quarta-feira, 25 de maio de 2011

MISSÃO ITÁLIA ISF 2011: PAIS E PROFESSORES MANTÊM ACESA A CHAMA DA ORIENTAÇÃO NA ÁUSTRIA




Na Suécia, há Colégios onde se ensina Orientação e que têm necessidade de professores. Na Áustria, há professores que amam este desporto e que o promovem.” Hannes Pacher, 52 anos, é professor na Áustria e sorri ao proferir estas palavras. Num simples par de ideias, quase tudo fica dito sobre o valor da Orientação naquele país do centro da Europa.

E, todavia, não podemos considerar uma surpresa a vitória de Annika Gassner, de Viena, na prova de Distância Longa (Selecção W2) da passada segunda-feira. Neste grupo, encontram-se em Primiero os melhores atletas austríacos do momento e a Annika Gassner a Orientação corre-lhe nas veias. O pai Feri e a mãe Claudia marcaram presença em Campeonatos do Mundo.

Também não podemos considerar esta vitória uma surpresa, ainda que a Áustria não seja propriamente uma potência da modalidade. Pais e professores são os únicos a carregar às costas todo um projecto para a Orientação austríaca. A atenção dos meios de comunicação social é, digamos, modesta. O apoio e interesse das instituições governamentais é menor ainda. A cartografia é garantida pelo trabalho de alguns especialistas da antiga Europa de Leste e o seu custo não é suportado por qualquer tipo de fundo, os quais se aplicam apenas aos “desportos em recinto fechado” e não aos “desportos de natureza”, como é o caso da Orientação. “Não temos a tradição de fazer os nossos próprios mapas e não estamos em condições de transmitir às novas gerações este tipo de ensinamentos, como acontece em Itália, por exemplo”, diz Pacher. “E se não tivermos mapas, não teremos nunca muitos orientistas.”

Pacher, um dos três treinadores austríacos presentes em Primiero, apresenta como ponto alto no seu currículo um 12º lugar nos Campeonatos do Mundo em 1983. Ele foi o fundador da SU Schöckl Graz e faz a devida divulgação da modalidade no seu local de trabalho.

Em Primiero, a Áustria retira alguma vantagem deste tipo de terrenos. Os seus atletas treinam nas montanhas da metade ocidental do País e alguns deles estiveram em Primiero há uns anos atrás. “Os Mundiais ISF são importantes para nós”, refere Pacher. “Mas algumas nações muito fortes – Suiça, Noruega, Rússia – não competem. E outras, como a Suécia, participam com verdadeiros especialistas.” É isto que dita as regras, no desporto como na vida. Quem não está, não pode ganhar. E daqueles que estão, os mais fortes vão chegar aos primeiros lugares.

Os orientistas austríacos estão a revelar excelentes desempenhos em Primiero. Não estarão eles a traçar aqui o caminho para um futuro melhor da Orientação no seu País?


Todos os desenvolvimentos dos Mundiais ISF 2011 em http://www.italiaor2011.com/

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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