quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

JOSÉ CARLOS PIRES: "O ACTUAL MOMENTO É MUITO DELICADO"




Os momentos conturbados que a vida federativa atravessa e a Assembleia Geral Extraordinária marcada para o próximo dia 05 de Março estão na Ordem do Dia. Procurando fazer o ponto da situação, o Orientovar vai hoje ao encontro das palavras e das opiniões de José Carlos Pires, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FPO. É ele o protagonista na Grande Entrevista de hoje.


Orientovar - Em Gouveia assistimos a algo que configurou uma situação de desrespeito pelo órgão da Federação Portuguesa de Orientação que é a sua Assembleia Geral. Agora, já mais “a frio”, que interpretação faz daquela "debandada" e o que sentiu na altura?

José Carlos Pires - O que senti na altura é aquilo que ainda hoje sinto – magoado e triste com tal comportamento. Custa-me também dizer isto, mas a imitação seguida no abandono da sala, tinha já sido ensaiada durante a sessão, nas diversas votações. Ainda hoje um jovem Delegado sugeria a sua substituição porque entendia que não se sentia preparado para assumir essa responsabilidade de ser Delegado à Assembleia Geral. Grande exemplo que deveria ajudar a reflectir muitas pessoas.

Orientovar - Ao deixar no ar o pedido para que se procedesse a uma pausa de quinze dias para reflexão pergunto-lhe, enquanto agente da modalidade, que reflexão pessoal fez o orientista José Carlos Pires neste lapso de tempo?

José Carlos Pires - Não consigo despir o fato de Presidente da Mesa da Assembleia Geral, pois é muito mais importante do que os meus simples interesses enquanto praticante. Por isso, toda a reflexão que fiz, fi-la com outro sentido de responsabilidade. O actual momento é muito delicado, pois estamos a entrar num tipo de escrutínio que não é normal numa federação desportiva e muito menos na nossa. Por um lado, até pode parecer positivo, pois irá obrigar a outro tipo de preparação dos planos de actividades, de análise e de estratégia sobre tudo quanto se queira fazer no futuro.
Estou convencido que esta pausa ajudou a amadurecer ideias e a tomar-se consciência sobre algumas atitudes menos reflectidas, de várias partes. Tem sido muita positiva a evolução observada nos principais actores, pois tenho mantido um contacto muito estreito com eles.


O palco para discutir ideias, projectos e estratégias era no período eleitoral

Orientovar - Entretanto, que medidas promoveu com vista a serem ultrapassadas as diferenças que, claramente, separam a Direcção da FPO dum grande número de orientistas, pelo menos no que diz respeito a algumas matérias sensíveis?

José Carlos Pires - Acho que tomei as medidas adequadas. Várias delas são reservadas, não sendo este o local para as revelar. Nós vivemos num regime democrático e em liberdade. Há cerca de seis meses realizaram-se eleições para os Corpos Sociais da FPO. Apenas apareceu uma lista, que anunciou publicamente os seus propósitos. Apresentou um manifesto eleitoral, apelidado pelos proponentes de ambicioso e por quem não quis enfrentá-los de megalómano. Para mim, o palco para discutir ideias, projectos e estratégias era no período eleitoral. Os meus esforços foram ainda no sentido de se apresentar e aprovar um Plano de Actividades e Orçamento sem reservas por parte do Conselho Fiscal e que seja aceite como instrumento necessário e de compromisso. Necessário, porque é preciso ir junto da tutela atempadamente e negociar os Contratos-Programa sem perturbar o regular funcionamento da Federação Portuguesa de Orientação. De compromisso, porque tanto deve servir este órgão de administração, como eventualmente quem lhe suceder, caso ele seja destituído.

Orientovar - Está aí a Convocatória para que a Assembleia Geral reuna em Sessão Extraordinária no próximo dia 5 de Março. Nela irá ser apreciado e votado o Plano de Actividades e Orçamento para 2011, primeiro, e depois votada precisamente a proposta de destituição do órgão colegial de administração da FPO. Não há aqui uma inversão na ordem dos Pontos, ou seja, a questão da destituição não deveria ser o primeiro ponto da Ordem de Trabalhos e depois, então, a Direcção, claramente reforçada, partir para a votação dum Plano que, um mês antes, havia sido chumbado?

José Carlos Pires - O meu esforço foi feito no sentido de termos um plano de compromisso, como foi a intenção da anterior Direcção ao apresentar em Setembro um que depois acabou por não ser discutido, porque ainda havia tempo para se elaborar novo plano. Por isso, eu entendo que o mais importante é termos um plano de actividades aprovado, mesmo que no momento seguinte a Direcção seja destituída. Se isto acontecer, enquanto não ocorrerem eleições e a tomada de posse dos novos titulares, a Direcção cessante executará os actos normais de gestão, não comprometendo o normal funcionamento da FPO. Acho que já se percebeu que há uma convergência de posições para o Plano de Actividades, independentemente da continuidade ou não desta Administração. Daí que o primeiro ponto da Ordem de Trabalhos seja de facto o mais importante, neste momento. Há ainda outro aspecto que é importante referir. A responsabilidade pela Convocatória é minha e a proposta para votar a destituição do órgão colegial de Administração também é minha, conforme documento que difundirei aos Delegados nos próximos dias.


A destituição só ocorrerá se houver concertação para isso

Orientovar - Sem lhe pedir que faça futurologia ou avance com cenários, gostaria de saber o que espera da Assembleia Geral de 5 de Março o Presidente da Mesa da Assembleia Geral?

José Carlos Pires - Existem vários cenários possíveis para a próxima Assembleia Geral: a) de aprovação do plano e destituição da Administração; b) de rejeição do plano e não destituição da Administração; c) de rejeição do plano e destituição da Administração. Para a aprovação do plano, é necessária maioria simples. Para destituição da Administração, é precisa a maioria qualificada de 75%. Tomando em atenção os naturais apoios que a Administração tem neste momento, os relativos às representações por inerência e dos seus clubes de origem, a destituição só ocorrerá se houver concertação para isso. Espero ainda que o ambiente esteja mais sereno e haja um debate lúcido e responsável.

Orientovar - Considera a hipótese de se manter na Presidência da Mesa da Assembleia Geral da FPO, independentemente de continuarmos a contar com Alexandre Guedes da Silva e com esta Direcção ou não?

José Carlos Pires - O meu mandato terminará no final do próximo ano (ciclo olímpico), a menos que haja algo de anormal ou seja destituído. Os Estatutos estabelecem a independência dos órgãos sociais e actualmente até se exige que as eleições decorram com listas separadas. Significa isto que a vida da Mesa da Assembleia Geral é autónoma da do órgão de Administração, independentemente de quem lá estiver. Caso haja destituição do actual órgão de Administração, espero ter saúde para conduzir o próximo acto eleitoral, dar posse aos novos titulares e dirigir pelo menos a Assembleia Geral seguinte. Se este cenário se verificar, avaliarei nessa altura se sou ou não um estorvo a quem queira sessões concertadas. Parece-me que os Delegados não têm dúvidas quanto à minha independência e isenção no cargo que ocupo.


Consulte a Convocatória da Assembleia Geral do próximo dia 5 de Março AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

5 comentários:

Luís Sérgio disse...

Só para acrescentar que faltou formular a hipótese d) de aprovação do plano e não destituição da Administração;
Que pelo que é apontado parece ser o mais provável.
..
O Presidente da Mesa da AG, fala em diligencias junto dos "principais actores" e alega a democracia para manter sigilo. Eu acho que caso estes actores incluam pessoas externas aos actuais órgãos (o que parece estar implicito na busca dum Plano de conpromisso), essa mesma democracia exige a sua divulgação.

Ori-BTT de Rosa Choque disse...

E eu atrevo-me a acrescentar que um nível de escrutínio elevado é uma exigência normal e corrente em 2011. Voluntariado e amadorismo não são sinónimos de falta de profissionalismo, nem de laxismo. As pessoas têm de ter consciência de que os membros dos órgãos de gestão e fiscalização respondem pessoalmente pelas eventuais irregularidades. Nesta situação, quem é que vai assinar sem escrutinar? É fácil dizer aos outros para serem menos "rigorosos" quando não é a nossa casa, nem o nosso carro, nem o nosso ordenado que pode ficar comprometido.
Esta é uma realidade para a qual a FPO tem de acordar. Há alguns anos a esta parte mudou muita coisa em termos da regulamentação sobre estas matérias e a FPO não pode fazer de conta que não se passou nada e que somos todos amigos e uns "gajos porreiros" e que, por isso, se podem "fechar os olhos" a um ou outro "deslize financeiro ou contabilístico". Quem pensa assim, deve então chegar-se à frente para assinar de cruz, sem "escrutinar" ou escrutinar só ao de leve.

Almeida disse...

O Sr Presidente da mesa da AG tem razão!
Apenas esquece que a contestação ao Presidente e à Direcção se deve à menor qualidade do trabalho e conduta que protagonizaram e ao tal de “paradigma”… mas isso não é importante!
Importante é deixar claro que quando existirem eleições em 2012 as responsabilidades sobre a situação que vai existir serão partilhadas entre todos os defensores do “paradigma” (dívidas, contratos, compromissos, etc).
Do que se conhece (falta conhecer o parecer do CF) o “paradigma” e os seus adeptos acreditam que o Estado (o mesmo que corta nos salários, na saúde, na educação, nos benefícios sociais, etc, etc) vai passar dum apoio de 136 mil euros para mais de 500 mil!!! Eu acredito piamente (juro!!!) que é credível um aumento de 400% no apoio à Orientação!!!
Bons trabalhos.
Abraço

Luís Sérgio disse...

É compreensível e até desejável que o Presidente da Mesa da AG, opte por não entrar em diálogo a aqui. Aliás, é discutível a oportunidade desta entrevista antes dos necessários esclarecimentos directos às partes interessadas
(Clubes e Delegados).

Enquanto Delegado fico à espera das explicações para a decisão de pôr à votação a destituição dos órgãos de gestão da FPO.

Neste momento foi posto em cima da mesa um cenário de possível dissolução dos órgãos de gestão. Venham de lá essas apregoadas alternativas, para que os Delegados à AG posso decidir devidamente informados!

Pedro Dias disse...

Fiquei perplexo com esta entrevista, às tantos imagino que estive numa outra AG em Gouveia.
Lamento na verdade este silêncio de todos aqueles que no passado nunca se abstiveram (e bem) de publicamente "escrutinar" anteriores Direcções em actos de gestão. Agora proliferam os comentários privados, o diz-que-diz. Pergunto: porquê? Qual a causa deste silêncio (salvo algumas excepções)?
Tenho a minha teoria, e na verdade, esta entrevista só a reforça. Vejamos:
- onde é que houve ensaios para abandono da sessão? Se foi por mim... perdoem-me, fui atender uma chamada!
- alguém dentro daquela sala participou em grupos de conspiração para assumir o "poder"? É a leitura que tiro de "sessões concertadas".
Permitam-me plagiar o ditado populista
"Mais cego é aquele que não vê ou aquele que não quer ver?"
O que eu vi foi:
- Um elemento da Direcção com 3 intervenções infelizes, com vários ataques (inclusivé pessoais) que resultaram no aumento da crispação da AG:
1- Pretender logo no início que fosse indicado o sentido de voto dos representantes ligados à FPO;
2- Atacar de forma inacreditável e infundada um orgão de fiscalização acusando-os até de falta de seriedade
3- Uma declaração final a disparar para todos os lados, os tais "escrutinadores" não admitindo por qualquer via críticas ao orgão de gestão da FPO.
Portanto... uma estratégia para silenciar ou castrar opiniões. Resultado: a maioria dos representantes abstiveram-se em todas as votações!!

Vi o Sr. Presidente da FPO a informar que vai ele proprio formular uma nota de culpa contra um Presidente do orgão de fiscalização também sem qualquer tipo de justificação.

Isto foi para pacificar a Assembleia? De que lado vieram sempre os ataques pessoais? Porque não refere isso Sr. Presidente da AG?

O próximo Presidente do Conselho Disciplinar que venha preparado para trabalhar muito. Parece que na fila está também um processo a um Presidente dum grande clube.

Pergunto: no passado alguém foi ameaçado com processos disciplinares?

Chamam a isto democracia?

É verdade, fui eu que dei a voz a todos aqueles que no próprio dia, e no dia seguinte "escrutinaram" de forma crítica A POSTURA E SERIEDADE deste orgão de gestão.

A intenção foi de alertar para o caminho pantanoso para onde a FPO está a caminhar e dar nota aos delegados presentes que se não é este rumo que pretendem, a própria modalidade tem no seu seio individualidades com valores morais e sociais, de grande espírito de responsabilidade para colocar a FPO no caminho certo.

E não, publicamente afirmo que a iniciativa que tive não foi para ser Presidente da FPO ou até ser Oposição, mas sim encontrar esse grupo de individualidades. Não há qualquer oposição, há isso sim disponibilidade, assim os Srs. Delegados queiram.

Os delegados dos clubes, dos representantes de classes, tiveram este tempo para fazer a sua reflexão. Questionem nestes 4/5 meses a postura do proprio Presidente da FPO desde o período "pré-eleitoral", a força das primeiras sessões com muita abertura ao diálogo, e depois... forma como este Plano foi construido, discutido e apresentado. Cabe a todos avaliar os objectivos que estão por detrás das subitas mudanças, do querer manter-se a todo o custo.

Questionem: Que compromissos já foram assumidos? Que promessas foram dadas a uma determinada disciplina?

Será por receio de se descobrir? Será para dar agora um passo atrás, para depois dar dois à frente, depois de acalmadas as hostes (quem não fala... esquece).

Façam essa análise.

Depois... no dia da AG, fica ao critério de todos se preferem assim, ou se pedem uma alternativa.

É que até à data não vi publicamente essa força.

Uma coisa é certa: a legislação actual imputa responsabilidades cíveis e criminais aos titulares dos orgãos de gestão das federações desportivos.

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Pedro Dias