terça-feira, 5 de abril de 2011

ROBERTO MUNILLA: "O GRAU DE DESENVOLVIMENTO VINCULARÁ A ORIENTAÇÃO DE PRECISÃO AO NÍVEL DAQUILO QUE LHE POSSAMOS OFERECER E EXIGIR"




Roberto Munilla acaba de lançar a primeira pedra com vista ao desenvolvimento da Orientação de Precisão em Espanha. A modalidade é uma ilustre desconhecida no País vizinho e os meios são escassos. Mas o querer e a vontade, por outro lado, são enormes. Roberto Munilla é, pois, o ilustre convidado do Orientovar na Grande Entrevista de hoje.


Orientovar - A Orientação de Precisão é uma ilustre desconhecida em Espanha. Quer falar-nos um pouco de como surgiu a ideia de promover a modalidade no seio da FEDO?

Roberto Munilla – Creio que a FEDO já anteriormente desenvolvera algumas iniciativas similares, mas desconheço em absoluto os resultados dessas acções. Neste momento, o grande responsável por esta situação é Mario Vidal Triquell (cartografía FEDO), que desde Maio do ano passado insistiu comigo de forma tenaz para que me encarregasse da modalidade de Orientação de Precisão. Porquê eu, um péssimo orientista e há muitos anos afastado das lides da Orientação enquanto praticante…? A verdade é que, em Dezembro de 2010, o dito lugar na FEDO continuava vago e, considerando que talvez pudesse trazer algo de novo, enquanto não surge uma pessoa mais qualificada, decidi aceitar a oferta.

Orientovar - Independentemente das suas particularidades enquanto disciplina da Orientação, que importância vê no desenvolvimento deste tipo de projectos?

Roberto Munilla – O grau de desenvolvimento vinculará a Orientação de Precisão ao nível daquilo que lhe possamos oferecer e exigir. Assim, num grau de Iniciação ou de nível Médio, considero que a Orientação de Precisão pode ter uma ampla aceitação, visto ser uma modalidade cuja exigência incide em torno dum ponto de controlo e está ao alcance de qualquer pessoa, não requer grande esforço físico, pode praticar-se junto ao local de residência e é inclusiva. Já no caso dos atletas de Elite, para que o nível técnico dum percurso seja satisfatório, torna-se imprescindível a formação adequada de traçadores de percursos e de cartógrafos – e ainda nem sequer começámos por aí!!! -, pelo que temos pela frente um longo caminho a percorrer. É possível que seja igualmente necessário convencer alguns orientistas de que a modalidade praticada ao mais alto nível poderá acrescentar um número particularmente interessante de desafios técnicos.


Até ao momento nenhuma Federação Regional ou Clube se disponibilizou para incluir a Orientação de Precisão nos seus Calendários de provas

Orientovar - Qual a sua motivação pessoal para liderar todo este processo de lançamento da Orientação de Precisão em Espanha e quais os meios que tem ao seu dispor?

Roberto Munilla – A principal motivação reside em procurar fazer chegar a Orientação de Precisão ao maior número possível de pessoas incapacitadas, tanto física, como intelectual ou sensorialmente. Há algum tempo que colaboro com várias Associações de Saragoça e promover a Orientação de Precisão a partir da FEDO dá-me alguma margem para poder difundir a nível nacional um desporto adaptado a pessoas com vários graus de incapacidade.

Orientovar - O que é que está a ser feito neste momento?

Roberto Munilla – Começámos em Dezembro de 2010 a partir do zero, pelo que não tivemos ainda tempo de organizar qualquer tipo de prova. No próximo dia 30 de Abril, por ocasião do Campeonato Escolar (Mérida), está previsto organizarmos uma prova para os escalões Infantil e Iniciado. Na Assembleia-Geral da FEDO, no passado mês de Fevereiro, todas as Federações regionais e muitos dos Clubes de Orientação foram informados acerca da criação da secção de orientação de Precisão. A verdade, porém, é que até ao momento nenhuma Federação Regional ou Clube se disponibilizou para incluir a Orientação de Precisão nos seus Calendários de provas. Em Setembro-Outubro de 2010, eu e o Mario Vidal organizámos as “I Jornadas de Orientação Adaptada” (três dias), destinada a pessoas da região de Saragoça com incapacidade e onde foram aplicadas as regras da Orientação de Precisão. Apesar da boa campanha de divulgação que conseguimos desenvolver, o grau de interesse demonstrado pela maioria das Associações foi limitado e a participação não ultrapassou as cinquenta pessoas, entre desportistas e seus ajudantes. Do meu ponto de vista e graças às particularidades destes grupos, as campanhas de divulgação (teórico-práticas) devem ser efectuadas o mais próximo possível das datas das provas e com uma grande previsão no tocante ao público-alvo, para poder ajustar os calendários entre as Associações e os clubes organizadores das actividades. Naturalmente que haveria muito mais a dizer acerca deste assunto.


Aquilo que pretendemos é prosseguir com segurança e... com sorte

Orientovar - Daquilo que já lhe foi dado a perceber, quais as grandes dificuldades com que se depara?

Roberto Munilla – Sobretudo que os clubes disponham de recursos humanos suficientes e com capacidade de organizar uma prova de Orientação de Precisão. Actualmente é difícil encontrar os meios necessários para levar por diante o calendário regular de provas e mais ainda se se acrescenta uma modalidade quase desconhecida em Espanha e com enormes incertezas quanto ao grau de participação.

Orientovar - Quais os passos seguintes? Está prevista a criação dum Quadro Competitivo Nacional de Orientação de Precisão?

Roberto Munilla - Como só este ano estamos a dar os primeiros passos, aquilo que pretendemos é prosseguir com segurança e... com sorte. Poderemos falar duma Liga Espanhola em 2013, mas entretanto aquilo que tenho em mente e que considero prioritário passa por continuar com a tradução dos textos da IOF e de outras Federações Nacionais. Entre os dias 22 e 24 de Abril, participarei em Belfast e County Down (Irlanda do Norte) no Festival Jan Kjellström, onde terei oportunidade de ratificar uma competição real de Orientação de Precisão, o que até ao momento apenas aconteceu em teoria. O meu empenho passa igualmente por motivar as Federações Regionais e os Clubes para que conheçam a fundo esta modalidade. Finalmente, irei enviar às Federações Regionais propostas no sentido de organizem exibições ou provas tanto de Orientação de Precisão como de Orientação de Precisão Cronometrada (Temp-O), já na segunda metade de 2011 e em 2012.


Temos condições para avançar rápido?

Orientovar – Como espera que as coisas evoluam?

Roberto Munilla – Mais devagar ou mais lentamente, o tempo o dirá. Uns não têm disponibilidade de tempo, a outros falta-lhes os meios humanos, o dinheiro também não abunda, as solicitações são cada vez maiores... Temos condições para avançar rápido?




Mais informações na página da Federação Espanhola de Orientação em http://www.fedo.org/mambo/index.php?option=displaypage&Itemid=233&op=page&SubMenu=

[Fotos gentilmente cedidas por Roberto Munilla]


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: