quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

I MEETING DE ORIENTAÇÃO DE GOUVEIA: THIERRY GUEORGIOU E AMÉLIE CHATAING DÃO-SE BEM COM OS ARES DA SERRA




Gouveia foi palco, no último fim-de-semana, dum evento maior do calendário nacional de Orientação Pedestre. Dividido em duas etapas, o I Meeting de Orientação de Gouveia atraiu a atenção de portugueses e estrangeiros e não defraudou as melhores expectativas. O líder do 'ranking' mundial, o francês Thierry Gueorgiou e a sua comptariota, Amélie Chataing, foram os grandes vencedores.


Anfitriã do primeiro dia do I Meeting de Orientação de Gouveia, Arcozelo é uma aldeia encravada numa aba da Serra da Estrela e deve a origem do seu nome à palavra latina 'arcucellum', sinónimo de “pequena ponte com um só arco”. Trata-se duma explicação suficientemente plausível, dada a proximidade de uma via romana e a existência de variadas ribeiras na região. Mas o povo acredita, sobretudo, que o nome tem relação directa com uma quinta que existiu no centro da aldeia, a qual possuia um arco e cujos donos proporcionavam acolhimento, comida e agasalhos, com muito zelo, a todos os peregrinos que por aqui passavam. O lugar começou então a ser conhecido por Quinta do Arco do Zelo. Por mim, agarro com mais força e emoção a segunda hipótese.

Deliciosa história esta, que nos convoca os sentidos ao encontro do último fim-de-semana onde, pelas mãos do CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida, os “peregrinos” da modalidade se viram acolhidos sob o arco caloroso da Orientação e tratados com um zelo inexcedível. Mapa e percursos desafiantes ao encontro duma natureza com tanto de belo como de agreste, arena de grande qualidade, animação com ponto de espectadores e um excelente “speaker” a levar a assistência ao rubro, uma enorme atenção ao detalhe e uma não menos enorme disponibilidade da parte de todos os elementos da organização em atender pronta e adequadamente a toda e qualquer solicitação e, não menos importante, um sol e uma temperatura benfazejas, a pintar os rostos de saudáveis cores e a encher de alegria os corações. E para retemperar forças, nada melhor que uma refeição no Restaurante Ponte dos Cavaleiros, parceiro da organização e aliado dos desvalidos estômagos, onde reina a boa comida e onde este que vos fala comeu um Requeijão com Doce de Marmelo de sobremesa que merecia entrar directamente no 'ranking' das sete maravilhas gastronómicas de Portugal (garantiram-me que o Arroz Doce com Leite de Ovelha não lhe fica atrás).


Orientação pura e dura

A etapa de Arcozelo, uma prova de Distância Intermédia disputada no Mapa da Ponte dos Cavaleiros – com cartografia de Luís Sérgio e percursos de Luís Santos -, fica marcada pelas retumbantes vitórias dos franceses Thierry Gueorgiou e Amélie Chataing, aqui com as cores dum dos mais sonantes emblemas mundiais, o Kalevan Rasti (Finlândia). O norueguês Olav Lundanes (Halden SK) e o francês Philippe Adamski (Kalevan Rasti), secundaram o nº 1 do Mundo, quedando-se a 2.29 e 6.01 de diferença, respectivamente. No sector feminino, Alicia Cobo (Navaleno) mostrou o porquê de ser a melhor atleta espanhola da actualidade e garantiu a segunda posição na etapa com 57.20, enquanto a austríaca Ursula Kadan (TV Fürstenfeld) foi a terceira classificada, a muito distantes 12.21 (!) da vencedora. No tocante aos portugueses, Tiago Aires (GafanhOri), com o tempo de 1.01.44, foi o nosso melhor representante na 8ª posição, enquanto no sector feminino, com 1.15.24, Patrícia Casalinho (COC) garantia o 5º lugar na etapa.

O dia seguinte levou de novo os participantes Serra acima, ao encontro da aldeia típica de Folgosinho e dos inúmeros painéis de azulejo com deliciosas quadras populares que decoram as suas ruas e praças. Para além das muralhas medievais, do singular castelo e do seu formoso pelourinho, é no Folgosinho que se abriga o Restaurante O Albertino, uma das maiores “praças fortes” do bem comer em Portugal e onde, como em nenhum outro lado, se vive uma experiência gastronómica seguramente inesquecível a muitos títulos. Valerá a pena dizer ainda que S. Pedro brindou a comitiva orientista de novo com um tempo magnífico – talvez demasdiado magnífico, a julgar pelo fumo dos incêndios florestais que se tornaram preocupantemente notados -, o ar permaneceu lavado e finíssimo, as águas que da serra descem continuaram a fazer ouvir o seu doce canto e a simpatia e o bem receber das gentes serranas a todos encantou mais uma vez.


Segundo dia confirma

Em termos competitivos, a etapa de Folgosinho introduziu uma novidade, combinando dois mapas e dois percursos num só, propondo a área de floresta a sul da aldeia para uma primeira parte de Distância Média e concluindo com um Sprint ao encontro do rendilhado tecido urbano da povoação. O cariz da prova não se alterou – é curioso constatar que as classificações do primeiro dia coincidem, no caso dos três primeiros lugares, com a classificação final do Meeting -, Thierry Gueorgiou e Amélie Chataing voltaram a demonstrar a sua enorme superioridade e entre os portugueses Tiago Aires e Patrícia Casalinho foram de novo os mais rápidos.

A luta pelo triunfo colectivo esteve verdadeiramente ao rubro, com a ADFA a ser o grande vencedor, ao somar um total de 3302,06 pontos. Nas duas posições imediatas, separados por escassos 22,8 pontos, classificaram-se o GD4C (3182,80 pontos) e o COC (3160,00 pontos), este último com o maior número de vitórias individuais, nada mais nada menos que cinco. A quarta posição coube ao GafanhOri com 2765,40 pontos, enquanto no quinto lugar ficou a turma do Ori-Estarreja, com 2643,70 pontos.




Notas finais

Entre as notas finais, refira-se desde logo a participação de 534 atletas distribuídos por 30 escalões de competição, aos quais se juntam 137 participantes nos quatro escalões de Promoção. Destes, cerca de setenta são oriundos de oito países europeus (com destaque para Espanha e Áustria) e contabilizou-se ainda a presença dum atleta brasileiro. O programa delineado não se resumiu à vertente competitiva e foi com enorme agrado que vimos um excelente número de gouveenses (e não só!) atrever-se a saborear pela primeira vez o gostinho da Orientação na amena tarde de sábado, participando numa actividade que se desenrolou num pequeno mapa em torno da Câmara Municipal de Gouveia. A Orientação atraiu igualmente as atenções de muitos visitantes do espaço cultural João Abel Manta, no centro de Gouveia, onde está patente uma exposição de fotografias da autoria de Joaquim Margarido e Gonçalo Cruz.

A finalizar, uma nota muitíssimo elevada para o cuidado posto pela organização na promoção e divulgação do evento. Não tivemos o OTV mas a Televisão Pública esteve lá e fez a Reportagem e, para consumo interno, no próprio domingo, último dia do Meeting, o World Of O publicava uma notícia [AQUI] com assinatura do incontornável Jan Kocbach, dando conta das principais incidências do evento. Uma página no Facebook sempre actualizada, resultados on-line na hora, inúmeras galerias fotográficas reportando o evento e os posts entretanto publicados na rede pelos mais diversos agentes da modalidade, configuram o evento como um dos de mais elevado nível neste particular capítulo - e não só! - até hoje realizados no nosso país.

Saiba tudo sobre o I Meeting de Orientação de Gouveia em http://www.cpoc.pt/eventos.php?ev=19Trofeu.


[O Orientovar esteve em Gouveia a convite da organização do evento, tendo ficado excelentemente alojado na Residencial Monteneve]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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