terça-feira, 5 de julho de 2011

JWOC 2011: IMPRESSÕES (I)




Hoje é dia de descanso nos Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre JWOC 2011, que decorrem em Rumia e Wejherowo, no Norte da Polónia. Aproveitando esta pausa, o Orientovar recupera aquilo que foram os primeiros dias, publicando em exclusivo as impressões de alguns dos protagonistas, a começar pela dinamarquesa Ida Bobach, esse verdadeiro fenómeno que soube garantir, por direito próprio, o lugar de maior destaque na história dos Campeonatos.


Sinto-me verdadeiramente feliz por mais uma medalha de ouro. Sabia que podia vencer, mas sabia igualmente que iria ser muito duro. A partir daí, procurei concentrar a minha atenção nos aspectos técnicos, sobretudo nas pernadas mais curtas e nos verdes. Quando estava segura da opção certa, puxava então pela parte da velocidade. Em todas as pernadas, tanto nas curtas como nas mais longas, havia sempre um elevado número de opções a tornarem mais intensos os desafios. A organização da prova parece realmente muito boa e as corridas são mesmo excelentes.
Ida Bobach, Dinamarca (Bi-Campeã do Mundo de Sprint e Tri-Campeã do Mundo de Distância Longa)


É, de facto, uma sensação extraordinária ter ganho aquelas medalhas. No que respeita à Final de Sprint, o meu objectivo era alcançar um lugar no top-6, daí ter ficado deveras surpreendido com um resultado tão bom. A verdade é que a minha prova foi mesmo, mesmo muito boa, à excepção duma opção logo no início- De resto, correu tudo na perfeição, consegui gerir o ritmo de corrida e dar o máximo o tempo todo e sem quebras na parte final. A prova não foi muito dura, havia algumas rasteiras mas facilmente identificáveis e logo evitadas. Gostei realmente muito, muito. Quanto à final de Distância longa, nunca me senti bem durante a prova, senti-me realmente pesado e tive que manter uma luta mental constante para não baixar os braços e continuar a lutar. Não cometi nenhum erro nos controles do “anel”, mas perdi alguns segundos nos pontos após a primeira pernada longa, não consegui manter o ritmo na parte final e também fiz algumas más opções para os pontos 18 e 22. Apesar de tudo, estou muito contente com a minha prova, do ponto de vista técnico foi muito boa e lutei o tempo todo, apesar da falta de frescura nas pernas. A organização tem estado muito bem e a Arena da prova de Distância longa, no anfiteatro de Wejherowo foi uma das mais belas Arenas que tenho visto. Agora devo concentrar-me a sério para a prova de Distância Média, amanhã e na quinta-feira, que constituiu desde o início o meu grande objectivo para este JWOC.
Lucas Basset, França (Campeão do Mundo de Sprint e Medalha de Bronze na prova de Distância Média)


Claro que o segundo lugar na prova de Distância Longa me soube muito bem. Confesso que não estava à espera de chegar à medalha de prata mas sabia que estava numa boa forma. Não fiz uma prova perfeita e, daí, dar para percebee que ainda posso vir a melhorar mais no futuro. A Organização tem estado muito bem e sinto-me muito contente por estar aqui.
Robert Merl, Áustria (Vice-Campeão do Mundo de Distância Longa)


As impressões acerca da prova são muito boas. Muito boa velocidade e praticamente sem erros. Não tinha a certeza de ter feito a melhor opção na pernada longa, mas analisando os parciais vejo que sim. O resto da prova foi quase perfeito tecnicamente, embora do ponto de vista físico tivesse sentido muitas dificuldades em manter a velocidade na parte final. A organização esteve muito bem, com os vídeos e o 'speaker' que animaram muito a Arena. Pessoalmente gostei muito da prova e, mais tarde, quando se soube os resultados, então foi tudo perfeito.
Andreu Blanes, Espanha (Vice-Campeão do Mundo de Sprint)


A minha aposta era na prova de Sprint e queria mesmo era fazer uma corrida rápida e sem erros. Concentrei-me ao máximo na minha Orientação. Nunca cheguei a perceber se estaria neste ou naquele ponto de espectadores, de tal forma corri concentrada. Vi algumas raparigas que saíram à minha frente, nalguns pontos percebi a direcção que tomavam e isso ajudou imenso. Quando cheguei ao fim, só esperava poder manter-me no primeiro lugar pelo máximo de tempo possivel. Mas houve duas outras atletas que foram mais rápidas. Apesar disso sinto-me feliz. É uma medalha de bronze! A Organização esteve bem, sem problemas, penso que os polacos fizeram um belo JWOC. Só a comida no Hotel não é a melhor.
Tereza Novotná, República Checa (Medalha de Bronze na prova de Sprint)


As minhas impressões acerca da prova de Sprint são boas. Sabia de antemão que esta não é a minha distância favorita, mas não cometi muitos erros, apenas numa opção não estive assim tão bem. No cômputo geral, acabei por ficar bastante satisfeito com a minha prestação e, naturalmente, com o meu resultado. A Organização esteve muito bem e apenas o 'speaker' na zona das Chegadas, não esteve à altura das minhas expectativas para um Campeonato do Mundo. Já na prova de Distância Longa, a minha grande ambição consistia em defender a medalha de ouro conquistada no ano transacto, mas durante a prova senti-me muito cansado e também cometi uma série de pequenos erros nos pontos de “loop” que me fizeram perder cerca de um minuto e meio. Dum modo geral, a prova era muito exigente fisicamente e perdi mais algum tempo na parte final da corrida. Mas um 5º lugar num Campeonato do Mundo é, ainda assim, um grande resultado. Apesar do relativo desapontamento, poder estar no pódio no final deixa-me bastante feliz.
Pavel Kubát, República Checa (7º classificado na Final de Sprint e 5º classificado na Final de Distância Longa)


Na prova de Sprint senti-me muito bem e tudo corria bem até que cometi um erro enorme no 17º ponto e um mais pequeno no penúltimo ponto, perdendo demasiado tempo. Com uma prova limpa, teria ficada entre a 5ª e a 8ª posição, mas não fiquei desapontada de todo porque este é, afinal, o meu primeiro JWOC e corri aqui a prova de estreia. Gostei da prova, era suficientemente exigente e não tinha muitas “ratoeiras”. A parte negativa teve a ver com o demasiado tempo de espera na zona de quarentena. Quanto à prova de Distância Longa, estava perfeitamente à vontade antes da partida e corri totalmente descontraída. Não posso dizer que a corrida seja o meu forte mas procurei não pensar muito nisso. Durante a prova não cometi grandes erros e sentia que, com uma prova assim teria grandes hipóteses de terminar num dos dez primeiros lugares. Quando no final consegui a 5ª posição, confesso que foi para mim uma grande surpresa, sobretudo porque a Distância Longa não é “a minha coisa”, pelo menos esta época. Gostei muito da prova, era exigente, penso eu. Ao contrário de ontem, não tive de esperar muito pela minha partida (fui das primeiras a partir) e não havia “trilhos” feitos pela passagem dos primeiros atletas, pelo que pude estabelecer a minha própria corrida. A Organização tem estado muito bem.
Anna Närhi, Finlândia (5ª classificada na prova de Distância Longa)


Este JWOC surge como uma nova experiência, e como eu só conhecia o que era a realidade de um Campeonato da Europa, isto foi sem dúvida algo que me impressionou. Os primeiros dias foram dedicados ao treino para adaptação ao terreno, caracterizado-se este pelo desnível, ausência de elementos rochosos e floresta limpa. Estas características foram de facto motivadoras após um EYOC em que nada correu bem e foi com alguma expectativa que encarei as primeiras duas etapas (Sprint e Distância Longa). Começando pela prova de Sprint, misto floresta/parque e urbano realmente desafiante, com opções intricadas, foi uma prova que gostei bastante, embora o resultado não tenha sido o melhor... Acabo por perder muito tempo em alguns pontos, por falta de antecipação e cansaço físico. Apesar de tudo fico contente, porque em alguns parciais já me consigo aproximar do melhor nível e ainda pela facilidade com que consegui encarar o mapa e escolher muitas vezes as melhores opções. No entanto não posso esquecer que perdi um minuto e meio e terei de trabalhar afincadamente para conseguir chegar ao nível. Quanto à prova de Distância Longa, confesso que estava sem expectativas, pois a prova previa-se duríssima e com difíceis escolhas de itinerário. E de facto não desiludiu, fui a prova toda controlado para não me desgastar fisicamente, para conseguir aguentar e foi uma táctica que me deu frutos, pois tecnicamente estive com uma boa performance não falhando onde era importante e cumprindo o meu objectivo. Fisicamente o meu medo acabou por se revelar desnecessário e no fim consegui impor uma grande velocidade. Chegado ao fim. concluí que poderia ter ido mais rápido, mas mesmo assim ainda perco à volta de cnco minutos na prova... O resultado, para mim, creio que vingou o EYOC, visto que os meus adversários de escalão ficaram bem perto. Conclusão: O JWOC é uma competição fantástica que quero poder aproveitar ao máximo. Por enquanto os resultados ainda não estão nos meus planos, quero primeiro perceber onde errei, mas compreendo que a diferença física ainda é muita e tempo não me faltará para trabalhar. Gostaria de poder participar nos anos vindouros e aí prometo apresentar melhores resultados e talvez um dia quem sabe...uma medalha...
Luís Silva, Portugal (84º lugar na prova de Sprint e 63º classificado na prova de Distância Longa)

[Foto de Slawomir Cygler, extraída do seu Álbum em https://picasaweb.google.com/cygler.s/JWOC2011Sprint2]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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