segunda-feira, 2 de maio de 2011

TIOMILA 2011: VITÓRIAS FINLANDESAS NO REINO DA SUÉCIA




Evento incontornável do Calendário internacional de Orientação Pedestre, a Tiomila fez, de novo, recair sobre si as atenções da Orientação mundial nestes finais de Abril e início de Maio. Em Botkyrka, não muito longe de Estocolmo (Suécia), os grandes vencedores foram as turmas finlandesas do Kalevan Rasti, na competição masculina e do Tampereen Pyrintö, no sector feminino.


Prova jubilada, disputada no sistema de Estafeta, a Tiomila conheceu no passado fim-de-semana a sua 66ª edição. Disputada continuamente desde 1945 – apenas com uma interrupção em 1962, devido a um surto de Hepatite – a Tiomila 2011 teve lugar em Botkyrka, no Condado de Estocolmo, na região centro-este da Suécia. Para lá rumaram 343 equipas masculinas e 331 equipas femininas , às quais se juntaram 277 equipas do escalão júnior, muitas delas mistas. Embora ligeiramente inferiores aos verificados no ano transacto, se a estes números juntarmos a bonita soma de 796 participantes nas provas abertas, teremos um total aproximado de sete milhares de atletas (6989, para sermos mais precisos), o que dá bem a ideia da real dimensão do evento.

Na prova feminina, a turma do Tampereen Pyrintö contrariou uma boa parte dos prognósticos e foi a grande vencedora. Contando com um “ponta-de-lança” de inegável valia – Anni-Maija Fincke, 12ª classificada do 'ranking' mundial -, as finlandesas souberam fazer das fraquezas, forças, recuperando um título que lhes escapava há precisamente vinte anos.


Anni-Maija Fincke garante a vitória

O primeiro percurso, na distância de 7 km, proporcionou às finlandesas do Paimion Rasti passarem o testemunho na liderança, apenas 6 segundos à frente do Täby Ok e com 24 segundos de vantagem sobre uma das turmas favoritas, as suecas do Domnarvets GoIF. Com as 25 primeiras equipas separadas por menos de dois minutos, foi a vez de Lena Eliasson mostrar todo o seu potencial no segundo percurso, trazendo o Domnarvets GoIF para a liderança com 1:33 de vantagem sobre as finlandesas do Koovee. A diferença de tempos ia aumentando e as dez primeiras equipas encontravam-se já separadas por cerca de cinco minutos quando atingimos a metade da prova. A turma do Domnarvets GoIF mantinha a liderença no final do terceiro percurso, com uma vantagem de 2:30 sobre a segunda classificada, que eram agora as finlandesas do Tampereen Pyrintö.

À partida para o derradeiro percurso, percebeu-se que iríamos ter luta acesa até ao fim. A turma do Domnarvets GoIF ainda liderava, mas as finlandesas do Tampereen Pyrintö estavam agora a escassos 15 segundos, enquanto a distância para o terceiro classificado, o IFK Lidingö SOK, era já de três minutos. Com a prova a chegar ao final, toda a gente que acompanhava na Arena o evoluir dos acontecimentos percebeu que Anni-Maija Fincke estava nos seus dias e não iria deixar escapar a vitória, o que realmente veio a acontecer. Depois do triunfo no ano transacto, as suecas do IFK Lidingö SOK – com Signe Söes – conseguiram ainda chegar à segunda posição, cabendo à turma do Domnarvets GoIF, de Lena Eliasson, Eva Jurenikova e Dana Brozkova, o terceiro lugar. O Ulricehamns OK, onde pontifica a líder do 'ranking' mundial, a suiça Simone Niggli, fechou a sua prova na décima posição.


Quem tem Thierry Gueorgiou...

Quanto ao sector masculino, vale a pena recordar que, numa votação efectuada pelo conceituado World of O nas vésperas do grande evento, os finlandeses do Kalevan Rasti eram dados como favoritos por larga margem. Equipas como o Halden SK, o Kristiansand OK ou o Vaajakosken Terä apresentavam-se a grande distância “nas intenções de voto”. A verdade é que quem tem Thierry Gueorgiou tem tudo (ou quase, porque isto de ser líder do 'ranking' mundial não basta) e o Kalevan Rasti confirmou mesmo o favoritismo, chegando à vitória e revalidando o título alcançado em Perstorp, no ano passado.

No final do primeiro percurso, já os finlandeses seguiam na frente, com Kiril Nikolov a ser mais forte que a concorrência. A verdade é que Jostein Andersen colocou o Kristiansand OK na liderança após o segundo percurso, mas Hannu Airila viria a recuperar o primeiro lugar para o Kalevan Rasti no final do terceiro percurso, embora com escassa vantagem sobre as turmas do Göteborg/Majorna OK, Ulricehamns, Kristiansand OK, OK Denseln e Halden SK. Após uma breve passagem da turma do Turun Metsänkävijät pela liderança, com quatro percursos concluídos, foi a vez do Halden SK assumir a liderança, seguido por um grupo de cinco equipas, todas elas apontadas como potenciais candidatas à vitória final e separadas por escassos vinte segundos.


Esforço de Lundanes não foi suficiente

Os primeiros alvores do dia apanharam a turma do Södertalje-Nykvarn OF no primeiro lugar, mas com escassa vantagem sobre as turmas do Järla e do Kalevan Rasti. Com o Halden SK já a cinco minutos, parecia certo que o vencedor sairia deste trio da frente. Emil Wingstedt fez um excelente oitavo percurso, reduzindo para metade a desvantagem do Halden SK, mas Fabian Hertner voltou a dar alguma tranquilidade ao Kalevan Rasti, cedendo o testemunho a Thierry Gueorgiou com uma vantagem confortável para um derradeiro percurso que só poderia ser de consagração. O francês não se fez rogado e, no final, a vitória foi celebrada efusivamente por um grupo coeso e que se soube impôr com enorme categoria aos demais. É que nem mesmo o facto de Olav Lundanes se ter superiorizado ao melhor atleta mundial do momento no decisivo percurso, foi suficiente para que o Halden SK recuperasse um título que já foi seu por oito vezes nos últimos catorze anos, acabando por ter de se contentar com o segundo lugar. A terceira posição coube ao Södertälje-Nykvarn OF, com Matthias Müller a assegurar o derradeiro percurso.

Resultados completos e demais informação em http://www.10mila.se/2011/.

[Foto de Rasmus Westergren]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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