quarta-feira, 13 de julho de 2011

JWOC 2011: IMPRESSÕES (V)




Na sequência da mensagem anterior, altura agora para escutarmos João Mega Figueiredo, Pedro Silva, Mariana Moreira e Hélder Marcolino.


De volta a Portugal é a altura de fazer um balanço da minha segunda participação no Campeonato do Mundo de Juniores em Orientação. Após uma semana longa, o sentido que predomina é a insatisfação, apesar de ter começado o Campeonato com um 44ºlugar no Sprint e um 31ºlugar na Longa, todas as outras provas não me correram bem. Sinal que muito trabalho há pela frente para preparar o Campeonato do próximo ano na Eslováquia. A distância Média e as Estafetas são as provas que mais me ficam na memória para não voltar a cometer os mesmos erros que cometi. Este Campeonato serviu de grande lição para provas futuras, uma experiência positiva com vista ao futuro. Quanto ao Campeonato em si, dizer que a organização esteve boa, os percursos muito bem traçados e uns terrenos bem escolhidos. Uma zona da Polónia muito agradável, que desperta o desejo de lá voltar para desfrutar daqueles terrenos!
João Mega Figueiredo


Nesta boa semana, tive o orgulho de participar no meu primeiro JWOC, na maravilhosa cidade de Wejherowo. Como era de esperar, as expectativas que possuía para este JWOC eram “altas” mas agora que tudo terminou, diria que são bastante difíceis mas alcançáveis para a realidade em que estamos, porém, o desgaste físico e alguns dos erros cometidos não me permitiram ir tão longe como pretendia. A tarefa não é fácil, porque nas outras selecções, os atletas, tal como nós, trabalham e lutam para chegar o mais longe e rápido possível, alicerçados em níveis físicos e técnicos apuradíssimos, o que torna a prova bastante mais competitiva. Um mínimo erro faz-nos decair imensas posições na classificação geral. Foi esta a grande diferença que encontrei entre o EYOC e o JWOC, o que confirma que o JWOC é algo que deve ser levado mais a sério, pois requer uma grande e constante exigência física e técnica. Para mim, é no aspecto técnico que se apresenta a maior lacuna entre nós e os atletas de topo, sendo também este mesmo que tem de ser trabalhado urgentemente se quisermos obter muito melhores resultados.

Quanto a prestações, posso dizer que não corresponderam minimamente às expectativas que possuía para esta competição. A excepção foi o apuramento para a Final A da prova de Distância Média, que foi encarado não como um objectivo mas sim como uma simples prova de transição para o objectivo (melhorar o melhor resultado obtido até então numa final A), o que permitiu libertar-me de toda a ânsia e pressão que exercia sobre mim mesmo e fazer uma prova tranquila e controlada.
No final deste JWOC, retiro duas conclusões que me parecem essenciais se quiser obter melhores resultados num futuro próximo: a primeira é que tenho de trabalhar arduamente em termos técnicos, de maneira a evitar erros; e a segunda é que tenho de ser mais regular, pois sem regularidade não se podem ter garantias de boas prestações. Agora é voltar ao trabalho, a fim de alcançar bons resultados na próxima época!
Pedro Silva


Foi a primeira vez que participei num JWOC e só tenho a oportunidade de o fazer mais uma vez. As minhas expectativas não eram muito altas devido à lesão, mas esta participação serviu essencialmente para sair da Polónia com a sensação de que no próximo ano, estando bem fisicamente, indo ao terreno algum tempo antes da competição e trabalhando também bastante tecnicamente ao longo do ano, é possível fazer um bom resultado nesta competição. Quanto aos resultados de toda a comitiva, apesar de em alguns dos dias acreditarmos que teria sido possível fazer melhor, exemplo da qualificatória da média onde facilmente podíamos ter posto mais dois ou três atletas na final A, houve bastantes "recordes" a serem batidos, principalmente no que diz respeito à diferença de tempo dos nossos atletas para o primeiro, o que foi bastante positivo! Foi uma excelente experiência, bons mapas, boa organização, arenas e ambiente excelentes.
Mariana Moreira


O JWOC 2011 na Polónia iniciou-se na manhã de 1 de Julho com um treino de adaptação ao terreno (devia ter começado no dia anterior mas tivemos problemas com o voo e passámos a noite em Amesterdão). Adaptei-me bastante bem ao terreno, pelo que fiquei ainda mais motivado para a competição. Após alguns treinos preparados pelo Tiago Aires (Técnico que acompanhou a comitiva portuguesa), chegou o primeiro dia de competição – o Sprint. Durante a prova cometi alguns erros técnicos porque não consegui antecipar a leitura, tendo sido o resultado final muito abaixo das minhas expectativas. Não fiquei contente com o resultado mas, ainda faltava muito JWOC, ainda havia muitas provas por fazer.

Após o Sprint, a minha prova de eleição era a Distância Média (que era três dias a seguir ao Sprint), tendo pelo meio a prova de Distância Longa. Nesta prova fui o primeiro português a partir. Estava motivado para a prova pois na reunião técnica do dia anterior o Tiago disse que a Distância Longa era uma prova de regularidade, podíamos não ir sempre ao máximo mas, se tecnicamente não falhássemos, podíamos obter um bom resultado. Comecei a prova com calma e a fazer aquilo que me tinha sido aconselhado, não cometi grandes erros, estava a fazer uma prova regular e um tempo razoável até que, a saída do ponto 9, o JWOC acabou para mim. Haviam pequenas raízes de árvores cortadas, o meu pé ficou preso numa dessas raízes e fiz uma entorse bastante grave. Foi tudo muito rápido, o pé completamente torcido, tendo caído com o pé totalmente virado para trás, senti um esticão enorme nos músculos tibiais, tentei levantar-me mas foi impossível! Durante cerca de cinco minutos não sentia nem conseguia mexer o pé e cheguei a temer que tivesse algo partido. Passado algum tempo, nova tentativa: consegui mexer o pé, mas reparei que já estava inchado, infelizmente tinha de desistir, não conseguia suportar tantas dores. Reparei que havia uma estrada de alcatrão que me levava até á partida, tinha de caminhar cerca de um quilómetro, com grande sacrifício lá consegui chegar, pedi para chamarem o Tiago para ele saber o que se estava a passar, mas sem prestarem qualquer atenção ao meu problema, a primeira coisa que fizeram foi tirarem-me o mapa com medo que o mostrasse a alguém.

Fui à Cruz Vermelha e disseram que aquilo não era nada de especial, apenas tinha de descansar para passar o inchaço. Perante estas palavras fiquei algo aliviado, pensando poder ainda competir. Como o dia seguinte era descanso e o inchaço tinha diminuído para metade, excelente pensei eu, tentei correr um pouco com o pé ligado mas as dores eram insuportáveis. Após esta tentativa o pé voltou a inchar como antes e perante este cenário o Tiago Aires foi comigo ao Hospital, onde tivemos bastantes problemas de comunicação, apenas uma médica sabia falar inglês e mal. Só percebi que não podia correr mais, mas não percebi o que realmente tinha.

O JWOC acabado, foi altura de voltar a casa e começar a resolver este caso bicudo. Fui fazer exames e o resultado é um traumatismo grave na tibiotársica e ligamentos afectados. Agora, no mínimo, durante três semanas não vou poder “calçar” as sapatilhas e tenho de fazer tratamentos e fisioterapia. Uma última palavra de agradecimento para a delegação Portuguesa presente neste JWOC, sem excepção, pelo enorme apoio que me deram, nunca me deixaram ir abaixo. Cada vez mais tenho a certeza de que somos um grande grupo e estamos a cimentar cada vez mais esta união. Uma vez mais o meu muito Obrigado a todos sem excepção.
Helder Marcolino

[Fotos de Slawomir Cygler, extraídas do seu Álbum em https://picasaweb.google.com/cygler.s/JWOC2011Sprint2]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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