobach; a Austrália alcançou a sua primeira e única medalha de ouro na competição por intermédio de Hanny Allston (Distância Longa) e a Estónia chegou também pela primeira e única vez ao ouro, na Estafeta masculina (Mihkel Järveoja, Timo Sild e Markus Puusepp). Em 2007, o Mundial de Juniores viajou pela única vez na sua história para fora do continente europeu, disputando-se em Dubbo (Austrália). Com duas medalhas de ouro (Distância Média e Distância Longa) e duas de prata (Sprint e Estafeta), o norueguês Olav Lundanes voltou a ser a grande figura dos Canmpeonatos. Uma palavra ainda para a Estafeta masculina da Letónia, que com Mikus Zagata, Kalvis Mihailovs e Anatolijs Tarasovs, chegou à medalha de bronze, a única alcançada por este país na história dos Campeonatos.

Como já dissemos anteriormente, os Mundiais de 2008 (Gotemburgo, Suécia) tiveram em Johan Runesson o grande dominador, com três medalhas de ouro e uma de prata, cabendo ao checo Stepan Kodeda o papel de “mau da fita”, ao roubar o título de Sprint ao sueco, impedindo-o de fazer um pleno histórico. Mas foi também nesta edição dos Campeonatos que a França alcançou a sua única medalha até ao momento no sector feminino, graças ao terceiro lugar de Karine D'Harreville na prova de Distância Média. Em 2009 (Trentino, Itália) e 2010 (Kollerup, Dinamarca), os países nórdicos, aos quais se deve juntar a inevitável Suiça, dominaram quase por absoluto as provas disputadas, com dois nomes a merecerem o maior destaque, e ambos no sector feminino. Desde logo a dinamarquesa Ida Bobach, medalha de ouro na prova de Distância Longa (2009 e 2010), Sprint (2010) e Estafeta (2010), medalha de prata na prova de Sprint (2009) e medalha de bronze na prova de Distância Média e de Estafeta (ambas em 2009). O outro nome é o da sueca Tove Alexandersson, Campeã do Mundo de Distância Média em 2009 e 2010.


Portugueses no JWOC

Falando agora da participação portuguesa em Campeonatos do Mundo de Juniores, ela teve início, como dissemos, nos Mundiais de 1996, na Roménia. Desde então, Portugal marcou presença em todas as edições da prova, à excepção do JWOC 2000 (República Checa), JWOC 2001 (Hungria) e JWOC 2007 (Austrália). Para a história ficam os nomes de Carlos Pereira, Hugo Patrício, Bruno Gonçalves, Daniel Silva, Ana Martins e Mafalda Almeida como os primeiros atletas portugueses a participarem na competição. E porque a competição vive dos resultados, digamos que o histórico pesa contra nós, não fora a edição de 2009, em Itália, ter atraído a atenção do mundo da Orientação sobre aquilo que de muito bom poderia estar (e estava!) a ser feito em Portugal. Esse foi o ano em que Tiago Romão e Diogo Miguel alcançaram resultados dignos de registo na final de Sprint, com um 11º e um 14º lugar, respectivamente. Também na prova feminina, o 51º lugar de Ana Coradinho representa um marco histórico. Mas os bons resultados de 2009 não se ficam por aqui. Na prova de Distância Longa, Diogo Miguel foi um brilhante 40º classificado, enquanto Tiago Romão e Diogo Miguel conseguiram marcar presença na final A de Distância Média, onde foram 39º e 41º classificados, respetivamente. Finalmente, Portugal fez história em ambas as Estafetas, alcançando os melhores resultados de sempre: o 12º lugar no sector masculino e o 21º no sector feminino.

Vale ainda a pena referir que, anteriormente, só Tiago Aires tinha alcançado uma presença na final A da prova de Distância Média (JWOC 2002, em Espanha), tendo sido o 57º classificado, e que em termos de Distância Média nunca Portugal conseguiu uma presença feminina na final A (o 12º lugar de Joana Costa na final B dos Mundiais de 2009, em Itália, constituem até ao momento o nosso melhor resultado). Uma última nota para o 76º lugar de Ana Oliveira, nos Mundiais de 1998, em França, e que são ainda a nossa melhor prestação feminina na prova de Distância Longa


João Mega é a excepção num conjunto de estreantes

Ao todo, nas doze edições em que participámos anteriormente, foram 43 os portugueses presentes (26 atletas masculinos e 17 femininos), sendo as maiores comitivas aquelas que representaram as nossas cores em Espanha (JWOC 2002) e Itália (JWOC 2009), em ambos os casos com 8 elementos. Na Polónia, o nosso país volta a marcar presença com uma comitiva de oito atletas, chefiada por Tiago Aires e assim constituída: João Mega Figueiredo, Luís Silva, Hélder Marcolino, Miguel Ferreira, Pedro Silva, Vera Alvarez, Carolina Delgado e Mariana Moreira. Refira-se que, à excepção de João Mega Figeuiredo (presente no JWOC 2009, em Itália), todos os restantes atletas fazem em Wehjerowo e Rumia e sua estreia em Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre.

Aos portugueses junta-se uma mole imensa dos melhores atletas juniores do momento, alguns deles desejosos de repetir na Polónia os excelentes resultados trazidos das edições anteriores. Estão nestes casos a dinamarquesa Ida Bobach, possuidora do invejável currículo citado anteriormente, a sueca Tove Alexandersson (Campeã do Mundo de Distância Média em 2009 e 2010), o checo Pavel Kubat (Campeão do Mundo de Distância Longa 2010), o britânico Kristian Jones (Vice-Campeão do Mundo de Sprint 2010), o norueguês Ulf Forseth Indgaard ( medalha de bronze na prova de Distância Média 2010) a checa Tereza Novotna (medalha de bronze na prova de Sprint 2009) ou a finlandesa Sari Anttonen (medalha de bronze na prova de Distância Longa 2010).


Amanhã já será a doer

É óbvio que numa competição destas, muito mais haveria a dizer. Curiosidades como aqueles que associam alguns nomes da Orientação em BTT ao JWOC, por exemplo, dariam pano para mangas (por aqui passaram Michaela Gigon, Ruslan Gritsan, Anna Telyakevich e Laura Scaravonatti, para apenas citar alguns dos nomes maiores da Ori-BTT mundial). Mas a crónica já vai mais que longa e vamos ficar por aqui. Hoje é dia de Cerimónia de Abertura, ao final da tarde, no centro de Wehjerowo e a competição começa a sério ao início da tarde de amanhã, com a final de Sprint.

Tudo para acompanhar na página oficial do evento em http://www.jwoc2011.pl/ ou aqui, no seu Orientovar.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Rafael da Silva Miguel disse...

Boa sorte pessoal!

Beijos e Abraços para todos e à descrição!