quinta-feira, 26 de maio de 2011

MISSÃO ITÁLIA ISF 2011: AS EMOÇÕES DA DISTÂNCIA MÉDIA




Em mais um apontamento assinado por Ricardo Chumbinho, vamos ao encontro do dia de ontem e dessa prova de Distância Média onde os nossos atletas conseguiram, globalmente, resultados deveras positivos. Chamada de atenção para a deliciosa narrativa do duelo entre a Escola Secundária de Pinhal Novo e o IES Amoros de Villena (Espanha), como se do desempate por grandes penalidades numa final da Liga dos Campeões em Futebol se tratasse. Vale realmente a pena ler!


Mais um dia de competição, desta vez numa distância em que habitualmente os atletas nacionais logram obter melhores resultados – a Distância Média. À entrada para esta prova colocavam-se essencialmente 3 questões:
- Conseguiriam os nossos jovens obter um melhor conjunto de resultados do que na prova de Distância Longa?
- Conseguiria o Luís Silva voltar ao pódio?
- Conseguiria a equipa da Escola Secundária de Pinhal Novo manter a vantagem alcançada na Longa sobre a Espanha e que era de 4 insignificantes segundos?

A prova foi cuidadosamente preparada na véspera, primeiro numa reunião de carácter técnico com toda a comitiva e depois, de forma mais reservada e particular, com reuniões no seio de cada uma das equipas. De manhã a lição estava bem estudada e todos – atletas e treinadores – sabiam o que fazer por forma a aumentar as possibilidades de obtenção de bons resultados.

Ao contrário do que havia sucedido na Longa, desta vez fui directamente para a Chegada, munido das horas de partida gerais e com um especial conjunto de apontamentos que permitisse acompanhar a evolução da classificação colectiva das equipas de Escola em Juvenis Masculinos.

Conforme foi já referido em anterior peça, as classificações da generalidade dos nossos atletas foram mostrando claramente um melhor conjunto de resultados do que na Longa, embora sem que tal permitisse aspirar a medalhas ou grandes classificações colectivas, para além da situações já referidas. As grandes questões passaram a ser, portanto, a classificação individual do Luís Silva e a evolução dos resultados dos atletas espanhóis e portugueses em Juvenis Masculinos.

O primeiro espanhol, Julian Fernandez, partia às 10:29 e Gabriel Martins, o primeiro português, às 10:35; primeiro sinal positivo: o Gabriel surgiu no Sprint antes do espanhol, a quem ganhou dezoito minutos. Não sendo, provavelmente, dois atletas cujo tempo viria a ser contabilizado para a equipa, não deixava de ser um excelente início!

Seguiram-se nas partidas Alejandro Martinez e João Rato, que havia feito 'mp' na véspera, com o pinhalnovense a sair dois minutos depois do atleta do IES Hermanos de Amoros. O que todos nós na Arena desejávamos ver era o João Rato surgir primeiro do que o espanhol, o que todavia não aconteceu já que o 'nuestro hermano' não só manteve a distância de dois minutos com que saiu, como a alargou para cerca de nove minutos. A vantagem era assim reduzida de dezoito para nove minutos, quando estavam ainda por chegar três atletas de cada equipa.

O terceiro espanhol partiu às 11:29 e o Filipe Augusto, em quem se depositavam fundadas esperanças em voltar a alargar a vantagem, às 11:47. Começávamos a entrar na fase decisiva da prova! O espanhol chegou com um tempo novamente abaixo do tempo do João Rato, pelo que se aguardou com redobrada expectativa a chegada do “bicho”. Eis quando, com ar absolutamente decidido, se vê vir o Filipe Augusto para o Sprint final para um tempo na casa dos vinte e sete minutos, que possivelmente acabaria com as pretensões do adversário em ainda conseguir chegar ao pódio! Os nossos atletas que já estavam na Arena, incentivaram incessantemente o companheiro até ao final… e eis que à saída da impressora o grande balde de água fria: 'mp'!

E agora? Considerando o tempo modesto do Gabriel, tudo passava para as mãos do João Parreira e do Luís Silva, sabendo-se que estavam por chegar os dois melhores atletas espanhóis e que não havia margem para mais erros do nosso lado. O optimismo rapidamente se transformou em preocupação, já que o João Parreira havia feito uma excelente prova Longa mas é um atleta ainda com reduzida experiência e os espanhóis tinham já dois atletas junto aos trinta minutos.

Mas as surpresas acontecem e perto dos vinte e cinco minutos (!) de prova já tínhamos o Parreira no Sprint!! Toda a gente se agitou e voltou a instalar-se a esperança, aguardando-se agora pela chegada do quarto espanhol. José Banon havia partido às 12:21 e o tempo começava a passar e a jogar a favor dos portugueses. Às 12:51 o nosso adversário ainda não tinha chegado e já não se colocaria abaixo dos trinta minutos de prova. Na verdade foram 31’48”, o que ainda assim deixava a Escola Secundária de Pinhal Novo com uma desvantagem de onze minutos, quando já apenas estavam no floresta um atleta de cada equipa. Em condições normais teríamos que ter um super Luís Silva para subir colectivamente ao pódio…

Entretanto estava também em jogo a classificação individual. Nesta altura já tínhamos um sueco com 19’35” (!!!) e um Francês com 20’27” no terceiro lugar. Estes eram os tempos de referência para o Luís, quando se ouviu através do sistema sonoro a passagem do português pelo ponto rádio já com quinze minutos de prova. Já não daria para a medalha de ouro e dificilmente para o bronze. Agora apenas se podia aguardar…

O Luís acabou por chegar com 23’15” o que, ao “deitar fora” o tempo do Gabriel mas com o melhor espanhol ainda na floresta, deixava os portugueses com uma vantagem de cerca de 9 minutos. O espanhol não precisaria sequer de ser melhor do que o Luís para dar o bronze à sua equipa, já que com um tempo na casa dos vionte e quatro minutos “deitaria fora” um resultado de trinta e três minutos e anularia assim a vantagem portuguesa. Mas o tempo foi passando e, à hora-limite estimada, ainda não tinha chegado à nossa vista. Quando finalmente o fez, estava já próximo dos trinta minutos.

Estava assim garantida mais uma classificação de excelência para o já impressionante currículo da Escola Secundário de Pinhal Novo em Campeonatos do Mundo, ao mesmo tempo que Portugal se mantinha como um dos três únicos países que subiu colectivamente ao pódio em todos as edições desde 2002, ano em tal aconteceu pela primeira vez.

Ricardo Chumbinho






[Fotos extraídas da página do evento no Facebook]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Filipe Marques disse...

Parabéns Portugal

Com isto felicito a Escola Secundária do Pinhal Novo e os seus atletas, por mais uma vez, conseguir levar bem alto o nome de Portugal e fazer história no ISF. E claro, não podemos esquecer o brilhante trabalho do Daniel Pó, por quem tenho muita consideração.

Aproveito também para dar as felicitações pela reportagem do Ricardo Chumbinho, adorei ler e reler este duelo entre Portugal e Espanha. Imagino a ansiedade durante a prova...

Parabéns a todos,

Filipe Marques