sábado, 26 de fevereiro de 2011

REGULAMENTO ESPECÍFICO DE CORRIDAS DE AVENTURA: PRÓS E CONTRAS




O Regulamento Especifico de Corridas de Aventura encontra-se em fase de reformulação para 2011 e a sua última versão de trabalho foi apresentada na passada semana. Retomando um modelo já ensaiado no Orientovar, trazemos hoje duas visões antagónicas sobre este assunto e que, no seu todo, permitem fazer alguma luz sobre a questão e acrescentar valor a um debate que se pretende iminentemente construtivo.


OS PRÓS...

Filipe da Silva Gomes
ADA Desnível

O assunto dos Regulamentos desde sempre foi um ponto de discussão entre os atletas que praticam esta modalidade. Nos últimos dez anos, as regras que orientam as Corridas de Aventura foram sendo adequadas à realidade deste desporto e dos que o praticam, tornando este documento bastante instável e causando por vezes alguma confusão entre os atletas. Como seria de esperar, as alterações nem sempre foram unânimes e algumas vezes esgrimiram-se argumentos em sentidos opostos causando desconforto entre aqueles que não vêem as suas ideias prevalecer.

O principal problema centra-se no facto deste desporto não ter enquadramento federativo internacional, não existindo uniformidade de regras e procedimentos (algo que não acontece nas outras disciplinas da Orientação), havendo vários modelos que foram influenciando aos poucos o desporto no nosso país. Outra questão a ter em conta é a parceria entre as Federação de Orientação Portuguesa e Espanhola (já que ambas as Federações integraram as Corridas de Aventura no seu seio) e houve a tendência de aproximar as regras nestes dois países da Península Ibérica. Essa aproximação não foi total, já que existiam diferenças vincadas entre os dois modelos e prova disso foram os resultados obtidos pelas equipas em provas sempre que tinham que atravessar a fronteira.

Deixando a contextualização de fora e apresentado a minha opinião sobre o actual Regulamento, gosto de pensar que este resulta de alguns anos de experimentação pela caravana dos atletas das Corridas de Aventura e que é o resultado do trabalho meritório daqueles que tentaram dar o seu melhor durante os vários anos transactos, esforçando-se para trazer à luz do dia Regulamentos e Provas que agradassem e tivessem sucesso. Essa foi também a postura daqueles por quem neste momento passa essa responsabilidade.

A Comissão Técnica para as Corridas de Aventura pegou nos Regulamentos e efectuou uma revisão, dando oportunidade àqueles que achavam que se deviam implementar mudanças no documento, de poder dar o seu contributo. Depois de algumas opiniões expressas, a Comissão apresentou a versão de trabalho onde se podem ver algumas alterações no que diz respeito às classificações para o 'ranking' (situação muito debatida) e apresentou uma fórmula de cálculo que faz uma diferenciação positiva entre equipas terminadas com o mesmo número de CP’s e que, através dela, obtêm uma pontuação diferente para o 'ranking', permitindo assim uma mais justa transposição de resultados. Para além disso, efectua-se uma clara distinção entre os vários tipos de provas que se podem realizar nesta disciplina (tendo em conta o tempo de duração das mesmas), abrindo caminho a novos eventos de âmbito regional que são importantes canais de captação de mais praticantes, possibilitando também a integração de provas já existentes no calendário oficial da Federação Portuguesa de Orientação. Este esforço de inclusão é importante já que dessa forma se permite a disseminação do conceito para além do calendário da Taça de Portugal, procurando novos praticantes. É neste sentido que a Comissão Técnica decidiu manter o actual figurino de escalões (Elite, Aventura e Promoção). Esta diferenciação procura enquadrar todos aqueles que pretendem fazer uma Corrida de Aventura conforme a sua disponibilidade física e financeira.

O objectivo da Federação Portuguesa de Orientação e das equipas mais experientes nas Corridas de Aventura é o de procurar melhorar a performance e estar à altura de equipas internacionais, portanto promover a Elite é uma prioridade. Existe um problema estrutural que se prende com o número ainda pequeno de atletas femininas que são essenciais para competições de alto nível no estrangeiro, que não se consigna apenas à modalidade das Corridas de Aventura mas também às demais disciplinas da Orientação.

Para os que engrossam a caravana da aventura e que querem ter oportunidade de passar um fim-de-semana a competir na modalidade que gostam e apreciam, mas que entendem não competir em Elite, portanto numa categoria menos exigente, permanece o escalão de Aventura. Os curiosos que tentam sentir as emoções da aventura e que não tem as competências ou material necessários, têm sempre a hipótese de entrar no escalão de Promoção, sem grandes obrigações e em que facilmente são integrados na restante prova sem dar grandes problemas ou adequações para os organizadores.

Por tudo isto que acabo de esgrimir dá para perceber que reconheço qualidades neste Regulamento Específico de Corridas de Aventura e que acredito nele. Só espero que os outros atletas que militam nesta modalidade também o façam e que esta época seja mais uma época de sucesso para as Corridas de Aventura e para a Federação Portuguesa de Orientação.


… E OS CONTRAS!

José Galvão Marques
CP Armada

Começaria por dizer que não é só o Regulamento que está mal. É o próprio espírito do Regulamento e a falta duma estratégia para a Aventura pela entidade promotora, a Federação Portuguesa de Orientação, que estão mal.

Em termos competitivos, a Aventura está em declínio, não é aliciante para quem quer fazer competição. Boas equipas desapareceram e esses elementos apostaram noutras vertentes. Existe uma notória incapacidade para atrair atletas de outras modalidades, como foi o caso do Triatlo, de onde vinham atletas de grande valor.

Com este Regulamento, as equipas encontram-se dispersas por vários escalões e agora também em sub-escalões. Mas será que temos tantas equipas assim?

Por outro lado, este é o “golpe de misericórdia” nas equipas mistas, que ainda há três ou quatro anos atrás eram apontadas como o rumo a seguir. No Artº 4º, “equipas e escalões”, o Regulamento junta e põe em pé de igualdade homens e mulheres. O que é que isto vai provocar? As equipas que tenham por objectivo ganhar, organizam-se em equipas masculinas. Mas se é verdade que primeiro se desincentivam as equipas mistas, não é menos verdade que depois põem-nos a disputar o Campeonato Ibérico em Elite Mista (Artº 24º). É um contra-senso. Tem de haver uma bonificação para o elemento feminino; em Espanha é retirado 6% ao tempo total da equipa.

Relativamente à constituição da equipa, acabam-se os três elementos sempre em prova, por ser demasiado duro ou por este ou aquele motivo. O que é certo é que, em seis provas, três delas as equipas são constituídas por três elementos em prova. Outro contra-senso.

Mas há mais: No Artº 19º, no ponto 10, fala-se em dois elementos da equipa base… o que é a equipa base? Isto tem de ser muito bem clarificado. Fala-se também em não complicar. Mas já viram as contas que é preciso fazer para as pontuações do 'ranking'? Depois há a dimensão da prova, com um modelo que deixa CP's para trás e não promove a competitividade, apenas serve os “preguiçosos”. Temos de estar em sintonia com o que se faz lá fora e neste caso estamos orgulhosamente sós.

Hoje, se queremos saber algo acerca das Corridas de Aventura, não há onde procurar. A Aventura não é uma prova normal de Orientação Pedestre ou de Orientação em BTT. Tem características muito próprias e, como tal, é necessário ter um site/página dedicado à a Aventura. É fundamental reabilitar o site portugalecoaventura.pt que servia muito bem a modalidade.

E é preciso também criar a Inscrição de Época com um desconto correspondente ao valor de uma inscrição. Esta inscrição daria uma certa tranquilidade aos organizadores, que tinham à partida umas quantas equipas certas, e era um incentivo às equipas, que teriam uma inscrição grátis. A inscrição seria paga à Federação Portuguesa de Orientação, que por sua vez distribuiria esse dinheiro de igual forma pelos organizadores... fácil… isto à semelhança do que se fazia há uns oito anos atrás.

Resumindo, peço que se olhe para o modelo espanhol, que no fundo engloba tudo o que disse, ou então que peguem no Regulamento de há oito ou dez anos atrás. Ambos são Regulamentos em que todos os CP's são para controlar e onde é fácil dar as bonificações às equipas mistas no final, pondo o elemento feminino em iguais circunstâncias com os homens. É fundamental promover provas em locais novos com mais “aventura”, visto estarmos a cair em percursos com demasiado asfalto e nos mesmos locais de sempre, tornando-se por isso repetitivos. Reabilite-se o site www.portugalecoaventura.pt, introduza-se a inscrição de época e centralizem-se os vários escalões num só. Temos de olhar para trás e perceber o que atraía a esta modalidade cinquenta ou sessenta equipas por prova.


Pode consultar AQUI a mais recente versão do Regulamento Específico de Corridas de Aventura 2011.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

3 comentários:

Almeida disse...

Vivam,
Não é o momento (nem é pressa!!!) para discutir o que parece óbvio: as CA's são uma modalidade multidisciplinar (do tipo do Triatlo) e não uma disciplina da Orientação.
Mas, logo que exista tranquilidade e com serenidade, deverá debater-se o tema pois o tal de "paradigma" parece servir bem as CA's e não servir a Orientação.
Sem dramas nem fantasmas, vale a pena, 5 anos após a integração, pensar nisto!!!
Abraço

Rui Marques disse...

Pelo contrário, todos os momentos são bons para se discutir o tema, e acima de tudo deixar claro quais são as intenções de um candidato a presidente.

Desde que as CA entraram para a FPO que o número de atletas têm decaido. A FPO (na direcção do Almeida) nada fez para inverter esse sentido. Por isso era importante perceber se as CA é uma aposta ou se é para ignorar.

Abr

Pedro Dias disse...

Caro Rui
Mais uma vez tenho que te dizer que os teus comentarios sao desprovidos de verdade e ainda por cima vindo de quem e um opinion maker mas que depois quando chamado para colaborar disse que nao tinha disponibilidade!
Estou errado? Recordas-te concerteza das discussoes e reunioes que o Eduardo e Rui Gomes promoveram. Quem se disponibilizou para trabalhar? Tu?
Ultimamente as tuas participacoes sao falaciosas e tendenciosas, lamento por ti porque contraria o que apregoas: serenidade na discussao.
Devias tambem lembrar-te (se nao pergunta aos actuais dirigentes) que foi o Almeida que lutou pela integracao, contra muitas vozes. E que na última direccao tinhas muitos praticantes de CA (eu incluido) e que gostam de participar.
As CA's merecem uma discussao aberta, porque nem no seio dois praticantes desta Disciplina (modalidade e Orientacao) ha consensos, como sabes tao bem quanto eu.
Portanto ha que discutir o rumo, serenamente atendendo tambem a falta de organizadores e aos custos que cada vez mais pesam sobre as equipas.