quarta-feira, 6 de julho de 2011

JWOC 2011: IMPRESSÕES (II)




Após as séries qualificatórias do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011, onde Luís Silva e Pedro Silva se apuraram para a Final A de amanhã, aqui ficam as impressões de três elementos da nossa comitiva, nomeadamente do técnico Tiago Aires.


Hoje foi a qualificatória de Distância Média onde tinha como objectivo secundário entrar na final A. Começando pelo percurso, que foi num mapa muito parecido com o da Distância Longa, era pouco exigente tecnicamente e muito rápido com poucos pontos, mas isto só veio dificultar a entrada nos vinte primeiros. Segui os conselhos do Tiago Aires e comecei a prova seguro, mas rápido, conseguindo seguir assim até já perto do final, altura em que ocorre a transição para uma zona mais fechada e acabo por cair num pântano marcado como intransponível, perdendo cerca de um minuto e meio... o que me colocou já em risco. Sigo com a minha prova, perdendo mais trinta segundos no ponto seguinte e quando entro na Arena, meio descontraído, oiço gritos do Tiago e dos restantes a avisar-me que estava uns segundos atrás e que se não mudasse de ritmo podia 'esquecer'. Ouvi o 'speaker' a dizer que restava pouco mais de vinte segundos para fechar a qualificação e que eu poderia ainda entrar, e tal não foi a motivação que fiz um Sprint final extremamente forte, conseguindo não só recuperar o tempo como ainda ganhar mais alguns segundos. Creio que tive alguma sorte, mas o que me interessa agora e o que sempre foi o meu objectivo é a final de amanhã, hoje era apenas uma etapa de transição. De futuro procurarei não arriscar tanto na minha sorte, pois pode sair-me caro...
Luís Silva, Portugal


Vim para o JWOC sem grandes expectativas de resultados já que desde o meio do mês de Maio que estou sem treinar devido a uma lesão, pelo que com esta participação pretendia essencialmente ter a experiência de correr pela primeira vez nesta competição, para que para o ano, na minha última oportunidade, possa então obter alguns resultados. Nos primeiros dias tivemos a oportunidade de realizar alguns treinos em alguns mapas semelhantes, e muitas vezes encostados aos da competição, o que nos permitiu ir mais à vontade para as várias etapas já que desta forma percebemos a melhor forma para navegar neste tipo de mapas.
No Sprint, dado a minha condição física do momento, tinha de arriscar um pouco para conseguir que o meu tempo final não ficasse muito distante do das primeiras, algo que fez com que eu começasse com alguma pressão e perdesse logo segundos cruciais no início. Após esses pontos foi aguentar até ao final, sabendo que já estaria a fazer uma má prova.
Na Longa, como não sabia como me iria sentir, tinha decidido começar devagar e depois consoante me sentisse, terminaria ou não a prova. A prova revelou-se bastante acessível tecnicamente e apesar de ser muito dura fisicamente, senti-me capaz de a terminar ainda que bastante limitada fisicamente.
Hoje, na qualificatória, sabíamos à partida que a prova seria muito rápida e se a realizássemos sem erros estaríamos facilmente na Final. Eu tinha então como objectivo passar à final A, algo que não consegui atingir já que cometi um erro fatal, cerca de um minuto e meio, na transição da primeira parte (bastante rápida e limpa) para uma outra parte onde existiam bastantes verdes. Acabei por ficar a trinta segundos de entrar na final, numa prova que também se demonstrou bastante fácil.
Resta agora desejar a maior sorte para os dois portugueses que amanhã correrão a final A, e para todos nós que sexta feira iremos tentar fazer história mais uma vez na prova de Estafeta.
Mariana Moreira, Portugal


A prova de Sprint decorreu num mapa com três zonas bem distintas (zona de floresta e montanhosa, jardins e zona urbana). Os percursos revelaram um excelente traçado, como mandam os objectivos do traçado desta distância. Os atletas portugueses estavam muito entusiasmados para esta competição mas acabaram por não conseguir resistir às pequenas armadilhas do traçado, cometendo pequenos erros que são fatais nesta disciplina.
A prova de Distância Longa decorreu na típica floresta polaca, numa zona com bastante desnível e aproveitando uma zona com verdes para possibilitar a escolha de itinerário. O traçado exigia uma grande capacidade física. João Mega Figueiredo alcançou o objectivo português de melhorar o 40º lugar de Diogo Miguel em 2009 e a menor diferença para o 1º classificado que estava nos dezoito minutos (alcançada no ano 2004), sendo o 31º classificado a dez minutos do primeiro lugar. Este é não só o melhor resultado de sempre numa prova de floresta em JWOC como iguala o 31º lugar de Marco Póvoa no WOC, no Japão (2005). Com um prova regular esteve também Luís Silva que, ainda com mais três anos de JWOC, fez uma prova muito promissora e consistente. Mariana Moreira também melhorou o histórico português na prova de Distância Longa, ao reduzir drasticamente a diferença para a 1ª classificada e colocando-o nos 24:22.
A prova de qualificação de Distância Média decorreu numa zona bastante rápida e de simples navegação, com uma primeira parte de grande visibilidade e relevo e uma segunda parte com uma zona inicial que exigia pequenas escolhas de itinerário devido aos verdes, vedações e pântanos. A equipa portuguesa conseguiu qualificar para a final A Pedro Silva e Luís Silva, o que é um feito considerável tendo em conta que a comitiva portuguesa é jovem e que no histórico de JWOC's apenas 3 atletas atingiram a Final A. Mas os resultados alcançados souberam a pouco pois tínhamos como ambição ter quatro atletas na Final. A zona de transição a meio do percurso (passagem da floresta limpa para a zona de verdes) acabou por ser fatal para quase todos. Mesmo Pedro Silva e Luís Silva, que alcançaram o lugar na final A, cometeram erros nessa zona. Num evento onde os percursos eram muito rápidos e curtos para além de tecnicamente serem bastante acessíveis, qualquer pequeno erro acaba por ser fatal. Certamente este foi um dos dias mais importantes para o crescimento dos atletas portugueses.
Por fim um ultima mensagem de apoio e força ao Hélder Marcolino que na prova de Distância Longa teve um entorse grave que não lhe permite fazer mais nenhuma prova. Certamente mais oportunidades virão e resta-lhe aproveitar para ganhar motivação para o futuro.
Tiago Aires, Portugal

Acompanhe as incidências do Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011 em http://www.jwoc2011.pl/ ou aqui, no seu Orientovar.

[Foto gentilmente cedida por Tiago Aires]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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