sábado, 12 de março de 2011

PAULO CALISTO BECKER: "SER PRESIDENTE DO PRIMEIRO CLUBE DE ORIENTAÇÃO DO BRASIL É UM MOTIVO DE ORGULHO MUITO GRANDE"




O convidado deste mês do “Espaço Brasil” dispensa apresentações. Paulo Calisto Becker nasceu em 29 de Junho de 1963 em Alfredo Wagner, no Estado de Santa Catarina. Capitão do Exército Brasileiro, com formação académica em Administração de Comércio Exterior, especializado em Gestão Estratégica e Assuntos Empresarias e Metodologia do Ensino Superior, Paulo Calisto Becker conheceu a Orientação nos idos de 1985. Cartógrafo, Traçador de Percursos, Árbitro da FGO/CBO e Supervisor IOF, é à frente do Clube de Orientação de Santa Maria que a sua figura mais se tem notabilizado. Medalha Militar de 10 e 20 anos de serviço, Medalha Mal Osório (desempenho físico), Medalha Maria Quitéria (desempenho profissional), Colaborador Emérito do Exército Brasileiro (pelo COSM) e destaque desportivo de Santa Maria por duas vezes, dão bem nota do valor da pessoa e do atleta. Participou em, alguns dos maiores eventos internacionais, nomeadamente o O-Ringen 2004 e nos Mundiais de Veteranos em 2004 (Itália), 2008 (Portugal), 2009 (Austrália) e 2010 (Suiça). Gosta de viajar, aprecia um bom vinho e gosta de todas as actividades em contacto com a natureza. Ouçamos, pois, Paulo Calisto Becker, uma figura distinta que o Orientovar tem o orgulho de apresentar. Aqui e agora!


Orientovar - Como descobriu o desporto da floresta e que recordações guarda das suas primeiras experiências?

Paulo Calisto Becker - Descobri a Orientação quando incorporei as fileiras do Exército Brasileiro, em 1982. Recordo que uma das minhas primeiras experiências, integrando a equipa de Orientação da 2ª Bda C Mec e a convite de um compadre meu, Niltair, em 1985, voltei para o ponto de partida sem o mapa, pois perdi-o durante o percurso face ao temporal que desabou naquele dia. Esta competição foi em Santo Cristo, no Rio Grande do Sul. Tenho uma fotografia da minha chegada debaixo de um toró d’água e todos me aguardando!

Orientovar - Traçando um percurso evolutivo, quais os momentos mais significativos do seu contacto com a Orientação, enquanto atleta e dirigente?

Paulo Calisto Becker - Acredito que as duas situações se apresentam para mim de uma maneira inseparável, pois nestes quase dez anos à frente do Clube de Orientação de Santa Maria, pude congregar ambas. Como atleta, tenho uma recordação muito boa da minha participação no Mundial de Portugal, pela maneira como toda a delegação brasileira foi recebida por este País maravilhoso. Como dirigente, acredito que o meu maior troféu foi o esforço de colocar o COSM no rol das associações desportivas para captar recursos através da Lei de Incentivo ao Desporto, o que nos dá uma tranquilidade financeira na organização de eventos como o Campeonato Sul-Americano de Orientação – CSA, de 2010, no qual tivermos uma atenção especial aos aspectos logísticos, proporcionando um conforto maior aos atletas.


Organizamos uma competição local com a mesma garra e com o mesmo padrão de um evento nacional

Orientovar - Ultrapassadas as emoções do XIII Campeonato Sul-Americano de Orientação - CSA, agora mais friamente, que balanço faz do evento?

Paulo Calisto Becker - Depois de receber inúmeros elogios, extensivos a todos os elementos da organização do Campeonato Sul-Americano, fico convencido de que estamos no caminho certo. A repercussão internacional de um evento destes motiva-nos cada vez mais a pensar mais alto. Os comentários sinceros de atletas da nossa Elite e de atletas de outros países provaram isto. Não tivemos nenhum protesto, nem reclamações das provas, isto é o que vale! O Campeonato Sul-Amerficano já era esperado pela Região Central do Rio Grande do Sul e o resultado foi altamente positivo na economia local, a exemplo dos “5 Dias de Orientação do Brasil”, em 2006. No sufoco dos trabalhos não percebi, mas depois fiquei sabendo que as pessoas aproveitaram imenso a oportunidade de conhecer as nossas cidades vizinhas e desfrutar da gastronomia e das belezas naturais em São João do Polêsine, Vale Vêneto, Silveira Martins e claro, da nossa querida Santa Maria!

Orientovar - O que representa para si ser Presidente do Clube de Orientação de Santa Maria?

Paulo Calisto Becker - Esta pergunta deixa-me um pouco emocionado, por vários motivos. Às vezes acho que o COSM é a minha segunda família e criei dentro de mim um carinho especial pelo clube que é indescritível. Sabe, quando as pessoas dizem: “Não perco um evento do COSM... aquilo que é organização... você viu o padrão dos percursos e da entrega de prémios?...”. Isto tudo faz com que eu traga para a minha Directoria uma carga de responsabilidade cada vez maior, mas recompensadora, pois organizamos uma competição local com a mesma garra e com o mesmo padrão de um evento nacional. Ser presidente do primeiro clube de Orientação do Brasil é um motivo de orgulho muito grande. Ter a aprovação dos atletas pelo seu trabalho, é um motivo de orgulho maior ainda!


É com este esforço mútuo que queremos trazer para o Brasil o WMOC de 2014

Orientovar - Como vê a implantação da Orientação no Estado de Rio Grande do Sul e, dum modo geral, no Brasil?

Paulo Calisto Becker - Em ascensão e cada vez mais consolidada. Em 2011, com boas vindas, tivemos o retorno da Federação Gaúcha de Orientação para Santa Maria. O Presidente actual, Elvandir de Vargas, meu amigo e Presidente de Honra do COSM, é um exemplo a ser seguido. Um dirigente que não se poupa a esforços para fazer disputar sete etapas do Campeonato Gaúcho de Orientação. Fico mais tranquilo para conduzir o clube quando tenho dois dirigentes com quem posso contar aqui em Santa Maria, como é o caso do Vargas e do José Otávio, Presidente da Confederação Brasileira de Orientação. E é com este esforço mútuo que queremos trazer para o Brasil o WMOC de 2014, um esforço incomensurável do Presidente da CBO, prova fidedigna do crescimento do nosso desporto no Brasil.

Orientovar - No seu entender, que aspectos são merecedores duma maior atenção para que a modalidade consolide a sua implementação no Brasil e possa continuar a crescer de forma segura?

Paulo Calisto Becker - Em primeiro lugar, acho que temos de investir mais no aperfeiçoamento dos dirigentes de Clubes e Federações e no acompanhamento do trabalho do árbitro. Se um evento tem a sua candidatura apresentada com, no mínimo, um ano de antecedência, ele tem tudo para dar certo. A Confederação Brasileira de Orientação está apostando cada vez mais neste contexto. Em segundo lugar temos que investir mais nos meios de comunicação social. Um evento que não tem uma boa divulgação é um evento pela metade. Temos que vender os nossos eventos. Veja o que diz o Presidente da CBO para a nossa primeira etapa do CAMBOR deste ano: “Todas as filmagens da primeira cobertura do desporto Orientação pela Sport TV já foram feitas e o programa já está sendo editado. O programa já foi comercializado e deve ir para o ar na próxima semana, mas informaremos o dia e o horário. Finalmente você poderá sentar-se à frente daTV para assistir a um programa do seu desporto preferido. A Orientação em breve deixará de ser um desporto desconhecido e isto é fruto do desempenho de muitos batalhadores do nosso desporto tais como o que leva o desporto em Roraima, o que luta pelo desporto em Cuiabá, o que colocou Goiás no mapa da Orientação, o Director da Escola de Feira de Santana que além das suas atribuições fez o desporto acontecer, enfim, sintam-se citados todos os que fizeram algo para que o nosso desporto seja notado.


Vamos “pegar carona neste bonde”

Orientovar - A eleição da cidade do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 pode ser benéfica para o desporto Orientação, em particular no Brasil?

Paulo Calisto Becker - Claro que sim. Ainda não temos a notoriedade do Futebol, do Voleibol e de outras modalidades, mas vamos “pegar carona neste bonde” para atingir os nossos objectivos.

Orientovar - Tem algum conhecimento da Orientação em Portugal, pelo menos aquele relacionado com a sua presença no WMOC 2008. Acha que a Orientação portuguesa e brasileira poderiam ter uma maior relação de proximidade?

Paulo Calisto Becker - Acho que sim. Quando recebo os convites para os eventos de Portugal, fico feliz e gostaria de participar neles, buscar uma maior aprendizagem, mais convívio e interacção. Temos muito da História em comum, isto por si só já basta para que nos aproximemos cada vez mais.


Pretendo voltar a ser somente atleta

Orientovar - Seria possível dizer-nos algo acerca dos seus projectos e ambições para os próximos tempos?

Paulo Calisto Becker - Este ano pretendo passar adiante a Direcção do Clube de Orientação de Santa Maria. Não vai ser fácil, mas pretendo voltar a ser somente atleta! Acho a mudança saudável e espero que o meu sucessor honre os compromissos assumidos e erga cada vez mais alto a bandeira do “clube do coração”. Quero viajar pelo mundo e curtir a minha aposentação fazendo Orientação. Aproveitar as promoções da TAP, que agora também fará Porto Alegre e desfrutar dos belos percursos de Portugal e arredores. Existe coisa melhor do que conhecer lugares lindos praticando o desporto de que mais gostamos?!

Orientovar - Pela segunda vez na sua história, o Sul-Americano deixa o Brasil e rumará a outro País, no caso concreto o Uruguai, para a edição 2011. Como é que vê esta abertura e quais as expectativas que estão criadas?

Paulo Calisto Becker - Acredito que será um grande evento. A Confederação Brasileira de Orientação está palmilhando cada passo deste evento juntamente com o Uruguai e disponibilizando os melhores profissionais para a vertente técnica do mesmo.


Pratiquemos Orientação de uma forma saudável

Orientovar - A terminar, gostaria de deixar uma mensagem aos orientistas do mundo inteiro e, em particular, aos brasileiros?

Paulo Calisto Becker - Quero dizer a todos aqueles que praticam este desporto maravilhoso que sejam cautelosos ao praticá-lo. Que não cometam exageros, atentando contra a saúde física. Estou com 47 anos de idade e alguns problemas de articulações já me começaram a aparecer e todos comprovados pelos exageros que cometi nos meus treinos ao longo destes anos todos. Temos que respeitar as nossas limitações. A nossa cabeça pensa de uma maneira, como se tivéssemos 18/20 anos, mas o nosso organismo responde de outra! Que pratiquemos Orientação de uma forma saudável, seguindo as orientações seguras de profissionais competentes e desfrutando das vertentes do nosso desporto.





[fotos gentilmente cedidas por Paulo Calisto Becker]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Gino disse...

Um abraço fraterno para todos os Amigos do Clube de Orientação de Santa Maria.
Parabéns Paulo Becker pelo trabalho e dedicação em prol da Orientação.
Força Brasil !!!
Higino Esteves

Anónimo disse...

Orgulho pro esporte!!
Parabéns

Pamina Lampert