terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

GIAIME ORIGGI: "ESPERO VER NO FUTURO EVENTOS MAIS PROFISSIONAIS"




Giaime Origgi é um dos mais conceituados orientistas em BTT da actualidade. Campeão italiano de Distância Longa em título e 15º classificado do ranking mundial, Origgi esteve em Portugal onde participou no II Open de Orientação em BTT de Sesimbra. Ao Orientovar falou dessa experiência pouco frutuosa e de muito, muito mais.


Orientovar – Este é um regresso a Portugal, meio ano depois de ter participado no último WOC MTBO, em Montalegre. Que recordações guarda dessa semana passada em Terras de Barroso e Alto Tâmega?

Giaime Origgi – Sim, estou de novo em Portugal visto entender esta prova WRE aqui em Sesimbra como uma excelente oportunidade para retomar a competição após a pausa invernal. É um prazer voltar a Portugal depois do bom Mundial do ano passado. De Montalegre tenho duas recordações contrastantes. Por um lado, a boa prova de Distância Média e a Estafeta; por outro lado, a desilusão na prova de Sprint e sobretudo na prova de Distância Longa, que era a corrida onde depositava maiores esperanças. Nesta experiência positiva, não posso deixar de pensar naquilo que aconteceu a Hana Dolezalova. Num Mundial sentimo-nos um pouco como que numa grande família e uma episódio deste género marca-nos a todos de forma bastante profunda.

Orientovar – Em que medida, a histórica medalha de bronze de Luca Dallavalle foi importante para a Orientação em BTT italiana?
Giaime Origgi – Claramente, os bons resultados transmitem entusiasmo a toda a equipa. Já a minha vitória na prova WRE de Vesoul, França, em Maio, tinha dado a perceber que estávamos no bom caminho e que poderíamos alcançar bons resultados, o que acabou por se confirmar com este resultado do Luca no Mundial. Tudo isto é muito importante também sob a óptica do Mundial deste ano, que terá lugar em Itália.


É desejável que se faça um pequeno esforço acrescido para optimizar a quantidade imensa de trabalho que se despende quando se organiza uma manifestação de Orientação em BTT deste nível

Orientovar – Qual a sua opinião acerca do actual estado da Orientação nos países do Sul da Europa – Portugal, Espanha, França e Itália – e qual a sua posição relativamente aos restantes países?

Giaime Origgi – A França merece talvez uma palavra à parte, não só porque obteve grandes resultados tanto na vertente Pedestre como na Orientação em BTT e possui uma cultura orientística de espectro muito mais amplo (veja-se a enorme quantidade de provas de Orientação que organizam um pouco por todo o país). Não conheço muito bem a situação quer da Espanha, quer de Portugal, mas no tocante à Itália posso garantir que é, seguramente, um país muito dado à prática da Orientação em BTT e do Ciclismo, duma maneira geral.

Orientovar – Com respeito à sua participação neste II Open de Orientação em BTT de Sesimbra, dum modo geral, qual a sua opinião acerca das provas e da organização?

Giaime Origgi – Não fui muito feliz com as provas deste fim-de-semana. Depois da bela vitória no Sprint, à frente do Davide Machado, na prova de Distância Média tive alguns problemas mecânicos e também não me senti fisicamente nada bem pelo que decidi não forçar e desisti, procurando recuperar e estar em condições para a última prova. Todavia as coisas não melhoraram e acordei com um pouco de febre pelo que decidi não alinhar na prova de domingo. Foi uma pena porque o terreno parecia prometer uma corrida interessante, mas paciência. Esperemos que o tributo à sorte esteja saldado e que as coisas corram bem daqui para a frente. No que respeita à organização, seguramente não há nada a apontar no tocante aos aspectos técnicos, aos traçados e aos terrenos que estiveram à altura. Talvez tivesse sido possível prever um “corte” nos percursos, tendo em conta as condições meteorológicas, sobretudo na prova de Distância Média, uma vez que um tempo de 1h21 é um pouco exagerado para uma corrida de início de temporada. Por outro lado, a “envolvência” da prova poderia ser mais cuidada, com umas chegadas mais ao estilo duma prova de Orientação em BTT, um ponto de espectadores mais visível, um pouco de música, se possível um 'speaker', esse tipo de coisas... de forma a dar ao todo um ar de festa! Esta não é uma crítica à organização, que foi inexcedível de gentileza para connosco, e agradeço em particular ao António e ao Jorge neste aspecto. É antes uma constatação que importa realçar e que vemos numerosas vezes, mesmo em provas mais importantes. Imagino quão difícil será organizar uma prova desta natureza mas é desejável que se faça um pequeno esforço acrescido para optimizar a quantidade imensa de trabalho que se despende quando se organiza uma manifestação de Orientação em BTT deste nível.


Reconhecimento pelos projectos que se vão concretizando em Itália

Orientovar – No Outono passado, juntou o seu nome aos de Michaela Gigon, Adrain Jackson e Anke Dannowski na Comissão de Atletas da IOF de Orientação em BTT. Quer falar-me disso?

Giaime Origgi – A proposta para integrar a Comissão de Atletas partiu de Michaela Gigon por ocasião da final da Taça do Mundo, em Itália. O convite constituiu um enorme prazer em termos pessoais, mas também foi importante para a Federação Italiana, uma vez que assinala a nossa presença no âmbito da Federação Internacional de Orientação e representa, em certa medida, o reconhecimento pelos projectos que se vão concretizando em Itália: primeiro, a Taça do Mundo do ano passado, depois os Mundiais de Ori-BTT do próximo Verão e finalmente os Mundiais de Orientação Pedestre em 2014.

Orientovar – Quais são os objectivos desta Comissão?

Giaime Origgi – Entendo que a nossa tarefa tem o propósito de ir chamando a atenção da Comissão de Orientação em BTT e da própria IOF para os problemas sentidos pelos atletas, com o intuito de tornar as nossas provas cada vez mais interessantes. Pessoalmente, espero ver no futuro eventos mais profissionais, não apenas do ponto de vista técnico mas também sob o aspecto coreográfico, com Arenas que possam estar à altura da importância dos eventos.


Uma medalha num Mundial corrido “em casa” é um sonho para qualquer atleta

Orientovar – Os próximos Mundiais de Orientação em BTT terão lugar na região do Veneto, no seu País. O que poderemos esperar dessa semana de competições ao mais alto nível?

Giaime Origgi – Poderá parecer estranho, mas sei realmente muito pouco dos argumentos que a organização prepara para estes Mundiais. Existe uma grande expectativa em relação ao evento, iremos ter nalgumas ocasiões a televisão pública a transmitir peças sobre as provas e estou certo de que a organização tudo fará para proporcionar uma semana inesquecível a todos os participantes. Quem vier poderá comprová-lo...

Orientovar – Vamos ver de novo, no próximo mês de Agosto, um atleta italiano num pódio dos Mundiais? Talvez Giaime Origgi?

Giaime Origgi – Esperemos que sim! Uma medalha num Mundial corrido “em casa” é um sonho para qualquer atleta. É-o também para mim, sobretudo se acontecesse na Estafeta, uma prova que me diz muito.


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

2 comentários:

António Rusga disse...

Olá Margarido,

Agradeço os artigos publicados sobre o 2ºOpen O-BTT de Sesimbra.
O 1º artigo “II OPEN DE ORIENTAÇÃO EM BTT DE SESIMBRA: VITÓRIAS DE DAVIDE MACHADO E LAURA SCARAVONATI”, relata bem o que em suma aconteceu no fim-de-semana em termos de resultados.

O artigo seguinte “II OPEN DE ORIENTAÇÃO EM BTT DE SESIMBRA: AS OPINIÕES DOS PROTAGONISTAS”, transcreve as opiniões pessoais de alguns atletas, o que me parece igualmente bem.
O anuncio “Não perca amanhã, na Grande Entrevista, as palavras e o sentir de Giaime Origgi acerca deste II Open de Orientação em BTT de Sesimbra ...”, deixou-me na espectativa.

O título “GIAIME ORIGGI: "ESPERO VER NO FUTURO EVENTOS MAIS PROFISSIONAIS”, deixou-me de respiração suspensa.
Depois de ler todo o artigo, acabo por me aperceber que, no fundo, o atleta Italiano nada diz de novo ou diferente sobre o evento de Sesimbra e que o título se refere de facto ao papel da Comissão de atletas junto da Comissão de O-BTT na IOF.

Raio de título para um artigo que se esperava ser sobre o Open de Sesimbra...

A única coisa a apontar na opinião emitida por Giaime Origgi, é o facto de o Italiano não se ter apercebido (como a maioria dos atletas) de que tínhamos o equipamento necessário para animar a arena de Sábado. Mas as condições climatéricas pura e simplesmente não o permitiram.
Estavam sim montados e prontos a funcionar os sistemas de som e OESpeaker que nos permitiriam animar a arena de Domingo, com ponto de espectadores visível e acessível a todos...
Infelizmente, no momento em que íamos começar a usar o sistema de som, este avariou (queimou a fonte de alimentação com um grande estoiro) e vimo-nos forçados a procurar uma alternativa (a um Domingo de manhã).
Acabámos por conseguir reunir e montar outro sistema de som, apenas a tempo de fazer a cerimónia de entrega de prémios...

Foi este o nosso prémio para o ”pequeno esforço acrescido para optimizar a quantidade imensa de trabalho que se despende quando se organiza...”

Abraço
Rusga

Dani disse...

Para que não haja dúvidas:
Portugal tem das organizações mais competitivas do mundo!

Parabéns ao GDUazoia por mais uma excelente jornada de Orientação em BTT.