quinta-feira, 7 de julho de 2011

JWOC 2011: SOB O SIGNO DO "TRÊS"




Que dois atleta terminem a sua prova com o mesmo tempo, não sendo comum, acontece de quando em vez. Mais incomum, ainda, é ver ambos a partilharem o mesmo lugar do pódio. Agora três atletas... e logo os três no primeiro lugar?!... Pois foi mesmo isso que aconteceu hoje, na final Masculina de Distância Média do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011, com Robert Merl, Dmitry Nakonechnyy e Topias Tiainen a cantarem vitória em uníssono. Quanto às senhoras, pela terceira vez nesta edição dos Campeonatos, o ouro foi parar ao peito de Ida Bobach.


Não será necessário recuarmos muito no tempo para vermos dois atletas sagrarem-se ex-aequo Campeões do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre. Foi em 2006 (Druskininkai, Lituânia), na Final A de Distância Média, com o checo Jan Benes e o dinamarquês Sören Bobach a repartirem entre si o lugar mais alto do pódio. Cinco anos volvidos, na mesma distância, a história como que se repete. Só que desta vez foram três e não dois os atletas distinguidos com a medalha de ouro. Tudo graças ao mágico tempo de 25:43 que Robert Merl (Aústria), Dmitry Nakonechnyy (Rússia) e Topias Tiainen (Finlândia) necessitaram para completar os 4.220 metros do seu percurso (17 pontos de controlo, 205 metros de desnível), no “Calvário” de Wejherowo.

Apenas 16º classificado na segunda série qualificatória de ontem, o austríaco Robert Merl esteve hoje ao seu melhor nível, somando ao título de Vice-Campeão do Mundo de Distância Longa uma medalha com um sabor muito especial, porque de ouro. E se Merl já na segunda-feira passada tinha feito história ao alcançar a primeira medalha austríaca em participações no JWOC – e a Áustria é um dos doze países que marcaram presença assídua em todas as vinte e duas edições da competição -, que dizer então da vitória de hoje e que o coloca, até ao momento, como a mais grada figura do JWOC 2011, no que ao sector masculino diz respeito.


Nakonechnyy e Tiainen, surpreendentes

No tocante aos dois restantes Campeões do Mundo, o russo Dmitry Nakonechnyy e o finlandês Topias Tiainen, são ambos uma enorme surpresa. Nakonechnyy estreou-se no JWOC em 2009 (Trentino, Itália), tendo como melhor resultado o 90º lugar na Final de Sprint (foi desqualificado na Longa e quedou-se pela Final B na Média, onde foi 33º classificado). No ano transacto os resultados melhoraram algo, com um 18º lugar na Final de Distância Média (embora ainda com um 61º lugar no Sprint e um 69º lugar na Longa). O atleta russo continuou a progredir e, já este ano, foi possível vê-lo alcançar o 13º lugar na prova de Sprint e um excelente oitavo lugar na prova de Distância Longa, a escassos 33 segundos do pódio. Ainda assim, a medalha de ouro não estaria seguramente nas suas cogitações e o russo faz história ao juntar o seu nome aos de Ivars Zagars, Andrey Khramov e Dmitry Tsvetkov, embora seja o primeiro atleta russo a conseguir o título de Campeão do Mundo nesta distância. Mais surpreendente ainda é o resultado de Topias Tiainen, naquela que é a sua primeira participação no JWOC (nem mesmo no historial do EYOC encontramos qualquer referência ao atleta). Depois de ter faltado à chamada para a prova de Sprint e dum 51º lugar na prova de Distância Longa, quem poderia adivinhar que lhe estava reservada a glória do lugar mais alto do pódio na Final de Distância Média? Refira-se que os lugares imediatos pertenceram ao Campeão do Mundo de Sprint e medalha de bronze na prova de Distância Longa, o francês Lucas Basset, ao suiço Florian Howald (medalha de bronze na prova de Sprint e 4º classificado na prova de Distância Longa) e ao norueguês Eskil Kinneberg, que já tinha sido o 6º classificado na Final de Sprint, a ocuparem por esta ordem as 4ª, 5ª e 6ª posições.

Portugal marcou presença na grande final de Distância Média com Luís Silva e Pedro Silva, naquilo que constituiu um feito significativo na história da Orientação portuguesa, anteriormente apenas alcançado por Tiago Aires (Espanha, 2002), Tiago Romão e Diogo Miguel (ambos em Itália, 2009). Participando pela primeira vez na competição, os dois atletas tiveram uma prestação bastante meritória, concluindo Luís Silva no 51º lugar com o tempo de 32:06, enquanto Pedro Silva foi o 54º classificado com mais 1:23 que o seu compatriota. Entre ambos classificou-se o espanhol Antonio Martinez, no 53º lugar com 32:48, enquanto o outro espanhol presente nesta final, Andreu Blanes, Vice-Campeão do Mundo de Sprint, foi um brilhante 13º classificado, a 9 segundos do top-10 e a 1:48 do vencedor.


Ida Bobach: três provas, três vitórias!

No sector feminino, Ida Bobach soma e segue. A atleta dinamarquesa continua a fazer história na competição e quer encerrar a sua quarta e última participação no JWOC com chave de ouro. Já lá vão sete primeiros lugares, dois segundos e dois terceiros, é até ao momento a única atleta a vencer por três vezes consecutivas a mesma prova (Distância Longa) e hoje acaba de estabelecer mais um resultado histórico, ao garantir pela primeira vez todas medalhas de ouro nas três provas individuais duma única edição. Ida Bobach gastou 23:10 para cumprir os 3.460 metros do seu percurso, arrebatando a medalha de ouro das mãos da sueca Tove Alexandersson, Campeã do Mundo de Distância Média em 2009 e em 2010 e que hoje teve de se contentar com a segunda posição, a 34 segundos da vencedora. Vice-Campeã do Mundo de Sprint e de Distãncia Longa, a dinamarquesa Emma Klingenberg terminou na terceira posição com o tempo de 24:16 e imediatamente à frente da sua irmã, Ita Klingenberg, que gastou mais dezasseis segundos. Helena Karlsson (Suécia) e Denisa Kosová (República Checa), respectivamente nas quinta e sexta posições, fecharam o pódio feminino.

A prova de Estafeta, marcada para amanhã, encerra a competição desta 22ª edição do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre 2011. No sector feminino, tudo aponta para a consagração de Ida Bobach e da Dinamarca como as grandes figuras destes Mundiais, na certeza porém de que a Suécia tudo irá fazer para contrariar o favoritismo das suas mais directas rivais. Já no sector masculino, a incógnita é total. Checos, russos, noruegueses e suecos parecem ter argumentos suficientes para dirimirem entre si os três primeiros lugares em disputa, mas os polacos a jogarem em casa têm certamente uma palavra a dizer e há que contar ainda com os espanhóis, que tão boa conta têm dado de si nestes Campeonatos.



Tudo para acompanhar em http://www.jwoc2011.pl/ ou aqui, no seu Orientovar.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: