terça-feira, 17 de maio de 2011

MISSÃO ITÁLIA ISF 2011: MENSAGEM DE INÊS PINTO





No segundo episódio desta série, vamos ao encontro de Inês Pinto. Ainda bem presentes estão os Mundiais ISF 2009 e as emoções duma jornada inesquecível. É esse relato, vivido e sentido na primeira pessoa, que aqui se reproduz.


O ISF 2009 foi uma das melhores experiências que passei na Orientação e talvez a mais intensa, graças a toda a garra, companheirismo e união que toda a comitiva transmitia.

O Campeonato do Mundo de Desporto Escolar 2009 não começou em Madrid, mas sim em S. Pedro da Gafanhoeira. Foi aqui que acolhemos os nossos colegas e amigos de todo o país para que, no dia seguinte, partíssemos todos juntos rumo à terra dos nossos irmãos espanhóis.

Na cerimónia de abertura oficial do Mundial estávamos todos a cantar e a gritar pelo nosso país, a “puxar” pelas outras comitivas. Estava criado um ambiente de euforia e era espectacular ver a felicidade de todos os portugueses; estava espelhado nos rostos “É tão bom estar aqui! Eu quero mesmo estar aqui!”. Esta cerimónia e a parada que percorremos foi, na minha opinião, a demonstração que estávamos ali para fazer a diferença, para nos fazermos notar no meio da multidão. Quem não se lembra do “mega ping-pong” que jogámos com os chineses?!

O Festival das Nações foi também um evento cultural onde comunicámos com os atletas dos outros países, não numa perspectiva competitiva mas de forma a mostrar o que cada um tinha de especial, desde a gastronomia, passando por mapas de terrenos muito diversificados e até mesmo trajes e danças tradicionais. A grande animação da comitiva tornou-se rapidamente a nossa imagem de marca entre todos os orientistas presentes (ainda piscámos o olho ao prémio Fairplay…), mas as nossas ambições não ficavam apenas por aqui.

Os meus objectivos pessoais nesta competição estavam definidos, mas era nos resultados colectivos que eu e as minhas colegas de equipa (Ana Coradinho, Ana Tomás, Ana Salgado e Rita Rodrigues) estávamos focadas. O grande objectivo era ficar no top-5, mas depois da primeira prova (Distância Longa), o grande objectivo transformou-se num grande-grande objectivo de ficar não só no pódio, mas também derrotar a equipa da Letónia e assim subir ao 2.º lugar. A mim, a prova de Distância Longa não me correra bem, tinha perdido bastante tempo em dois pontos e por isso sentia-me ainda mais motivada a não falhar na Média. Com cautela no início da prova, com confiança a partir do terceiro controlo, fiz uma prova bastante boa, tal como as minhas colegas. Conseguimos ganhar vantagem suficiente para o 2.º lugar no pódio, o que foi realmente uma enorme explosão de alegria para todas nós.

Sabíamos que chegar ali se devia unicamente a duas razões: trabalhámos bastante, acreditámos ainda mais. Para além do treino feito antes da competição, era também nos quartos de hotel e nas salas de reunião que predominava o ambiente de concentração, de discussão da viabilidade das opções que se poderiam tomar, dos pontos de ataque fortes, das possíveis “armadilhas” do terreno…

Em 2009, muitos atletas portugueses que participaram no WSCO fizeram história ao alcançarem classificações de topo. Este ano, penso que os atletas que vão estar em Itália poderão também eles fazer história e alcançar resultados brilhantes. Nunca se esqueçam que todos precisam uns dos outros, que sem apoio mútuo é muito mais difícil vencer. Façam grandes provas, mostrem a vossa garra, ganhem ainda mais vontade para treinar e para nunca desistir de serem cada vez melhores. Aos orientistas com menos experiência, aproveitem para ganhá-la da melhor forma. Aos orientistas de longa data, é mais uma oportunidade de se realizarem a vós próprios, de mostrarem Portugal…bem, de fazerem o que mais gostam!

Muitas vezes são os gritos dos companheiros na Arena que fazem com que o atleta que chega corra mais no Sprint final…às vezes são apenas alguns segundos de diferença…às vezes são esses poucos segundos que fazem a diferença…

Inês Pinto
(GafanhOri e sempre Cunha Rivara ;) )

1 comentário:

Manuel disse...

Parabéns, Inês. Que emocionante o teu testemunho. Há semanas que não visitava o Orientovar. Foi bom retomar o contacto através do teu texto. Obrigado. E obrigado também ao Margarido por manter este espaço com tanta qualidade.
Manel