quinta-feira, 2 de junho de 2011

GRANDE ENTREVISTA: I OPEN DE ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO DO HOSPITAL DA PRELADA




No próximo sábado, pelas 10h00, o Hospital da Prelada leva a cabo o seu I Open de Orientação de Precisão. O Correr Por Prazer falou com o Director da Prova, Joaquim Margarido, aqui dando conta do seu entusiasmo e da importância de que se reveste o evento.


Correr Por Prazer – Que significado especial tem este I Open de Orientação de Precisão do Hospital da Prelada?

Joaquim Margarido – É acima de tudo o concretizar dum sonho que vem sendo alicerçado desde que o Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada, de mãos dadas com o Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, relançou a Orientação de Precisão em Portugal. Foi no dia 14 de Março de 2009 e, desde então, contamos em vinte as nossas participações em eventos desta natureza, um pouco por todo o País. Onde quer que nos deslocássemos, sempre fomos recebidos com uma atenção e um carinho muito especial. É agora a nossa vez de retribuir essa atenção e poder fazê-lo na nossa casa tem, na verdade, um significado muito especial.

Correr Por Prazer – Este I Open culmina um ciclo de eventos que, no seu conjunto, constituem o I Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Gostaria que me dissesse algo mais a este propósito.

Joaquim Margarido – A nossa experiência foi-nos mostrando que, independentemente do valor que cada actividade desta natureza tem por si só, a fidelidade dos atletas garante-se com a regularidade e a continuidade dos eventos. A realidade dum atleta que é, à partida, um utente do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada, passa por um tempo de internamento variável mas que tem, naturalmente, um princípio e um fim. O que nós pretendemos é que a pessoa continue a participar neste tipo de eventos, independentemente de estar ou não internada. Daí que procurássemos criar um conjunto de eventos, unidos por um Regulamento específico e cada qual com uma ponderação própria, ao qual demos o nome de I Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Devo acrescentar que há atletas que participaram em todas as etapas do Circuito e muitos outros que falharam apenas uma delas. O Circuito teve início na Escola Secundária de Baião, no dia 3 de Dezembro de 2010, Dia Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência, e vai terminar agora no Hospital da Prelada, depois de ter passado por Matosinhos, Porto, Gaia e novamente Matosinhos. A organização do Circuito é da responsabilidade do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos e as actividades têm sido integradas em eventos mais latos, no âmbito das actividades regulares promovidas pelo Grupo.


Sentimos que os olhos estão postos em nós

Correr Por Prazer – O que não acontece neste caso...

Joaquim Margarido – É verdade. Com efeito, o I Open de Orientação de Precisão do Hospital da Prelada é um evento criado de raiz. Quero com isto dizer que toda a dinâmica das actividades anteriores esteve centrada numa organização já existente, sendo o percurso de Orientação de Precisão “apenas” mais um percurso no meio de tantos outros. O Secretariado era o mesmo, os meios logísticos e os recursos humanos também, as Cerimónias de Entrega de Prémios eram feitas conjuntamente. Agora não. Tivemos de pensar tudo de forma independente, trabalhando nas múltiplas vertentes desta prova, como se de um Campeonato Nacional se tratasse. É a primeira vez que se faz algo do género em Portugal e sentimos essa responsabilidade. Agora que a Federação Portuguesa de Orientação se prepara para implementar, já em 2012, a I Taça de Portugal de Orientação de Precisão, sentimos que os olhos estão postos em nós, no nosso exemplo e na nossa experiência.

Correr Por Prazer – Que meios envolve a realização do I Open de Orientação de Precisão do Hospital da Prelada?

Joaquim Margarido – Criámos uma estrutura multidisciplinar que inclui, para além da Direcção do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital da Prelada e dos colaboradores do Serviço – médicos, enfermeiros, assistentes operacionais da saúde, fisioterapeutas – também elementos ligados aos Serviços Gerais, aos Serviços de Segurança, Serviços de Instalações e Equipamentos, Gabinete de Comunicação e de Marketing e Cozinha. Para além disto, como aspecto vital para a realização do evento, contamos ainda e sempre com o apoio técnico do Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos, estando a Direcção Técnica da Prova atribuída ao seu Presidente, Fernando Costa.

Correr Por Prazer – Como é que se vai desenrolar a actividade?

Joaquim Margarido – Temos o início previsto para as 10h00, com os atletas de competição a serem os primeiros a realizar a sua prova. Haverá um segundo momento que destinámos à Formação e no qual participarão todos aqueles que tomam aqui contacto com a modalidade pela primeira vez. Se no escalão de Competição os atletas competem sem qualquer tipo de apoio, a Formação será acompanhada por monitores, os quais se encarregarão de esclarecer os princípios básicos da modalidade, desde a orientação do mapa e do uso da bússola à leitura da sinalética e ao assinalar das opções. O percurso formal é comum a ambos os escalões e constará de dez pontos, com três a cinco balizas por ponto. Haverá ainda um ponto cronometrado, que permitirá determinar a rapidez de decisão e servirá de desempate no caso de haver dois ou mais atletas com o mesmo número de respostas certas no final.


Queremos que esta seja uma jornada de inclusão por excelência

Correr Por Prazer – O percurso tem lugar no espaço do Hospital ou espalha-se pelo exterior?

Joaquim Margarido – Não, não. É todo ele desenvolvido no espaço do Hospital, em absoluta segurança, praticamente plano, em trajectos isentos de barreiras arquitectónicas e em piso que não representa qualquer dificuldade na progressão. Pode perfeitamente ser feito por atletas que se desloquem em cadeira de rodas eléctrica. Gostaria de dizer que o percurso atravessa uma parte do interior do Hospital, ao nível do Piso -1, visitando os seus jardins. Este mapa, desenhado pelo Cartógrafo Armando Rodrigues e por ele oferecido ao Hospital da Prelada, é uma preciosidade nesse sentido. Está desenhado num corte ao nível do Piso -1, precisamente, e permite que se faça Orientação de Precisão no interior do próprio Hospital, independentemente das condições atmosféricas que se possam fazer sentir. É um orgulho ter uma ferramenta assim e que, no seu género, é única em Portugal.

Correr Por Prazer – Já há muitos atletas inscritos?

Joaquim Margarido – Essa é uma questão pertinente. Em rigor, não temos atletas inscritos, visto que as inscrições só no dia da prova se processarão. Ou seja, quem chegar e quiser experimentar, inscreve-se, independentemente de ser uma pessoa com mobilidade reduzida, ou não. Mas temos a expectativa da presença de atletas de outras unidades reabilitadoras do País, de associações ligadas ao desporto para a deficiência e mesmo de escolas que têm alunos com deficiência motora. Queremos que esta seja uma jornada de inclusão por excelência, queremos que todos participem, que aqueles que se desloquem em cadeiras de rodas se inscrevam e façam a prova em grupo com a sua família e com os seus amigos. Sim, porque a Orientação de Precisão tem realmente as mesmas virtudes das restantes disciplinas da Orientação, ou seja, pode ser feita por pessoas de qualquer idade, individualmente ou em grupo, por competição ou simplesmente por lazer. Só é necessário ler e saber interpretar o mapa. O desafio da Orientação está lá, as condições escolhidas ficam ao critério de cada um. É uma modalidade espectacular, excelente do ponto de vista da Reabilitação, seja ela física, seja ela psíquica ou social.


Precisamos muito uns dos outros

Correr Por Prazer – Há ainda alguns aspectos laterais à prova e que acabam por enriquecê-la no seu todo. É correcto?

Joaquim Margarido – Correctíssimo. Para além de alguns convidados ilustres, vamos ter connosco as campeoníssimas Aurora Cunha e Fernanda Ribeiro, como “madrinhas” da prova. Também vamos poder contar com a disponibilidade dos voluntários da Fundação Montepio e dum grupo de alunos do 2º Ano do Curso de Enfermagem da Universidade Católica para acompanhamento dos participantes. Na Cerimónia de Entrega de Prémios serão premiados os seis primeiros classificados do I Open de Orientação de Precisão do Hospital da Prelada e serão oferecidos troféus aos três primeiros classificados do I Circuito de Orientação de Precisão “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Finalmente, teremos um “cocktail” oferecido a todos os presentes e que nos permitirá prolongar por mais algum tempo momentos de convívio tão especiais. E temos ainda patente, num espaço do Hospital, uma exposição colectiva de fotografia onde se dão a ver alguns momentos significativos da nossa participação em provas de Orientação de Precisão, em particular no que respeita à nossa presença nas provas do Circuito.

Correr Por Prazer – A quarenta e oito horas da prova, que mensagem gostaria de deixar?

Joaquim Margarido – Ousem sair de casa e proporcionem-nos o prazer da vossa presença. Estamos à vossa espera com o que de melhor temos para oferecer. Dirijo esta mensagem não apenas às pessoas com mobilidade reduzida, mas a todos em geral. Sobretudo, precisamos muito uns dos outros e essa realidade encontra um particular eco dentro dos muros duma unidade de saúde como a nossa. Vamos aproveitar este espaço e este tempo da melhor maneira, fazendo dele um espaço e um tempo de inclusão, de dádiva, de partilha. É nesse que deixo a todos este apelo e que nos ajudem a elevar a um expoente de grandeza superior o lema do Circuito, “Todos Diferentes, Todos Iguais”.

[Entrevista concedida a Vítor Dias e que pode ser lida no seu contexto original em http://www.correrporprazer.com/2011/06/i-open-de-orientacao-de-precisao-do-hospital-da-prelada/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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