sábado, 12 de fevereiro de 2011

A MINHA ESCOLA: EB 2,3 S. ROSENDO (SANTO TIRSO)




O décimo primeiro episódio da rubrica “A Minha Escola” viajou até Santo Tirso, ao encontro da Escola Básica 2,3 S. Rosendo e do carismático Professor Pinto André. A nossa proposta é, como se poderá constatar, todo um percurso de vida bem orientado.


A Escola Básica do 2º e 3º Ciclo S. Rosendo nasceu por Decreto de 1968. Uma parte funcionou no Parque D. Maria II, nbaquela que é a actual Casa da Cultura, e a outra instalou-se na actual Escola Tomaz Pelayo. De 1970 a 1978, funcionou em pavilhões pré-fabricados, junto à Câmara Municipal. Nesse entretanto, foram muitos os “papéis, projectos e buracos” na construção da actual Escola EB 2,3 de S. Rosendo. Em 1978 começa a funcionar apenas o Bloco Azul e finalmente, em 1979, faz-se a mudança total. Quanto ao patrono da Escola, São Rosendo, foi um “bispo construtor”. Nascido a 26 de Novembro de 907 (faz anos no mesmo dia que o Orientovar), S. Rosendo morreu a 26 de Fevereiro de 977, tendo sido canonizado a título póstumo. Em vida, renovou a vida monástica no Ocidente Peninsular, no século X. Apesar das insignias de bispo, a fisionomia altiva, a couraça metálica e as esporas evidenciam que se tratou também de um nobre guerreiro. Era um bispo construtor. Por isso escolheu para seu brasão, além do chapéu, borlas e cruz, um compasso e uma pedra. Toda a pedagogia deve ser construtiva. Eleger S. Rosendo como patrono desta Escola não poderia ter sido melhor escolha.


Fernando Jorge Pinto André nasceu em Poço do Canto (Meda) em 07 de Janeiro de 1954. Professor de Educação Física desde 1972, esteve sempre ligado ao movimento associativo em regime de voluntariado. Actualmente, para além de exercer a sua profissão na EB 2,3 S. Rosendo, dá apoio à Camara Municipal de Santo Tirso na área do Desporto Escolar concelhio, do Desporto Sénior e das actividades de pedestrianismo promovidas pela autarquia tirsense. Verdadeiro “faz-de-tudo”, o Professor Pinto André confessa que tem o defeito de “não dizer não a nada”. Sabe bem que “a terra é uma bola e quem anda nela é que se amola” mas ele parece-se não se amolar lá muito com isso. O seu sonho é ver um dia a Orientação como uma referência a nível desportivo e numa ilha deserta não dispensava água, companhia e sossego.


Fazíamos os mapas em papel milimétrico...

Orientovar – Como nasceU o seu gosto pela Orientação?

Professor Pinto André – Penso que isso vem desde sempre. Já nos meus tempos de estudante gostava de andar pelo monte, já fazia umas brincadeiras do género. Depois, já como professor, sempre incentivei os meus alunos a sair ao encontro da natureza, organizava uns jogos do tipo “caça ao tesouro” e, a partir daí, foi sempre a tentar melhorar. Até que entrámos numa fase, digamos, organizada, que é na altura em que aparece a Federação Portuguesa de Orientação.

Orientovar – Ou seja, quando tirou o Curso, a Orientação não era matéria curricular?

Professor Pinto André – Não, não. Nem nada que se compare. Do ponto de vista formal, foi em 1989 ou 1990 que frequentei uma acção de formação em Braga, ministrada por um militar - não me recordo ao certo do nome dele -, mas ao abrigo dum programa de incentivo para incentivar a prática da Orientação por civis. Tudo o que era montanha, actividade de ar livre, eu já gostava. A partir daí foi o avançar duma forma mais organizada na própria Escola. Fazíamos os mapas em papel milimétrico... Paulatinamente as coisas foram evoluindo, fomo-nos associando logicamente a este processo e cá estamos.


Eu era assim como que um “guru” da Orientação

Orientovar – Como é que aparece o Grupo-Equipa de Orientação da EB 2,3 S. Rosendo?

Professor Pinto André – A Orientação surge no clube Trampolins de Santo Tirso em 1995, por meu intermédio e de outra pessoa. Inicialmente os Trampolins eram só isso, actividade gímnica. Depois até se mudaram os Estatutos para que se pudessem enquadrar outras modalidades. O clube filia-se na Federação em 1999 e, com a força deste movimento, o Grupo-Equipa de Orientação da EB 2,3 S. Rosendo aparece precisamente nessa altura ou talvez até antes, mantendo uma actividade ininterrupta até aos dias de hoje. É bom recordar que, nessa altura, a Orientação ao nível do Desporto Escolar dava os primeiros passos e, quando havia uma actividade de Orientação, vinham os professores de outras Escolas e toda a gente perguntava pelo Pinto André, quem é o Pinto André. Os meus conhecimentos não eram maiores do que os de muitos deles, teria eventualmente um pouco mais de experiência, era aquele que motorizava quase todo o processo e, talvez por isso, toda a gente me procurava. Eu era assim como que um “guru” da Orientação.

Orientovar – Neste caminho longo de mais de uma década, quais os altos e baixos?

Professor Pinto André – Tanto a nível de Desporto Escolar como de Desporto Federado, todo este processo conheceu, naturalmente, altos e baixos. Os baixos normalmente aparecem quando estamos numa fase de transição, vão-se embora muitos atletas já formados e chegam outros completamente “verdes”. É todo um trabalho que tem de recomeçar de base. Por outro lado, o Desporto Escolar conheceu algumas situações onde o nosso esforço foi praticamente anulado. As indefinições a nível ministerial e das Direcções Regionais, a falta de quadros competitivos, enfim, tudo isso teve repercussões sérias no desenvolvimento das actividades ao longo dos anos. Mas somos teimosos e, apesar das incidências negativas, nunca deixámos que o Grupo-Equipa morresse. Relativamente aos Trampolins, o seu percurso foi sempre ascendente até ao momento em que algumas pessoa deixaram de sentir apoiadas pela Direcção. É um clube amador, as pessoas dão o que podem e a mais não são obrigadas. Houve atletas que não entenderam muito bem essa filosofia e decidiram abandonar o clube.


Neste momento tenho precisamente quarenta e oito miúdos

Orientovar – Como é que as coisas funcionam em termos de captação? Chega o início do ano lectivo, vira-se para eles e aponta, tu, tu e tu vão para o Grupo-Equipa de Orientação?

Professor Pinto André – (risos) Há uns atrás era assim, era. Andava a repescar os miúdos que tinham boa estrutura física e gostavam de correr, sobretudo porque a Orientação não era tradicional. Hoje em dia já praticamente toda a gente ouviu falar em Orientação. No início das aulas começa a espalhar-se que existe na Escola um Grupo-Equipa de Orientação e há muitos miúdos a querer experimentar porque não sabem verdadeiramente o que é. Damos-lhes um mapa da Escola, fazemos uma brincadeira com eles e há muitos deles que ficam a gostar e acabam por aderir ao Grupo-Equipa.

Orientovar – E este ano quantos alunos tem no Grupo-Equipa?

Professor Pinto André – Neste momento tenho precisamente quarenta e oito miúdos. Em anos anteriores chegaram a ser à volta de sessenta. É claro que nem todos vão aos treinos, uns porque têm isto, outros porque têm aquilo. Mas normalmente a maioria aparece quando marcamos treinos de Orientação. Estamos a falar de três sessões semanais de uma hora, utilizando o mapa da Escola e reservando o mapa da Cidade para os mais evoluídos. Temos alunos que vão a uns treinos, outros vão a outros e, apesar de estar sozinho neste trabalho, consigo orientar o meu tempo e fazer com que não haja quebras nos nossos objectivos. Entretanto, nas actividades do projecto Santo Tirso ConVida, já tenho alguns alunos que participam na vertente organizativa, são eles que colocam e levantam os pontos, fazem as partidas e chegadas, já se mostram capazes e preparados para este tipo de tarefas.


A Orientação é uma lição de vida extraordinária

Orientovar – E há ainda um mapa belíssimo, nas margens do Ave, que é o Parque da Rabada...

Professor Pinto André – Sim, sim. Para esse mapa vamos normalmente só ao fim-de-semana. Isso implica uma deslocação grande mas há um projecto da Câmara Municipal de Santo Tirso para a construção duma via pedonal e ciclável ao longo das margens do rio, que ligue a cidade ao Parque. Talvez para o ano já possamos ir a pé e fazer treinos nesse Parque, em tempo lectivo, correspondente ao Grupo-Equipa de Orientação. Estou a todo o momento à espera que isso esteja pronto.

Orientovar – Qual é a importância da Orientação nos programas curriculares de Educação Física?

Professor Pinto André – É importantíssimo. A Orientação projecta nos miúdos uma noção de responsabilidade, ensina-os a disciplinar o tempo e cria neles um sentido de autonomia. Eles é que têm de decidir por eles. Estão sozinhos, têm de se desenvencilhar sem esperar por ninguém. Isto é, para eles, a Orientação é uma lição de vida extraordinária.


A preocupação com estes miúdos é a vivência da própria modalidade no terreno

Orientovar – Em termos competitivos, quais as suas expectativas em relação a estes miúdos do Grupo-Equipa de Orientação da EB 2,3 S. Rosendo?

Professor Pinto André – No essencial, a preocupação com estes miúdos é a vivência da própria modalidade no terreno. Os resultados vêm por acréscimo, se vierem. Não há qualquer tipo de pressão sobre os miúdos nesse sentido. Eles irão, autonomamente, adquirindo as competências necessárias para que um dia possam vir a conquistar lugares. A nível da Federação Portuguesa de Orientação, há essa novidade da criação do escalão H/D11 que eu acho excelente. Isto permite aos miúdos, numa fase inicial, que entrem nesta actividade com uma franqueza e com um à-vontade que não teriam se fossem obrigados a participar no escalão a seguir. Penso que esta foi uma grande aposta e é de continuar. Quanto aos resultados, entendemos isso sempre como um acréscimo à actividade que estão a desenvolver. Nunca pressionamos ninguém para conquistar este ou aquele lugar.

Orientovar – Pairam nuvens negras sobre o Desporto Escolar. Quer comentar?

Professor Pinto André - Ainda não sabemos pormenores mas, se tudo acontecer como o previsto, será muito difícil dar continuidade ao projecto, apenas desenvolver a Orientação ao longo da semana como Actividade de Dinamização Interna. Uma modalidade como a nossa será difícil singrar naqueles termos, pelo menos a nível do Desporto Escolar. É que nos termos actuais já oferecemos parte do nosso tempo de descanso para o Desporto Escolar e não estou disposto a desenvolvê-la voluntariamente ao longo de todo o processo.


Enquanto actividade a nível interno, a Orientação vai continuar

Orientovar – Uma última questão, até quando o Grupo-Equipa de Orientação na EB 2,43 S. Rosendo?

Professor Pinto André – Enquanto actividade a nível interno, a Orientação vai continuar. O problema surgirá quando tiver de ser feita a nível externo. Não sabemos o que se irá passar no futuro mas, havendo provas ao fim-de-semana, tudo isso fica condicionado porque não há horas atribuídas aos professores. Mas os alunos não perderão tudo. A Escola de S. Rosendo possui uma estrutura que foi ajudada a criar pelos Trampolins de Santo Tirso, há um protocolo de cooperação entre as duas instituições e, portanto, os miúdos se não participarem pela Escola, participarão através dos Trampolins. Portanto, à partida, a Orientação não morre. Agora que as participações ao nível do Desporto Escolar possam estar um bocado torcidas, lá isso... Vamos ver.







Para aceder à página da EB 2,3 S. Rosendo, clique AQUI

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

1 comentário:

Maga disse...

O Professor Pinto André sem qualquer dúvida é o Verdadeiro “faz-de-tudo”, um homem de grande estima do meu concelho.
Um abraço do Maga que se encontra na "Pérola" do Atlântico
Encontramo-nos em 02MAR11.
Cumprimentos para o Sr Joaquim Margarido