sexta-feira, 8 de julho de 2011

JWOC 2011: POLÓNIA E SUÉCIA FECHAM COM CHAVE DE OURO MUNDIAIS DE JUNIORES




Polónia e Suécia fecharam com chave de ouro a sua participação na 22ª edição do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011. Aproveitando o factor casa, a Estafeta masculina da Polónia deu finalmente uma enorme alegria à sua legião de fãs. Quanto à Estafeta feminina, a Suécia soube contrariar o favoritismo das dinamarquesas e Tove Alexandersson chegou finalmente à medalha de ouro nestes Campeonatos.


Os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011 não poderiam ter terminado da melhor forma para a Polónia. A jogar em casa, a Estafeta masculina chegou ao título mundial, fazendo esquecer um conjunto de resultados relativamente apagados e onde a 5ª posição de Michal Olejnik, na Final de Sprint do passado domingo, constituiu mesmo a grande excepção.

Já se previa que esta Final da Estafeta masculina iria ser muito aberta, o que na realidade acabou por se verificar, com as oito primeira equipas a terminarem separadas entre si por escassos três minutos. Com distâncias entre os 5.400 e os 5.550 metros e com muito pouco desnível (110 metros), o primeiro percurso da Estafeta foi corrido a um ritmo alucinante, com a Estónia 1 a entregar o testemunho na primeira posição com o tempo de 26:53, liderando um grupo de selecções onde se incluiam as duas equipas da Suécia, a Noruega, a República Checa e a Suiça. A Polónia era nesta altura a 17ª classificada, com Piotr Parfianowicz a entregar o testemunho com o tempo de 28:23. Mais atrás ainda encontravam-se a Rússia, com 29:04, a Áustria com 29:09 e a Espanha com 29:13, três das selecções pretendentes a um lugar no pódio.


Polónia garante o ouro

Mais longo (7.770 a 7.900 metros) e com um desnível bem mais acentuado (215 metros), o segundo percurso acabaria por inverter em parte a tendência inicial, mostrando uma vez mais que "o primeiro milho é dos pardais". Campeão do Mundo de Distância Média e Vice-Campeão do Mundo de Distância Longa, Robert Merl fez uma prova absolutamente fabulosa, garantindo o melhor tempo neste percurso com 41:48. Mas nem só Merl esteve bem e ao espanhol António Martinez pertenceu o segundo melhor tempo, a 45 segundos de Merl, enquanto o francês Lucas Basset – Campeão do Mundo de Sprint – e o polaco Rafal Podzinski se quedavam a 55 segundos do melhor tempo neste percurso. À entrada para o último percurso, a Áustria seguia na frente com o tempo de 1:10:57, tendo atrás de si a Polónia a escassos nove segundos e, um pouco mais atrás, um grupo de cinco selecções, a cerca de quarenta segundos, liderado pela surpreendente Nova Zelândia e onde se incluíam ainda a Suécia, a França, a República Checa e a Espanha.

O percurso final (com a mesma distância e desnível do intermédio) viria a ser absolutamente fantástico para os polacos. Empolgado pela possibilidade de chegar às medalhas ante o seu público, Michal Olejnik fez a prova da sua vida, garantindo a vitória para a Polónia com o tempo total de 01:53:33 e um parcial de 42:27. Com o tempo de 42:18, Albin Ridefelt foi o mais rápido entre os pretendentes às restantes medalhas, garantindo o segundo lugar para a Suécia, a 23 segundos dos vencedores. Andreu Blanes, o Vice-Campeão do Mundo de Sprint, fez uma prova igualmente fantástica, terminando num empolgante sprint, mas os cinco segundos ganhos ao checo Pavel Kubát não foram suficientes para anular a desvantagem trazida do segundo percurso, pelo que a República Checa alcançou a medalha de bronze com o tempo de 01:54:47, contra os 01:54:49 da Espanha. Marius Thrane Odum e Florian Howald fizeram igualmente excelentes provas, colocando a Dinamarca e a Suiça nas 5ª e 6ª posições, respectivamente, com os tempos finais de 01:54:55 e 01:55:09. Campeão do Mundo de Distância Média, o russo Dmitry Nakonechnyy fez 41:48 e alcançou o segundo melhor parcial neste derradeiro percurso (o melhor parcial pertenceu ao lituano Martynas Stanys), embora o seu esforço tenha sido inglório e a Russia acabasse fora do pódio.


Espanha... olé!

A Polónia teve de esperar dezassete anos para ver de novo uma representação sua no pódio das Estafetas (em 1994, também a jogar em casa, em Gdynia, a Estafeta feminina – Malgorzata Stankiewicz, Aneta Jablonska e Ewa Kozlowska – chegara à medalha de bronze), pelo que este ouro é um feito duplamente histórico: é a primeira presença masculina no pódio das Estafetas e é... o primeiro ouro! A Suécia repetiu a medalha de prata de 2010, embora com um conjunto de atletas completamente diferente, enquanto a República Checa chegou de novo ao pódio, após três anos de jejum (em 2007, Stepan Kodeda, Jan Benes e Adam Chromy tinham-se sagrado Campeões do Mundo). Quanto à Espanha e ao seu 4º lugar, o mínimo que se pode dizer é que é absolutamente fantástico. A Espanha tinha como melhor resultado até hoje, nesta prova, o 15º lugar alcançado na Dinamarca no ano transacto (já então com Andreu Blanes e António Martinez na equipa, a par de Ricardo Garcia Dengra), pelo que o resultado de hoje, ainda que histórico, só surpreende os menos atentos àquilo que “nuestros hermanos” fizeram nestes Campeonatos.

Quanto a Portugal concluiu a sua prova na 24ª posição com o tempo de 02:29:33. Sem comprometerem as aspirações de poderem chegar ao top-20 (o que, a acontecer, seria a quarta vez nas últimas cinco edições da competição), Pedro Silva garantiu o primeiro percurso em 31:49 e Luís Silva necessitou de 53:29 para completar o segundo percurso. Infelizmente, João Mega Figueiredo não esteve ao excelente nível que demonstrou na primeira metade dos Campeonatos, terminando com um tempo de 01:04:15, pelo que a nossa Estafeta acabaria por não ver os seus méritos traduzidos num resultado condizente com as legítimas aspirações.


Estafeta feminina portuguesa faz história

Já a Estafeta feminina portuguesa, pelo contrário, fez história ao concluir na 15ª posição com um tempo final de 02:07:02. Com uma equipa toda ela estreante nesta competição, Carolina Delgado, Mariana Moreira e Vera Alvarez fizeram uma prova plena de regularidade, com tempos muito equilibrados entre si e que permitiram um escalonamento final na tabela de resultados a menos de meio minuto da França e à frente de selecções como a Itália, a Ucrânia, a Alemanha, a Estónia, a Bielorússia ou a Hungria, algumas delas teoricamente muito mais fortes. Esta foi a quinta vez que Portugal alinhou à partida na prova de Estafeta feminina dos Mundiais de Juniores e, pela primeira vez, quebrou o enguiço e alcançou, com inteira justiça, um lugar no top-20 (ou no top-15, se preferirem!).

Ainda no tocante à Estafeta feminina, refira-se que a mesma foi ganha pelo conjunto da Suécia de forma categórica. Analisando os desenvolvimentos da prova, o facto mais relevante tem a ver com a forma como Ita Klingenberg fez um percurso inicial para esquecer, perdendo cinco minutos para as suas adversárias mais directas e deitando por terra o favoritismo da Dinamarca (a título de curiosidade, refira-se que Ita Klingenberg entregou o testemunho lado a lado com... Carolina Delgado). E se Helena Karlsson (Suécia) e Sabrina Jenzer (Suiça) ganhavam vantagem significativa no primeiro percurso, já no final do segundo percurso a Suécia surgia destacada, graças ao excelente desempenho de Linnea Martinsson. Tove Alexandersson fez do terceiro percurso o percurso da consagração, estabelecendo o melhor parcial, ampliando a vantagem da Suécia e garantindo a sua primeira medalha de ouro nestes Mundiais, depois da medalha de prata na prova de Distância Média e da medalha de bronze na prova de Distância Longa.


Sete segundos a separar República Checa, Dinamarca e Suiça

A luta pelos lugares imediatos foi mais que titânica, com três equipas a terminarem separadas por escassos sete segundos. Começou melhor a Suiça, como dissemos, mas Lisa Holer esteve mal no segundo percurso, ao contrário da dinamarquesa Emma Klingenberg que esteve bem e da checa Denisa Kosova que esteve... “assim-assim”. Ida Bobach completou uma recuperação sensacional, trazendo a Dinamarca do 9º lugar à entrada para o derradeiro percurso até à medalha de bronze, quedando-se a seis segundos de Tereza Novotná e da medalha de prata. Batida ao Sprint Julia Gross não conseguiu oferecer à Suiça melhor que o quarto lugar, a um escasso segundo da Dinamarca. Já algo distante, com 01:51:30, a Rússia ocupou a quinta posição enquanto a Noruega, com 01:51:34, fechou o pódio. A terminar, refira-se a título de curiosidade que a vantagem de 6:19 com que a Suécia bateu a República Checa é a maior de sempre na história dos Mundiais de Juniores (sobrepondo-se à vitória da Finlândia sobre a Alemanha, por uma diferença de 6:17, nos já distantes Mundiais de Berlim 1991).

Analisando o medalheiro dos Campeonatos, o facto de termos tido três medalhas de ouro atribuídas ex-aequo na Final de Distância Longa fez com que as 24 medalhas fossem distribuídas não de forma uniforme, mas sim dez de ouro, sete de prata e sete de bronze. Ao todo, foram onze os países que tiveram honras de subir os degraus do pódio, com a Dinamarca a arrecadar a parte de leão e a conquistar, só à sua conta, três medalhas de ouro (todas por Ida Bobach, pelo segundo ano consecutivo a grande figura dos Mundiais), duas de prata e duas de bronze. A Suécia, com uma medalha de ouro, duas de prata e uma de bronze, ocupou a segunda posição, enquanto o terceiro lugar coube à Áustria, com uma medalha de ouro e uma de prata (ambas por Robert Merl). Em quarto lugar, ficou a França, graças ao ouro e ao bronze de Lucas Basset, enquanto Noruega, Rússia, Finlândia e Polónia ocuparam as posições imediatas, ex-aequo, com uma medalha de ouro cada. Com uma medalha de prata e duas de bronze, na nona posição, classificou-se a República Checa, enquanto a Espanha foi a décima classificada, com a medalha de prata de Andreu Blanes. Finalmente, o medalheiro fica completo com o décimo primeiro lugar da Suiça e com uma solitária medalha de bronze.




[Foto extraída do vídeo de apresentação da Selecção da Polónia em http://vimeo.com/25933566]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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