quinta-feira, 24 de março de 2011

GRANDE ENTREVISTA: LUZIR, UM OLHAR MUITO ESPECIAL!




Surgiu de mansinho, numa manhã de Inverno, fria e luminosa, a neve a vestir de alvo manto os montes em volta de Baião. Ao final desse dia, partilhava com todos nós alguns dos mais fantásticos momentos alguma vez vistos em torno duma prova de Orientação de Precisão. Da admiração e reconhecimento ao convite a que estivesse presente no Portugal O' Meeting vai a distância dum toque de telemóvel. Susana Caetano ajudou a espalhar pelo mundo inteiro a marca POM através de imagens notáveis e foi, inegavelmente, uma mais-valia absoluta para a organização e para o evento em si. Para mim, que de certa forma a iniciei nestas lides, é uma emoção e um orgulho poder partilhar aqui – neste nosso espaço – as impressões da fotógrafa e da pessoa. Ouçamo-la, pois: Luzir!


Orientovar - Quem é a Luzir?

Susana Caetano - Embora seja conhecida por Luzir, o meu nome é Susana Caetano. Actualmente resido em Baião e é lá onde passo a maior parte do meu tempo, uma vez que a minha actividade profissional aí se desenvolve. Embora a fotografia seja encarada por mim com o mesmo profissionalismo e seriedade, a minha actividade principal, que decorre da minha formação académica, não é “ser fotógrafa”, mas sim Técnica Superior de Desporto na Câmara Municipal de Baião.

Orientovar – Quando começou a fotografar?

Susana Caetano - Sinceramente, não me recordo de quando comecei a desenvolver a minha paixão pela arte de fotografar. Lembro-me, porém, que a minha primeira máquina era uma Kodak com 1Mp e o que mais gostava de captar eram imagens de locais “perdidos no tempo”. Fotografava sem qualquer método ou preocupação! Ligava a máquina, colocava no automático e divertia-me imenso quando via o resultado final no computador. Não estava preocupada com enquadramentos, velocidades, aberturas, etc. E porque sempre estive ligada ao Desporto, senti, a certa altura, curiosidade e interesse por este tipo de imagens. Decidi então fazer uma formação em fotografia e a partir daí fui evoluindo e definindo o meu estilo, que continua em constante transformação.

Hoje em dia possuo um site - www.freestyle-spirit.com -, onde tenho grande parte dos meus trabalhos e é através dele que as pessoas me contactam. A área da Dança, com especial incidência no Hip Hop, é sem dúvida a minha maior preferência, pelo facto de encontrar momentos e expressões incríveis! Exploro também desportos como Kitesurf, Bmx, Mountainboard, Surf, Skimboard, Desportos Motorizados, Desporto Adaptado, etc. Fora da fotografia desportiva, dedico-me a captar parte dos dias de pastores e pescadores. Sempre que posso, acompanho os pastores de Mafómedes nas suas longas e solitárias caminhadas pela Serrão do Marão, bem como a chegada dos pescadores de madrugada, na Doca Pesca de Matosinhos. Tenho uma paixão gigante por faróis!


Basta por exemplo, um punho cerrado, um grito de dor, um festejo, para que uma imagem possa marcar a diferença

Orientovar - Quando se fotografa, o que se procura exactamente?

Susana Caetano - Isso depende muito do objectivo e do tipo de trabalho que estou a fazer. O que eu procuro quando estou perante um pastor - e embora em alguns aspectos existam semelhanças -, é muito diferente do que procuro quando estou diante de um atleta. Depende também se se trata de um trabalho livre, em que posso colocar nessas imagens aquilo que sou, definir o objectivo, escolher os cenários e as pessoas, ou se simplesmente me contratam e definem todos esses parâmetros, em que apenas me é solicitado o uso da imaginação e das minhas capacidades como fotógrafa.

Quando acompanho pastores, tento descobrir pormenores que muitas vezes nos passam despercebidos e achamos insignificantes, porque de uma forma geral se pensa que não dão beleza a uma imagem. Captar mãos maltratadas pelo tempo e pelo trabalho, o simples cajado gasto e sem cor, é para mim mais importante do que ter como resultado final uma bela foto colorida do pastor de frente para mim, com a paisagem nas suas costas. Não quero com isto dizer que o contrário está mal! Procuro portanto, pormenores reais que podem enriquecer uma simples imagem e que retratam o dia a dia destas pessoas, de forma isolada, bem como enquadradas no seu ambiente.

Orientovar – Imagino que na fotografia de Desporto já não será tanto assim...

Susana Caetano – É verdade que não. No desporto, o timing é muito importante, mas não apenas no que diz respeito ao movimento ou ao gesto em si, porque muitas vezes é após a finalização que surgem as reacções mais interessantes. Basta por exemplo, um punho cerrado, um grito de dor, um festejo, para que uma imagem possa marcar a diferença. Na fotografia de Desporto, tento captar não só os elementos característicos e próprios das modalidades, mas também a reacção humana perante o esforço e a concentração.


As minhas imagens mostram quem sou, como sou e como penso

Orientovar – Isto exige muito trabalho de casa?

Susana Caetano - Tudo isto requer de mim uma constante pesquisa e visualização de imagens e vídeos, porque em muitos casos me ajudam não só a melhorar a minha criatividade e originalidade, mas também a antecipar ou prever o que o atleta vai fazer em certas situações. Todos sabemos que após um golo há um festejo! Desta forma, faço questão de conhecer e saber acerca do que vou fotografar, de forma a que o resultado final não necessite de “legendas”.

Tal como se interpreta e estuda a forma como desenhamos, escrevemos ou sonhamos, as minhas imagens mostram quem sou, como sou e como penso. O meu estado de espírito influencia muito a edição das imagens e por esta razão, muitas vezes, guardo-as para mais tarde, por achar que não é o momento certo para lhes dar o “tratamento” mais adequado.


O que não imaginei foi a tamanha beleza dos locais escolhidos e por onde andei

Orientovar - Como recebeu o convite para estar presente no Portugal O’ Meeting 2011?

Susana Caetano - O convite foi-me feito pelo Fernando Costa, responsável pelo GD4Caminhos, que tive o prazer de conhecer na 1ª Etapa do Circuito de Orientação de Precisão, organizado em Baião. Nesta etapa decidi fazer uma reportagem completa para uso na Câmara Municipal, mas também porque tenho uma especial simpatia e atenção nos meus trabalhos com cidadãos portadores de deficiência. Essas imagens foram postadas no meu Facebook e causaram impacto junto dos intervenientes. Esta é a principal origem deste convite.

Orientovar - Imaginou que as coisas teriam aquela dimensão quando se viu pela primeira vez no epicentro do evento?

Susana Caetano - Embora não tivesse conhecimento da realidade destas provas, quer ao nível da organização, quer ao nível da sua dinâmica, eu sabia que ao estarem lá os melhores atletas do Mundo, teria que ser um evento grandioso e sério. O que não imaginei foi a tamanha beleza dos locais escolhidos e por onde andei. Acho que nunca terei a oportunidade de voltar lá!


Ser Orientista não tem idade!

Orientovar - A sua actividade ao longo dos quatro dias do POM teve a ver essencialmente com o seu gosto pela fotografia mas também pela natureza. Nunca sentiu vontade de largar a máquina, pegar num mapa e partir à descoberta?

Susana Caetano - Gosto muito de explorar a natureza e por isso senti muita vontade de aprender a ler mapas e descobrir outros locais, mas fora da prova, isto é, poder passar a ter o hábito de correr por campos, serras, caminhos, etc! Por outro lado, fui tão bem acompanhada pelo Joaquim Margarido, que acabei por não me preocupar com isso, porque ninguém melhor que ele para ter como parceiro nesta aventura!

Orientovar - Fotografou centenas de atletas e deu-nos a ver, como resultado do seu trabalho, um pouco daquilo que é a essência da Orientação. Hoje, o que é para si “ser orientista”?

Susana Caetano - Para mim, um Orientista, terá de ter um grande espírito aventureiro, sem receio de se perder por locais que ele mesmo pode desconhecer, esteja sol, chuva, calor ou frio. Terá que ser alguém que de certa forma tenha a sensibilidade para gostar e valorizar a natureza, bem como ter a capacidade de leitura e interpretação dos mapas e dos terrenos. Ser Orientista não tem idade!


O trabalho amador também tem muita qualidade e muitas vezes é de graça!

Orientovar - Que balanço faz da experiência?

Susana Caetano - Foi muito positivo! Achei fantástica a entrega e a dedicação de toda a equipa do GD4Caminhos, bem como dos voluntários presentes. Fui extremamente bem recebida e acompanhada. O meu trabalho foi divulgado por todo o Mundo e recebi imensas palavras simpáticas e pedidos de fotos para colocação em jornais, sites e revistas. O mais recente pedido, veio de uma revista de orientação Suiça.

Devo elogiar a forma como o GD4Caminhos se preocupou em garantir os meios e a presença de pessoas que podiam dar uma grande ajuda na divulgação e promoção deste POM. Destaco o Joaquim Margarido, sempre incansável na fotografia e na elaboração de notas de imprensa para todo o Mundo. Este é um aspecto importantíssimo e muitas vezes não entendo porque não se convidam pessoas úteis para desempenhar estes trabalhos, quando elas existem e estão disponíveis para colaborar em troca de umas refeições. O trabalho amador também tem muita qualidade e muitas vezes é de graça!



Gostava que os meus pais, aos 70 anos, tivessem a mesma força e alegria

Orientovar - Se lhe pedisse para eleger uma foto das muitas que tirou, qual seria a sua eleita?

Susana Caetano - Tirei uma média de 300 fotografias por dia, rejeitei cerca de 50 e apaguei outras tantas. Estas rejeições são feitas com base no tipo de selecção que faço, uma vez que me preocupo com a imagem e qualidade dos trabalhos que publico. Em alguns casos é por achar que não estão bem tecnicamente, por outro lado, evito repetir planos e cenários. No entanto, tenho essas imagens guardadas e estão sempre disponíveis para o caso de me serem solicitadas.

A minha foto eleita não pertence à Super Elite, mas sim a uma senhora com os seus 70 anos. Não a escolho por questões técnicas, mas sim pelo que me fez sentir naquele momento e pelo que me transmite de cada vez que a observo: gostava que os meus pais, aos 70 anos, tivessem a mesma força e alegria.


O POM deu-me também imagens diferentes e especiais

Orientovar - Confessou-me que um dos seus desejos passaria por vir a publicar um álbum de fotografia. Algumas das fotos que tirou no Portugal O’ Meeting teriam cabimento nesse trabalho?

Susana Caetano - Sem dúvida! Não faço questão de excluir modalidades e neste caso o POM deu-me também imagens diferentes e especiais.

Orientovar - Vamos voltar a vê-la muitas vezes de máquina em punho, “numa floresta perto de nós”?

Susana Caetano - Certamente que sim! Não gostaria de terminar sem deixar uma palavra de reconhecimento e de agradecimento a todos os elementos do GD4Caminhos, duma simpatia extrema, ao Joaquim Margarido e à Graça Carrapatoso, por todo o apoio e acompanhamento e finalmente, ao Fernando Costa, responsável por me fazer sentir em casa. Obrigada!





Veja o trabalho de Susana Caetano em www.freestyle-spirit.com.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

4 comentários:

fernando disse...

Parabéns pela entrevista e muito Obrigado pelo execelente trabalho desenvolvido no evento.
Fernando

MC disse...

grande Luzir! :)

ademar rodrigues disse...

minha amiga, estive a ver a sua entrevista no site orientovar, pois foi para mim uma agradavel surpresa, pois uma mulher com um aspecto tao fragil ha primeira vista, mas grande de pensamento, e determinada na accao,gostei muito, pois nao conhecia essa sua faceta, mas por vezes ficamos surpreendidos pela positiva, foi o meu caso, e daqui lhe dou os meus parabens e um grande beijinho de felicidades oela vida fora.

Armando Rodrigues disse...

Adorei, muitos parabéns pelo teu trabalho. bjs Armando Rodrigues