quinta-feira, 26 de maio de 2011

MISSÃO ITÁLIA ISF 2011: JORNADA CULTURAL INESQUECÍVEL




Estamos no último dia dos Campeonatos do Mundo de Orientação de Desporto Escolar ISF 2011 e começamos por revisitar a Jornada Cultural da passada terça-feira, que aqui nos é trazida, ainda e sempre, pelo incansável Ricardo Chumbinho.


Afinal, o que já não era fácil ainda acabou por acontecer: continuámos, hoje, a surpreender-nos e deleitarmo-nos com as paisagens com que este canto de Itália e a organização do ISF 2011 continua a presentear-nos. Como é sabido, as competições ISF têm, para além de um muito elevado índice desportivo, uma marcada preocupação com a questão sócio-cultural, aspectos que, em conjunto, costumam fazer destas participações o ponto mais alto da carreira desportiva de qualquer jovem que tenha a oportunidade e o mérito de delas fazer parte.

Integrada neste espírito está o dia livre que, neste caso, nos levou a visitar in-loco algumas das preciosidades da região.

Iniciámos a nossa pequena excursão logo a seguir ao pequeno almoço, com uma deslocação até ao Centro de Visitas do Parque Natural Paneveggio Pale di San Martino, fundado em 1967. Trata-se de uma vasta área de floresta alpina com cerca de 20.000 hectares, na qual começámos por assistir à apresentação de um filme intitulado “O Regresso dos Veados” e que relata, de forma muito interessante, todo um processo que levou à extinção de veados nesta zona do norte de Itália por acção directa do homem, homem este que depois de extinguir fez um significativo esforço para repovoar a região com os mesmos veados, sendo esta hoje uma realidade. Seguiu-se depois um passeio pedestre com um guia do parque, durante o qual nos foi possível ver veados machos e fêmeas.

Novo embarque em autocarro, desta vez para uma deslocação mais curta até San Martino di Castrozza, pequena povoação situada a cerca de 1.500 metros de altitude, a partir da qual tomámos um teleférico até perto dos 2.000 metros para uma estância de Ski denominada Colverde, na qual tivemos o privilégio de almoçar numa varanda com uma soberba vista sobre os Alpes Italianos e sob um céu, ainda, azul com sol dourado. Mas o melhor estava para vir…

Após o almoço novo teleférico, desta vez para vencer um declive muito maior e chegarmos à Rosetta e aos 2.600 metros. Neste percurso foi-nos possível ver de perto, enquanto subíamos, magníficas paredes de pedra rasgadas ao de leve por impressionantes trilhos escavados na rocha, absolutamente estreitos e maioritariamente sem qualquer tipo de protecção que, seguramente, requererão excepcionais qualidades emocionais e aptidões técnicas para serem percorridos com sucesso.

Ao chegar ao fim do percurso do teleférico as portas abriram-se e de imediato se sentiu aquele ar fresco característico da média montanha. Ao sair da pequena base… os olhos tornaram-se demasiado pequenos para conseguirem absorver tudo o que tínhamos à nossa frente: para onde olhássemos podíamos ver picos acima dos 3.000 metros, aos nossos pés um total manto de neve ainda macia do nevão que caíra hás uns dias e um pouco mais à frente, olhando para cima… a Cima Della Rosetta, localizada cerca de 140 metros mais acima. Vendo com atenção, podiam descortinar-se alguns pontos no topo, correspondendo, cada um deles, a um elemento de uma das outras comitivas… e era para lá que nós iríamos de seguida, a pé!

Entretanto já muitos dos nossos jovens, que seguramente nunca se tinham visto em semelhante ambiente em termos de montanha e até de neve, brincavam autenticamente com a neve fazendo bolas e atirando uns aos outros, caindo aqui e levantando-se acolá, escorregando, agarrando-se aos colegas para não cair mas sempre, sempre, com um largo sorriso estampado o rosto e pequenos gritinhos de euforia, dir-se-ia, infantil, tal era o estado de espírito geral.

Montanha acima para vencer uma diferença de altitude de apenas 140 metros para chegarmos para lá dos 2.770 metros, com o apoio de alguns guias alpinos locais e, em alguns casos, a euforia começou a tornar-se em dificuldades, pois caminhar na neve não será seguramente fácil e menos ainda para quem não está devidamente calçado. Da mesma forma que não é fácil, para alguns, deslocar-se tão perto de tão profundas falésias, enquanto para outros a “embriaguez” do momento obrigava a chamadas de atenção para que a segurança não fosse colocada minimamente em risco. Outros ainda, entusiasmados, ainda ousaram dar uns passos de corrida enquanto o terreno o permitia, mas rapidamente perceberam que, a quase 3000 metros de altitude e a subir, correr também não é uma boa opção. Enfim, com maiores ou menores dificuldades toda a comitiva chegou ao topo onde se encontra uma cruz de ferro na qual ficou presa, para assinalar a nossa passagem por tão esmagador local, uma digna bandeira Portuguesa.

Para muitos, percebeu-se que ali sentados no topo, em silêncio e numa atitude contemplativa, rodeados de picos acima dos 3000 metros em plenas Dolomites no coração dos Alpes Italianos e até onde a vista alcança, a dimensão humana adquire a sua real expressão face à imponência da presença do elemento natural, permitindo-nos dar mais valor à vida e conseguir destrinçar aquilo que é realmente importante de todas aquelas coisas que, em determinados momentos, julgamos sê-lo.

Ricardo Chumbinho




[Fotos extraídas do site do evento em http://www.italiaor2011.com/galleries/Giornata%20Culturale]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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