terça-feira, 12 de julho de 2011

A CRÓNICA DE MANUEL DIAS: "JOSÉ BERNARDO, O PRIMEIRO EM TODA A LINHA"




O José Bernardo fez hoje o pleno: correu com o dorsal 1, levou o seu SI card 1111111 e foi 1º. Isto na 1ª etapa do Kopaonik Open. Eu levei o dorsal 3 e fui 3º. A Sílvia é que furou o esquema: correu com o dorsal 2 e foi 4ª.

Eu devia ficar por aqui para não ter de confessar que, no ponto 3, bati todos os recordes de burrice. Vou propor ao Tiago que, num próximo OriJúnior, me deixe explicar aos nossos jovens tudo o que não se deve fazer. Foi de tal forma que, quando decidi voltar ao triângulo, já o tinham retirado. É verdade que eu fora o último a partir.

É uma pena que um terreno tão fabuloso não tenha atraído mais gente à Sérvia, mas é preciso lembrar que, por esta altura e sem contar com os 5 Dias da Finlândia, decorrem aqui mais perto dois outros grandes eventos: o Open da Croácia (abre amanhã) e, sobretudo, os 6 Dias da Áustria, que começaram anteontem e para onde seguiram muitos dos participantes do WMOC da Hungria. Está lá, por exemplo, o nosso Roy Dawson, que andou muito bem nas duas primeiras etapas.

Voltando a Kopaonik, os escalões de Elite tiveram os vencedores esperados: Kiril Nikolov e Veronica Minoiu. Tratou-se de uma Distância Média, e eles, com tempos na casa dos 36 e 35 minutos, não deixaram muito malvisto o traçador de percursos. O pior grupo foi mesmo o meu, com um russo a vencer com 59.28. Os meus 80 minutos exactos ficam para a História.

Kopaonik é assim uma espécie de fim de mundo. Foram seis horas de autocarro desde Belgrado, mas tive excelente companhia na pessoa de Milica Jovanovic, que fez toda a viagem sentada ao meu lado e nunca se cansou de falar sobre a Orientação na Sérvia, sobre os sítios por onde íamos passando e, afinal, sobre a vida e a história do país.

Esta professora de Matemática é uma apaixonada da nossa modalidade e eu não podia ter encontrado uma companheira de viagem mais afável. Quando soube que era português, disse logo que existe em Belgrado uma igreja de Santo António de Pádua (nome oficial do templo), mas ela bem sabia que o Santo nasceu em Lisboa com o nome de Fernando.

A preocupação dos sérvios em darem uma boa imagem do país foi imediatamente notória quando entrei em contacto com a organização deste evento. Milica, que estava na estação rodoviária de Belgrado na expectativa de que eu e um romeno apanhássemos o mesmo autocarrro, dizia-me a cada passo: "Não se preocupe". Fosse a propósito de animais perigosos, de haver ou não fruta fresca, da necessidade de transbordo para outra viatura - coisas que vinham à conversa sem qualquer receio da minha parte -, ela atalhava logo: "Não se preocupe". E o senhor que me ajudou a trazer as malas até ao 4º andar (sem elevador), quando soube que eu já tinha estado em Belgrado, perguntou-me de imediato: "E então, o que é que achou? O povo sérvio é fixe, não é?".

Até agora, só tenho razões para dizer que sim. Estamos rodeados de gente simpatiquíssima. Os apartamentos JAT são excelentes, nada de luxo, mas espaçosos e funcionais. Tudo revestido a madeira, como convém numa estância de inverno. Não sei se foi aqui que ficaram os nossos jovens que vieram ao EYOC de 2009. Lembro-me de que eles regressaram entusiasmados com o terreno e o ambiente. Eu tinha uma grande expectativa sobre este evento e, para começar, está a correr tudo muito bem. O resultado é o que menos me importa, mas deixo-vos aí o endereço:


Manuel Dias

1 comentário:

Rafael da Silva Miguel disse...

Olá
Sim, foi aí que ficamos!
Tudo na Sérvia (na zona onde estivemos) é espectacular! Desde o Hotel até ao terrenos!

Boa estadia!