quinta-feira, 30 de junho de 2011

LUÍS SANTOS NA GRANDE ENTREVISTA: “COM AS VACAS GORDAS TODOS SABEM VIVER, MAS É NOS MOMENTOS DE CRISE QUE SE VÊ A NOSSA FORÇA”




Outrora momentos altos de reunião, convívio e salutar discussão no seio da família orientista, as Reuniões de Clubes foram caindo em desuso. Regressaram em Peniche, no passado dia 18, para um lote de “poucos mas bons”. Em cima da mesa, o actual momento da modalidade e o futuro em torno dos Quadros Competitivos Nacionais, objectos de estudo e análise por parte de Luís Santos, coordenador dum Grupo de Trabalho que tem dedicado muito do seu tempo a tentar perceber as mudanças que se impões e qual a melhor forma de as implementar. Um assunto vasto, tratado na Grande Entrevista com a frontalidade e o realismo que os novos tempos implicam. E exigem!


Orientovar - Ao aceitar liderar o Grupo de Trabalho com vista à reformulação dos Quadros Competitivos Nacionais, qual foi desde logo a sua principal motivação?

Luís Santos - Mesmo quando sou crítico de algumas iniciativas, procuro sempre ser parte da solução e não do problema, trabalhando e dando sempre sugestões de melhoria quando critico. Não o faço só agora que regressou o Augusto Almeida, que me conhece bem, pois também ofereci ajuda inicialmente ao Presidente anterior e cheguei a elaborar um estudo sobre o Voluntariado na Orientação Portuguesa a pedido dele. Agora foi para o Grupo de Trabalho dos Quadros Competitivos Nacionais que me convidaram a trabalhar, uma vez que, no passado, estive vários anos ligado a esta área e acredito que posso trazer algum valor acrescentado para tentar fazer uma revisão mais global, tentando contribuir para uma maior estabilização dos Quadros Competitivos no futuro. Essa foi também uma das directrizes transmitida pela Direcção quando me foi lançado o desafio: coordenar com a minha equipa um estudo de grande detalhe para criar bases de estabilidade para o futuro e não apenas a pensar no Regulamento de Competições 2012.


Se não pegarmos no passado e no presente para preparar melhor o futuro vamos pegar em quê?

Orientovar - Percebe-se que a metodologia utilizada é alicerçada num grande trabalho de pesquisa, indo ao encontro daquilo que correu bem no passado e que deveria ser aproveitado. Mas as realidades são outras e bem mais penalizadoras para a modalidade. Hoje é possível perspectivar o futuro a partir de elementos do passado, mesmo que de reconhecido sucesso?

Luís Santos - Se não pegarmos no passado e no presente para preparar melhor o futuro vamos pegar em quê? Eu acredito que têm que existir bases sólidas quando se quer mudar. Se não existirem números que fundamentem as decisões que se vão tomar, as medidas serão facilmente criticadas principalmente se os resultados (mesmo que positivos) não forem visíveis. Acredito que a vida é feita de ciclos e sou um apreciador da história e da estatística. Acredito que, quanto melhor conhecermos a nossa história, melhor saberemos construir o nosso futuro. Temos tendência para valorizar mais os problemas do presente mas por vezes esquecemos que no passado também houve dificuldades. Poucos o lembram agora mas o FMI já cá esteve no passado mais que uma vez... Esse, a título de exemplo, não é um problema exclusivo do presente. Mas é natural que possamos também concluir que se o FMI cá está outra vez é porque não soubemos aprender as lições do passado... Temos que saber ver o que o passado nos diz para saber em que apostar no futuro. Mas na Orientação há muitas variáveis a considerar e é difícil isolar o que contribui para o sucesso e o que não contribui.


O que está a ser apresentado no fórum não são regras imutáveis

Orientovar - Ao longo dos últimos dois meses e meio, foram sendo definidas linhas orientadoras dentro do Grupo de Trabalho que lidera e lançadas à discussão no Oásis Fórum, o fórum oficial da Federação Portuguesa de Orientação. Esperava mais debate?

Luís Santos - Sim, esperava mais debate. O que me parece é que o debate acaba por ir ocorrendo, muitas vezes em conversas a dois, mas parece-me haver alguma retracção à participação em fóruns e meios de debate público. Tenho recebido alguns contributos individuais para além dos que surgem no fórum e tentamos sempre dar sinais de abertura, uma vez que o que está a ser apresentado no fórum não são regras imutáveis, mas sim propostas para debate de questões fundamentais para o futuro da modalidade. Quem esteve presente na reunião do passado sábado não me deixa mentir, pois posso indicar que houve pelo menos uma mão cheia de assuntos nos quais alterámos a ideia que estava a ser apresentada ou adicionámos novos contributos levantados na reunião. E se eles aparecerem no Fórum, serão considerados sempre que forem vistos como melhorias claras pelo grupo de trabalho. Dou como exemplo a sugestão do Mário Duarte de passar a ter jovens não federados a pontuar para ranking apenas nos escalões de formação.


Não me parece que o espírito da família orientista esteja em crise

Orientovar - A Reunião de Clubes de que fala, constituiu o retomar dum modelo de relacionamento particularmente saudável e proveitoso. A escassez de participações, contudo, não significa que muito, entretanto, se perdeu? Ou, por outras palavras, o espírito da família orientistas está, também ele, em profunda crise?

Luís Santos - Não creio. Houve circunstâncias especiais a condicionar a reunião. Não me lembro nos últimos anos de uma prova de Taça de Portugal a começar às 16:00 e de uma Cerimónia de Entrega de Prémios a terminar depois das 20:00 e isso condiciona a logística dos clubes, os banhos, as refeições que se têm de preparar para os jovens, etc. Claro que a decisão do programa do ATV não pode ser tomada em função de uma reunião que nem existia ainda quando o evento foi planeado e parece-me natural que tenha havido preocupação no sentido de evitar as horas de maior calor para a Distância Média de sábado. E isso condicionou as presenças na reunião de clubes. Não me parece que o espírito da família orientista esteja em crise. O país está em crise e julgo que a Orientação, apesar das dificuldades que enfrenta, dá bons sinais de vitalidade e não penso que seja por haver poucos participantes numa reunião que isso possa ser posto em causa.


Será que o produto que estamos a oferecer é sempre adequado a quem nos procura?

Orientovar - Passando aos temas lançados à discussão, percebe-se que a grande preocupação se centrou na quebra do número de participantes, sendo os custos das inscrições, nomeadamente no que diz respeito aos escalões abertos, apontados como uma das causas possíveis. A escassa presença de participantes nestes escalões tem a ver com os custos das inscrições ou há algo mais, nomeadamente a divulgação das provas a nível local, que continua a ser manifestamente deficiente?

Luís Santos - Uma das comparações que fiz foi a de verificar que em 2002 um adulto não federado pagava 6,00 € e hoje paga os mesmos 6,00 € + seguro + aluguer do SI. Ora, se em 9 anos a alteração está apenas no valor do seguro e no aluguer do SI, não me parece que haja aqui um agravamento de preços que afaste as pessoas de fazerem Orientação. Podemos até dar o exemplo que qualquer empresa que organiza caminhadas de passeio raramente cobra menos de 10,00 € por essas caminhadas. O que eu pergunto é: será que o produto que estamos a oferecer é sempre adequado a quem nos procura? Tentemos colocar-nos na "pele" de quem chega: 1º encontramos uma designação difícil - Promo 2 é curto e difícil ou longo e fácil? Até para nós que andamos nisto há anos é difícil perceber o que significam os diferentes Promos, pois mentalmente acabamos por ter que fazer a correspondência para o Fácil Longo/Difícil Curto. Depois chegam a uma prova pela primeira vez. Poucos são os clubes que têm monitores a dar 'briefings' explicando o que vão encontrar. Quem vem de novo percebe que tem de ir ao Secretariado? E se vir a Partida primeiro? E depois sabe que o seu clube tem de lhe entregar um peitoral? Já vi quem desistisse e não quisesse voltar por ter feito 2 kms para uma partida e depois não o deixaram partir por não ter peitoral... E alguém explicou que o triângulo não fica propriamente no local das partidas? E em Ferrel quem fosse fazer o percurso aberto dito "Fácil Longo" tinha um percurso realmente complicado. Mas imaginem que alguém vinha só domingo de Lisboa para vir estrear-se a fazer Orientação no Campeonato de Sprint e depois pagava os 7,75 € para um percurso urbano de 15 minutos. Acharia proveitoso vir fazer Orientação?

O modelo de provas que temos conduz um praticante estreante a todos estes problemas e temos que fazer mudanças se queremos voltar a aumentar o número dos que vêm experimentar... e querem voltar a repetir. Eu acho que temos de alterar os modelos. Foi defendido na reunião que todos deveriam ter formadores para 'briefings' de Orientação, já defendi o lançamento de distâncias maiores no sprint, preços especiais para o Promo 1, etc. E no campo da divulgação o investimento junto das Câmaras Municipais para colocar em funcionamento os respectivos Gabinetes de Comunicação em proveito mútuo e também o regresso à utilização dos folhetos promocionais (principalmente em eventos locais e em eventos do desporto escolar e militar) parecem-me ser passos importantes para voltar a cativar novos praticantes.


O Absoluto realiza-se quase há uma década e nunca houve problemas

Orientovar - Em relação aos Campeonatos Nacionais Absolutos, foram levantadas fortes dúvidas sobre a possível presença dos escalões mais jovens nas finais A, por ilegalidade ou risco de acidente com o seguro a poder não cobrir. Temos estado a incorrer nalgum tipo de ilegalidade? O que é que se passa com isto?

Luís Santos - O Absoluto realiza-se quase há uma década e nunca houve problemas tendo o modelo sido relativamente estável desde o início. O que pergunto é: se alguém organizar uma prova local de maior distância (como já houve este ano em mais de uma ocasião) alguém vai colocar em causa se o seguro cobre a prova por um juvenil ter 10 kms em vez de ter 5 ou 6?

Sinceramente não conheço o clausulado do acordo com a Seguradora mas vou tentar constatar um facto que deve ser evidente para todos. Não havendo certamente nenhum clausulado a excluir uma eventual Final A (recordo que ninguém lá vai fazer "Elite") alguém acredita que a seguradora impõe clausulados baseados na distância e no tempo de vencedor? É que só dessa forma poderia haver restrições ao Campeonato Nacional Absoluto, tal como poderia haver restrições a provas locais ultra-longas, raides, a multi-percursos num mesmo dia ou a outras inovações técnicas.


Vão avançar mudanças

Orientovar - A questão do escalonamento dos atletas mereceu uma atenção especial e foi um dos aspectos que suscitou maior debate. Afinal irá ficar tudo na mesma ou preconizam-se algumas mudanças?

Luís Santos - Sim, vão avançar mudanças. Os escalões jovens vão voltar a ser organizados de acordo com o modelo internacional (e eu tenho esperança que haja boa vontade nas ligações entre os nossos clubes e o Desporto Escolar para que os impactos negativos da diferenciação com o DE possam ser eliminados) com 20/18/16/14 a formar os escalões de competição e 12/10 os escalões de formação. Nos seniores as únicas alterações incidem no regresso das regras de promoção / despromoção, não aplicáveis no actual Regulamento de Competições. Nos veteranos, os argumentos levantados na Reunião de Clubes foram determinantes para se voltar atrás na intenção de adequar o modelo competitivo ao da IOF, optando assim por manter os escalões D35 e H35 da Orientação em BTT sem alterações.


Destacar os escalões Elites, valorizar os jovens e não esquecer os veteranos

Orientovar - No Fórum debateu-se muito a questão dos Veteranos e... os Veteranos (pelo menos alguns) parece não terem ficado muito agradados com as propostas apresentadas. Pedia-lhe que contextualizasse melhor esta problemática e explicasse porque é que defende que “sempre que beneficiarmos veteranos em contributos para rankings estamos a fazê-lo à custa dos jovens e dos seniores”. A ponderação não devia estar estabelecida de tal forma que não se pudesse falar de benefício de uns em detrimento de outros?

Luís Santos - Na Reunião de Clubes, o Mário Duarte lançou-me uma pergunta clara que me permitirá responder também a esta questão: "O que quer a FPO com o Ranking de Clubes?". Antes de responder como respondi, lembro que, noutros países, não há rankings de clubes. Este é um conceito português que vem desde os primórdios da FPO. Mas o que respondi ao Mário foi próximo disto: "A FPO quer um Ranking de Clubes que saiba destacar os seus escalões mais importantes (Elites), que saiba valorizar e levar os clubes a apostar nos jovens e que não esqueça os veteranos. Os pesos e contributos de cada um terão de ser sempre avaliados com bom senso." Porque não ter um Ranking com 10 seniores e 5 jovens? Noutras modalidades os veteranos não contam para nada. As contagens para o IDP só consideram os veteranos que participam nos escalões seniores. Porque não ir de encontro a quem defende que o ranking deve dar representatividade ao peso que os participantes têm e fazer um ranking de clubes com 4 jovens, 6 seniores e 10 veteranos? São fórmulas possíveis mas na minha opinião não servem porque não traduzem com bom senso o objectivo que a FPO tem para o Ranking de Clubes - destacar os escalões Elites, valorizar os jovens e não esquecer os veteranos.

Note-se que no centro do debate está a alteração de 7 veteranos agora com 75%, para apenas 6 com 90% da pontuação. E qual é o impacto disto no peso dos veteranos? Passariam dos 25% actuais para 25,5%. Claro que esta pequena percentagem é "retirada" aos jovens e aos seniores, por isso é que escrevo que não se pode mexer num sem ter impacto nos outros.


Será o modelo imposto pela IOF para os tempos de vencedor que nos condiciona e faz perder participantes?

Orientovar - Acha que investir na divulgação junto dos adeptos da BTT para os arrastar para as provas de Orientação em BTT pode ser um caminho?

Luís Santos - Este fim-de-semana o Pedro Dias deu-me uma imagem do problema da Orientação em BTT que eu nunca tinha assimilado. Diz o Pedro que as grandes Maratonas de BTT agora implantadas talvez tenham sido as responsáveis por nos "levar" quase 150 participantes por evento nas provas de Taça de Portugal de Orientação em BTT. Isto baseado no simples facto do praticante de BTT gostar de fazer muitos kms e andar horas na bicicleta, enquanto na Orientação em BTT tudo acaba ao fim de uma hora e pouco. Será o modelo imposto pela IOF para os tempos de vencedor que nos condiciona e faz perder participantes? Não deveríamos tentar criar um novo conceito de Orientação em BTT com um formato mais longo?

Continuo a achar que também na pedestre perdemos muito com uma decisão da IOF. Quando, até 2004, a IOF não reconhecia o formato urbano, todos organizavam provas de todos os tamanhos e feitios e em Portugal todos os eventos de Sprint eram, na realidade, Distâncias Médias urbanas. O Park'O levava os vencedores a correr mais de trinta minutos nas ruas e jardins das nossas cidades, dando-nos enorme visibilidade e motivando os participantes. A IOF criou o Sprint em reacção ao sucesso que o Park World Tour granjeava ano após ano e com isso "matou" os nossos eventos urbanos. Há 8 anos, entre provas nacionais e regionais, tínhamos mais de uma dezena de eventos urbanos. Hoje em dia, somando os eventos de nível 1 com os de nível 2 temos apenas uma prova que, para alguns, terminou em menos de 10 minutos... Temos que modificar este cenário e dar maior dimensão aos eventos urbanos (que continuam a proliferar nas provas locais).


Se os clubes não tiverem capacidade de resposta, não há nada a fazer

Orientovar - Uma das questões levantadas na Reunião de Clubes teve a ver com o protocolo estabelecido entre a Federação Portuguesa de Orientação e o Desporto Escolar, o qual parece não estar a ser aproveitado ao máximo. O que é que está a falhar na articulação entre o Escolar e o Federado?

Luís Santos - Penso que estamos todos muito "compartimentados" nos nossos mundos e são poucos os que fazem a ponte. Não falo dos jovens, que muitos deles gostariam de aproveitar todas as oportunidades que surgem de ambos os lados. Mas falo dos clubes que dificilmente arriscam em apostar fortemente em protocolos com escolas (é bem diferente dirigir um clube só com veteranos e seniores do que um clube com muitos jovens onde há que tratar de autorizações dos pais, de transportes, de algum controle sobre os jovens, etc, etc.). Da parte da FPO há empenho em aproximar as partes. Mas se os clubes não tiverem capacidade de resposta, não há nada a fazer. E as estruturas escolares não querem saber do desporto federado. E entre estes "compartimentos" surgem alguns professores que se enchem de brio e determinação contra as dificuldades que encontram em ambos os lados e persistem em tentar construir as pontes que deviam existir sem grande esforço como acontece noutros países (principalmente os nórdicos). Pode não ser sempre assim, mas parece-me ser este o ponto de situação actual.


Parece-me haver muita capacidade para pôr eventos de pé

Orientovar - No levantamento efectuado pelo Grupo de Trabalho, um dos aspectos mais interessantes, do meu ponto de vista, tem a ver com o Calendário de Eventos. Circuito de Orientação Urbana, Circuito Nacional de Estafetas e Circuito de Orientação Nocturna parecem ser iniciativas que poderiam contribuir para a revitalização da nossa Orientação. Apesar disto não ter sido abordado na Reunião de Clubes, atrevo-me a perguntar-lhe qual a sua opinião sobre uma eventual proliferação de provas numa altura em que pôr um simples evento de pé constitui já um bico de obra?

Luís Santos - Num dos meus tópicos sobre o Calendário, referi que poderíamos optar por um calendário cheio e permitir aos praticantes serem eles a escolher o que preferem, originando assim uma selecção natural dos eventos mais interessantes a médio prazo em vez de um Calendário leve (como era preconizado pela anterior Direcção apenas com 5 provas de nível 1 previstas para 2012) em que o próprio calendário faz a escolha (minimalista) pelos praticantes. Um dos quadros que mostrei ilustrava que nos últimos anos se organizam mais do dobro dos eventos que se organizavam há 6 ou 7 anos atrás. Parece-me haver muita capacidade para pôr eventos de pé. O problema muitas vezes é a sua dimensão, pois um evento de Taça causa um desgaste incomparável com a maioria dos eventos locais. Mas apontando factos: (a) A soma dos eventos de Taça de Portugal nível 1 e 2 é menor do que a soma dos antigos eventos regionais e nacionais (e mesmo menor do que a soma dos nacionais com as Taças FPO); (b) A Orientação em BTT mantém o número de eventos nacionais; (c) O Circuito Nacional Urbano é o único realmente novo, mas que visa dar destaque aos eventos urbanos de grande qualidade já existentes, dando-lhes visibilidade e atractividade, em vez de não passarem de uma prova local; (d) O Circuito Nacional de Estafetas visa apenas enquadrar os eventos de Estafetas que já se realizam; (e) O Circuito Nocturno não deverá ter enquadramento FPO, sendo apenas organizado esporadicamente por alguns clubes já com larga tradição nesses eventos, não são eventos que nasceram agora.


Só experimentando poderemos descobrir...

Orientovar - As problemáticas subjacentes às Corridas de Aventura e à Orientação de Precisão passaram praticamente à margem da Reunião de Clubes. Que leitura faz, contudo, desta realidade?

Luís Santos - Fiz Corridas de Aventura durante alguns anos mas parece-me ser actualmente uma realidade cada vez mais diferente dos formatos de Orientação Pedestre e de Orientação em BTT. Parece-me que as dificuldades que a Federação Portuguesa de Orientação encontrou em cativar clubes para organizarem eventos e o maior impacto da crise nestes eventos (como foi referido na reunião as dificuldades financeiras pesam mais nestes eventos do que nos formatos de Orientação Pedestre e Orientação em BTT) não antecipam um futuro risonho para esta disciplina no seio da FPO. Quanto à Orientação de Precisão, muito é já feito em eventos locais ou mesmo em eventos específicos só para Trail-O mas talvez falte agora a integração da disciplina nos grandes eventos pedestres. Terão os clubes abertura para integrar este formato nos seus eventos? Terão capacidade de os organizar com qualidade? Haverá interessados? Só experimentando poderemos descobrir...


Considero que estamos actualmente em contra-ciclo com a sociedade

Orientovar - Quais os próximos passos delineados pelo Grupo de Trabalho ao qual preside?

Luís Santos - Nos próximos meses vamos abordar os tópicos que faltam pois há ainda assuntos particularmente relevantes por apresentar (políticas de preços, sistemas de inscrições, rankings, campeonatos nacionais, só a título de exemplo) para depois se construir o Regulamento de Competições 2012 e o Estudo do Grupo de Trabalho solicitado pela Direcção da Federação Portughuesa de Orientação, nunca excedendo o horizonte temporal do final do ano. Espero que possamos acima de tudo dar um bom contributo e consigamos ter uma modalidade no caminho certo. Devo salientar que eu considero que estamos actualmente em contra-ciclo com a sociedade, pois apesar da crise, temos hoje selecções com uma qualidade como nunca tivemos, exportamos Orientação, acolhemos um dos mais famosos eventos regulares do Mundo, temos dos melhores cartógrafos do Mundo, estamos a mais de meio de uma época com eventos de qualidade nivelada bem por cima e continuamos a ter muita gente com vontade de evoluir, seja a trabalhar ou a correr. E também me parece importante que não nos deixemos esmagar como outros pelos efeitos da crise. A nível familiar, sendo eu e a minha mulher funcionários da Administração Pública, já levei vários rombos no orçamento familiar nos últimos meses. Há que procurar novos caminhos, ir à luta e não desistir. Com as vacas gordas todos sabem viver, mas é nos momentos difíceis que se vê a nossa força.

[O Orientovar deixa aqui um público agradecimento a Carlos Monteiro, por ter partilhado o seu resumo da Reunião de Clubes, verdadeiro ponto de partida para a preparação desta Entrevista]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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