quinta-feira, 17 de março de 2011

II MEETING INTERNACIONAL DE ARRAIOLOS: IMPRESSÕES (IV)




Porque os testemunhos sobre o II Meeting Internacional de Arraiolos não param de chegar à Redacção do Orientovar e porque a sua importância informativa o justifica – e de que maneira! -, aqui ficam ainda as impressões de mais quatro participantes no grande evento, nomeadamente os vencedores dos escalões de Elite, a dinamarquesa Signe Søes e o suiço Matthias Müller.


Foi a segunda vez que vim a Portugal e gostei imenso da estadia nesta altura do ano, quando as temperaturas na Dinamarca são ainda muito baixas. Foi um excelente início de temporada. Quanto ao II Meeting Internacional de Arraiolos, não há nada a dizer relativamente à prova de Distância Média, realmente gostei imenso da corrida. Já na prova de Distância Longa, devo dizer que, na minha opinião, o mapa estava um bocadinho desfazado em relação àquilo que eram os elementos que eu podia ver enquanto corria. Algumas das áreas amarelas e brancas eram muito pouco praticáveis, porque algumas das áreas brancas quase se confundiam com as amarelas e as curvas de nível nem sempre eram de leitura fácil. Também gostava de saber o porquê disto, mas ambos os Model Event deram-me uma sensação muito diferente em termos de terreno daquilo que na realidade encontrámos depois nas provas. Acresce ainda a imensa dificuldade que os meus familiares tiveram em encontrar atempadamente na internet muitas informações julgadas essenciais. Isto foi um problema muito grande, especialmente no Sprint nocturno, onde eles gostariam de saber que tipo de calçado usar, uma vez que não sabiam se haveria muitas zonas de floresta ou se iriam correr sobretudo em áreas urbanas, onde geralmente os Sprint nocturnos têm lugar. Contudo, ainda assim, pessoalmente foi uma boa experiência. As coisas não correram muito bem na floresta, mas só me posso queixar de mim própria.
Inge Skovgaard Knudsen (Faaborg OK, Dinamarca)


Fiquei contente com a forma como corri a prova de Distância Média. Perdi muito pouco tempo e acabei por me classificar muito bem no seio dum grupo de atletas muito fortes. Antes da partida para a prova de Distância Longa sentia-me bastante cansado, não estava bem preparado. Fiquei surpreendido porque o terreno era muito diferente do da véspera e não me consegui adaptar. Assim sendo, foi duro mas muito divertido. Quanto ao Sprint nocturno, não o levei muito a sério e corri muito calmamente. Penso que teria sido uma prova muito divertida se corrida como deve ser mas era arriscado fazê-lo, uma vez que as minhas atenções estavam já viradas para uma boa corrida na prova longa WRE do dia seguinte.

Falando do evento e da organização do II Meeting Internacional de Arraiolos, penso que estiveram bem. Os speakers fizeram um excelente trabalho, criando uma atmosfera empolgante. Foi muito bom ter um local onde comer na própria Arena e cabines para a roupa. Tudo esteve impecável. Só foi pena termos de caminhar tanto entre os estacionamentos e a arena da prova do segundo dia mas entendo que nem sempre é fácil encontrar uma adequada solução entre bons terrenos e bons estacionamentos. Os mapas eram excelentes e as corridas também, com uma muito bem conseguida mistura entre pernadas curtas e longas, exigindo abordagens técnicas variadas e alternâncias de ritmo.

Num balanço geral, posso dizer que passei duas semanas em Portugal, participando primeiro no Portugal O' Meeting e permanecendo ainda mais alguns dias após o Meeting de Arraiolos. O alojamento onde permaneci ao longo destes dias era bastante frio, os chuveiros não funcionavam lá muito bem e não tinha cozinha, o que fez com que tomássemos sempre as refeições fora de casa, o que tornou a estadia bastante mais dispendiosa do que tinha planeado. Mas no aspecto da competição foi muito bom, os terrenos revelaram-se excelentes para uma pré-temporada, visto serem muito rápidos e muito técnicos. Isto fez com que as múltiplas sessões de treino se tornassem muito divertidas. Depois disto, só me resta esperar uma temporada bem sucedida.
Ralph Street (Södertälje – Nykvarn O, Grã-Bretanha)


Quanto às minhas prestações, devo confessar que neste momento não me encontro exactamente no meu pico de forma. Fui operada ao tendão de Aquiles e não corri muito este Inverno. A vinda a Portugal foi uma espécie de teste para ver se conseguia correr já sem dores, visto que esse era o grande objectivo quando me submeti à operação. As coisas correram bem, estou muito feliz, mas claramente, em termos de velocidade, não foi assim tão bom. Na questão técnica, as coisas estão também ainda bastante perras e isso notou-se especialmente na prova de Distância Média de sábado, onde cometi uma série de grandes erros. Na prova de Distância Longa, globalmente a minha performance técnica foi excelente, apesar de ter perdido pequenas fracções de tempo em muitos dos pontos de conmtrolo. Ainda nesta prova, devo dizer que o terreno era muito exigente – tanto física como tecnicamente –, que o mapa era muito bom e que o percurso, duro, estava muito bem traçado. Em termos gerais, foi um evento muito bem desenhado, com grandes mapas e corridas. E o “speaker” fez um excelente trabalho!
Signe Søes (Danish Team O-Sun, Dinamarca)


Na minha opinião foi um excelente fim-de-semana, com muita e boa Orientação. Aqui fica, para cada uma das provas, a minha apreciação dos pontos positivos e negativos (+/-).

Prova de Distância Média:
+ Muito, muito bom o trabalho do 'speaker' e muito interessante o acompanhar da competição a partir do ponto de espectadores;
+ A corrida, com alternâncias de ritmo e de grau de dificuldade;
+ A Arena, a sua localização, a instalação;
- Senti alguma dificuldade com o mapa, em transferir a informação para o papel nas zonas muito detalhadas; não sei se isso se ficou a dever à minha velocidade de corrida (culpa minha!) ou se teve a ver com a forma como se generalizou o desenho do mapa.
(+ A chuva ter esperado que eu terminasse a prova e só depois ter começado a cair).

Sprint Nocturno
… que levei “na boa”, não encarei com o sentido da competição...
+ Excelente ambiente, o bar, a festa;
+ Terreno interessante, alternância de tipos de terreno;
- O mapa nos verdes não estava muito apurado (para uma escala de 1:4 000). Mais parecia uma mapa em 1:10 000 estampado num mapa de 1:4 000. Havia alternâncias de verdes e de amarelos muito maiores do que aquelas que estavam representadas no mapa.
… o tempo do vencedor numa prova de Sprint deve rondar os 12... 15 minutos... Por favor não me interpretem mal, foi divertido e tudo bem correr 20 minutos, mas não é exactamente o mesmo que termos um tempo de 12... 15 minutos!

Prova de Distância Longa
+ Uma surpresa os primeiros pontos de controlo...
- … depois dum irrelevante Model Event;
+ Corrida desafiante, tanto técnica como fisicamente;
+ Excelente terreno;
+ Mapa muito bom! Só não entendi lá muito bem o ponto 2;
+ A escala de 1:15 000;
- “Loops” demasiado pequenos e simples para permitirem separar os atlketas (entrei no ponto de 'loop' junto com o Kiril e terminei exactamente ao mesmo tempo);
- Os abastecimentos devem estar no ponto de controlo, seria mais fácil chegar a eles (a primeira vez que me abasteci levava já mais de uma hora de prova).

Uma vez mais, reforço a ideia de que este foi um belo fim-de-semana, os pontos acima são apenas aquilo que esvoaça na minha cabeça. Espero que isto possa ajudar à reflexão.
Matthias Müller (Södertälje – Nykvarn O, Suiça)


[Foto gentilmente cedida por Tiago Gingão Leal]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

Sem comentários: