quarta-feira, 13 de julho de 2011

JWOC 2011: IMPRESSÕES (IV)




Regressamos uma última vez à Polónia e ao Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011, para darmos conta das últimas impressões dos nossos atletas, agora que está consumado o regresso à Pátria. Numa primeira parte escutamos as declarações de Luís Silva, Ana Carolina Delgado, Miguel Ferreira e Vera Alvarez.



Este JWOC - que já vinha na sequência de um EYOC - possibilitou-me tirar muitas conclusões relativamente a diversas coisas. Se eu julgava que um EYOC já era algo competitivo, quando conheci esta realidade isso foi algo que se dissipou. O nível júnior é um nível já muito competitivo e é preciso muito treino e preparação para se ambicionar algo a sério num JWOC. Quanto às minhas prestações, não fico triste porque foram resultados promissores para quem tem ainda três anos de JWOC pela frente. Consegui melhorar a minha classificação de prova para prova, mas também não deixo de ficar triste pela quantidade de erros técnicos que cometi nas diversas provas. Se pensava que tudo era apenas uma questão ao nível físico, enganei-me redondamente. É verdade que é preciso possuir uma forte capacidade física, mas isso não compensa os erros técnicos, e se eu retirasse o tempo que perdi na final da Média isso possibilitaria uma entrada no top-20, algo impensável na minha cabeça.

Quanto ao JWOC, os terrenos não eram complicados, a floresta era rápida apesar de ser suja em algumas zonas e a organização esteve bem no traçado dos percursos sendo que todas as provas tiveram qualidade. Quanto aos aspectos extra, gostei das arenas, eram sempre espectaculares e o 'speaker' tornava as provas sempre emocionantes, como por exemplo a final da média em que três atletas foram campeões do mundo. Concluindo, esta foi a melhor experiência que já tive em toda a minha vida desportiva e estou com imensa vontade de mudar já de atitude. É importante pensar no futuro, pois ainda tenho grandes oportunidades pela frente e com muito treino e vontade num desses JWOC's vindouros prometerei um grande resultado! Mas por agora preciso de descansar o corpo e a cabeça. Foram sem dúvida grandes dias, com um grande grupo que espero que continue unido!
Luís Silva


Em primeiro realizou-se o Sprint. Achei a prova espectacular e com um percurso muito interessante, e apesar de ter cometido alguns erros na primeira parte achei a minha primeira prova num JWOC muito gira. No dia seguinte teve lugar uma prova de Distância Longa. Era uma prova com muita distância para aquilo que estou habituada, como tal não terminei o percurso, fiz apenas até ao ponto 9. Tivemos um dia de descanso e logo a seguir a qualificatória da Distância Média. O percurso era bastante acessível e tínhamos pouca distância. A prova correu-me bem, pois apesar de ter feito três erros foi muito bem passar pela experiência de partir ao mesmo tempo que outras atletas e aguentar a pressão! Fiquei apurada para a final B. Depois da qualificatória realizou-se a Final. Foi a prova que me correu pior, onde cometi mais erros e sentia-me, também, um pouco cansada fisicamente. O percurso era curto mas mais técnico da que o anterior e tinha mais verdes. Por último tivemos a Estafeta. Esta prova já me correu melhor e achei simplesmente fantástico poder estar a correr ao lado de grandes atletas! Estes dias motivaram-me imenso, ter a oportunidade de partilhar experiências e correr ao lado das melhores do Mundo é um paraíso!
Ana Carolina Delgado


Durante as duas últimas semanas estive na Polónia, participando no Campeonato do Mundo de Juniores deste ano. Fui para a competição sem grandes objectivos de resultados, uma vez que a minha idade, competindo com adversários vários anos mais velhos, mas também a minha actual valia física, e mesmo técnica, para além de alguma inexperiência numa competição desta dimensão, pouco me permitiam ambicionar. Mesmo assim fui certo - e certo estou! - de que seria uma experiência fantástica e que, por certo, para além de ganhar mais maturidade competitiva e mais experiência internacional, me daria a noção do que são os melhores juniores do mundo e do que é necessário para alcançar um nível daquela dimensão. É, sem dúvida, uma grande motivação para o futuro.

No que toca às provas, devo dizer que a prova de Sprint não tinha demasiada dificuldade técnica, apesar de bastante interessante, exigindo vários tipos de navegação, já que o percurso se dividia numa secção de floresta, de parque e numa parte final puramente urbana, com recurso a algumas escolhas de itinerário e uma ou outra armadilha. Cometi alguns pequenos erros no decorrer do percurso, muitos deles pouco desculpáveis; fisicamente, o percurso revelou-se demasiado longo para mim, e rebentei pouco depois do ponto de espectadores. A Distância Longa foi um verdadeiro desafio, uma prova com uma verdadeira dureza, exigindo alguma navegação mas principalmente uma escolha muito acertada das melhores opções nas pernadas mais longas. Comecei a prova com um ritmo bastante rápido, mas perdendo logo dois minutos no terceiro ponto, tendo passado muito perto da baliza, porém não a vendo. No ponto 9 decidi fazer uma opção mais arriscada, deitando tudo a perder, uma vez que perdi imenso tempo. Daí para a frente quebrei fisicamente, por completo, cometendo ainda alguns erros menores. Na qualificatória da Distância Média pretendia fazer uma prova que me colocasse o mais perto possível da final A. Consegui fazê-lo numa primeira parte até que, a pouco mais de metade do percurso, com a expectativa a crescer e o percurso até final já controlado e definido, desconcentrei-me por completo numa estrada, errando o ponto e tendo uma má prestação. O JWOC terminou com as finais da Distância Média e as Estafetas, onde tentei continuar a aproveitar para ganhar experiência para futuros JWOC's e EYOC's.

De referir, nas prestações da comitiva portuguesa, os resultados do João Mega na Distância Longa, do Luís e Pedro Silva na qualificatória da Distância Média e das Estafetas femininas, provando que apesar da juventude e alguma inexperiência nesta competição, num futuro próximo, com um trabalho técnico apropriado ao longo do ano, com um trabalho físico semanal eficaz e com uma preparação adequada no local da competição, é possível superar em muito estes resultado já agora obtidos, num JWOC onde o nível é altíssimo e só os melhores triunfam.
Miguel Ferreira


Um JWOC passou, muito aconteceu, muito passou, muito ficou. Foi a minha primeira experiência nesta competição e adorei todo o ambiente, o convívio e as provas. Em relação aos meus resultados, posso dizer que foram uma decepção. Esta época estive lesionada durante quatro meses e perdi o contacto com a Orientação. Quando voltei, tentei apurar-me para as competições que iriam ocorrer (EYOC e JWOC) quase sem expectativas devido às circunstâncias. No entanto, penso que é impossível ir para uma competição sem objectivos e estes acabaram por surgir. Tenho mais três anos de JWOC e, portanto, este ano seria uma base para, nos próximos anos, obter resultados de destaque. Nenhum dos meus resultados, excepto a Estafeta, se adequou às expectativas. Além das dificuldades físicas que tive, especialmente na Distância Longa, fiz enormes erros técnicos em todas as provas. A minha maior ambição era ir à final A na Distância Média mas não resisti à pressão e perdi mais de cinco minutos logo no primeiro ponto. No entanto, não posso dizer que este JWOC tenha sido mau, muito pelo contrário. Foi uma importante experiência que me ajudará a trabalhar mais e melhor durante a próxima época, de forma a que estes resultados nunca se venham a repetir!
Vera Alvarez

[Fotos de Slawomir Cygler, extraídas do seu Álbum em https://picasaweb.google.com/cygler.s/JWOC2011Sprint2]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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