terça-feira, 21 de junho de 2011

NORDIC ORIENTEERING TOUR 2011: TRIUNFOS EMOCIONANTES DE JERKER LYSELL E GALINA VINOGRADOVA




Contrariando o favoritismo de suiços e suecas, Jerker Lysell e Galina Vinogradova levaram de vencida as respectivas finais de Sprint e foram os grandes protagonistas da segunda etapa da Taça do Mundo 2011.


Dois grande momentos de Orientação, aqueles a que pudemos assistir há poucos minutos atrás, com a realização das finais da segunda etapa do NORT – Nordic Orienteering Tour. Disputadas em torno de uma das praças centrais de Gotemburgo, na Suécia, as provas tiveram a participação de seis atletas em cada um dos sectores, depois dum processo de qualificação que teve o seu início na parte da manhã e que, para além das séries qualificatórias, englobou ainda uns quartos-de-final e as meias-finais. É o sistema Knock Out Sprint, um modelo que vai ganhando adeptos e que, pela sua envolvência, constitui um excelente meio de propaganda e divulgação da modalidade. Também a transmissão televisiva em directo das provas, com a inserção intercalar de mapas onde era possível apreciar a progressão virtual dos contendores, resultou bastante bem e representa uma grande aposta no sentido de elevar o mediatismo da nossa modalidade. De parabéns, pois, a Organização sueca, por mais um grande momento de Orientação.

Antes das grandes finais, tiveram lugar as meias-finais onde se registaram vitórias da sueca Linnea Gustafsson e do suiço Matthias Kyburz, em duas das quatro mangas, eles que – recorde-se! - haviam sido os vencedores, de forma algo surpreendente, da primeira etapa da Taça do Mundo 2011, realizada em Porvoo (Finlândia) na quinta-feira passada. Galina Vinogradova (Rússia) e Jerker Lysell (Suécia) foram os vencedores das outras meias-finais, garantindo a passagem à final ao lado do francês Frédéric Tranchand e do suiço Daniel Hubmann, bem como das suecas Annika Billstam e Lena Eliasson, segundos classificados nas respectivas séries. O lote de atletas apurados para a final ficou completo com o britânico Scott Fraser e o suiço Matthias Merz, no sector masculino, bem como com a norueguesa Mari Fasting e a dinamarquesa Maja Moller Alm, nas senhoras, verdadeiros “lucky loosers” nestas meias-finais.


Vinogradova imperial

Na final masculina, o trio suiço mostrou-se impotente para contrariar as intenções de Jerker Lysell, apostado na vitória desde o início da prova. Embora marcado em cima pelo suiço Daniel Hubmann, o atleta sueco esteve sempre na frente da prova e acabou por triunfar com um registo de 10.24, contra os 10.26 de Hubmann e os 10:27 de Matthias Kyburz, segundo e terceiro classificados, respectivamente. No sector feminino Annika Billstam arrancou muito forte, com Galina Vinogradova a ser a única a acompanhar a pedalada da atleta sueca nos momentos iniciais. Sensivelmente a meio da prova o grupo de seis atletas rolava compacto, mas Vinogradova começava a assumir o comando das operações e mostrava que estava ali para contrariar o favoritismo da armada sueca. Já com o pórtico de meta à vista, Linnea Gustafsson foi a primeira a controlar no último ponto, mas Vinogadova embalou num Sprint vigorossíssimo para uma tão emotiva quanto extraordinária vitória no tempo de 10.39. Linnea Gustafsson e Lena Eliasson foram segunda e terceira classificadas, a 2 e 8 segundos de diferença, respectivamente, da vencedora.

Olhando agora para a Taça do Mundo 2011, percebe-se que tanto Jerker Lysell como Galina Vinogradova alcançaram os primeiros pontos na edição deste ano e, mais importante do que isso, conquistaram as suas primeiras vitórias em provas pontuáveis para a Taça do Mundo, à semelhança do que acontecera já com Matthias Kyburz e Linnea Gustafsson na jornada inaugural desta edição 2011. Lysell tinha até hoje como melhor resultado um 2º lugar na prova de Sprint do NORT, também na Suécia (fará amanhã, precisamente, um ano) enquanto Vinogradova tinha como melhor posição o 3º lugar de 2010, precisamente na mesma prova. Uma prova talismã para ambos, sem dúvida, e que representa um marco na carreira dos dois promissores atletas. Com estes resultados, Matthias Kyburz e Linnea Gustafsson seguem na frente da Taça do Mundo 2011, com Daniel Hubmann e Lena Eliasson nas posições imediatas.



Terceira etapa da Taça do Mundo corre-se no sábado, em Oslo

A Taça do Mundo 2011 prossegue no próximo sábado, na capital da noruega, Oslo, com a disputa da terceira etapa do NORT – Nordic Orienteering Tour 2011, integrado nesse evento maior que é o O-festivalen e que desde 2003 se vem cotando como um dos momentos maiores do calendário de provas mundial. Para mais informações consulte a página do evento em http://www.nordicorienteeringtour.com/.



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Nuno Pires disse...

Felizmente ontem tive a oportunidade de seguir as meias-finais e final desta competição, num formato diferente do que estamos habituados a ver, o Knock Out Sprint.
No entanto, e pese embora a visibilidade do evento, fiquei a pensar onde poderia identificar a essência da Orientação?

1) Corrida individual não existiu, bastando apreciar as diferenças parciais e finais entre atletas

2) Quem ia à frente estava em claro prejuízo porque navegava em favor do grupo

3) Raramente houve mais que uma opção tomada e como foi fácil perceber pelas iniciativas mais audazes, quem arriscava normalmante não petiscava porque tinha de navegar e correr pela sua cabeça e pernas, ou seja, auto-prejudicava-se ao aplicar os princípios da modalidade

4) A maior parte das pernadas não tinham opção e só potenciava o re-agrupamento dos atletas

5) Praticamente só a pernada entre o penúltimo e último ponto antes do sprint criava alguma separação dos atletas, em não mais que 2 ou 3 segundos, assumindo ritmos idênticos

No final, e pese embora a espectacularidade da cobertura e do acompanhamento da prova por GPS quando não havia cobertura televisiva, não fiquei de boca aberta.

Tudo foi montado e preparado o Showoff, para a TV e para o patrocínio, desvirtuando a modalidade em si.

Como se consegue explicar a alguém que não conhece a Orientação que ela não é assim...?

Faço o papel de advogado do diabo, mas há que ter a consciência que a Orientação pura nunca será simultaneamente visível.

Este exemplo de evento urbano até pode induzir em alguns atletas em formação ou princípio de carreira um espírito menos honesto, mesmo quando as provas são em floresta e com partidas escalonadas.

Já tinha visto e presenciado 'colas' em prova algumas vezes, no SplitsBrowser vejo quase sempre, em directo e pela 'TV' foi a primeira vez.

Resumidamente, não gostei do formato, embora aprecie a novidade e os meios técnicos envolvidos...