quarta-feira, 2 de março de 2011

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...




1. Faltam três dias para a realização da próxima Assembleia Geral Extraordinária da Federação Portuguesa de Orientação. Entre Gouveia e Alter do Chão medeia precisamente o tempo de um mês. Um tempo e um mês – mais um! - perdidos. Ou talvez não...

2. Este tempo de um mês fica marcado por três momentos verdadeiramente importantes. Desde logo, as diligências do Presidente da Mesa da Assembleia Geral no sentido de garantir a base de entendimento necessária à viabilização e aprovação do Plano de Actividades e Orçamento 2011. Mas também de escrutinar o grau de confiança naquilo a que ele chamou o “órgão colegial de administração da FPO”, ou seja, nesta Direcção e neste Presidente, propondo à consideração da Assembleia a votação da sua destituição.

3. Depois, o Parecer do Conselho Fiscal sobre o Plano de Actividades e Orçamento 2011, frontal, recheado de reservas e que, à semelhança dos anteriores, chumba claramente ideias e paradigmas nele implícitos. Mas que aponta um caminho.

4. Finalmente, a Carta Aberta ao Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Orientação, com assinatura de Augusto Almeida e que vem, de forma corajosa e assertiva, mostrar o rosto da alternativa. E que rosto! E que alternativa!

5. Avançando por partes e começando por José Carlos Pires, louve-se o esforço em busca de consensos. Na entrevista concedida ao Orientovar, é patente a sua extraordinária confiança numa solução que passaria pela aprovação do Plano e pelo voto de confiança (leia-se “não destituição”) nesta Direcção e neste Presidente. Só uma atitude concertada poderia destituir o órgão colegial de administração da FPO, todos o sabemos, e 75% de votos é... muito voto!

6. Todavia, se pensarmos que o órgão colegial de administração da FPO tem de ver antes aprovado o Plano de Actividades e Orçamento 2011, as coisas mudam um bocadinho de figura. É que aí os números são bem diferentes, sobretudo se recuarmos um mês e nos lembrarmos que o anterior Plano foi chumbado com 24 votos contra e apenas 9 a favor. Vistas as coisas assim, justifica-se a confiança evidenciada por José Carlos Pires? Certamente que sim. Este órgão colegial de administração da FPO teria compreendido o que está em causa, daria o adequado retoque no Plano de forma a torná-lo coerente e consensual e o Parecer do Conselho Fiscal seria, obviamente, favorável. Só que não o foi!

7. Não vou alongar-me na análise do Parecer do Conselho Fiscal. Ele fala por si. Desenvolvimento da prática desportiva, comparticipação solicitada ao IDP, custos de organização e gestão da FPO e selecções nacionais continuam a merecer as maiores reservas e “não permitem reunir as condições necessárias para que se possa propor a aprovação do Plano de Actividades e Orçamento”. Perante isto, José Carlos Pires vê os seus esforços caírem por terra. O Plano irá ser novamente chumbado. A menos que...

8. No seu último parágrafo, o Parecer do Conselho Fiscal estabelece uma recomendação: Que o Plano “possa ser apreciado e votado por subcapítulos, nomeadamente nos que se apresentam com as reservas indicadas em a. (subcapítulo referente ao Desenvolvimento da Prática Desportiva), c. )subcapítulo relativo à Organização e Gestão da FPO) e d. (subcapítulo relativo ao Alto Rendimento e Selecções Nacionais) do ponto 4.” Aqui abrem-se duas vias: ou se segue a recomendação do Conselho Fiscal partindo-se para a votação por subcapítulos, ou não se segue a recomendação do Conselho Fiscal e o Plano é chumbado liminarmente. Ponto final.

9. Jogando no campo das hipóteses e considerando que a Recomendação do Conselho Fiscal é acatada, é este órgão colegial de administração da FPO que vai querer manter-se à frente dos destinos da Federação com um Plano que já não será – nem pouco mais ou menos – o seu? A decência tem limites (digo eu)!

10. O cenário de novas eleições foi apontado pelo Presidente do órgão colegial de administração da FPO, na Assembleia Geral de Gouveia, como “o mais provável”. Este órgão colegial de administração da FPO não assumiu ilegitimamente compromissos de ordem alguma com quem quer que seja. Sobre isso, as “fontes fidedignas” jurarão a pés juntos que estão “limpas”. Este órgão colegial de administração da FPO não está agarrado ao poder. Perante novo chumbo do Plano de Actividades e Orçamento 2011 continuará a ter condições para se manter à frente dos destinos da Federação Portuguesa de Orientação? Qualquer um dirá claramente que, face às circunstâncias, não!

11. Posto isto, é plausível – agora mais do que nunca – que os pontos 2 e 3 da Ordem de Trabalhos sofram uma inversão. A destituição do órgão colegial de administração da FPO seria votada desde logo. E aprovada? Embora ninguém arrisque um vaticínio, a verdade é que toda a gente percebe que a Carta Aberta vem retirar qualquer tipo de “pressão” - o termo “chantagem” parece-me demasiado forte – que possa pender sobre os delegados. Melhor do que ninguém, todos eles sabem disso. O sistema de votação a adoptar terá de ser o voto secreto, por imposição do Estatuto da FPO e da Lei. Menor pressão ainda, portanto!

12. Augusto Almeida faz saber que é alternativa. Augusto Almeida é uma referência na modalidade, um valor seguro naquilo que a sua postura tem de trabalho, rigor e honestidade, uma pessoa capaz de gerar sobre si, neste momento particularmente difícil, o maior dos consensos. É um homem habituado a gerir da melhor forma os momentos de crise. E um homem com cabais provas dadas em seis anos à frente dos destinos da Federação Portuguesa de Orientação.

13. Mais do que o Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Orientação, José Carlos Pires, esta Carta Aberta tem como destinatários os Delegados que marcarão presença no Cine-Teatro de Alter do Chão, pelas 16h00 do próximo sábado. Ela pretende garantir que há, de facto, “uma solução que devolva a normalidade e a tranquilidade à modalidade no caso de surgir um vazio directivo”. E acrescenta: “... em poucas horas, se poderá disponibilizar uma lista de pessoas credíveis e um Plano de Actividades e Orçamento para 2011.”

14. Cabe agora perceber o que está em causa, não apenas no momento presente, mas relativamente ao futuro da modalidade, sobretudo. As questões em cima da mesa são demasiado importantes e merecem respostas à altura. Claras, inequívocas, expressivas!



Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

Gino disse...

Esclarecido e esclarecedor.
Objectivo e imparcial sem deixar de ser crítico!
Parabéns Joaquim Margarido.
Estou certo que a ORIENTAÇÃO agradece. Abraço

Joaquim Margarido disse...

(Comentário inserido a pedido de Escada da Costa)

Caros Orientistas
Aproxima-se mais um momento importante da nossa actividade (Assembleia Geral Extraordinária dia 05 de Março de 2011) e todos nós devemos ponderar com os pés bem assentes na terra e não levados por palavras ocas que apenas visam tapar o sol com a peneira.
É isso que o nosso presidente Alix (nome com o qual sempre se correspondeu no fórum) utiliza, para "vender" as suas teorias baseadas em mentiras.
Passo a enumerar:
1- Ao ser-lhe perguntado no fórum se considerava candidatar-se a presidente, a sua resposta foi um "Não" contundente.
2- A sua visão da Orientação como "Desporto do século XXI" consiste em utilizar os meios da FPO em benefício próprio ao mesmo tempo que tenta retirar apoio a clubes. É esta a sua visão da orientação no sec. XXI?
3- Porque continua a insistir num "Campeonato do Mundo" de corridas de aventura? Em que Federação Internacional (mundial ou europeia), está inserido esse campeonato imaginário? Provavelmente numa federação fantasma. (talvez a APAC da qual é Presidente)
4 - Foi-lhe pedido na ultima Assembleia Geral pelo Delegado da AFAP que respondesse "Sim" ou "Não" à pergunta se poderia confiar nele. Uma vez mais, uma resposta que deveria ser clara e precisa foi pelo Alix dada de forma não clara e camuflada, sinal evidente de que não pode ser levado a sério.
Será este o presidente que procuramos para a nossa modalidade?
Antes a ditadura militar em que apesar de tudo, podíamos manifestar as nossas ideias. Esta é uma ditadura da mentira em que qualquer contestação é contemplada com ameaças de Tribunais e processos disciplinares. A ditadura militar vivia para a modalidade, esta pretende viver da modalidade!
Está o nosso presidente muito preocupado com a aprovação dos seus planos megalómanos para apresentar ao IDP, esquecendo-se que o prazo para a referida apresentação expirou em 15 Novembro de 2010.
ESCADA DA COSTA
FPO Nº 1581